quinta-feira, 5 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vorcaro deve ficar preso até ser julgado

Por O Globo

Ele mantinha central de espionagem e suborno que chegou a planejar ato violento contra jornalista do GLOBO

São estarrecedoras as revelações que levaram de volta à cadeia o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Vorcaro havia sido preso em novembro, mas depois foi solto sob a alegação de não oferecer risco. As evidências que embasaram o novo pedido de prisão da Polícia Federal (PF), em 27 de fevereiro, demonstram que sua libertação foi prematura. A PF extraiu dos celulares apreendidos provas de diversos crimes. O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), viu — com razão — necessidade urgente de mandar prender Vorcaro e seus cúmplices. Em despacho, ele criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu “perigo iminente” e pediu mais tempo para analisar o caso.

O estouro da guerra e a escalada das incertezas, por Assis Moreira

Valor Econômico

Os riscos de um novo choque forte na economia internacional são elevados

Organizações internacionais previam uma desaceleração do comércio global em 2026, ainda por causa da elevação de tarifas, efeito de mudanças de políticas comerciais e do acúmulo de riscos geopolíticos. Mas havia um ligeiro otimismo - até que estourou, no sábado, uma nova guerra.

Em 2025, o comércio mundial cresceu 4,4% em volume, segundo cálculos do Escritório de Análise de Política Econômica (CPB). Em valor, os fluxos comerciais internacionais superaram US$ 35 trilhões, ou US$ 2,2 trilhões a mais do que no ano anterior, conforme a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

Para 2026, o consenso era de que essas cifras deveriam ser mais moderadas. Em outubro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) projetou crescimento de apenas 0,4% no comércio para este ano.

Vorcaro, entre a prisão e a delação, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lei da delação beneficia quem está em baixo para pegar os de cima, mas Vorcaro atuava em todas as posições, sempre em sociedade

O temor de uma delação de Daniel Vorcaro é proporcional à convicção, na política, no Judiciário e no mercado, de que nem sempre o ex-banqueiro esteve no pico da pirâmide. Estivesse, teria dificuldade de se encaixar na lei da delação, que oferece o benefício aos de baixo para pegar os de cima. Os sócios que fez ao longo da empreitada querem que subordinados o delatem, mas Vorcaro também prestou serviços, no varejo e no atacado, em todas as posições. É este organograma o alvo.

Mafiosos em ação, por Merval Pereira

O Globo

A CPI do Banco Master não será aberta porque há interesse suprapartidário para que ela não exista

Entramos no campo da atividade mafiosa a partir dos diálogos e confirmações de que Daniel Vorcaro não era apenas um audacioso investidor financeiro que levou seu Banco Master a um esquema de pirâmide que lesou milhares de investidores e fundos públicos. Vorcaro era mais que um trambiqueiro de colarinho branco; era um bandido que montou uma quadrilha de delinquentes para ameaçar e desestruturar qualquer um que viesse a denunciar suas atividades criminosas. Podia ser uma empregada doméstica que ouviu mais do que devia ou o cozinheiro que ele imaginava ter gravado uma conversa indevida. Uma clara ação mafiosa, cujo braço armado tinha o sugestivo codinome de “Sicário”.

A ‘omertà’ do Master, por Malu Gaspar

O Globo

Se ainda havia qualquer dúvida sobre o risco que Daniel Vorcaro e seu celular-bomba representam para o establishment político brasileiro, foi sepultada ontem, com as revelações contidas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STFAndré Mendonça que ordenou nova prisão do banqueiro e de três cúmplices, entre eles um ex-policial federal e um estelionatário com larga experiência em crimes de todo tipo.

Os parcos diálogos que já vieram à tona revelam que Vorcaro pensava e operava na lógica da Máfia. Quem não seguisse sua cartilha, fosse uma funcionária, um jornalista ou um concorrente, estava fadado a sofrer represálias.

Don Vorcaro e o primeiro escalão, por Julia Duailibi

O Globo

Dono do Master tinha o poder no bolso. A decisão do STF que veio a público ontem não revela ainda quem é o ‘alto escalão da República’

O que Dias Toffoli parecia se esforçar para manter longe da luz do dia foi escancarado por André Mendonça em poucas semanas. Daniel Vorcaro formou uma milícia, segundo as palavras do próprio ministro, composta por “profissionais do crime” que atuaram de forma coordenada para captar “servidores públicos dos mais altos escalões da República”. Leia-se: Vorcaro tinha o poder no bolso. A decisão do STF que veio a público ontem, no entanto, não revela ainda quem é esse “alto escalão da República”. Concentra-se no segundo escalão, como os servidores do BC.

Vorcaro e a turma de moer gente, por Míriam Leitão

O Globo

O crime de Vorcaro atingiu outro patamar. Agora as provas são de planejar agressões físicas e outros atos violentos, além das fraudes financeiras

Nunca houve um banco como o Master. Outros quebraram, nenhum deles arrastou o Brasil para um enredo com desdobramentos tão tenebrosos. No capítulo de ontem da série, soube-se de “Sicário”, um capanga enviado para “moer” funcionários do banqueiro ou “quebrar todos os dentes” de um jornalista. No fim do dia, ele tentou suicídio. O crime de Daniel Vorcaro atingiu outro patamar. Agora, além de cometer fraude financeira, há provas de uma associação criminosa para executar atos violentos. Vorcaro, o homem que fez um banco de papel e achou que ficaria impune por ter uma rede poderosa de influências, é pior do que se sabia. Uma autoridade que acompanha o caso em Brasília definiu a maneira de agir de Vorcaro e sua turma: “É máfia.”

O cinema revela Jeffrey Epstein, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A sétima arte tem algo a dizer sobre como os endinheirados e poderosos misturam lascívia, fortuna, vício e desmandos para selar as alianças dos de cima contra os de baixo

Os tufos de fumaça no céu de Teerã escondem as assombrações que atormentam o mandato de Donald Trump. As bombas roubam as manchetes enquanto a queda de popularidade do presidente dos Estados Unidos perde destaque. A iminente subida da inflação sai de fininho do noticiário. De modo providencial, vai se desmanchando no ar o caso Epstein, este megaescândalo de exploração sexual de adolescentes, tráfico de influência internacional e corrupção de muitos matizes.

Há dois dias, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, concordou em prestar depoimento para a comissão do Congresso encarregada de averiguar as relações entre figuras públicas e o financista Jeffrey Epstein (criminoso sexual condenado, que morreu na cadeia em 2019, cumprindo pena). A notícia sobre Lutnick não teve repercussão, mas deveria. A investigação tem potencial para revelar algumas das tramas íntimas que procuram enlaçar a Casa Branca. Hillary Clinton já deu seu depoimento. Bill Clinton também. Trump vai ter de depor? Não se sabe.

A briga é pública, por William Waack

O Estado de S. Paulo

É sério o desentendimento entre PF, Supremo e Procuradoria-Geral da República

 O ministro André Mendonça decretou a prisão de Daniel Vorcaro e um imprevisível aprofundamento da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que ameaça envolver também a Procuradoria-Geral da República. A Polícia Federal está à solta sob outro tipo de incentivo por parte do Supremo.

Delegados teriam dito a Mendonça que a corporação estava desanimada com a relatoria de Dias Toffoli no caso do Banco Master, e temiam o engavetamento da investigação. Animaram-se depois que, por determinação do ministro, foi bloqueado o compartilhamento de informações dos investigadores com o diretor-geral da Polícia Federal, por conta de sua excessiva proximidade com Lula, comenta-se.

Autoridades com foro e chance de delação, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Novo capítulo do caso Master promete chacoalhar a política em ano eleitoral

Anova fase das investigações sobre as fraudes do Banco Master promete chacoalhar a política em ano eleitoral. Pessoas com acesso ao caso, que está sob sigilo, atestam que a apuração chegou a mais de uma autoridade com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da amplitude das descobertas, investigadores não descartam que suspeitos tentem fechar acordos de delação premiada.

A legislação sobre a colaboração premiada impede o líder de uma organização criminosa de fechar acordo. No entanto, investigadores colocam em dúvida que Daniel Vorcaro tenha essa posição no esquema do Master. Portanto, deixam em aberto a possibilidade de serem procurados pela defesa do banqueiro.

Prisão de Vorcaro e novas revelações do caso Master assombram Brasília, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão do ministro do STF André Mendonça cita a formação de organização criminosa, danos bilionários e crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada, ontem, pela Polícia Federal, assombra os caciques do Centrão com os quais mantinha forte relações, porque ampliou muito o alcance político e institucional das investigações sobre a fraude envolvendo o Banco Master. Foram presos o banqueiro Daniel Vorcaro; seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", que estaria conduzindo monitoramento de adversários de Vorcaro, e o policial federal Marilson Roseno da Silva.

Segundo a Polícia Federal, o banqueiro teria encomendado ao Sicário a simulação de um assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que teria os dentes quebrados, mas o atentado não se consumou. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Octávio Costa, repudiou as ameaças e reiterou o papel da imprensa na cobertura do caso.

Trump iniciou guerra com Irã por capricho e perdeu monopólio do conflito, por Edward Luce

Financial Times / Folha de S. Paulo

Presidente americano disse em posse que queria fim de guerras de escolha; agora está envolvido na maior delas

Objetivos dos EUA são caleidoscópicos, e mudança de regime após morte de Khamenei não vai acontecer com facilidade

O problema com os homens fortes é que eles podem facilmente mudar de ideia. Em seu discurso de posse no ano passado, o presidente americano, Donald Trump, prometeu ser um "pacificador" que acabaria com "guerras de escolha". Agora ele está envolvido contra o Irã na tentativa da maior mudança de regime de todas.

Talvez a realidade no terreno o force a abandonar esse objetivo. No entanto, mesmo seu gabinete —para não falar do Congresso e dos aliados dos Estados Unidos— está no escuro sobre qual é seu plano de saída.

Como Trump disse ao The New York Times em janeiro, sua única restrição é "minha própria moralidade... É a única coisa que pode me deter". O sistema constitucional americano até agora não deu motivos para duvidar dele. O que acontece no teatro de guerra em expansão é outra história.

A democracia corre risco nesta eleição? Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A extrema direita irá se adaptar às regras democráticas se vencer?

O que ocorrer nos EUA pode definir o destino da democracia mundo afora.

É da maior importância a discussão das consequências de uma vitória nas eleições presidenciais das forças de direita lideradas pelo delfim dos Bolsonaros. O debate divide respeitáveis analistas da política nacional.

Uns acham que, no Planalto, Flávio representaria clara ameaça à ordem democrática, por reavivar o golpismo que culminou com o pai na Papudinha. Outros acreditam não haver indícios fortes de que o filho, mais moderado, siga os passos do genitor.

Em outros termos, o que se debate é a possibilidade de a extrema direita se adaptar ao sistema representativo e que, no governo, não trate de enterrá-lo. O que se conhece do assunto não ampara conclusões cabais. No passado, fascismo e nazismo chegaram ao poder por meio de eleições livres e, rapidamente, aplastaram as instituições representativas e as liberdades individuais. No presente, há exemplos para todos os gostos.

A máfia que tinha um banco, o Master, sumiu com o dinheiro e comprava a República, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas do BC de levar propina de Vorcaro

Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos demais para o salário

Banco Master era a fachada de uma máfia comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado dos mafiosos ou cúmplice.

Segundo acaba de se saber pela Polícia Federal, Vorcaro tinha capangas para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central, que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar Vorcaro da prisão.

Turma de Vorcaro agia como a Máfia, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance

Com nova operação da PF, as suspeitas de que o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam

As revelações que vieram à tona no rastro da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro agia como uma máfia.

Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.

A sua organização criminosa atuava em quatro núcleos detalhadamente descritos na decisão do ministro do STF André Mendonça que levou à ação da PF: 1) financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2) corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; 3) ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas laranjas; 4) intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Descobrindo Virginia, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Como tolerar a ideia de que até hoje não faço parte dos 55 milhões de seguidores da influenciadora?

Todo dia surgem fulanos manipulando bilhões e, como todo bandido, com muito dinheiro em casa

Na semana passada ("De Gardel a Montiel", 26/2), ao dizer que nunca ouvira falar de Bad Bunny, temi que uma massa de leitores me caísse em cima –como era possível não saber do maior fenômeno musical de nosso tempo? E só soube por ele ter desafiado Donald Trump, o que logo o tornou merecedor de minha admiração. Confesso que, por enquanto, ainda não ouvi Bad Bunny emitir uma só nota como cantor, e talvez seja melhor assim. Pois não é que vários leitores admitiram a mesma deficiência –que também tinham acabado de ser apresentados a Bad Bunny?