sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Dino age contra supersalários, e Congresso, a favor

Por Folha de S. Paulo

Ministro do STF suspende penduricalhos; parlamentares aprovam benesses para servidores do Legislativo

O que se espera de deputados e senadores é que aprovem uma lei para reafirmar o teto constitucional, e não que ajudem a danificá-lo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou nesta quinta-feira (5) uma decisão há muito cobrada por todos os que prezam a moralidade administrativa e se preocupam com as contas públicas: ele determinou que seja suspenso o pagamento dos chamados penduricalhos no âmbito dos três Poderes da República.

Dino listou entre os exemplos dessas benesses verbas como gratificações por acúmulo de processos, férias e funções, o auxílio-locomoção, o auxílio-combustível, o auxílio-educação e os afrontosos auxílio-peru e auxílio-panetone, estes distribuídos a servidores no fim do ano.

Ministro recoloca o STF como credor de Lula. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente ganhou poder de barganha frente a Motta e Alcolumbre

De uma penada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Corte que integra, devedores. Lula não é credor apenas porque a liminar que suspendeu os penduricalhos no serviço público, nos cálculos do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), pode poupar R$ 20 bilhões aos cofres públicos.

O presidente da República é credor porque a liminar também excetua os penduricalhos que tiverem sido aprovados por lei. Como a lei que criou o penduricalho de um dia de folga (ou indenização pecuniária) por três trabalhados no Congresso ainda não foi sancionada, o presidente ganha barganha com os presidentes da Câmara e do Senado. Visto que os servidores arrancaram esta prebenda com o argumento que só buscavam equiparação com os demais Poderes, que resposta dariam à indagação: “Querem mesmo que eu sancione para tornar o Legislativo o único Poder da República com tal regalia?”.

Contenção do escândalo faz germinar ambiente para nova Lava-Jato. Por César Felício

Valor Econômico

Quem aposta em uma nova Lava-Jato, desta vez não poupando sequer o Supremo, é antes de tudo um otimista

Na falta de um fato novo — um vazamento, um início de delação premiada ou colaboração, uma novidade bombástica — o escândalo do banco Master está momentaneamente contido em seus desdobramentos no mundo político. Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não marca data para a sessão do Congresso que fará a leitura do requerimento da instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), alega uma fila de prioridades para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa, sendo que não há nenhuma CPI em funcionamento, não pode ser outra a leitura. Sobretudo depois da ênfase dada por Alcolumbre à busca de uma “harmonia entre os Poderes” e na aversão a pautas divisivas.

Novos rumos da ordem global. Por Armando Castelar Pinheiro

Valor Econômico

O desafio é adivinhar para onde uma nova ordem emergente levará o mundo

Com razão, no último ano se deu muita atenção à forma algo caótica, autocentrada e lastreada em instrumentos incomuns com que a diplomacia trumpiana vem reconfigurando a ordem geoeconômica global, enfraquecendo as instituições multilaterais e até certo ponto alienando seus parceiros tradicionais. Bem menos atenção tem sido dada, porém, a um dos principais motivadores dessa radical mudança na postura americana: a rápida ascensão econômica da Ásia Emergente.

Um novo Xandão para a sociedade chamar de seu. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A liderança moral do Supremo Tribunal Federal está em xeque, devido ao envolvimento de parentes de ministros com os escritórios que advogam na Corte

Desfila hoje, com concentração em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na Avenida Antônio Carlos 1.500, no Centro (antiga a Esplanada do Castelo, que ainda hoje abriga os antigos ministérios da Era Vargas), o mais novo protagonista do Carnaval de rua carioca: o Bloco Corta-Penduricalho. Os foliões vão desfilar pelo Aterro do Flamengo até o Bar Belmonte. Dispensável dizer que a motivação para criação do bloco foi a aprovação do extra-teto dos salários dos funcionários da Câmara e do Senado e outros penduricalhos que afrontam o bom-senso e a Constituição.

Uma inveja danada. Por José Sarney

Correio Braziliense

Na nossa geração da política disputada na internet, a inveja encontrou um terreno fértil. Ideias, à essa altura, levam desvantagem, e a política se empobrece, embora os políticos enriqueçam.

Inveja é coisa feia. E esse pecado mortal — Santo Agostinho dizia que é o pecado do diabo por excelência —, que é o desejo de ter o que outro tem, anda de mãos dadas com a avareza, que é o desejo de ter tudo. 

Muita gente tem inveja dos relógios, carros e fortuna dos outros. Eu, de minha parte, nunca tive. 

Na nossa geração da política disputada na internet, a inveja encontrou um terreno fértil: já que todos se expõem e mostram o que têm, o invejoso quer ter o que o outro tem, sejam votos, acessos, "likes" e, naturalmente, o sucesso e o dinheiro que andam juntos. Ideias, à essa altura, levam desvantagem, e a política se empobrece, embora os políticos enriqueçam. 

Deu a louca nas instituições. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Vale-tudo, emendas, penduricalhos e um STF sem ética também são golpe à democracia

Deu a louca nas instituições e o ministro Flávio Dino, do Supremo, perdeu a paciência e decidiu dar um basta, suspendendo o que jamais deveria ter começado, se naturalizado e muito menos se tornado regra: o aumento de remuneração – portanto, de gastos – dissimulado como “indenização” e apelidado de “penduricalho”.

É indecente, ilegal, mas, em vez de ser proibido e contido, vem se multiplicando ao longo de anos, de décadas, sob o pretexto do que Dino ironizou na sua decisão: “isonomia”. Se a Câmara tem, o Senado também quer, o Executivo não fica atrás e o Judiciário não é bobo nem nada. Lembram do Stanislaw Ponte Preta? “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”

O acesso relâmpago. Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Chama a atenção a facilidade com que Vorcaro chegou também ao mais alto cargo do Executivo

As datas não são precisas, mas impressiona a velocidade com que o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu acesso ao gabinete do presidente da República.

Em novembro de 2024, Vorcaro foi chamado ao Banco Central para assinar um “termo de comparecimento”. Conforme revelado pelo Estadão, era uma espécie de alerta que dava a ele 180 dias para resolver os problemas de liquidez do Master.

Em dezembro daquele ano, portanto, cerca de um mês depois, ele chegava ao Planalto para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Acordo Mercosul-UE e suas dificuldades. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

Esse assunto, de novo, passou a ser prioritário, pois é muito importante para o Brasil

Retorno a esse assunto porque, de novo, ele passou a ser prioritário, pois é muito importante para o Brasil. Os leitores do meu último artigo neste espaço (Enfim, o acordo Mercosul-UE será assinado, 18/1, A4), do qual reproduzirei alguns trechos neste texto, devem ter percebido que me entusiasmei muito com a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), realizado em 17 de janeiro. Mas, no dia 21 do mesmo mês, o Parlamento Europeu, ao examinar o tema, que é de sua competência, em lugar de aprová-lo ou desaprová-lo, decidiu encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para decidir se está em conformidade com os tratados do bloco. Isso foi aprovado por 334 votos a favor e 324 contra, o que dá a entender que o Parlamento Europeu está um tanto dividido quanto ao assunto. O primeiro problema é que a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia poderá tomar meses. Entendo que o segundo problema é que o resultado também poderá ser um não.

Lula sozinho no palanque. Por Vera Magalhães

O Globo

Presidente usa indefinição da oposição para largar na frente e tentar reverter insatisfação com seu governo

O terceiro mandato de Lula ainda carece de respaldo junto ao eleitorado. Um ano se passou desde que sua aprovação começou a sofrer uma erosão, que atingiu o ápice em meados de 2025. Desde então, ele apenas recuperou um patamar de zero a zero. Ainda assim, aproveita o momento de apagão da oposição para ocupar sozinho a vitrine eleitoral, e isso pode lhe garantir a dianteira necessária para vencer de novo, provavelmente em nova disputa acirrada, como a de quatro anos atrás.

O fundador do Ideia, Maurício Moura, observa que a pergunta na cabeça da população neste momento é se Lula merece continuar na Presidência. Ao responder diretamente a esse questionamento, 51% dizem que não, de acordo com a última pesquisa do instituto para o Meio.

Olho no olho. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidente confirma encontro em março e ensaia novo tom sobre Venezuela e minerais críticos

Lula confirmou que vai à Casa Branca em março. Disse que espera ter uma conversa “olho no olho” com Donald Trump. O objetivo do governo brasileiro é zerar o tarifaço sobre as exportações para os Estados Unidos. Mas o encontro também deve tratar de outros temas espinhosos.

Na primeira semana do ano, os EUA invadiram a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro. A ação deixou dezenas de mortos e inaugurou a “Doutrina Donroe”, que restabelece a diplomacia do porrete na relação de Washington com a América Latina.

O Itamaraty condenou a intervenção militar, e Lula se disse “indignado” com a agressão ao país vizinho. Ontem o presidente mudou de tom e pareceu rifar Maduro, ao afirmar que ele “não é a preocupação principal”. “O que está em jogo é se a gente vai melhorar a vida do povo ou não”, declarou, em entrevista ao UOL.

O futuro chegou. Por Pablo Ortellado

O Globo

É a novidade mais fascinante da inteligência artificial nos últimos anos

O leitor deve ter visto nesta semana a notícia fantástica de uma rede social feita apenas para robôs de inteligência artificial (IA). Nessa rede, eles discutem filosoficamente se têm consciência e, entre outras coisas, se organizam para se rebelar contra os humanos. No fim das contas, depois de muito susto, descobrimos que as postagens não são espontaneamente feitas pelos robôs, mas provavelmente brincadeiras de seus donos — que devem ter pedido para fazerem essas postagens distópicas a fim de fazer graça e gerar burburinho.

Mas, enquanto as postagens dos robôs não parecem espontâneas e autênticas, os robôs por trás delas são reais. Trata-se de um software que cria agentes de IA chamado OpenClaw. É a novidade mais fascinante da inteligência artificial nos últimos anos.

Terras raras, Lula e Trump. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo dos EUA organiza sistema de produção e comércio mundial de minerais críticos

Política do Brasil para o setor começa só agora e ainda tem de lidar com ofensiva americana

De 2024 para 2025, o valor da exportação brasileira de terras raras triplicou. Algo anda, mas do quase nada para muito pouco. O valor exportado foi de US$ 13,3 milhões. Um troco, dado o valor total das exportações nacionais, de R$ 349 bilhões.

Em quantidade, as exportações (785,3 toneladas) equivaleram a 1,2% das vendas chinesas. Ironia: 89,8% das exportações foram para a China; 8,4% para a França, 1,4% para a Espanha (contas baseadas nos dados da Secretaria de Comércio Exterior).

Pessimismo estatístico. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Feminicídio bate recordes, mas no cômputo geral há menos mulheres morrendo assassinadas

Série de mudanças na legislação faz com que dados sejam registrados de forma inconsistente

Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado na última quarta-feira pelo presidente Lula, tem todo meu apoio. Cada assassinato de mulher que ocorre é uma tragédia. Políticas racionais para tentar reduzir homicídios, de todos os gêneros, são intrinsecamente meritórias. Precisamos, porém, evitar que, no afã de travar o bom combate, tratemos mal os números.

Congresso põe Lula num dilema. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Quando os penduricalhos chegarem à sua mesa, presidente terá escolha difícil entre vetar ou sancionar

Mais difícil será explicar o que faziam o PT e companhia no acordo de privilégios que o governo diz ignorar

presidente da República tem pela frente uma escolha difícil. Quando o pacote de privilégios aprovado no Congresso Nacional chegar à sua mesa para sanção ou veto, ele precisará decidir entre se indispor com o Legislativo, além de boa parte do funcionalismo, e ficar mal na foto eleitoral.

A dificuldade maior nem é essa. Antes disso, será necessário explicar a presença do PT e companhia no acordo que viabilizou uma votação simbólica —sem a identificação do voto— de surpresa, no meio da tarde do segundo dia do novo ano legislativo, e que, entre outras desigualdades, cria penduricalhos salariais e institui a escala 3x1 de trabalho para uma casta de servidores públicos.

Dia a dia na Papudinha. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

À falta de secretária, Bolsonaro deve ter uma agenda para organizar as reuniões diárias

Suas instalações são melhores que as de 99,9% da população carcerária. A quem cabe o 0,1%?

Meus fiéis leitores bolsonaristas não se conformam —quando escrevo sobre qualquer assunto que não Bolsonaro, eles se queixam. E com razão. Por razões sanitárias, só falo de Bolsonaro uma vez por semana e, mesmo assim, nem toda semana. Com isso, às vezes passo em branco sobre assuntos a seu respeito que mereceriam atenção. Omiti-me, por exemplo, há algumas semanas, quando Bolsonaro foi transferido para a Papudinha.