Correio Braziliense
É impossível assistir à série da Netflix sem
pensar no presente, porque o atual presidente dos EUA colocou em xeque práticas
institucionais consolidadas durante mais de dois séculos
Geralmente, quando vivemos uma situação que
não conseguimos compreender de imediato e para a qual não encontramos uma
explicação plausível no presente, recorremos ao passado. A origem dos problemas
e das contradições que a produziram costumam oferecer as melhores pistas para
melhor compreender o que se passa e projetar o futuro. A história não fornece
receitas prontas, mas amplia nossa capacidade de compreensão. Segundo Karl
Marx, em O 18 Brumário de Luís
Bonaparte, de 1852, "a história se repete, a primeira vez como
tragédia, a segunda como farsa".
Mas nem sempre. A história não avança em círculos perfeitos. Ela reapresenta velhos conflitos sob novas circunstâncias, modifica seus protagonistas e produz desfechos inesperados. Vivemos um desses momentos. A inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia e automação remodelaram a produção, o trabalho e a distribuição do poder econômico. Entretanto, enquanto a ciência acelera o futuro, a política parece caminhar para trás.












