sexta-feira, 3 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão sobre ‘penduricalhos’ ampliou incerteza

Por O Globo

Depois de STF ressuscitar quinquênio para juízes e procuradores, demais servidores também querem a regalia

Era previsível: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tentou disciplinar os supersalários no serviço público surtiria efeito contrário, abrindo caminho para outras categorias reivindicarem as mesmas bondades concedidas ao Judiciário e ao Ministério Público (MP). Pois não deu outra. Levou uma semana para o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate) reivindicar ao Ministério da Gestão e Inovação a retomada da discussão sobre o adicional por tempo de serviço para servidores públicos — a promoção automática conhecida como quinquênio —, com base na decisão que o ressuscitou para juízes e integrantes do MP. O quinquênio havia sido extinto por Emenda Constitucional em 2003.

Enquadrar Fachin é inversão, por Vera Magalhães

O Globo

Aqueles que deveriam ser instados a dar explicações e adotar a transparência sobre suas ações isolam o presidente e tentam evitar medidas mínimas de transparência

O problema da formação de panelas em colegiados com poucos assentos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), é que os alinhamentos produzem distorções que acabam por agravar os vícios e impedir sua correção. Edson Fachin nunca foi integrante dos grupos, mais ou menos fluidos a depender da época e das circunstâncias políticas, que se formam no STF. Tímido, menos empavonado que os colegas e não tão afeito às costuras como muitos de seus pares, tem alternado momentos de adesão e outros de isolamento ao longo dos anos em que está na Corte.

Nas asas de Vorcaro, Por Bernardo Mello Franco

O Globo  

Dois ministros do Supremo viajaram em jatinhos de Daniel Vorcaro. A revelação deveria apressar a Corte a aprovar um código de conduta. Nos últimos dias, ocorreu outra coisa: cresceu a resistência às regras propostas pelo presidente Edson Fachin.

A notícia das caronas aéreas criou novos problemas para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os ministros já estavam ligados ao caso Master por repasses milionários — um via resort, outro pelo escritório de advocacia da família. Agora precisam explicar por que embarcaram em aeronaves do banqueiro preso.

Patriotas de vermelho, azul e branco, por Pablo Ortellado

O Globo

Declarações e atos da família subordinam interesses brasileiros à aliança com os Estados Unidos

Flávio Bolsonaro fez uma palestra na CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos, no último sábado. Como era de esperar, em seu discurso atacou as elites globalistas, o ambientalismo, a agenda woke e o Estado profundo; protestou contra a prisão do pai e acusou o presidente Lula de se alinhar com a China — propondo, em contrapartida, alinhar-se aos Estados Unidos se eleito presidente.

Em busca de narrativa eleitoral, Lula defende Pix sob ataque dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A adoção de um discurso mais combativo indica que o presidente compreendeu a necessidade de recompor sua base eleitoral e melhorar a avaliação do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram nesta quinta-feira a um relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio exterior. A posição da Casa Branca não é nova, mas a divulgação do relatório deu oportunidade para que Lula tente politizar ao máximo a questão e transformar a defesa do Pix numa bandeira eleitoral com popularidade. É a busca de uma narrativa convincente sobre o bom desempenho de seu governo para tentar aumentar sua aprovação.

Lula reage aos EUA: Pix não vai mudar

Por Francisco Artur de Lima / Correio Braziliense

Presidente diz que sistema de pagamento instantâneo é brasileiro e ninguém fará o país modificá-lo. Declaração ocorre após relatório apontar que o mercanismo é uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.

Lula enfatizou que nenhum país nem "ninguém" vai alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país. "Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", enfatizou. "O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país."

STF atua pela liberdade de expressão, diz Fachin

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF rebate relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA que acusa a Corte de censura. Ministro ressalta que o Supremo preza pelos direitos fundamentais, reconhecidos pela Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa das instituições brasileiras após a repercussão de um relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O documento, que aponta supostas violações à liberdade de expressão no Brasil com efeitos extraterritoriais, foi classificado pela Corte como uma peça baseada em "caracterizações distorcidas". Em resposta, o tribunal prepara esclarecimentos diplomáticos para restituir a "leitura objetiva dos fatos" junto ao Congresso americano.

Os CPFs versus o CNPJ do Supremo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O mundo está caindo na cabeça de Moraes, mas ele e o STF fingem que não é com eles

Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo – justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.

Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço direito, o pastor esquisitão e supertatuado Fabiano Zettel.

Suprema blindagem, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o exbanqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.

É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam.

Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro e, agora, as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

Trump afunda em contradições, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O pronunciamento do presidente Donald Trump perante a nação, na quarta-feira, veio carregado de contradições. Foi o primeiro depois do início da guerra, feito por meio de texto previamente preparado, apresentado via teleprompter, e não por tiradas improvisadas em “quebra-queixos” diários aos repórteres reunidos em cada ocasião.

Ele disse que o Irã está militarmente aniquilado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Mas, em seguida, afirmou que a guerra prosseguiria por pelo menos “duas ou três semanas”. Não ficou claro o que seriam essas operações destinadas a “completar o trabalho”. Em outras declarações, Trump já afirmara que a guerra não duraria mais do que duas ou três semanas, prazo que acabaria sucessivamente dilatado.

Apequenando a América, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Políticas de Donald Trump minam os pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Donald Trump procura "tornar a América grande de novo" exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder.

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de "mundo livre". Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas. Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da OMC à ONU.

Do paraíso de Darcy ao inferno de Lula no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A frase do antropólogo sobre o céu dos senadores hoje não reflete o ambiente de hostilidade reinante na Casa

Alcolumbre pressiona, ameaça, mas terá de arcar com o ônus de deixar o STF desfalcado até quando durar a pirraça

Darcy Ribeiro (1922-1997) criou a frase célebre de comparação do Senado ao paraíso, na qual ressaltava a vantagem de se chegar ao Congresso sem o pré-requisito da morte. Celebrava o próprio mandato, conquistado em 1990 pelo Rio de Janeiro.

Luiz Inácio da Silva (PT) pareceu ecoar o conceito ao dizer que os senadores, "com mandato de oito anos", se veem como deuses. Talvez a intenção tenha sido fazer a referência, mas a diferença entre o antropólogo e o presidente vai além das três décadas que separam os respectivos ditos. Há as circunstâncias.

Vorcaro para principiantes, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem é o homem por trás desse currículo de dar inveja aos seus colegas da Faria Lima?

Como foi sua infância? Jogava pelada, matava aula, levava a Playboy para o banheiro?

Daniel Vorcaro é um contêiner de surpresas. Não há dia em que não se abra um arquivo sem encontrar uma façanha de sua lavra. E, como todas, da ordem de milhões, bilhões de reais, capaz de quebrar bancos, envolver figurões da República e atolar os Poderes num lamaçal histórico. É um dos dois ou três nomes mais citados do noticiário, e o espantoso é que, até há pouco, ninguém ouvira falar dele. Mesmo hoje, não sei de ninguém que responda a perguntas simples, tipo: Como Vorcaro juntou tanto dinheiro e tão rápido? De onde tirou o know how? Quais foram seus mestres?

Lula entre a aflição e o tiro no pé, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina

Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.

O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

Dinheiro e religião, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo

A frequência de notícias de pastores e missionários de igrejas evangélicas em casos de anomalias envolvendo formas não convencionais de ganhar dinheiro, apuradas pela polícia e pela Justiça, indica que o problema passou dos limites da “normalidade”. Entre as mais recentes estão casos ligados a algumas igrejas evangélicas neopentecostais.

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo. Em vez de sacrário, um gasofilácio sem fundo. Por que o dinheiro nas mãos dessa gente torna-se isento de suspeita? Supostamente porque esses religiosos falam e agem em nome de Deus. Mas fomentar essa crença transforma esse negócio de falar em nome de Deus em negócio suspeito.