sexta-feira, 10 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Agenda de austeridade é bem-vinda no Rio

Por O Globo

Governador interino propõe enxugar máquina, sanear finanças e impor regras fiscais próprias

São sensatas e bem-vindas as medidas de austeridade defendidas pelo governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, em entrevista ao GLOBO. O estado, frequentador assíduo de programas de recuperação fiscal, aderiu recentemente ao Propag, socorro federal a entes endividados. Certamente isso trará alívio necessário às contas estaduais. Mas a situação hoje é crítica. O Orçamento deste ano prevê um rombo de R$ 19,5 bilhões. São questão de bom senso o saneamento das finanças e o enxugamento da máquina pública promovidos por Couto.

Lições da Copa, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Julgamo-nos vitoriosos já antes do jogo. Vitoriosos do engano e da ilusão

Não ganhar a Copa do Mundo de 2026 estava no destino de todas as seleções que dela estão participando, menos no de uma, a que a vencerá. Desta vez não seremos nós. Como não fomos em várias Copas anteriores. No esporte, ganhar não é uma certeza, como perder também não o é.

A incerteza em tudo na vida é uma derrota. Essa é uma das mais fortes concepções do senso comum do povo brasileiro. Um povo que até hoje não se tornou um povo de verdade, a não ser na mera formulação jurídica. Somos um conjunto disperso de diversidades que não se juntam nem se encontram.

Michelle insiste e avisa que é ‘imparável’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Ex-primeira-dama agora se coloca como líder de um movimento político amplo, e quer dialogar com homens e mulheres

Se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é o autodeclarado “imbrochável”, com direito a distribuir medalhas com o título aos aliados, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro dobrou a aposta na rebeldia, e avisou que será “imparável”.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou na quarta-feira (8) que em até 20 dias fincaria a bandeira branca no partido, reconciliando-a com o enteado, o presidenciável da sigla, senador Flávio Bolsonaro (RJ). Contudo, a ex-presidente do PL Mulher foi a público comunicar que tem outros planos. Para além de liderança feminina, ela agora se coloca como líder de um movimento político amplo, e quer dialogar com homens e mulheres.

Alcolumbre não se entende com Lula e congela a agenda do Congresso, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O rompimento entre o presidente Lula e o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, ocorrido após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, tornou-se o principal fator de bloqueio da pauta legislativa.

Com o Brasil fora da Copa e a política retomando o centro da cena, o Congresso Nacional entrou definitivamente em modo eleitoral. A sessão do Congresso prevista para essa quinta-feira foi cancelada por falta de acordo entre seu presidente, senador Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Legislativo não deve votar mais nada de relevante antes do recesso e, muito provavelmente, tampouco antes das eleições de outubro.

A paralisia atinge temas como a PEC da Segurança Pública e a regulamentação da exploração de terras raras. Na prática, a agenda institucional foi sequestrada pela disputa de poder entre o Executivo e o Congresso. O rompimento entre Lula e Alcolumbre, ocorrido após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, tornou-se o principal fator de bloqueio da pauta legislativa.

Nos ouvidos do rei, por Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo

Formular propostas certas é a parte fácil. Fazê-las atravessar a desconfiança política e a real capacidade de execução é o verdadeiro trabalho

Com a aproximação das eleições de outubro, é curioso observar dois movimentos que parecem contraditórios. Por um lado, um sentimento generalizado de fatalismo. A polarização política, confirmada e reforçada pelas pesquisas de voto, indica que estamos fadados a ter que escolher entre os candidatos menos ruins, responsáveis, cada qual à sua maneira, pela situação em que a maior parte do País se encontra, com a economia se arrastando, as contas públicas fora de controle, a má qualidade das políticas sociais e as instituições em frangalhos.

Os Bolsonaro, como os peixes, morrem pela boca, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Jair & filhos acabam prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que fazem e falam

Michelle, ao contrário, pensa no que diz, tem roteiro, frieza e, sobretudo, visão estratégica

Característica marcante em Jair Bolsonaro & filhos é a incapacidade de prever o efeito de seus atos. Acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. São como peixes: morrem pela boca.

O pai perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão Eduardo batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".

A barreira do nojo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Técnicos precisarão convencer habitantes da Grande São Paulo que é ok abastecer represas com água (tratada) de esgoto

Repulsa a coisas que consideramos sujas tem valor adaptativo para prevenir doenças e dá base a nossas intuições morais

Eu não queria estar na pele dos técnicos que precisarão convencer os habitantes da Grande São Paulo de que é legal usar água de esgoto, tratada, frise-se, para irrigar as represas de onde tiramos o líquido que chega a nossas torneiras. Eles terão de enfrentar uma das mais poderosas emoções humanas, o nojo.

Encastelado num planalto, o conurbado paulistano fica perto demais das nascentes dos rios adjacentes, onde a vazão de água tende a ser baixa. Compensamos isso nos abastecendo em mananciais cada vez mais distantes. Não é uma solução que possa ser estendida indefinidamente.

Ideia da seleção como alma da brasilidade perdeu sentido, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

O futebol já cumpriu seu papel na formação de um ethos nacional marcado pela cultura imaginosa e mestiça

Continuar a ver no desempenho da seleção uma promessa ou um fracasso de nação é mecanicismo

A ideia do futebol, em especial aquele apresentado pela seleção, como uma espécie de expressão da nacionalidade, da alma brasileira e das capacidades e características do país já cumpriu seu papel. Houve um momento histórico, ao longo do século 20, que o nobre e rude esporte bretão ganhou novos contornos entre nós, como observaram alguns de nossos intérpretes –o mais recente e fulgurante deles, José Miguel Wisnik, em seu livro "Remédio Veneno".

Todas as fichas no Senado, por Vera Magalhães

O Globo

A composição daquela que é considerada a Câmara Alta do Congresso definirá se os quatro anos até 2030 serão marcados por uma grave e prolongada crise entre os Poderes

Jair Bolsonaro deu a largada antes na montagem de seu time para a disputa ao Senado, mas a estratégia derrapou nos últimos meses graças às disputas internas da própria direita. A dúvida quanto à candidatura de Michelle Bolsonaro é apenas a mais visível das fissuras no casco do navio com que o ex-presidente esperava dominar a Casa e, a partir dela, pôr em marcha seu plano de subjugar o Poder Judiciário, dando andamento a processos de impeachment contra ministros e a medidas para manietá-lo e, se possível, acelerar a mudança da composição do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cartola de toga, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Francisco Mendes é favorito para assumir confederação antes da próxima Copa

No último domingo, a seleção perdeu para a Noruega e encerrou sua pior campanha em Copas do Mundo desde 1990. Dois dias depois, Gilmar Mendes foi às redes expressar “gratidão” aos jogadores. “Meu agradecimento a cada atleta pela dedicação e pelo compromisso com que honraram (sic) a camisa do Brasil”, escreveu.

O supremo ministro aproveitou para anunciar o início de um “novo ciclo”. “A permanência de Carlo Ancelotti à frente da equipe dá solidez a esse recomeço, e a seleção que se renova encontrará no torcedor, uma vez mais, a sua maior força”, pontificou. Ao pé do tuíte de estadista, usuários do X acrescentaram uma nota informativa: “Gilmar Mendes não mencionou, mas ele próprio e o filho têm grande influência na CBF”. As 15 palavras expuseram o conflito de interesses que o decano do STF preferiu omitir.

Entrevista: "Melhor estratégia em Minas é candidato fora do PT', diz Camilo Santana

Por Jeniffer Gularte – O Globo

Novo líder do PT no Senado admite que "ficou um arranhão" na relação entre Lula e Davi Alcolumbre após Jorge Messias ser derrotado para a vaga do STF

Ex-ministro da Educação e atual integrante da coordenação de campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE) afirma que o PT não deveria ter candidatura própria em Minas Gerais, sob pena de sofrer um revés eleitoral importante no segundo maior colégio eleitoral do país. Santana admite que a memória de avaliação ruim do governo de Fernando Pimentel no estado dificulta a viabilidade eleitoral da legenda no estado.

O parlamentar defende que o PT apoie um nome de partido aliado e classifica essa indefinição como "a maior preocupação" da definição dos palanques, a poucos dias do início do período das convenções. Enquanto o governo anuncia um pacote de medidas com impacto fiscal às vésperas da eleição, o ex-ministro admite a necessidade de um ajuste nas contas no início de um eventual quarto mandato.

Ao assumir a liderança do PT no Senado, Camilo Santana afirma que tem atuado para distensionar a relação entre Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), mas admite que "ficou um arranhão" após Jorge Messias ser derrotado para a vaga do Supremo Tribunal Federal. Defensor de que não se deve "fechar a porta para ninguém", Santana afirma que as sucessivas crises da campanha de Flávio Bolsonaro têm aberto diálogo para uma aliança da federação União-PP com Lula durante a corrida presidencial.