quinta-feira, 5 de março de 2026

Prisão de Vorcaro e novas revelações do caso Master assombram Brasília, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão do ministro do STF André Mendonça cita a formação de organização criminosa, danos bilionários e crimes de ameaça, corrupção e lavagem de dinheiro

A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada, ontem, pela Polícia Federal, assombra os caciques do Centrão com os quais mantinha forte relações, porque ampliou muito o alcance político e institucional das investigações sobre a fraude envolvendo o Banco Master. Foram presos o banqueiro Daniel Vorcaro; seu cunhado, o empresário Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", que estaria conduzindo monitoramento de adversários de Vorcaro, e o policial federal Marilson Roseno da Silva.

Segundo a Polícia Federal, o banqueiro teria encomendado ao Sicário a simulação de um assalto para intimidar o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, que teria os dentes quebrados, mas o atentado não se consumou. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Octávio Costa, repudiou as ameaças e reiterou o papel da imprensa na cobertura do caso.

Trump iniciou guerra com Irã por capricho e perdeu monopólio do conflito, por Edward Luce

Financial Times / Folha de S. Paulo

Presidente americano disse em posse que queria fim de guerras de escolha; agora está envolvido na maior delas

Objetivos dos EUA são caleidoscópicos, e mudança de regime após morte de Khamenei não vai acontecer com facilidade

O problema com os homens fortes é que eles podem facilmente mudar de ideia. Em seu discurso de posse no ano passado, o presidente americano, Donald Trump, prometeu ser um "pacificador" que acabaria com "guerras de escolha". Agora ele está envolvido contra o Irã na tentativa da maior mudança de regime de todas.

Talvez a realidade no terreno o force a abandonar esse objetivo. No entanto, mesmo seu gabinete —para não falar do Congresso e dos aliados dos Estados Unidos— está no escuro sobre qual é seu plano de saída.

Como Trump disse ao The New York Times em janeiro, sua única restrição é "minha própria moralidade... É a única coisa que pode me deter". O sistema constitucional americano até agora não deu motivos para duvidar dele. O que acontece no teatro de guerra em expansão é outra história.

A democracia corre risco nesta eleição? Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A extrema direita irá se adaptar às regras democráticas se vencer?

O que ocorrer nos EUA pode definir o destino da democracia mundo afora.

É da maior importância a discussão das consequências de uma vitória nas eleições presidenciais das forças de direita lideradas pelo delfim dos Bolsonaros. O debate divide respeitáveis analistas da política nacional.

Uns acham que, no Planalto, Flávio representaria clara ameaça à ordem democrática, por reavivar o golpismo que culminou com o pai na Papudinha. Outros acreditam não haver indícios fortes de que o filho, mais moderado, siga os passos do genitor.

Em outros termos, o que se debate é a possibilidade de a extrema direita se adaptar ao sistema representativo e que, no governo, não trate de enterrá-lo. O que se conhece do assunto não ampara conclusões cabais. No passado, fascismo e nazismo chegaram ao poder por meio de eleições livres e, rapidamente, aplastaram as instituições representativas e as liberdades individuais. No presente, há exemplos para todos os gostos.

A máfia que tinha um banco, o Master, sumiu com o dinheiro e comprava a República, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Após alerta do Banco Central, PF acusa altos burocratas do BC de levar propina de Vorcaro

Funcionários do BC assessoravam Master e pareciam ricos demais para o salário

Banco Master era a fachada de uma máfia comandada por Daniel Vorcaro. Qualquer autoridade da República que crie empecilhos para a investigação do Master é conivente com a máfia. No pior dos casos, é também beneficiário da organização criminosa, empregado dos mafiosos ou cúmplice.

Segundo acaba de se saber pela Polícia Federal, Vorcaro tinha capangas para espionar e ameaçar concorrentes e jornalistas. Mandou pagar propina aos dois chefes da supervisão bancária do Banco Central, que davam assessoria para escamotear irregularidades e deram ajuda para tirar Vorcaro da prisão.

Turma de Vorcaro agia como a Máfia, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance

Com nova operação da PF, as suspeitas de que o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam

As revelações que vieram à tona no rastro da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro agia como uma máfia.

Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.

A sua organização criminosa atuava em quatro núcleos detalhadamente descritos na decisão do ministro do STF André Mendonça que levou à ação da PF: 1) financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; 2) corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; 3) ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas laranjas; 4) intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Descobrindo Virginia, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Como tolerar a ideia de que até hoje não faço parte dos 55 milhões de seguidores da influenciadora?

Todo dia surgem fulanos manipulando bilhões e, como todo bandido, com muito dinheiro em casa

Na semana passada ("De Gardel a Montiel", 26/2), ao dizer que nunca ouvira falar de Bad Bunny, temi que uma massa de leitores me caísse em cima –como era possível não saber do maior fenômeno musical de nosso tempo? E só soube por ele ter desafiado Donald Trump, o que logo o tornou merecedor de minha admiração. Confesso que, por enquanto, ainda não ouvi Bad Bunny emitir uma só nota como cantor, e talvez seja melhor assim. Pois não é que vários leitores admitiram a mesma deficiência –que também tinham acabado de ser apresentados a Bad Bunny?

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Vorcaro deve ficar preso até ser julgado

Por O Globo

Ele mantinha central de espionagem e suborno que chegou a planejar ato violento contra jornalista do GLOBO

São estarrecedoras as revelações que levaram de volta à cadeia o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Vorcaro havia sido preso em novembro, mas depois foi solto sob a alegação de não oferecer risco. As evidências que embasaram o novo pedido de prisão da Polícia Federal (PF), em 27 de fevereiro, demonstram que sua libertação foi prematura. A PF extraiu dos celulares apreendidos provas de diversos crimes. O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), viu — com razão — necessidade urgente de mandar prender Vorcaro e seus cúmplices. Em despacho, ele criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR), que não viu “perigo iminente” e pediu mais tempo para analisar o caso.

Poesia | O Teu Riso, de Pablo Neruda, por Luma Carvalho

 

Música | Wilson das Neves - Fundamento (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro)