Folha de S. Paulo
Anseio por sociedade mais feliz motiva
mobilização, luta por mudança e memória coletiva
Eleitores votam em quem é mais vocal contra
'wokismo' e politicamente correto, mesmo sem acreditar em soluções
A ciência política tem uma tese clássica
sobre as oscilações da opinião pública: a do termóstato, cunhada assim por
Christopher Wlezien em 1995. Se um governo põe a temperatura demasiado quente,
o ciclo seguinte da opinião pública baixa a temperatura.
Na fase seguinte, acontece ao contrário, e a
opinião pública age de novo, tendendo ao equilíbrio. É um modelo dos anos
noventa, tempo de ingenuidade, e não chega para descrever o que estamos
vivendo.
Uma outra proposta, de Pippa Norris e Ronald Inglehart, é a do ricochete cultural: cada ciclo não repõe a temperatura no equilíbrio, reage como corretivo em relação ao ciclo anterior. Nascendo da observação do choque de gerações dos anos 1960 e seguintes, está mais perto da nossa atualidade. Mas ainda não basta.

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