quinta-feira, 12 de março de 2026

O recuo de Toffoli e o avanço da crise à direita, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ministro reconhece suspeição no caso Master que avança sobre o União Brasil

A crise do Supremo Tribunal Federal ganha panos quentes com a decisão do ministro Dias Toffoli de se declarar suspeito para a relatoria do mandado de segurança pela instalação da CPI do Master na Câmara dos Deputados e para o julgamento da Segunda Turma que vai se manifestar sobre a prisão de Daniel Vorcaro, dono do banco.

Por quanto tempo, não se sabe, até porque o ministro Alexandre de Moraes, nomeou, para seu gabinete, o delegado da Polícia Federal Fábio Schor, seu braço direito nos inquéritos do golpe e das ‘fake news’, e o Fórum de Lisboa, popularmente conhecido como “Gilmarpalooza”, já está anunciado para os primeiros dias de junho. Abre-se, pelo menos, a perspectiva de que os holofotes do caso venham a ser partilhados com a política.

Não há dúvida, no entorno do presidente, de que sua popularidade e intenção de voto têm pago a conta do escândalo do Master pela condição de “representante máximo do status quo”, como disse o presidente do PT, Edinho Silva, ao Valor.

Aversão ao governo petista é resistente, por Carlos Melo

O Globo

Tomados pelo autoengano de acreditarem-se portadores da verdade mais certa, governo e partido quedam-se blasés

Em fevereiro de 2025, pesquisa Datafolha apontava 41% de desaprovação ao governo Lula, para uma aprovação de 24%. Neste mês de março, os números apurados foram 40% de desaprovação para 32% que o aprovam. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem, a desaprovação subiu de 49% em janeiro de 2025 para 51% neste mês; a aprovação caiu de 47% para 44%. Há resistente aversão ao governo petista de modo, talvez, intransponível. A Genial/Quaest mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) empatados nas intenções de voto para presidente num eventual segundo turno, ambos com 41%.

STF na rinha política, por Merval Pereira

O Globo

Os próprios supremos deram razões para ser criticados e submetidos a uma ação de impeachment

A pesquisa Quaest divulgada ontem confirma o empate técnico no segundo turno das eleições presidenciais entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, reafirmando a polarização ou calcificação da disputa, como define a própria Quaest. Com uma diferença importante: a calcificação se dá entre o representante do antipetismo e o lulismo, com a vantagem para os oposicionistas. Eles se unem em torno de qualquer dos nomes que vá para o segundo turno em desfavor do presidente Lula, que não tem, como demonstrado em 2018, representante que absorva integralmente seus votos.

Morte de Sicário não é fatalidade, por Julia Duailibi

O Globo

Ele deveria ser julgado. Além do mais, era um delator potencial. Por incompetência ou omissão, o Estado tem culpa nessa morte

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, morreu sob a custódia do Estado brasileiro, e esse não deveria ser um escândalo menor dentro dos tantos absurdos revelados pelo caso Master. É espantoso que um preso, com papel central na organização criminosa, tenha conseguido se matar dentro das dependências da polícia, numa cela monitorada, em tempo real, por essa mesma polícia. Sicário ainda deu uma chance aos agentes de plantão: atentou contra a vida não uma, mas duas vezes. Mesmo assim, ninguém, em tese, viu.

A dor humana e o dano econômico, por Míriam Leitão

O Globo

Conflito no Oriente Médio escala, com mortes de inocentes e efeitos econômicos que atingem diversos países

O The New York Times mostrou ontem um vídeo, com autenticidade verificada pelo próprio jornal, da escola para meninas no Irã atacada pelos Estados Unidos. A reportagem conta que uma investigação militar em andamento indica que o míssil Tomahawk foi disparado em direção ao colégio elementar por “dados desatualizados” dos alvos no Irã. Os gritos das mães procurando sobreviventes ficam no ouvido de quem assiste. Morreram 175 pessoas, a maioria meninas. Ontem, Israel escalou seus ataques contra o Líbano, nesta guerra que já virou uma tragédia humana e uma crise econômica.

Nada a comemorar no castelo da insensatez, por José Serra

O Estado de S. Paulo

Este início de ano tem mostrado que a palavra ‘civilizados’ não pode ser empregada para os atos das autoridades deste planeta

A primeira metade do século passado pode ser caracterizada como um pesadelo coletivo. Ela foi repleta de líderes que não serviam ao povo ou às instituições, mas preferiam mostrar seu ego reluzente. Também foi salpicada de partidos inconsequentes, dirigentes medíocres e empresários que viam apenas o lucro fácil, o que conduziu ao crash de 1929.

Nesses últimos anos, isso parecia coisa de um passado distante, de um tempo em que éramos muito menos civilizados e tínhamos instituições muito mais frágeis. Ledo engano: este início de ano tem mostrado que a palavra “civilizados” não pode ser empregada para os atos das autoridades deste planeta.

Sede de poder sem projeto de país? Por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Com um projeto bem acabado para o Brasil, as forças políticas que buscam vencer a eleição devem demonstrar sua capacidade de colaborar com um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social

Nestas eleições, espera-se que os diferentes grupos políticos já colocados para a disputa apresentem um projeto de nação. Não há mais espaço para discursos populistas, de parte a parte, diante de uma sociedade machucada pela negligência dos poderes públicos. É preciso planejar o futuro e liderar essa construção.

A Constituição de 1988 estabeleceu as bases necessárias para a ação do Estado, isto é, para a elaboração e execução de políticas públicas, nas mais diversas áreas, com vistas à expansão do bem-estar social. O cumprimento do mandato constitucional, contudo, requer o resgate do planejamento.

As correntes profundas, por William Waack

O Estado de S. Paulo

As dificuldades de Lula para se reeleger não são apenas momentâneas

Mesmo com o desempenho recente de Flávio Bolsonaro, no fundo o cenário da eleição presidencial é estável, demonstram seguidas pesquisas de vários institutos. É essa estabilidade e o uso de modelos estatísticos que levam respeitadas agências de análise de risco (como a Eurásia, por exemplo) a dizer que Lula tem 60% de chances de ganhar.

Mas modelos estatísticos têm célebre dificuldade em captar movimentos subterrâneos e correntes estruturais, ainda que pesquisas acusem tendências e sofram oscilações. E a grande corrente está trabalhando contra os planos de reeleição de Lula.

STF está preocupado, dividido e sem plano, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O clima está ruim, e ninguém sabe qual o caminho para sair da crise. Hoje, essa avaliação é a única unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Sobre todo o resto, a Corte se dividiu na nova temporadado escândalo do Banco Master.

Mesmo com o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos investigados, a dimensão financeira do caso ficou em segundo plano. O foco foi deslocado para o impacto político e institucional das revelações, com consequências para a dinâmica interna do Supremo.

Até gente de Trump vê petróleo subir, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Agência de estatísticas e estudos de energia dos EUA prevê petróleo em US$ 95 até maio

Antes da guerra, barril custava US$ 72; juros sobem, receio de inflação também

O preço do barril do petróleo do tipo Brent deve ficar em US$ 95 mais ou menos até maio. É a previsão da agência de estatísticas e estudos de energia do governo dos Estados Unidos, a EIA ("Energy Information Administration"). Estimativas de preço de petróleo e gás são tão ruins quanto os chutes informados sobre taxa de câmbio. Em tempos de guerra, pior ainda. Mas o cheiro de queimado fica mais forte com as estimativas da EIA, embora o mercado de petróleo esteja mais otimista nas projeções.

Fila do INSS é dor de cabeça dupla para Lula, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Com o avanço de Flávio nas pesquisas, reduzi-la ainda neste semestre passa a ser urgente para o presidente

Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para os adversários políticos

fila represada do INSS é dor de cabeça eleitoral para Lula. No momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) avança nas pesquisas e empata tecnicamente com o petista no segundo turno, a necessidade de reduzi-la passa a ser urgente para o presidente ainda neste primeiro semestre.

Esse é o caso em que o processo de normalização do fluxo de pedidos não tem potencial para garantir sozinho ganhos elevados de popularidade. Mas a permanência da fila em níveis recordes pode tirar votos de Lula numa disputa eleitoral acirrada.

Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para adversários políticos de candidatos que estão no governo e buscam a reeleição.

Na guerra de números e comparações que alimentam as narrativas das campanhas eleitorais, Lula (pelos números oficiais) perde para o ex-presidente Jair Bolsonaro, com o recorde de 3,07 milhões de pedidos represados, alcançados no início de janeiro deste ano. A fila é grande e não priorizou os casos mais graves.

Assim como Lula, Bolsonaro enfrentou uma crise crônica no INSS. Era o primeiro ano do seu governo, quando o auge da fila aconteceu em julho, com 2,5 milhões de pedidos dos segurados esperando resposta do órgão.

O então secretário de Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, demitiu o presidente do INSS, Renato Vieira, meses depois, em janeiro de 2020. Marinho é hoje senador e coordenador da pré-campanha presidencial do filho de Bolsonaro. Ele conhece o assunto e vai explorar o problema na campanha. A fila é maior em tamanho, mas também um problema para as contas públicas. Até aqui, o represamento ajudou a diminuir o déficit de Fernando Haddad.

A partir de agora, reduzir a fila em velocidade maior, como cobra Lula, exigirá dinheiro para pagar os benefícios num cenário com menos espaço para acelerar a liberação de emendas parlamentares até a campanha eleitoral.

O presidente e sua equipe econômica terão de lidar com a fila e as fraudes na concessão de benefícios, que seguem em trajetória insustentável.

 

Comando Vermelho e PCC são terroristas? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Objetivo de Trump é fazer da América Latina o seu quintal

Definição não trará mais segurança, mas maior militarização

A consequência prática da eventual designação pelo governo Trump das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras é tão incerta quanto o próprio regime trumpista. Se o fizer, os EUA colocarão sobre o Brasil o símbolo de alvo de sua artilharia legal, diplomática e militar; se vai atirar ou não, são outros 500, o que dependerá da habilidade da diplomacia brasileira. Por partes, portanto.

O que cabe à Suprema Corte, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Escândalo do Banco Master causa estrago à legitimidade do STF

Corte precisa de solução que escape à defesa corporativista dos colegas de toga

As operações do Banco Master são um caso clássico daquilo que os economistas chamam de "rent seeking". O termo descreve o comportamento de todos quantos busquem ganhos econômicos via acesso privilegiado a quem tem poder de decisão sobre políticas públicas. Na prática, a busca de vantagens por meios políticos geralmente envolve corrupção e se aproveita de oportunidades que nenhum desenho institucional é capaz de bloquear completa e definitivamente.

O amigo da corte e o bajulador de ministro, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Manual prático para ajudar o STF ou proteger o centrão supremocrático

O amigo da corte tenta imaginar como estancar o sangramento, seja por aposentadoria ou sanção jurídica

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

A nova agenda social de Vorcaro, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Todas as propriedades de Daniel Vorcaro são cinemascópicas, de milhares de metros quadrados

Mas seus domínios neste momento espalham-se por uma cela de 9 metros quadrados na Papuda

Um histórico milionário paulistano vendeu sua mansão na avenida Paulista para uma construtora por uma fábula e, como não queria sair dali, exigiu também um apartamento ocupando toda a cobertura do prédio que seria levantado no lugar. Sua mulher estrilou: "Mas, Fulano, vamos ter de nos espremer em 1.000 metros quadrados???". Mostra que Ernest Hemingway não estava de todo certo ao responder à pergunta de F. Scott Fitzgerald sobre a diferença entre os ricos e os pobres. "Os ricos têm mais dinheiro", disse Hemingway. Não só isso —precisam de mais espaço.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É temerário pacote de bondades para o funcionalismo

Por O Globo

Em vez da reforma administrativa, governo improvisa com aumentos e contratações em ano eleitoral

Diante de um cenário econômico repleto de incertezas, foi temerária a decisão do Senado de chancelar a criação de 17,8 mil cargos no Executivo federal. O pacote, aprovado de forma simbólica na terça-feira depois de passar pela Câmara, também reestrutura carreiras do funcionalismo e concede reajuste a diversas categorias. O impacto no Orçamento de 2026 é estimado em R$ 5,3 bilhões. Mas é evidente que a busca por paridades, reparações e isonomias se encarregará de aumentar essa conta, estendendo bondades pelas três esferas de governo, ainda mais em ano eleitoral.