sexta-feira, 17 de julho de 2026

Lula se cercou de passado para vender o futuro, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Última campanha eleitoral do presidente começará na Vila Euclides, no lugar onde iniciou sua trajetória política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma contradição. Prestes a completar 81 anos em 27 de outubro, dois dias após o segundo turno das eleições, ele já tem a retórica contra o etarismo: “Tenho compromisso com Deus para viver até 120 anos de idade”, tem reiterado. Mas o desafio vai além: implica pregar o futuro e vender esperança aos brasileiros após quatro décadas de vida pública, três mandatos presidenciais e alta rejeição.

A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quarta-feira (14), mostrou que 50% dos entrevistados conhecem e não votariam em Lula. Este dado atesta o cansaço de metade do eleitorado com o líder petista. Porém, mesmo diante desse obstáculo, o presidente decidiu caminhar rumo ao quarto mandato embalado de passado. Eis o paradoxo.

Tarifaço indica que objetivos de Trump vão além de interferir em política do Brasil, por César Felício

Valor Econômico

Movimentos dos EUA vão compondo uma espécie de avanço na América Latina que potencialmente estabelecem um cerco à maior economia da região

novo tarifaço decretado pelo presidente americano Donald Trump contra o Brasil claramente tem potencial de beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. Essa correlação foi mencionada pelo próprio senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua exposição no início do mês no Congresso americano e evidentemente não é desconhecida da Casa Branca.

A opção de fazê-lo, e fazê-lo agora, e de forma a vinculá-lo diretamente a Lula, como deixou claro a postagem do secretário de Estado Marco Rubio nas redes sociais, indica que seu objetivo vai além de questões políticas conjunturais brasileiras. O que tudo indica é que está em curso uma confrontação de fôlego maior, para os próximos anos. A postagem de Rubio torna improvável um aperto de mãos entre Lula e Trump como houve em outubro do ano passado. Ele responsabilizou nominalmente o presidente brasileiro. Queimou os galeões.

À sombra de Monroe, tarifaço é declaração de guerra comercial ao Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A relação entre o governo Lula e a Casa Branca foi subordinada à polarização ideológica norte-americana. A derrota do presidente brasileiro em 2026 passou a ser vista como objetivo por Trump

James Monroe nasceu no condado de Westmoreland, na Virgínia, então uma das 13 colônias da Inglaterra, no dia 28 de abril de 1758. Filho de um juiz, cresceu num clima de agitação por uma pátria livre. Com 16 anos, interrompeu os estudos para lutar pela independência do país. Recebeu de George Washington o posto de capitão.

Formado em direito e apadrinhado por Thomas Jefferson, em 1782, com 24 anos, foi eleito deputado na Virgínia. Fez parte do Congresso Continental, sendo um dos responsáveis pela aprovação da Constituição americana. Em 1790, elegeu-se senador. Em 1794, foi nomeado embaixador na França por George Washington.

Sequestro do Orçamento e passividade nacional, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O Brasil é talvez o único país do mundo onde o governo não domina o gasto do Orçamento

O Orçamento brasileiro está fora de controle. Isso quer dizer que não se sabe como é usado todo o dinheiro arrecadado com impostos. O mais interessante é que esse descontrole é vivido com uma grande indiferença. As notícias da semana dão conta da principal origem desse descontrole: as emendas parlamentares. Num só dia, ficamos sabendo que R$ 1,3 bilhão foi destinado sem que se conhecessem os autores das emendas. Ficamos sabendo também que Valdemar Costa Neto manipulou a remessa de R$ 119 milhões, sem ser deputado. Da mesma forma, Eduardo Cunha, que foi cassado, dirigiu R$ 6,5 milhões para cidades mineiras, de onde pretende ressurgir como candidato.

Tarifaço ruim para Flávio, bom para Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula faz do limão uma limonada e é o único a ganhar com o tarifaço de Trump

Flávio Bolsonaro, o Brasil, os EUA e a relação centenária entre os dois países, suas empresas e sociedades perdem com o novo tarifaço, político e calcado em dados falsos, imposto pelo governo Trump com a equivocada intenção de favorecer a direita brasileira. No fim, quem ganha? O presidente Lula, como o próprio Flávio previu, mas tarde demais.

Planalto e Itamaraty já tinham pronta a reação diplomática e de comunicação, com manifestação dura do chanceler Mauro Vieira e uma entrevista com os principais expoentes do governo, com três focos: “soberania nacional”, “mentiras dos EUA” e apoio aos setores atingidos.

Risco de guerra comercial com os EUA, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Um alto funcionário do governo americano alertou numa conversa de bastidores que, se o Brasil retaliar os Estados Unidos por causa do tarifaço, haverá um contra-ataque. Na prática, pode se instalar uma guerra comercial.

A experiência mostra que ele não está blefando. Até hoje, só dois países tentaram resistir à fúria protecionista de Donald Trump: Canadá e China. Em ambos os casos, a disputa resultou em redução de investimentos e aumento de preços. Acabaram sendo selados acordos parciais. Com menor poderio econômico, os canadenses saíram mais machucados que os chineses.

Como reagir ao tarifaço, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O governo Trump confirmou na quarta-feira o tarifaço de 25% sobre as exportações do Brasil aos Estados Unidos.

Duas circunstâncias chamam a atenção. Primeira, o fato de ter sido adotado contra um país deficitário em comércio exterior com os Estados Unidos, ou seja, que importa mais do que exporta. Por aí se vê que essa troca de mercadorias, em vez de prejudicar, beneficia a balança comercial dos Estados Unidos. Segunda circunstância, a definição de uma longa lista de exceções ao que pretende ser uma represália à política do Brasil.

São aspectos que confirmam o diagnóstico de que foi uma decisão destituída de fundamentação técnica.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Reação a tarifaço deve centrar em consumidor afetado

Por O Globo

Pressão de empresas e cidadãos americanos prejudicados pode reverter parte da medida

Não causou surpresa a decisão do governo americano de impor novas tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Foram cinco reuniões de alto nível entre representantes dos dois países desde a criação de um grupo de trabalho bilateral em maio, mas os argumentos técnicos apresentados não surtiram efeito. Apesar do revés, o governo e o empresariado devem redobrar os esforços para manter canais de comunicação abertos e informar os consumidores americanos dos prejuízos que terão com a medida. Não está descartada a hipótese de uma nova pressão aumentar o número de itens na lista de exceções, imunes à elevação das tarifas.

Selo de qualidade a pesquisas desqualifica o TSE, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O presidente do tribunal eleitoral errou e tenta consertar um mau soneto com um péssimo remendo

Os institutos não se prestam a adivinhações; retratam tendências do eleitorado no decorrer das campanhas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral fez uma bobagem, percebeu que fez e agora tenta consertar o mau soneto com um péssimo remendo.

Nunes Marques propõe a entrega de selo de qualidade aos institutos de pesquisa que acertarem os resultados das eleições. Faz isso a fim de se desvencilhar da repercussão negativa à decisão de suspender o levantamento Atlas/Bloomberg, que registrou queda nos índices de Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro.

PT é imbatível em tirar o corpo fora, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Partido tem longo histórico de empurrar para terceiros a responsabilidade por seus erros

Se bastava uma canetada para limitar publicidade de bets, por que esperaram tanto?

Numa coisa os petistas são imbatíveis: empurrar a responsabilidade de seus erros para outros. Um histórico completo da tendência estouraria os limites físicos desta coluna, de modo que me limito a pincelar casos notórios.

Na visão do partido, o julgamento do mensalão não passou de uma farsa orquestrada pelo STF, pela oposição e pela mídia para enfraquecer a agremiação, que não havia feito nada que outras legendas não fizessem, que era utilizar-se dos tais "recursos não contabilizados", o popular caixa 2. A crise econômica gestada por Dilma Rousseff não foi mais do que o resultado da retração do preço das commodities apimentada pelas pautas-bombas da oposição. O próprio petrolão foi descrito por Lula como uma mancomunação entre elites brasileiras e o Departamento de Justiça dos EUA, que queria destruir a Petrobras.

Tarifaço vai além de Lula, diz analista: 'a submissão do Brasil é o prêmio mais valioso disponível', por Míriam Leitão

Por Luciana Casemiro – O Globo

"Quem enxerga nas tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump o protagonismo do embate eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro assistiu apenas o trailer desse filme", diz o analista de relações internacionais Uriã Fancelli. Ele afirma que a relação de Trump com as tarifas é muito anterior ao Brasil e antecede até mesmo sua vida política. Para Fancelli, o que mudou neste segundo mandato foi a finalidade da ferramenta. Segundo ele, Trump passou a usar as tarifas para forçar submissão, sobretudo na América Latina, e essa estratégia virou documento oficial. A Estratégia de Defesa publicada em janeiro determina a aplicação do que a Casa Branca batizou de Corolário Trump à Doutrina Monroe, com o objetivo de restaurar a preeminência americana no hemisfério. O analista observa ainda que o próprio presidente americano adotou o apelido criado pela imprensa para essa estratégia: "Doutrina Donroe".

Rubio ataca Lula de forma grosseira e arrogante em declarações inaceitáveis, diz Mauro Vieira, por Bruna Lessa

O Globo

Governo dos EUA aplicou taxa de 25% sobre exportações brasileiras, com exceções

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ataca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "forma grosseira e arrogante" em declarações "inaceitáveis". Nas suas redes sociais, Rubio acusou Lula de "não negociar com os EUA de boa-fé".

De acordo com Vieira, desde o início das negociações o governo brasileiro buscou manter o diálogo com Washington. Ele afirmou que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone entre autoridades dos dois países, em níveis presidencial, ministerial e técnico.