terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O conhecimento e o seu poder transformador. Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A grande transformação da economia chinesa nas últimas décadas é fruto do trabalho de pesquisa nas principais universidades do país

Não surpreenderia se, em algum momento, a norteamericana Harvard e a britânica Oxford, duas das mais renomadas universidades do mundo, fossem igualadas ou superadas em termos de prestígio, produção acadêmica, qualidade de ensino ou por outro critério de avaliação. O que surpreende em recentes classificações internacionais é a avassaladora presença de instituições chinesas na lista das melhores. Em algumas classificações, das dez mais importantes universidades do mundo, as chinesas ocupam oito posições, inclusive as primeiras. Numa delas, mostrada em matéria do The New York Times publicada pelo Estadão na semana passada (O avanço das universidades chinesas, 3/2/26, C6 e C7), Harvard aparece na terceira posição; Oxford ficou fora da lista. A primeira é a Universidade de Zhejiang; há duas décadas, ela aparecia só na 25.ª posição.

Jogo de máscaras. Por Merval Pereira

O Globo

Lula mantém negociações políticas com partidos do Centrão, e Flávio não se distancia dos radicais bolsonaristas

O chamado à guerra feito por Lula para a militância do PT no fim de semana reflete a redução do espaço político de sua candidatura, enquanto o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, procura vender uma imagem de moderação que lhe amplie o eleitorado para além do radicalismo bolsonarista. Os dois sofrem alta rejeição justamente pelo receio de que representem o extremismo político que encarnam. O presidente Lula, ainda visto como comunista por boa parte do eleitorado oposicionista, e os Bolsonaro, que custarão a se livrar da pecha de golpista que levou o patriarca à cadeia.

A folia dos supersalários. Por Fernando Gabeira

O Globo

Vamos ver como o carnaval filtra tudo isso para que mergulhemos de novo num ano eleitoral

Quando menino, o carnaval era uma festa de acasalamento: Ai, morena/ Seria meu maior prazer/ Passar o carnaval contigo/ Beijar a sua boca e depois morrer.

Aos olhos do adulto, o carnaval é apenas um filtro político. Que enredos sobreviverão a ele, quantos escândalos ainda serão lembrados, pois, no Brasil, depois do carnaval é que começa o ano, com seu sabor de novidade. Algumas CPIs já estão no final, como a do crime organizado e a do assalto aos velhinhos do INSS. Seu último esforço é se agarrar à cauda do cometa, o escândalo do Banco Master.

Refazer o FGC e superar a crise. Por Míriam Leitão

O Globo

Master: mesmo com cinco anos de antecipação, bancos ainda teriam de cobrir metade do rombo de R$ 60 bilhões

O Banco Central pode vir a concordar com os bancos que estão pedindo o uso dos depósitos compulsórios como parte do que eles têm que recolher ao Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo do Banco Master. Mas o buraco é maior e a solução mais complexa do que parece. Juntando o Master, Will Bank, Letsbank e mais as linhas de assistência de liquidez que o Master acessou no Fundo, o valor chega a R$ 60 bilhões. Mesmo que os bancos antecipem cinco anos de prestações ao FGC dá apenas metade do necessário.

O pesadelo do ChatGPT. Por Pedro Doria

O Globo

Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande

É possível que 2026 seja o ano em que a OpenAI perca a liderança na corrida da inteligência artificial. Caso essa crise faça a empresa tropeçar, uma consequência importante será o temido estouro da bolha das empresas de tecnologia. Hoje, segundo o JPMorgan, as ações relacionadas à IA representam 44% do valor de mercado no índice S&P 500, algo próximo de metade do dinheiro investido na Bolsa americana. Se, repentinamente, há desconfiança a respeito do negócio da inteligência artificial e ocorre uma corrida de venda de papéis, o estrago é grande. Então por que a desconfiança com a OpenAI? As razões são algumas.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit do governo, inadimplência das famílias

Por Folha de S. Paulo

Número de endividados segue crescendo e atinge patamares recordes, mesmo com desemprego em baixa

Aumento desordenado de despesas sob Lula gera aumento da taxa básica de juros, o que encarece o crédito para o setor privado

Não há resolução simples para a persistente alta do endividamento e da inadimplência de famílias e empresas. Com o custo do crédito em patamar elevado, ante de uma taxa básica de juros de 15% anuais, dívidas viram armadilha, mesmo com desemprego baixo.

Pode o amor de Bad Bunny vencer Trump? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

A mensagem do cantor se encaixa perfeitamente no tom dos protestos pacíficos em Minneapolis

Maior erro estratégico para os defensores dos imigrantes latinos seria partir pra violência ou chamar o povo para a guerra

Quem esperava um gesto revolucionário de Bad Bunny em pleno Super Bowl se decepcionou. Contra a divisão, a truculência da polícia imigratória e o preconceito antilatino do governo Trump (jamais mencionados), o cantor não conclamou para a guerra, não pediu a queda do governo e nem mesmo o fim do ICE.

Sua mensagem, escrita num outdoor caso não ficasse óbvia o suficiente em meio à celebração da sensualidade latina: "A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor". Entoou até mesmo um "God bless America" ao fim do show, mas de uma América inclusiva, grande: o continente americano com todos os seus países, e não apenas os Estados Unidos. Todos juntos, unidos em harmonia e respeito.

À espreita. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Cordão sanitário funcionou e portugueses rejeitaram ultradireita na Presidência

Radicais têm ascensão meteórica quando eleitores descobrem que não estão sós

Por dois terços dos votos, os portugueses elegeram o socialista moderado António José Seguro para a Presidência do país, dando um sonoro "não" ao ultradireitista André Ventura, do Chega. Funcionou aqui o cordão sanitário. As principais forças políticas do país, tanto à esquerda como à direita, se uniram no segundo turno para impedir que um candidato da direita radical vencesse a disputa. Em Portugal, quem governa é o premiê, mas o presidente tem poderes relevantes, como o de dissolver o Parlamento e vetar leis.

Disputa entre Michelle e Flávio impactará bolsonarismo no Congresso. Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Distanciamento de evangélicos tende a reduzir influência do clã

Michelle ajuda a justificar Bolsonaro como parte de um plano divino para o país

Uma mulher tomou para si o papel de denunciar o nepotismo dentro do clã Bolsonaro. Depois de chamar Nikolas Ferreira —e não Flávio— de líder da direita, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro declarou apoio à candidatura de Carol de Toni ao Senado, por Santa Catarina, contrariando a indicação de Carlos Bolsonaro para a vaga.

Há muito em jogo para Michelle neste ano. A decisão de Tarcísio de Freitas de disputar o governo de São Paulo —e não a Presidência— a afetou diretamente. Ela era apontada como possível candidata a vice em uma chapa considerada mais competitiva do que a encabeçada por Flávio.

Oposição flerta com o abismo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se não abrir o olho e ficar esperta, direita pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo

Lula canta vitória na retórica, mas trabalha consciente de que há dificuldades a superar na batalha eleitoral

Se a direita não ficar esperta, se insistir em confrontar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode acabar perdendo uma eleição praticamente ganha em São Paulo. Esse flerte com o abismo geralmente assola quem sobe no salto antes do tempo.

É dessa altura traiçoeira que o PL e Jair & filhos parecem enxergar a cena eleitoral em alguns territórios que consideram dominados. Em Santa Catarina, o partido rifa a candidatura ao Senado da deputada Caroline de Toni —ultradireitista, bolsonarista de todos os costados disponíveis— para apostar num Carlos Bolsonaro importado do Rio de Janeiro e, com isso, produzir um racha na direita local.

Com penduricalhos, Carnaval dos Poderes dura o ano todo. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra com pagamentos extras tipo auxílio-peru custa R$ 20 bilhões aos cofres públicos

Ministro Flávio Dino, do STF, suspende supersalários e compra uma briga grande

Depois de contar a história da "alta funcionária" que havia entrado no serviço público de "paraquedas" (quer dizer, valendo-se de algum favor político), o cantor Blecaute esperava o breque da Orquestra Tabajara para concluir: "Que grande vigarista que ela é".

Gravada em outubro de 1951, "Maria Candelária", marchinha de Armando Cavalcanti e Klécius Caldas, tornou-se um dos grandes sucessos do Carnaval do ano seguinte. É uma daquelas músicas que, se pescadas no rio do tempo e escaladas para embalar um bloco de hoje, ressurgem sem rugas no rosto e de corpinho enxuto, como se tivessem sido compostas ontem.

Poesia | Belo Belo, de Manuel Bandeira

 

Música | Brasil, chegou a vez