quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula gera incerteza no campo com desapropriações

Por O Globo

Em afago ao MST, medida eleitoreira destina R$ 2,7 bilhões, ignorando debates no Congresso e na Justiça

São nitidamente eleitoreiras as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para afagar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), aliado histórico do petismo que cobra do governo mais ações de reforma agrária. Na largada do ano eleitoral, Lula prometeu um pacote de R$ 2,7 bilhões para iniciativas no setor. Segundo o Planalto, elas incluem desapropriações em seis estados (São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão).

Supervisão dos mercados está defasada. Por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Para equipe econômica, Há um número crescente de lacunas, onde fermentam escândalos como Master e Americanas

A partir deste mês, a Receita Federal será informada por administradoras de fundos de investimentos sobre os CPFs de seus cotistas. Ou seja, saberá quem são as pessoas físicas donas do dinheiro. Hoje não sabe, porque um fundo pode ter como cotista outro fundo, formando uma teia que dificulta identificar a origem do dinheiro.

As informações estarão numa declaração chamada Formulário Digital de Beneficiários Finais (e-BEF). Segundo a Receita, os objetivos desse documento são: “dificultar o uso do sistema financeiro por organizações criminosas”, “aumentar a transparência nas relações econômicas e financeiras”, “reforçar o combate à lavagem de dinheiro, à corrupção e à sonegação de impostos”.

Master pauta articulações entre Poderes no recesso. Por Fernando Exman

Valor Econômico

Às vésperas do fim do recesso, o Senado, a quem cabe em última instância julgar a conduta dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da cúpula do Banco Central (BC) em caso de pedidos de impeachment ou exoneração, prepara-se para entrar no caso Master. Quer tomar parte nas investigações. E como fez no ano passado ao dar um empurrão para o BC limitar as chamadas contas-bolsão que dificultavam a identificação de movimentações financeiras realizadas por facções criminosas, pretende contribuir no aprimoramento da regulação dos fundos exclusivos de investimento.

Neste momento, na cúpula do Senado não se fala de um eventual impeachment do ministro Dias Toffoli, que tem mantido a relatoria dos processos envolvendo o Banco Master no Supremo, a despeito de críticas e questionamentos sobre as ligações de sua família no caso. Nem de outros ministros do STF.

O caso Master, Fachin e a transição jurídica inacabada do Supremo. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O presidente do Supremo tem insistido na necessidade de limites institucionais claros e na preservação da autoridade da Corte por meio da autocontenção

Durante a Lava Jato, havia duas linhas de atuação no Supremo Tribunal Federal (STF), a ponto de uma das Turmas ser chamada pelos advogados de Jardim do Éden e a outra, de Câmara de Gás. Em algum momento essa divisão entre garantistas e punitivistas, digamos assim, foi ultrapassada pela necessidade de defender a democracia e o devido processo legal, ameaçados pelo então presidente Jair Bolsonaro. Tanto que essas ameaças se consumaram na tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Juros a conta-gotas. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O Copom já pode começar a cortar os juros, mas precisa conduzir esse processo com cautela

Está chegando a hora de o Copom começar um ciclo de corte de juros, depois de a taxa Selic ficar estacionada em 15% por bastante tempo. Embora a aposta da esmagadora maioria de analistas não seja a de que o primeiro corte aconteça ao fim da reunião de política monetária hoje, é grande a ansiedade sobre como o Copom irá conduzir as expectativas do mercado e sinalizar em que ritmo vai reduzir os juros e até onde pretende baixá-los.

'Bugonia' e a nova ordem mundial. Por Vera Magalhães

O Globo

Lógica do delírio que pauta a ação do filme de Yorgos Lanthimos parece ditar a ação das superpotências e a reação possível dos países forçados a negociar com elas

Em “Bugonia”, a obra de Yorgos Lanthimos que concorre ao Oscar de melhor filme neste ano, o mundo é visto a partir da lente da paranoia: forças invisíveis, supostamente racionais, passam a organizar a realidade a partir do medo, da suspeita e da convicção de que o outro é uma ameaça existencial.

A lógica do delírio é tal que tanto os personagens quanto o espectador passam a lidar com a possibilidade de que ele seja real. É difícil não reconhecer algo familiar aí, principalmente diante das cenas de ensaio de guerra civil no cenário congelado dos Estados Unidos em que a ICE age sem o mínimo controle.

A política global recente tem avançado perigosamente nessa direção. As grandes potências voltaram a operar como personagens de um thriller distópico. Estados que se veem cercados por inimigos, líderes que tratam o mundo como um tabuleiro de soma zero, alianças que valem apenas enquanto servem a interesses imediatos.

Quem corrói o STF são os próprios ministros da Casa. Por Elio Gaspari

O Globo

O presidente do Supremo Tribunal, Edson Fachin, fala demais e diz pouco. Há algumas semanas ele anunciou sua disposição de criar um código de conduta para seus pares. Como era possível prever, esbarrou em ministros descontentes, que não querem código algum. Se é assim, paciência.

Diante da adversidade, Fachin assumiu uma postura profética. Viu uma “erosão democrática” — que, de forma insidiosa, “corrói as instituições por dentro”. Ganha um fim de semana em Minneapolis quem puder mostrar onde está a erosão brasileira. Há quatro anos ela estava escancarada e partia dos generais palacianos. Estão todos na cadeia, a começar por um ex-presidente que também acenava com crises apocalípticas. Fachin se queixa porque vê que “magistrados e magistradas são perseguidos por seu ofício”.

Após crise com União Brasil, Caiado anuncia filiação ao PSD

Por O Globo

Com filiação de Caiado, PSD passa a contar com três postulantes à disputa pela presidência

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, faz com que a sigla de Gilberto Kassab passe a reunir três possíveis candidatos ao Planalto. O anúncio da chegada do goiano ocorreu na terça-feira em vídeo ao lado dos governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), que também manifesta interesse em disputar o Planalto em outubro.

Em vídeo divulgado ao lado de Ratinho e de Leite, no qual anunciou sua filiação, Caiado afirmou que fez um "gesto de total desprendimento", e indicou que o PSD ainda decidirá, entre os três, quem será o candidato à Presidência neste ano.

O governador goiano disse ainda que buscava "uma oportunidade para contribuir com a discussão nacional", e que as portas para isso haviam se fechado no União Brasil.

-- Aqui não tem interesse pessoal de cada um. Aquele que for escolhido levará esta bandeira de um projeto de esperança e de resgate daquilo que o povo tanto espera. É dessa maneira que sou recebido aqui. E tenho a graça de ter a minha filiação partidária ao PSD. O que sair daqui candidato terá o apoio dos demais - afirmou Caiado.

A candidatura de Flávio 'está se consolidando', diz Tarcísio

Por Samuel Lima / O Globo 

Governador nega ainda 'discussão acalorada' com Flávio Bolsonaro e alega que tem 'projeto de longo prazo' em São Paulo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira, 27, que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "está se consolidando rapidamente" e que recusaria um convite para substituí-lo nas urnas, mesmo diante de um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Isso não vai acontecer, mas eu diria não. É muito tranquilo isso para mim — declarou o político em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele foi à cidade para um encontro na fábrica da Toyota.

Brasil passa a se destacar na onda de euforia com 'mercados emergentes'. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Entre países maiores do grupo, altas da moeda e da Bolsa do Brasil são notáveis em 2026

Valorização do real ajudou a tirar Lula das cordas em 2025; pode ajudar de novo

Algumas gotas do dinheiro grosso do mundo achatam as percepções de que a economia do Brasil é um risco. Ou melhor, ao menos no curto prazo, os ativos brasileiros valem os riscos dos nossos males crônicos e de uma eleição acirrada. O real e o preço das ações se valorizam. Agorinha, até juros de títulos de dívida de prazo mais longo caem.

A grande alta dos ditos mercados emergentes é notícia velha ao menos desde meados do ano passado. No caso das Bolsas, foi a maior desde 2009, na medida do índice MSCI de mercados emergentes, que acompanha o preço de ações em 24 países, Brasil inclusive.

Flávio Bolsonaro abraça filossemitismo estratégico com visita a Israel. Por Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Pré-candidato à Presidência segue os passos do pai e se junta a outros líderes da direita radical global

Senador busca se consolidar como oposição a Lula e reforçar laços com alas do neopentecostalismo

A recente visita a Israel do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vestiu um quipá para orar no Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo, cumpre algumas funções políticas para o pré-candidato à Presidência da República —internas e externas.

Seguindo os passos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio se junta a outros líderes globais da direita radical, que nas últimas décadas vêm aderindo a uma espécie de filossemitismo (afeição ao povo judeu) estratégico.

Se no século 20 a extrema direita era abertamente antissemita, no século 21 seus líderes elegeram um novo inimigo do qual os Estados Unidos e especialmente a Europa devem se livrar: o imigrante árabe muçulmano. Nesse sentido, é profícua a aliança com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e o apoio a Israel em meio à guerra em Gaza.

Com a viagem, Flávio se alinha a líderes mundiais que compartilham ideologia similar, imbuídos no antiliberalismo, no conservadorismo cultural e no nacionalismo exacerbado, e que muitas vezes usam o populismo como método.

Não queria estar na pele de um teólogo bolsonarista. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Raio em manifestação que pedia anistia para golpistas diz algo sobre os desígnios de Deus?

Se diz, fica difícil afastar interpretação mais básica de que Criador quer ex-presidente na cadeia

Se há algo que o homem sempre temeu, são os raios e trovões, que simbolizam a força avassaladora da natureza, contra a qual nada podemos. Não é uma coincidência que, em grande parte das mitologias, o deus associado ao trovão ocupe posições elevadas no panteão: Zeus (grego), Júpiter (romano), Thor (nórdico), Perun (eslavo), Taranis (celta), Indra (hindu), Raijin (japonês), Tupã (tupi-guarani).

Justiça é omissa ante abusos eleitorais. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governantes usam e abusam do uso da máquina pública sob o olhar complacente da Justiça Eleitoral

Na prática virou letra morta a obrigação legal da separação entre atos oficiais de atividades de campanha

Ministros vão deixando seus postos na Esplanada para concorrer às eleições de outubro, mas isso não significa desfalque na campanha de Luiz Inácio da Silva (PT) para a reeleição. Ao contrário, deve ser um reforço.

Sai metade da equipe ministerial e entram em campo duas dezenas de cabos eleitorais trabalhando por Lula em vários estados, na maioria candidatos a governador ou ao Senado. Difícil acreditar que não vão se valer da influência nas pastas que comandaram.

Separe o joio do trigo, ministro Fachin. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte precisa distinguir ataques políticos de cobranças legítimas por decoro e transparência

Crise atual nasce de condutas, não de conspirações contra a instituição

Na semana passada, o presidente do STFEdson Fachin, divulgou uma nota para responder às críticas que se acumulam sobre as relações entre ministros e envolvidos no caso do Banco Master. O gesto reconhece o óbvio: instalou-se uma crise de imagem institucional que já não pode ser ignorada.

A reação do ministro seguiu o roteiro clássico do primeiro passo na comunicação de crise. Alegou más intenções por parte dos acusadores, reiterou o que o STF fez em defesa do Estado de Direito no país e afirmou que o tribunal não se curvará a "ameaças ou intimidações". Fez concessões, claro, dizendo que críticas em geral são legítimas e mesmo necessárias e que "todas as instituições podem e devem ser aperfeiçoadas".

Retomando o fio da meada. Por Ivan Alves

A nossa trajetória republicana é marcada por inúmeras crises. A lista é longa: golpes militares, contra golpes, golpe dentro de golpe, autogolpe, insurreições, renúncias, impedimentos, ditaduras civís. Tem para todos os gostos, sobretudo os autoritários, dir-se-ia. 

Alguns momentos foram particularmente difíceis, com a banalização das práticas de torturas aos presos políticos. Refiro-me ao Estado Novo, à ditadura Dutra, à longa ditadura dos militares a partir de 1964. 

Todos querem governar o mundo, por Pablo Spinelli

Filme resenhado: Marty Supreme (EUA: 2025) dirigido por Josh Safdie. Com Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Abel Ferrara. Indicado a 9 Oscars, como Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator e Melhor Montagem.

O título pode ser enganoso e sugerir que falaremos dos EUA, da Groenlândia, da esquecida e ainda chavista Venezuela ou das caminhadas anti-institucionais ora em curso e sendo programadas no ambiente doméstico. Mas a frase é o refrão da canção que encerra o filme Marty Supreme Everybody Wants To Rule The World, da banda Tears for Fears, grande sucesso há 40 anos e cuja letra sintetiza as motivações do vendedor de sapatos e tenista de mesa Marty Mauser (cujo trocadilho com “mouse” é inevitável).

O filme se passa na Nova York de 1952 e apresenta a obstinação de Mauser em conseguir se afirmar como um astro do tênis de mesa internacional. Após perder a final no Aberto de Londres, o personagem não medirá esforços para seu grande objetivo: enfrentar o campeão mundial Koto Endo na terra desse, o Japão, em uma esperada revanche pessoal.

Poesia | Os fios, de Marcelo Mário de Melo

A poesia é fio de voo.

O humor é fio de espelho.

A vontade é fio de prumo.

 

A luta é fio de fogo.

O medo é fio de abismo.

Traição ê fio de lama.

 

A espera é fio de sombra..

O prazer é fio de embalo.

Amizade é fio de luva.

 

A vida é o novelo.