quinta-feira, 12 de março de 2026

Fila do INSS é dor de cabeça eleitoral e fiscal para Lula, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Com o avanço de Flávio nas pesquisas, reduzi-la ainda neste semestre passa a ser urgente para o presidente

Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para os adversários políticos

fila represada do INSS é dor de cabeça eleitoral para Lula. No momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) avança nas pesquisas e empata tecnicamente com o petista no segundo turno, a necessidade de reduzi-la passa a ser urgente para o presidente ainda neste primeiro semestre.

Esse é o caso em que o processo de normalização do fluxo de pedidos não tem potencial para garantir sozinho ganhos elevados de popularidade. Mas a permanência da fila em níveis recordes pode tirar votos de Lula numa disputa eleitoral acirrada.

Imagens de velhinhos e doentes reclamando do INSS são um prato cheio para adversários políticos de candidatos que estão no governo e buscam a reeleição.

Na guerra de números e comparações que alimentam as narrativas das campanhas eleitorais, Lula (pelos números oficiais) perde para o ex-presidente Jair Bolsonaro, com o recorde de 3,07 milhões de pedidos represados, alcançados no início de janeiro deste ano. A fila é grande e não priorizou os casos mais graves.

Assim como Lula, Bolsonaro enfrentou uma crise crônica no INSS. Era o primeiro ano do seu governo, quando o auge da fila aconteceu em julho, com 2,5 milhões de pedidos dos segurados esperando resposta do órgão.

O então secretário de Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, demitiu o presidente do INSS, Renato Vieira, meses depois, em janeiro de 2020. Marinho é hoje senador e coordenador da pré-campanha presidencial do filho de Bolsonaro. Ele conhece o assunto e vai explorar o problema na campanha. A fila é maior em tamanho, mas também um problema para as contas públicas. Até aqui, o represamento ajudou a diminuir o déficit de Fernando Haddad.

A partir de agora, reduzir a fila em velocidade maior, como cobra Lula, exigirá dinheiro para pagar os benefícios num cenário com menos espaço para acelerar a liberação de emendas parlamentares até a campanha eleitoral.

O presidente e sua equipe econômica terão de lidar com a fila e as fraudes na concessão de benefícios, que seguem em trajetória insustentável.

 

Comando Vermelho e PCC são terroristas? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Objetivo de Trump é fazer da América Latina o seu quintal

Definição não trará mais segurança, mas maior militarização

A consequência prática da eventual designação pelo governo Trump das facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras é tão incerta quanto o próprio regime trumpista. Se o fizer, os EUA colocarão sobre o Brasil o símbolo de alvo de sua artilharia legal, diplomática e militar; se vai atirar ou não, são outros 500, o que dependerá da habilidade da diplomacia brasileira. Por partes, portanto.

O que cabe à Suprema Corte, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Escândalo do Banco Master causa estrago à legitimidade do STF

Corte precisa de solução que escape à defesa corporativista dos colegas de toga

As operações do Banco Master são um caso clássico daquilo que os economistas chamam de "rent seeking". O termo descreve o comportamento de todos quantos busquem ganhos econômicos via acesso privilegiado a quem tem poder de decisão sobre políticas públicas. Na prática, a busca de vantagens por meios políticos geralmente envolve corrupção e se aproveita de oportunidades que nenhum desenho institucional é capaz de bloquear completa e definitivamente.

O amigo da corte e o bajulador de ministro, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Manual prático para ajudar o STF ou proteger o centrão supremocrático

O amigo da corte tenta imaginar como estancar o sangramento, seja por aposentadoria ou sanção jurídica

Ser ministro do STF é exercer função pública, não ostentar estilo de vida. O cargo permite vida privada com o privilégio e o conforto do topo da pirâmide social brasileira. Só não permite o luxo extrativista, os cortejos oligárquicos e gangsteristas, o empreendedorismo familiar.

A carreira de ministro vem com muito poder, prerrogativa e prestígio, só pede não agredir a instituição. E não paga o suficiente para vestir-se de ouro. Não por moralismo. Não só por razões éticas ou estéticas, mas por razões legais compatíveis com a realidade socioeconômica brasileira.

A nova agenda social de Vorcaro, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Todas as propriedades de Daniel Vorcaro são cinemascópicas, de milhares de metros quadrados

Mas seus domínios neste momento espalham-se por uma cela de 9 metros quadrados na Papuda

Um histórico milionário paulistano vendeu sua mansão na avenida Paulista para uma construtora por uma fábula e, como não queria sair dali, exigiu também um apartamento ocupando toda a cobertura do prédio que seria levantado no lugar. Sua mulher estrilou: "Mas, Fulano, vamos ter de nos espremer em 1.000 metros quadrados???". Mostra que Ernest Hemingway não estava de todo certo ao responder à pergunta de F. Scott Fitzgerald sobre a diferença entre os ricos e os pobres. "Os ricos têm mais dinheiro", disse Hemingway. Não só isso —precisam de mais espaço.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É temerário pacote de bondades para o funcionalismo

Por O Globo

Em vez da reforma administrativa, governo improvisa com aumentos e contratações em ano eleitoral

Diante de um cenário econômico repleto de incertezas, foi temerária a decisão do Senado de chancelar a criação de 17,8 mil cargos no Executivo federal. O pacote, aprovado de forma simbólica na terça-feira depois de passar pela Câmara, também reestrutura carreiras do funcionalismo e concede reajuste a diversas categorias. O impacto no Orçamento de 2026 é estimado em R$ 5,3 bilhões. Mas é evidente que a busca por paridades, reparações e isonomias se encarregará de aumentar essa conta, estendendo bondades pelas três esferas de governo, ainda mais em ano eleitoral.

Poesia | Metanáutica, de Geir Campos

 

Música | Zé Ketti - Acender as velas