quarta-feira, 29 de abril de 2026

Para Lula, é ‘vencer ou vencer’ com Messias, por Vera Magalhães

O Globo

Aprovação no Senado passará à opinião pública a imagem de um governo que ainda mantém controle de sua articulação política

Lula enfrenta nesta quarta-feira um dos testes mais importantes de seu terceiro mandato. Uma derrota no Senado na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o fragilizaria de maneira até aqui inédita perante o Congresso e um eleitorado já bastante ressabiado. Para o petista, hoje é vencer ou vencer.

As contas pré-sabatina e votação no plenário mostram que será “com emoção”, mas a maioria dos prognósticos aponta uma vitória por pequena margem do ex-advogado-geral da União, cuja indicação foi feita no ano passado, segurada, confirmada neste ano e contrariou frontalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A votação acontece num momento de extrema tensão entre STF e Senado, com ecos na pré-campanha eleitoral e endosso de parcela crescente da sociedade, medida por pesquisas. Messias dificilmente escapará de uma inquirição dura, que refletirá esse cenário. Seu desafio será responder de forma a não se queimar com os dez ministros da Corte nem contrariar seus “eleitores” em potencial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário — lembrando que as duas rodadas de votação são secretas, para aumentar o suspense.

O dia D de Messias, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Indicado ao Supremo pode pagar por fatores alheios à sua biografia, como apetite de Alcolumbre e proximidade da eleição

Depois de cinco meses de espera, Jorge Messias enfrenta hoje seu dia D no Senado. O indicado de Lula ao Supremo foi avisado de que a sabatina será dura. Aliados projetam um placar apertado, com poucos votos a mais que os 41 necessários para aprová-lo.

Ontem à noite, governistas ainda admitiam o risco de uma zebra na votação secreta. Seria uma derrota histórica para o Planalto. Desde 1894, na República da Espada, o Senado não barra uma nomeação para a Suprema Corte.

Servidor de carreira, Messias ascendeu como quadro do petismo. Foi secretário de Assuntos Jurídicos de Dilma, quando ganhou fama involuntária ao ser chamado de “Bessias” num grampo da Lava-Jato. No governo Bolsonaro, refugiou-se no Senado como assessor de Jaques Wagner.

O Times Square de São Paulo, por Elio Gaspari

O Globo

Revitalização é uma coisa, macaquice é outra

De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.

Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.

Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Senado precisa cobrar de Messias apoio à reforma do STF

Por Folha de S. Paulo

Parlamentares devem questionar o indicado sobre código de ética de Fachin e o fim dos inquéritos abusivos

Corte passa por crise mais grave desde a redemocratização; em busca de fidelidade, Lula aviltou o processo de escolha dos membros do STF

No arranjo institucional brasileiro, cabe ao Senado o papel de anteparo às escolhas do presidente da República para os cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal, por meio de sabatina e votação dos indicados. Assim se deve evitar que chefes do Executivo detenham o pleno poder, que convida a erros e abusos, na nomeação da cúpula do Judiciário.

Infelizmente, essa tarefa tem sido negligenciada na história republicana. Desde o início do século 20, os senadores trataram invariavelmente o rito como mera formalidade, e todos os indicados foram aprovados. Só houve cinco rejeições, todas no longínquo 1894, durante embate com o governo Floriano Peixoto.

A quem interessa o enfraquecimento do Supremo? Georges Abboud*

Folha de S. Paulo

Cada vez que ecoa uma crítica vazia à corte, a Folha se posiciona ao lado dos segmentos mais nefastos da sociedade

Boa parte das críticas ao STF é ressentimento e lobbies político-econômicos poderosos

Qualquer leitor que se informe pela mídia neste ano de 2026 terá uma certeza: o problema do Brasil é o Supremo Tribunal Federal (STF). O culpado único pela existência do crime organizado, pelo escândalo do banco Master e pela crise miliciana do Rio de Janeiro.

A despeito de termos um presidencialismo desconfigurado; um Congresso Nacional que movimenta sem controle dezenas de bilhões em emendas impositivas; redes sociais disseminando fake news e misoginia sem regulação; do endividamento de praticamente todos os estados da Federação e das famílias brasileiras; do aumento do crime organizado e das milícias —nada disso interessa: só importa criticar o STF.

Queria crer que esta Folha não entrou nessa empreitada, embora três editoriais recentes tenham me deixado perplexo.

Desejo de país melhor é antídoto contra medo, por Rui Tavares*

Folha de S. Paulo

Anseio por sociedade mais feliz motiva mobilização, luta por mudança e memória coletiva

Eleitores votam em quem é mais vocal contra 'wokismo' e politicamente correto, mesmo sem acreditar em soluções

A ciência política tem uma tese clássica sobre as oscilações da opinião pública: a do termóstato, cunhada assim por Christopher Wlezien em 1995. Se um governo põe a temperatura demasiado quente, o ciclo seguinte da opinião pública baixa a temperatura.

Na fase seguinte, acontece ao contrário, e a opinião pública age de novo, tendendo ao equilíbrio. É um modelo dos anos noventa, tempo de ingenuidade, e não chega para descrever o que estamos vivendo.

Uma outra proposta, de Pippa Norris e Ronald Inglehart, é a do ricochete cultural: cada ciclo não repõe a temperatura no equilíbrio, reage como corretivo em relação ao ciclo anterior. Nascendo da observação do choque de gerações dos anos 1960 e seguintes, está mais perto da nossa atualidade. Mas ainda não basta.

À espera de Messias, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Indicado por Lula para o STF será sabatinado por senadores, que desde o século 19 não rejeitam nenhum candidato

Ministros terem uma filiação espiritual não é problema, mas é ruim para o sistema deixar-se pautar pela lógica religiosa

Está marcada para esta quarta (29) a sabatina de Jorge Messias no Senado. Ele foi indicado por Lula para a vaga aberta de ministro do STF. Não tenho acesso especial àquele que tudo sabe, mas imagino que Messias será ungido. Valho-me do princípio da indução. O último presidente que não emplacou seus candidatos foi o infeliz do Floriano Peixoto ainda no século 19.

A guerra esquecida do Irã aparece em inflação e juros maiores e turva 2027, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Em vez de terminar o ano em horríveis 12%, Selic deve ficar acima de terríveis 13%

Pessoas e empresas vão ficar com a corda financeira no pescoço por mais tempo

Os preços voltaram a aumentar, grosso modo por causa de alimentos que por vezes apanham do tempo desfavorável nesta época e por causa de combustíveis —é guerra. A gente esqueceu a guerra, mas a guerra ainda vai nos lembrar de que ela existe.

Logo antes da guerra, previa-se que a taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central, cairia para 12% no final do ano, ainda horrível. Agora, a mediana dessas projeções de economistas compiladas pelo BC (Boletim Focus) está em 13%. Os colegas desses economistas, os que lidam com dinheiro grande, ora negociam a Selic a uns 13,5% no final do ano. Juros reais além de 6% até 2029.

Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025; caminhoneiros lideram óbitos

Por Rayane Moura / G1

Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), o Brasil soma mais de 6,4 milhões de acidentes e 27 mil mortes em dez anos. Em 2025, foram 806 mil casos e 3.644 óbitos — o maior número da série.

O Brasil registrou recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025, com 806 mil casos e 3.644 óbitos. Em dez anos, foram 6,4 milhões de ocorrências e 27 mil mortes.

Após a pandemia, os dados mostram que o aumento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias na segurança.

Saúde lidera acidentes; transporte rodoviário concentra mortes, com destaque para motoristas de caminhão.

Sul e Sudeste concentram casos, mas Norte e Nordeste têm maior letalidade, indicando acidentes mais graves.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Juros elevados mantêm pressão sobre endividamento das famílias, por Agência Brasil

As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), indicam que as famílias seguem pressionadas por crédito caro e recorrem ao uso de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.

Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).

Com o brasileiro pagando juros tão altos, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,3% da carteira em março, com queda de 0,1 p.p. no

Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.

De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro (aumento de 0,1 p.p. no mês, e de 1,3 p.p. em 12 meses), enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7% (alta de 0,2 p.p. no mês e de 1,9 p.p. na comparação anual).

Las bases históricas del bolsonarismo, por Fernando de la Cuadra

Clarín (Chile)

Las últimas encuestas de intención de voto para las próximas elecciones presidenciales arrojan una leve ventaja para el presidente Lula -que va a la reelección- en primera vuelta. Según los estudios de la empresa Nexus/BTG, el actual gobernante obtendría en primera vuelta el 41% de los sufragios seguido por el senador Flavio Bolsonaro con el 36% de las preferencias. Distantes de ellos se encuentran los ex gobernadores Romeu Zema (Partido Novo) y Ronaldo Caiado (PSD), con el 4% y el 3% de las intenciones de voto, respectivamente.

En relación a una probable segunda vuelta, el presidente Lula aparece con una muy pequeña ventaja -prácticamente en un empate técnico- entre él (46%) y el hijo mayor de Jair Bolsonaro (45%), porcentajes muy parecidos a los obtenidos en las encuestas realizadas en febrero y marzo.

Uma biografia na História, por Ivan Alves Filho*

Nascido em Bruxelas, filho de um refugiado russo perseguido pelo czarismo, ele foi aprendiz de fotógrafo e, desde muito jovem, se envolveu com o movimento anarquista. 

Em Paris, atuou em jornais anarquistas, sendo condenado a cinco anos de prisão na França, em 1913. Uma vez solto, ganha a Espanha, participando de uma insurreição operária, quando começa a revelar suas simpatias pela Revolução Russa. Ao passar pela França, com o intuito de partir depois para a Rússia bolchevique, é novamente encarcerado, desta feita por dois anos.