terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit do governo, inadimplência das famílias

Por Folha de S. Paulo

Número de endividados segue crescendo e atinge patamares recordes, mesmo com desemprego em baixa

Aumento desordenado de despesas sob Lula gera aumento da taxa básica de juros, o que encarece o crédito para o setor privado

Não há resolução simples para a persistente alta do endividamento e da inadimplência de famílias e empresas. Com o custo do crédito em patamar elevado, ante de uma taxa básica de juros de 15% anuais, dívidas viram armadilha, mesmo com desemprego baixo.

O fim da escala 6 por 1, a “economia do afeto” e a reeleição de Lula. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Governo e partidos da base do presidente Lula já disseram ser favoráveis a uma redução da jornada de trabalho, mas dificilmente a jornada de 4 x 3 será aprovada

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou, ontem, o envio da Proposta de Emenda da Constituição (PEC) que põe fim à escala 6 x 1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Admitida a constitucionalidade, será formada uma comissão especial para ouvir economistas, empregados e patrões para se chegar a uma mudança “com equilíbrio e responsabilidade”.

“O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, disse Motta, que aglutinou os projetos da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que acaba com a escala 6 x 1, e um texto apresentado pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sobre o mesmo assunto. A redução da jornada de trabalho é música aos ouvidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aposta na “economia do afeto” — a essencia do lulismo, na feliz expressão do historiador Alberto Aggio– para se reeleger.

Reconstruir seguranças laborais, tarefa contra o vale-tudo. Por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Há enorme controvérsia sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos

Amélia, de 65 anos, saiu de casa para ir ao supermercado caminhando em uma rua de Pinheiros, em São Paulo, por volta das 18 horas. Era uma quinta-feira de verão, e o sol ainda iluminava a cidade. Vários motociclistas passavam em alta velocidade até que um deles, com um colega na garupa, parou ao lado da mulher:

“Passa o celular aí, vovó!”, ordenou, sem descer da moto.

“Não tenho celular, pode ver”, respondeu a trêmula senhora, mostrando a bolsa para o carona que parecia ter uma arma na mão.

“Então passa aí o cartão, e na próxima vez não esqueça o celular”, disse o motoqueiro ao empurrar a mulher e partir com o cartão no bolso.

A intrincada costura de Lula na troca do vice. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A remontagem da chapa presidencial vai muito além da troca de Alckmin por Renan Filho e passa pela digestão do MDB

Com a afirmação de que o vice-presidente Geraldo Alckmin tem um papel a cumprir em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tirou do bastidor a especulação sobre a remontagem de sua chapa. Trazer o debate à luz do dia, porém, não é suficiente para desinterditar os dois principais problemas trazidos pela saída do PSB e a entrada daquele que, hoje, é o partido mais provável para substituí-lo, o MDB.

Tirar Alckmin da chapa não é o problema. O nó é fazê-lo disputar o governo de São Paulo. Hoje o maior projeto do PSB é eleger o prefeito do Recife, João Campos, ao governo de Pernambuco. Para isso, o partido quer o apoio lulista e não a neutralidade defendida pela atual governadora, Raquel Lyra (PSD). Em 2010, Lula apoiou tanto o pai de João, Eduardo Campos, que se elegeu, quanto o senador Humberto Costa, que ficou em terceiro lugar, atrás do deputado federal Mendonça Filho (União-PE).

‘Balcão de negócio’. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sob tiroteio, STF julga nesta semana ação contra ‘balcão de negócio’ no TCU

A intervenção política em órgãos públicos de governança e fiscalização vem crescendo de governo a governo e não é exclusividade da direita ou da esquerda, mas comum a quem tem a caneta e o poder nas mãos, independentemente de ideologia e, invariavelmente, contra os interesses do País.

Os primeiros governos de Lula já não foram exatamente reverentes à autonomia de bancos públicos, agências reguladoras e fundos de pensão de estatais – sem falar na Petrobras. Veio Jair Bolsonaro e meteu a mão na Polícia Federal e PRF, Receita, Coaf, Abin e Ibama – sem falar nas Forças Armadas.

Master em todo lugar. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A Polícia Federal foi às ruas, na sexta, contra traficâncias cometidas na Amprev, a gestora do regime previdenciário do Amapá – que despejou R$ 400 milhões no Master e que era dirigida por Jocildo Silva Lemos, nomeado em 2023 sob ordem de Davi Alcolumbre, de quem fora tesoureiro em 2022.

Na quinta, véspera da operação, em entrevista ao UOL, Lula disse: “Nós vamos a fundo nesse negócio. Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB?” O presidente – não seja maledicente – desconhecia a operação que a PF faria no dia seguinte. Tratou-se apenas de quando o discurso eleitoral – que tenta associar “a falcatrua” à direita – coincide com o que será a atividade policial. Acaso.

A China e a América Latina. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

No caso do Brasil, a nova política externa dos EUA não colocou em questão as políticas do governo brasileiro em relação a Pequim

Em novembro passado, poucos dias depois da divulgação da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA – na qual a América Latina aparece como a principal prioridade de Washington –, o governo chinês anunciou uma nova política para a região.

O documento apresenta três aspectos: 1) a América Latina como uma terra cheia de vigor e esperança; 2) as relações da China com a América Latina em desenvolvimento vigoroso; e3) o trabalho conjunto para implementar os “programas para a formação de uma comunidade com futuro compartilhado”.

O conhecimento e o seu poder transformador. Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A grande transformação da economia chinesa nas últimas décadas é fruto do trabalho de pesquisa nas principais universidades do país

Não surpreenderia se, em algum momento, a norteamericana Harvard e a britânica Oxford, duas das mais renomadas universidades do mundo, fossem igualadas ou superadas em termos de prestígio, produção acadêmica, qualidade de ensino ou por outro critério de avaliação. O que surpreende em recentes classificações internacionais é a avassaladora presença de instituições chinesas na lista das melhores. Em algumas classificações, das dez mais importantes universidades do mundo, as chinesas ocupam oito posições, inclusive as primeiras. Numa delas, mostrada em matéria do The New York Times publicada pelo Estadão na semana passada (O avanço das universidades chinesas, 3/2/26, C6 e C7), Harvard aparece na terceira posição; Oxford ficou fora da lista. A primeira é a Universidade de Zhejiang; há duas décadas, ela aparecia só na 25.ª posição.

Jogo de máscaras. Por Merval Pereira

O Globo

Lula mantém negociações políticas com partidos do Centrão, e Flávio não se distancia dos radicais bolsonaristas

O chamado à guerra feito por Lula para a militância do PT no fim de semana reflete a redução do espaço político de sua candidatura, enquanto o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, procura vender uma imagem de moderação que lhe amplie o eleitorado para além do radicalismo bolsonarista. Os dois sofrem alta rejeição justamente pelo receio de que representem o extremismo político que encarnam. O presidente Lula, ainda visto como comunista por boa parte do eleitorado oposicionista, e os Bolsonaro, que custarão a se livrar da pecha de golpista que levou o patriarca à cadeia.

A folia dos supersalários. Por Fernando Gabeira

O Globo

Vamos ver como o carnaval filtra tudo isso para que mergulhemos de novo num ano eleitoral

Quando menino, o carnaval era uma festa de acasalamento: Ai, morena/ Seria meu maior prazer/ Passar o carnaval contigo/ Beijar a sua boca e depois morrer.

Aos olhos do adulto, o carnaval é apenas um filtro político. Que enredos sobreviverão a ele, quantos escândalos ainda serão lembrados, pois, no Brasil, depois do carnaval é que começa o ano, com seu sabor de novidade. Algumas CPIs já estão no final, como a do crime organizado e a do assalto aos velhinhos do INSS. Seu último esforço é se agarrar à cauda do cometa, o escândalo do Banco Master.

Refazer o FGC e superar a crise. Por Míriam Leitão

O Globo

Master: mesmo com cinco anos de antecipação, bancos ainda teriam de cobrir metade do rombo de R$ 60 bilhões

O Banco Central pode vir a concordar com os bancos que estão pedindo o uso dos depósitos compulsórios como parte do que eles têm que recolher ao Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo do Banco Master. Mas o buraco é maior e a solução mais complexa do que parece. Juntando o Master, Will Bank, Letsbank e mais as linhas de assistência de liquidez que o Master acessou no Fundo, o valor chega a R$ 60 bilhões. Mesmo que os bancos antecipem cinco anos de prestações ao FGC dá apenas metade do necessário.

O pesadelo do ChatGPT. Por Pedro Doria

O Globo

Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande

É possível que 2026 seja o ano em que a OpenAI perca a liderança na corrida da inteligência artificial. Caso essa crise faça a empresa tropeçar, uma consequência importante será o temido estouro da bolha das empresas de tecnologia. Hoje, segundo o JPMorgan, as ações relacionadas à IA representam 44% do valor de mercado no índice S&P 500, algo próximo de metade do dinheiro investido na Bolsa americana. Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande. Então por que a desconfiança com a OpenAI? As razões são algumas.

Pode o amor de Bad Bunny vencer Trump? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

A mensagem do cantor se encaixa perfeitamente no tom dos protestos pacíficos em Minneapolis

Maior erro estratégico para os defensores dos imigrantes latinos seria partir pra violência ou chamar o povo para a guerra

Quem esperava um gesto revolucionário de Bad Bunny em pleno Super Bowl se decepcionou. Contra a divisão, a truculência da polícia imigratória e o preconceito antilatino do governo Trump (jamais mencionados), o cantor não conclamou para a guerra, não pediu a queda do governo e nem mesmo o fim do ICE.

Sua mensagem, escrita num outdoor caso não ficasse óbvia o suficiente em meio à celebração da sensualidade latina: "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor". Entoou até mesmo um "God bless America" ao fim do show, mas de uma América inclusiva, grande: o continente americano com todos os seus países, e não apenas os Estados Unidos. Todos juntos, unidos em harmonia e respeito.

À espreita. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Cordão sanitário funcionou e portugueses rejeitaram ultradireita na Presidência

Radicais têm ascensão meteórica quando eleitores descobrem que não estão sós

Por dois terços dos votos, os portugueses elegeram o socialista moderado António José Seguro para a Presidência do país, dando um sonoro "não" ao ultradireitista André Ventura, do Chega. Funcionou aqui o cordão sanitário. As principais forças políticas do país, tanto à esquerda como à direita, se uniram no segundo turno para impedir que um candidato da direita radical vencesse a disputa. Em Portugal, quem governa é o premiê, mas o presidente tem poderes relevantes, como o de dissolver o Parlamento e vetar leis.

Disputa entre Michelle e Flávio impactará bolsonarismo no Congresso. Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Distanciamento de evangélicos tende a reduzir influência do clã

Michelle ajuda a justificar Bolsonaro como parte de um plano divino para o país

Uma mulher tomou para si o papel de denunciar o nepotismo dentro do clã Bolsonaro. Depois de chamar Nikolas Ferreira —e não Flávio— de líder da direita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado, por Santa Catarina, contrariando a indicação de Carlos Bolsonaro para a vaga.

Há muito em jogo para Michelle neste ano. A decisão de Tarcísio de Freitas de disputar o governo de São Paulo —e não a Presidência— a afetou diretamente. Ela era apontada como possível candidata a vice em uma chapa considerada mais competitiva do que a encabeçada por Flávio.

Oposição flerta com o abismo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo

Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral

Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.

É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.

Com penduricalhos, Carnaval dos Poderes dura o ano todo. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra com pagamentos extras tipo auxílio-peru custa R$ 20 bilhões aos cofres públicos

Ministro Flávio Dino, do STF, suspende supersalários e compra uma briga grande

Depois de contar a história da "alta funcionária" que havia entrado no serviço público de "paraquedas" (quer dizer, valendo-se de algum favor político), o cantor Blecaute esperava o breque da Orquestra Tabajara para concluir: "Que grande vigarista que ela é".

Gravada em outubro de 1951, "Maria Candelária", marchinha de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, tornou-se um dos grandes sucessos do Carnaval do ano seguinte. É uma daquelas músicas que, se pescadas no rio do tempo e escaladas para embalar um bloco de hoje, ressurgem sem rugas no rosto e de corpinho enxuto, como se tivessem sido compostas ontem.