terça-feira, 14 de julho de 2026

Avatar, por Merval Pereira

O Globo

Os Bolsonaros estão conseguindo manter acesa a campanha eleitoral para a Presidência da República em torno de seus problemas

Em política há uma máxima que diz que o importante é estar no centro da discussão, não necessariamente vencê-la. É uma vertente maximizada daquela outra máxima: “falem mal, mas falem de mim”. Menos glamurosa que a de Ferreira Gullar:

— Não quero ter razão, quero é ser feliz.

É mais que isso. É controlar o debate político, como fazem os grandes armadores dos times de futebol, que ditam o ritmo do jogo, aceleram ou desaceleram as jogadas de acordo com o interesse do seu time. Pois os Bolsonaros estão controlando a campanha eleitoral para a Presidência da República, conseguindo mantê-la acesa em torno de seus problemas, de suas questões, transformando brigas familiares em tema de debate político que inunda as redes sociais e as conforma em nichos da direita, dando pouco espaço para a esquerda se expandir.

Longevidade não pode ser olhada só com lentes fiscalistas, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Transição demográfica implica custos, mas também pode gerar riqueza

Acabou a Copa do Mundo para o Brasil e o próximo grande evento aqui, muito mais importante, são as eleições de outubro. Os temas em debate destacam segurança, soberania, inflação, educação e corrupção. Nenhum dos pré-candidatos, porém, disse até agora uma única palavra sobre como pretende lidar com uma questão crucial: o envelhecimento da população brasileira.

No ano 2000, o número de pessoas com mais de 60 anos no país, 15 milhões, representava 8,7% da população. Atualmente, os idosos são 33 milhões, 15% da população - a ONU considera uma sociedade envelhecida quando esse índice ultrapassa 14%.

Lula amplia ações para aproximar-se do eleitorado evangélico, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Estratégia ganhou força com o recente contencioso entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Num momento em que o PL ainda contabiliza os danos junto ao eleitorado religioso provocados pelo atrito entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o presidenciável da sigla, senador Flávio Bolsonaro (RJ), a pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou as ações para melhorar o diálogo com os evangélicos, segmento refratário ao PT. Em paralelo, emissários tentam articular uma aproximação entre Lula e o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

A mais recente rodada da pesquisa Quaest, divulgada em 10 de junho - antes da publicação do vídeo de Michelle -, já havia revelado um derretimento de Flávio junto aos evangélicos, em contraste com um crescimento de Lula. A perda de apoio do senador nesse segmento foi atribuída à revelação de suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

As barreiras contra o crescimento de Flávio, por César Felício

Valor Econômico

Oposicionista pode crescer com voto útil, mas sua rejeição tem raízes estruturais

De cada seis eleitores, cinco dizem que definem o voto para presidente antes da campanha eleitoral começar ou logo no seu início. O eleitor brasileiro gosta de se dizer imune ao noticiário imediato, a pressões de amigos e familiares e à intensidade da propaganda.

A campanha eleitoral formal no Brasil é muito curta, bem menor que a de outros países presidencialistas como Estados Unidos, Colômbia e Argentina. As convenções partidárias podem ser realizadas a partir da próxima semana, mas a campanha propriamente dita começa apenas em 16 de agosto, um dia depois do prazo final para registro das candidaturas.

Moraes proíbe Bolsonaro de ver o filho, e Flávio se aproxima de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ministro do STF criou um fato político que reforça a narrativa de perseguição construída pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na percepção dos estrategistas de campanha, mais favorece do que prejudica o parlamentar na disputa pela Presidência da República, num momento em que o candidato do PL se beneficia da carta de seu pai defendendo sua candidatura.

Na decisão, o ministro entendeu que o senador utilizou o direito de visita para burlar a proibição imposta ao pai de utilizar redes sociais por intermédio de terceiros, porém a medida interfere diretamente na dinâmica da campanha presidencial e pode alterar a disputa pelos eleitores independentes. Moraes criou um fato político que reforça a narrativa de perseguição construída pelo bolsonarismo desde a condenação do ex-presidente. Por isso, favorece a candidatura de Flávio, no momento de interrupção de sua trajetória de queda.

Um novo viés bolsonarista, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Se Jair Bolsonaro está com Flávio, problema dele; Michelle tem projeto, é ‘imparável’ e boa de briga

O único motivo da carta manuscrita e pública de Jair Bolsonaro foi desautorizar sua mulher, Michelle, e tomar partido do filho 01, Flávio, a quem chamou de “meu candidato e meu porta-voz”. Após semanas de dúvidas, o ex-presidente foi claro: está com Flávio, contra Michelle.

Imagine-se o ambiente numa casa em que o patriarca está doente, preso, de tornozeleira, e sua mulher rompeu com seus filhos e declarou independência política. E mais: uma casa que, durante 90 dias, vai ficar de portas fechadas para o primogênito, por decisão de Alexandre de Moraes, do STF.

A emenda Valdemar, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

É claro que uma ferramenta legislativa disparadora de bilhões de reais – aplicada de maneira obscura e autoritária – chegaria às mãos de poderosos sem mandato parlamentar. Desenvolvimento natural da cultura de fachadas e laranjas que norteia a atividade pública entre nós.

Falo do orçamento secreto. Instrumento obscuro, que, assaltando o Orçamento da União, ergue ode à falta de transparência como meio de ação. Instrumento também autoritário, porque a favor do desequilíbrio de forças em anos eleitorais. Falo de um Valdemar Costa Neto. É claro que essa ferramenta – com potencial para ser fundo eleitoral paralelo – chegaria a Valdemar, proprietário de partido, proprietário das lideranças partidárias de seu partido, senhor dos servidores legislativos de seu partido e sócio dos donos do Congresso.

Vergonha e prejuízo, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

É preciso agir com sensatez para reduzir os estragos que um político em dificuldades eleitorais é capaz de produzir

Coordenador em São Paulo da ainda incerta campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem procurado manter distância adequada da disputa pelo Palácio do Planalto. Carioca que mal sabia seu local de votação em 2022, quando foi eleito para o cargo, Tarcísio, como informou o Estadão, tenta evitar que sua imagem seja turvada pelas crises que assombram Flávio Bolsonaro.

Nisso o governador paulista está certo. Aproximar-se demasiadamente do filho do expresidente da República, atualmente cumprindo pena em prisão domiciliar, pode prejudicar a pretensão política de Tarcísio, candidato à reeleição. Presunçoso, arrogante e apontado como envolvido em nebulosas transações financeiras com o dono do extinto Banco Master, Flávio Bolsonaro parece não se cansar, por palavras e atos por ele mesmo decididos, de demonstrar como é extenso seu despreparo e como é incontrolável seu desejo de bajular Donald Trump.

Flávio Dino puxa um novo fio de fraudes na meada das emendas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dirigentes dos partidos deixaram papel administrativo para avançar sobre atribuições legislativas

Quem controla a distribuição das verbas públicas tem poder de mando sobre deputados e senadores

descoberta da Polícia Federal sobre a captura de emendas ao Orçamento em proveito de Valdemar Costa Neto vai além de prejuízo que o presidente do PL possa causar à candidatura presidencial do partido, na figura de Flávio Bolsonaro.

Diz respeito, sobretudo, ao poder dos dirigentes partidários em relação à distribuição de verbas públicas. Fala-se em uso "irregular", mas o que se tem nos apontamentos da PF é o relato de uma ilegalidade das mais graves, que traduz o alcance do controle dos comandos dos partidos sobre as atribuições do Legislativo.

Ideologia e religião não evitam corrupção, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

EUA e Israel planejavam instalar Mahmoud Ahmadinejad no poder no Irã

Ex-presidente linha-dura estava na lista de pagamentos do Mossad, segundo NYT

Ideologia e religião imunizam seus portadores contra a corrupção? Até existem indivíduos tão dedicados a uma causa ou ideia –pense num Savanarola, por exemplo— que seu fanatismo os blinda de tentações terrenas. Mas a literatura mostra que, no agregado, nenhuma das duas funciona como barreira de proteção. Ao contrário até, é nos países mais religiosos, que são também os mais pobres e institucionalmente frágeis, que encontraremos maiores taxas de corrupção.

Um caso ainda em desenvolvimento ilustra bem essa história. Trump e Netanyahu erraram feio ao atacar o Irã, mas seu plano inicial era menos desvairado do que pode parecer. Eles tinham preparado um esquema de substituição de liderança que seguia o modelo da ação dos EUA na Venezuela.

Nova Praça Onze é pensada para turistas, não para moradores, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Projeto de revitalização privilegia a especulação imobiliária e atinge toda a cidade

Atual prefeito, Eduardo Cavaliere segue os passos de seu tutor, o xará Paes

A maquete é linda. Modelo de uma cidade-evento, de uma cidade pensada para o turismo, não para seus moradores. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, assinou a lei que autoriza o Projeto Praça Onze Maravilha, com mudanças numa área de 2,5 milhões de metros quadrados próxima ao centro da cidade.

Com prazo de conclusão em 2032, o plano prevê o investimento de R$ 1,75 bilhão, "100% privado", por meio de concessões, PPPs e de instrumentos urbanísticos que privilegiam a especulação imobiliária, com influência em todos os bairros da capital.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Valdemar e Cunha expõem o despropósito das emendas

Por O Globo

Sem mandato, os dois direcionaram verbas públicas seguindo critério paroquial e eleitoreiro

As decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de bloquear R$ 6,1 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) e R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, por suspeita de atuação no direcionamento de verbas públicas são um alerta sobre o despropósito das emendas parlamentares. Sem mandato, Cunha e Valdemar seriam autores de mais de duas dezenas de repasses, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Após o congelamento de bens de Valdemar, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse em nota que a decisão “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas”. Para ele, o despacho tenta “criminalizar a atividade política”.