Folha de S. Paulo
Com o avanço de Flávio nas pesquisas,
reduzi-la ainda neste semestre passa a ser urgente para o presidente
Imagens de velhinhos e doentes reclamando do
INSS são um prato cheio para os adversários políticos
A fila
represada do INSS é
dor de cabeça eleitoral para Lula.
No momento em que o senador Flávio
Bolsonaro (PL) avança nas pesquisas e
empata tecnicamente com o petista no segundo turno, a necessidade de reduzi-la
passa a ser urgente para o presidente ainda neste primeiro semestre.
Esse é o caso em que o processo de
normalização do fluxo de pedidos não tem potencial para garantir sozinho ganhos
elevados de popularidade. Mas a permanência da fila em níveis recordes pode
tirar votos de Lula numa disputa
eleitoral acirrada.
Imagens de velhinhos e doentes reclamando do
INSS são um prato cheio para adversários políticos de candidatos que estão no
governo e buscam a reeleição.
Na guerra de números e comparações que
alimentam as narrativas das campanhas eleitorais, Lula (pelos números oficiais)
perde para o ex-presidente Jair
Bolsonaro, com o recorde de
3,07 milhões de pedidos represados, alcançados no início de janeiro
deste ano. A fila é grande e não priorizou os casos mais graves.
Assim como Lula, Bolsonaro enfrentou uma
crise crônica no INSS. Era o primeiro ano do seu governo, quando o auge da fila
aconteceu em julho, com 2,5 milhões de pedidos dos segurados esperando resposta
do órgão.
O então secretário de Previdência do
Ministério da Economia, Rogério
Marinho, demitiu o presidente do INSS, Renato Vieira, meses depois,
em janeiro de 2020. Marinho é hoje senador e coordenador da pré-campanha
presidencial do filho de Bolsonaro. Ele conhece o assunto e vai explorar o
problema na campanha. A fila é maior em tamanho, mas também um problema para as
contas públicas. Até aqui, o represamento ajudou a diminuir o déficit de Fernando
Haddad.
A partir de agora, reduzir a fila em
velocidade maior, como cobra Lula, exigirá dinheiro para pagar os benefícios
num cenário com menos espaço para acelerar a liberação de emendas parlamentares
até a campanha eleitoral.
O presidente e sua equipe econômica terão de
lidar com a fila e as fraudes na concessão de benefícios, que seguem em
trajetória insustentável.