sexta-feira, 25 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios

Por Folha de S. Paulo

Vorcaro investiu R$ 14,3 bi em ações contra o poder público que dependiam de tribunais para serem lucrativas

Indícios levaram o CNJ a cancelar o pagamento de R$ 4,7 bi em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao Master

Em uma nova frente de investigação das fraudes do Banco Master, suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de obter ganhos no mercado de precatórios —dívidas do setor público arbitradas pelo Poder Judiciário.

Como revelou a Folha, Vorcaro tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais dependentes de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas. Tais ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.

Macunaíma no poder, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O Brasil “inventou” o capitalismo anticapitalista, o do lucro privado baseado no prejuízo coletivo, contra o país. O capitalismo do herói sem nenhum caráter

Os políticos brasileiros, desde a Proclamação da República, no geral, têm sido representantes de si mesmos no poder. Têm se empenhado em criar e demolir partidos para gestar variantes de um partido nacional macunaímico, com a diabólica estrutura de que é de todos e de nenhum ao mesmo tempo. De esquerda ou de direita ou de extremo centro, basta olhar a cena com a lupa do pensamento crítico e veremos que Macunaíma está lá e, portanto, nós não estamos lá.

Macunaíma é o herói sem nenhum caráter. É todos e não é nenhum. Tenta, mas não consegue ser. Nasceu em Araraquara (SP), na Chácara Sapucaia, em que Mário de Andrade passava um mês de férias, entre o fim de 1926 e o começo de 1927.

Na chácara de seu tio, Pio Lourenço Corrêa, cuja avó, em Araritaguaba, ainda falara nheengatu, a “língua bonita” dos mamelucos, mestiços de branco e índia, brasileiros da servidão, que se tornarão o caipira e tudo o que o caipira representará na história do Brasil.

Fé e disputa pelas periferias. Igreja Católica entra na eleição, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, também defendeu a formação da consciência dos eleitores. O alto clero católico pretende protagonizar o julgamento moral da eleição

Ao pedir que os fiéis votem pela democracia, o alto clero católico entrou na campanha eleitoral. Não declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva nem pediu votos contra Flávio Bolsonaro. Mas a orientação é um divisor de águas num país em que o candidato do PL herda a aliança do bolsonarismo com lideranças evangélicas. A opção dos bispos é disputar os critérios do voto: a defesa das instituições, dos pobres e da liberdade de consciência diante da tentativa de transformar a autoridade religiosa em cabo eleitoral.

O recado mais recente veio da Amazônia: "Nós não temos partido. Mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia", disse o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus,  em vídeo divulgado nesta semana. Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages (SC), advertiu contra a manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus: "As igrejas não são currais eleitorais". Ao lado de outros bispos, eles também trouxeram para a escolha eleitoral duas bandeiras de Lula: a soberania nacional e a proteção da Amazônia. Entretanto, nenhum candidato foi citado, apesar de as declarações confrontarem práticas e discursos associados à campanha bolsonarista.

Pesquisa reforça cenário de definição no segundo turno, por César Felício

Valor Econômico

O que é possível apostar é que tanto Lula quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24) deve atenuar a euforia entre os bolsonaristas que nos últimos dias trabalhavam com o cenário de uma virada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, que poderia culminar até mesmo com a vitória já no dia 4 de outubro.

A intenção de voto no senador interrompeu a trajetória de alta das últimas três rodadas, permanecendo em 36%. E Lula cresceu um ponto, voltando ao patamar de 40% que tinha em julho. Mas o presidente continua patinando na avaliação de governo, cujo índice de bom e ótimo não cresce, e na aprovação pessoal, que oscilou um ponto percentual para baixo na última semana.

A mão que lavou dinheiro do 'Dark Horse' lavou também o do PCC, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Operação Carbono Oculto avança sobre investigação de relação entre facções, setor de combustíveis e fintechs

A terceira fase da operação Carbono Oculto indica que, ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro do Master, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ajudou o crime organizado. Se o Master, na cabeça do eleitor, virou uma arca de Noé, este vínculo só um candidato tem, não por acaso, o único da disputa presidencial investigado na operação.

Foi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quem chegou mais perto de colocar o guizo no gato ao explicar a movimentação ilegal de R$ 11,6 bilhões apurada pela Receita Federal: “O recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso, aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa, se tem dinheiro do PCC, de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo fundo”.

A sorte de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Pego na mentira mais uma vez, candidato conta com tolerância de seguidores do pai

Aconteceu em 1993, na CPI dos Anões do Orçamento. Acusado de chefiar um esquema de pilhagem do Tesouro, o deputado João Alves disse ter vencido 200 vezes na loteria. “Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro”, garantiu, para gargalhada geral.

Trinta e três anos depois, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior se mostrou ainda mais afortunado. Alvo da Operação Carbono Oculto, ele apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações de prêmios e apostas. Usou a sorte como pretexto para movimentar R$ 176,4 milhões.

Conhecido como o homem da mala de Daniel Vorcaro, Freixo Júnior também está envolvido na trama do ‘Dark Horse”. Figura como financiador do que seria o filme mais caro da história do cinema brasileiro. A se acreditar nas palavras de Flávio Bolsonaro, que não devem ser compradas pelo valor de face.

Debate pode tirar a eleição do escuro, por Vera Magalhães

O Globo

Primeiro e único confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro pode ocorrer dois dias antes do pleito e lançar luz sobre propostas e comparações de governos que ficaram em segundo plano diante de escândalos

O debate da TV Globo, na próxima quinta-feira, é a última chance de a eleição presidencial sair do absoluto breu em que é disputada, com o enorme risco que isso representa para o dia seguinte ao segundo turno. Ao que tudo indica, Lula e Flávio Bolsonaro sairão da retranca em que se colocaram e ficarão frente a frente pela primeira vez. O empate rigoroso entre ambos impede que um deles decida faltar a um programa tradicional, que tende a registrar audiência maciça.

O histórico irregular de performances de um e de outro em eventos do tipo e a quantidade de lama jogada no ventilador, sobretudo nas duas últimas semanas, desde que veio a público o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, não permitem prever favoritismo ou que rumo a discussão tomará. Mas é possível cravar que será o primeiro momento em que um eleitor entre apático e enojado parará diante da TV para prestar atenção ao que os candidatos a presidir o Brasil pelos próximos quatro anos têm a lhe propor.

Carta ao Flamengo, por Pablo Ortellado

O Globo

O dinheiro das bets é volumoso e permite contratar jogadores, mas o benefício não compensa o mal que faz às famílias

Querido Clube de Regatas do Flamengo,

Na quinta-feira da semana passada seu perfil oficial postou uma nota no Instagram anunciando “o fim do futebol brasileiro” se o governo federal proibisse as bets. A nota apresenta o patrocínio das bets como uma das principais fontes de receita do futebol brasileiro e credita a ele a hegemonia recente dos nossos clubes na Libertadores e na Sul-Americana. Adverte que uma mudança “abrupta” nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e poria em risco contratos já firmados. No final, conclui que a proibição só pioraria a situação. Sem o mercado regulado, diz, os apostadores migrariam para plataformas clandestinas, que não seguem regras nem colaboram com as autoridades. A nota gerou forte reação da torcida, com 9 em cada 10 comentários criticando sua posição. Gostaria de me juntar a esses torcedores.

Disputa pode ser a mais acirrada, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Diferença do porcentual de votos entre Lula e Flávio é ainda menor do que a da eleição de 2022

A disputa entre o presidente Luiz Inácio da Silva, que tenta a reeleição, e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pode ser a mais acirrada e polarizada da história do Brasil desde 1994. Pelo menos é isso que indicam as pesquisas eleitorais até agora. De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, a diferença entre as intenções de voto dos dois candidatos é de apenas 4,7 pontos porcentuais, com Lula atingindo 43,5% dos votos válidos no primeiro turno, e Flávio com 38,8%.

Neste momento, a distância é ainda menor que a já disputadíssima eleição de 2022, quando Lula ficou com 48,3% dos votos válidos no primeiro turno e Jair Bolsonaro com 43,2% – uma diferença de 5,2 pontos porcentuais.

Flávio sai da zona de conforto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Depois de represadas, revelações sobre Flávio Bolsonaro e a ‘Turma do KN’ saem aos borbotões

Quando se pensa que já se viu de tudo e que o mais grave sobre o escândalo Master já tinha vazado, novas revelações sobre Flávio Bolsonaro e a “turma do KN”, que estavam represadas no STF e nos órgãos de investigação, começam a surgir aos borbotões e, tal como as suspeitas sobre Alexandre de Moraes, não têm resposta.

“Irmão” de Vorcaro, a quem visitava e mandava mensagens, inclusive para pedir R$ 134 milhões, Flávio tem empresas que dividem endereço e contador com as do “Careca do INSS”, que dispensa apresentações, e fez safáris na África do Sul com o deputado Weverton Rocha e o advogado e “amigão” Willer Tomaz, ambos metidos nas fraudes do... INSS.

Ah! Willer Tomaz comprou de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o apartamento usado por Flávio na pré-campanha à Presidência em São Paulo. Numa estranha aritmética comercial, Zettel comprou o imóvel por R$ 5,5 milhões e, meses depois, em fevereiro deste ano, vendeu para Tomaz por R$ 3,5 milhões. Muita generosidade.

Adeus Supremo, alô Supremo, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Temos diante de nós uma Corte Suprema que perdeu a credibilidade e não será possível restabelecê-la se continuar como está

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) abre uma grande oportunidade de reforma do Judiciário. A simples ideia de reforma não é necessariamente uma boa notícia nos dias de hoje. Hungria e Polônia fizeram reformas destinadas a diminuir o poder do Judiciário, assim como a proposta israelense que suscitou muitas manifestações populares de protesto.

A ideia de reforma do Judiciário não significa que temos um sistema petrificado. Ao contrário, o Código de Processo Civil de 2015 foi uma inovação. Da mesma forma a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004, a criação da súmula vinculante, uma síntese das decisões do STF que orienta todas as instâncias do Judiciário.

Lula tem 47% das intenções e Flávio Bolsonaro, 45%, no segundo turno, aponta pesquisa Datafolha, por Pedro Augusto Figueiredo

O Estado de S. Paulo

Segundo levantamento, petista e senador do PL estão tecnicamente empatados na disputa presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continuam empatados tecnicamente em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República. Conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 24, o petista tem 47% das intenções de voto contra 45% do candidato do PL. Brancos e nulos são 7% e indecisos, 1%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na pesquisa divulgada há uma semana, em 17 de setembro, Lula marcou 46% e Flávio, 44%.

Datafolha: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 36% em 1º turno; rivais empatam em 2º turno, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Cury (5%), Caiado (4%) e Renan (3%) seguem abaixo, fazendo líderes pregarem voto útil em seu favor

Na segunda rodada, instituto aferiu que o presidente tem 47% e filho do antecessor Jair Bolsonaro, 45%

A corrida presidencial de 2026 chega às portas de sua última semana com Lula (PT) marcando em cenário de primeiro turno 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, há empate, com 47% para o mandatário e 45% para o senador fluminense.

O acirramento já estava dado nas últimas rodadas aferidas pelo Datafolha. Numericamente, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, Flávio contudo não manteve a ascensão gradual que havia reduzido a diferença entre ele e Lula de 10 para 3 pontos em quatro meses.

Agora, a distância voltou a 4 pontos, o que configura empate no limite da margem de erro, com probabilidade estatística maior de que o petista esteja à frente.

A eleição e o Brasil que vira lixo da festa dos quengos de tribunais, finança e política, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Maré de lama pega tanta gente e já é tão confusa que pode parar de afetar votos

No Datafolha, Flávio para de subir; avaliação do governo Lula passa por despiora

Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes viajaram no mesmo jatinho, segundo reportagem da revista Piauí. Bolsonaro disse que não pegou carona em avião de Daniel Vorcaro, mas no de Willer Tomaz, seu amigão de safári e muito mais, acusado de estar enrolado na roubança do INSS. "Desculpe, foi engano", como se dizia ao telefone antigamente. O escândalo seria outro, nos corrige Flávio. O tal avião, enfim, seria de uso compartilhado dos escandalosos, por assim dizer —seria propriedade de sócios, entre eles Vorcaro e Tomaz.

As notícias dessa comunhão dos infernos não pararam por aí, nesta quinta (24) de maré muito alta de lama. A questão mais imediata é o efeito político-eleitoral do conhecimento progressivo do fato de que o Brasil virou lixo da festa dos quengos.

Guerras intestinas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Polarização e empate virtual colocaram campanhas em modo vale-tudo

Moderação deixou de ser virtude, mas eleitor centrista ainda deverá ter palavra final

Sempre gostei da expressão "guerras intestinas". O adjetivo "intestino" denota com precisão etimológica que o conflito se dá entre facções "internas" a um país e, ao mesmo tempo, torna quase inafastável a interpretação conotativa de que se trata de uma guerra que envolve sujeira e baixarias. Nós quase sentimos o cheiro ruim da disputa. A campanha presidencial brasileira se tornou uma guerra intestina.

Os dois campos principais parecem ter perdido o pudor e recorrem a estratégias e truques que provavelmente evitariam num embate menos polarizado. Populismo e mentiras sempre se fizeram presentes em campanhas, mas agora correm quase sem limites. A cara de pau e a hipocrisia, idem. E ambos os lados mobilizam todos os recursos que têm à sua disposição, incluindo suas respectivas bancadas no STF, que vai acumulando mais camadas de degradação institucional.

Suplentes sem voto evocam herança da ditadura no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Legislativo é o único dos Poderes cuja composição depende 100% das escolhas da sociedade

Exceção são os senadores reservas, que não passam pelo crivo do eleitor e distorcem a representação dos estados

Pesquisa recente Atlas/Estadão sobre a confiança do público nas instituições traz a esperada queda no conceito do Supremo Tribunal Federal e confirma que o Congresso Nacional tem o mais baixo índice no quesito: só 8% confiam nos próprios representantes.

O Parlamento e os partidos sempre figuraram nos últimos lugares nesse tipo de levantamento. Dessa realidade emerge um paradoxo: o Poder Legislativo é o único dos três pilares da República cuja composição depende 100% das escolhas da população.

Longe do bafo do povo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Bocas-livres, putas, surubas, charutos, uísques, jatinhos, comissões e contratos

Só provincianos, cafonas e deslumbrados se deixam vender por tão pouco

Ninguém precisa acreditar, mas, há pouco mais de cem anos, ministros de Estado, parlamentares da pesada e juízes superiores iam de bonde para o trabalho. Aguardavam na fila, subiam pelo estribo e sentavam-se ao lado de pessoas como você e eu. Todos moravam no Rio, em casa comprada com seus recursos ou alugada de particulares. Suas mulheres organizavam chás de caridade, lanchavam na Colombo e participavam de saraus literários. Seus filhos estudavam em escolas públicas, remavam no Flamengo e trabalhavam no comércio. O Rio era a capital federal e, em torno do poder, situado no centro da cidade, havia uma coisa chamada povo.