terça-feira, 5 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Algo vai mal quando há 2 programas Desenrola em 3 anos

Por Folha de S. Paulo

Alta dos juros provocada por gastos do governo leva Lula a anunciar novo programa de renegociação

Novas medidas serão apenas paliativo efêmero se não forem promovidas condições para a queda sustentável das taxas do Banco Central

Algo vai mal quando um governo lança dois programas de renegociação de dívidas pessoais em apenas três anos, sem que tenha havido uma recessão ou outro grande revés inesperado entre um e outro.

Não se trata apenas de erro de cálculo da política econômica. Iniciativas do gênero não podem se banalizar, sob o risco de incentivar mais endividamentos imprudentes —na expectativa de que novos socorros virão.

As lições do governo Allende, as eleições abertas e a solidão do poder, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Com a derrota da indicação de Jorge Messias ao STF, na semana passada, de uma só vez, o presidente Lula perdeu a blindagem que tinha no Senado e, também, no Supremo

Adeus, senhor presidente, de Carlos Matus Romo, é uma obra singular no campo da reflexão sobre governo e poder na América Latina. Mais do que um manual de gestão, é um diálogo dramático entre um presidente fictício e seu assessor, no crepúsculo de um governo. Matus nasceu no Chile em 1931. Formou-se, em 1955, na Escola de Economia da Universidade do Chile. Fora assessor do ministro da Fazenda e ministro da Economia do governo de Salvador Allende, de 1971 a 1973, antes de se tornar o maior estudioso latino-americano sobre planejamento de governo e governabilidade.

Uma cantora comunista, por Irlam Rocha Lima

Correio Braziliense

Entre as estrelas da era do ouro do rádio, estava Nora Ney, dona de bela voz chamava a atenção, também, por ser filiada ao Partido Comunista Brasileiro

 A era de ouro do rádio tinha como estrelas, no set feminino, Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Linda Batista, Ademilde Fonseca, Carmélia Alves e Ângela Maria, a queridinha de Getúlio Vargas, que a chamava de Sapoti, por seu tipo mignon e sua morenice. Cada uma tinha sua característica e seu estilo. 

Entre elas, havia uma outra, Nora Ney, dona de bela voz, intérprete de canções românticas, mas que chamava a atenção, também, por ser filiada ao Partido Comunista  Brasileiro (PCB) —  assim como seu marido, o cantor Jorge Goulart. 

À espera de Lula na volta de Washington, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Se Lula foi derrotado por dar as costas à política, só seu enfrentamento pode lhe devolver as cartas do jogo

A viagem a Washington oferece, mais uma vez, a chance de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alargar, com a política externa, os horizontes de seu emparedamento doméstico. No mínimo, dilatará o prazo para a reapresentação de um nome para o Supremo Tribunal Federal. Ser recebido por Donald Trump na Casa Branca é, porém, uma resposta limitada à descrença do Congresso em relação à perspectiva de poder de Lula se os resultados da visita não forem bem empacotados e, principalmente, se o presidente não usar a pausa para encontrar, na política, resposta ao beco em que se meteu.

A liberdade entre o Trumpismo e as Big Techs, por Luiz Gonzaga Belluzzo*

Valor Econômico

No Iluminismo Sombrio temos o domínio do Estado pelas Big Techs

Entre as tendências do nosso tempo, sobressai-se, ainda uma vez, a crescente submissão da política aos ditames do autoritarismo embuçado nos ouropéis da liberdade.

Aqui cabe ressaltar que as concepções “sub-positivistas” ensinam: narrativas (ideologias?) que proclamam que não podem desmentir os fatos, como se os “fatos” da vida social não fossem inseparáveis das narrativas sobre eles. Para desagrado da matilha de cães raivosos que emitem latidos “factuais” e (anti)democráticos, os humanos formulam narrativas para configurar a “realidade”. Escravos da linguagem, os bípedes falantes estão sempre diante de uma disputa de narrativas, significados, até mesmo quando escolhem instrumentos de comprovação empírica dos fatos que pretendem narrar.

País precisa sair do labirinto, por Carlos Melo*

O Globo

Desorientado está o barco da eleição, à espera de quem, afinal, será jogado ao mar ou resgatado do cipoal de escândalos

Antipetismo e antibolsonarismo tornaram-se as forças políticas mais relevantes do Brasil. Ser contra é fácil. A rejeição ultrapassa 80% do eleitorado, a fatia restante é gelatinosa, sem posição ou relevância, e dissolve-se em agregados sobre os quais não tem influência. Antagonismo cria muros, constrói becos; edifica um labirinto. Futuro e esperança se perdem, reféns do Minotauro, senhor do pedaço.

Swing voters desaprovam o incumbente e oscilam de uma eleição para outra. Em 2022, deram vitória não a Lula, mas ao antibolsonarismo. Hoje, estão na barricada do antipetismo. Especialistas acreditam que esse grupo definirá a eleição. Vencer com ampla maioria da sociedade, governar com maioria no Parlamento e obter aprovação robusta ao final do mandato foi impossível no governo anterior, é neste, será no próximo.

Por que fazer o Novo Desenrola, por Míriam Leitão

O Globo

Diante do alto endividamento, o governo precisava agir. Que muitas famílias quitem suas dívidas e mais brasileiros possam dormir melhor

O Novo Desenrola pode ter efeito eleitoral. Ou não. Não se pode prever o caminho da decisão dos eleitores. O importante é que essa é uma obrigação do governo. Os críticos dizem que deveria ser livre negociação entre credores e endividados. A desproporção de forças entre bancos e clientes é tal que, sim, o governo precisa entrar na conversa e facilitar a solução. Alguns levantam o temor de que isso estimule a cultura do calote. É bom lembrar que grandes empresas sempre tiveram a chance de renegociação de dívidas. As que não pagaram impostos foram beneficiadas por diversos governos com sucessivos Refis.

O lado B da queda de Messias, por Fernando Gabeira

O Globo

Alguns analistas disseram que o governo acabou e que ele perderá as eleições. São conclusões apressadas

Nesse filme, é difícil achar o mocinho. Lula indicou um amigo fiel para o Supremo. Davi Alcolumbre o sabotou porque queria colocar um amigo fiel no Supremo. A direita ajudou a derrubar Jorge Messias porque sonha em conquistar o Senado e povoá-lo de amigos fiéis, derrubando alguns ministros de reputação duvidosa.

Em todos os casos, o Supremo é um território a ser ocupado, e não um espaço que a sociedade preenche com os mais brilhantes e honestos juristas, na esperança de decisões sábias e imparciais.

Muitos analistas consideram histórica a rejeição de Messias. De certa forma, acho um exagero. Não é histórica como a cena em que Dom Pedro parou no riacho Ipiranga ou a carta de Getúlio Vargas, deixando a vida para entrar na História. É verdade que algo assim aconteceu antes, há 132 anos, no tempo de Floriano Peixoto. É mais um fato de almanaque.

A boa notícia política, por Pedro Doria

O Globo

Povos cindidos, divididos em partes que perderam a capacidade de se tolerar, poderão voltar a conviver

Talvez, apenas talvez, a política das democracias ocidentais esteja para sofrer um baque tão grande quanto aquele que vivemos na última década e meia. Se uma tese que começa a se consolidar estiver correta, lentamente retornaremos a sociedades onde o consenso é não só possível, como provável. Onde deputados não se elegerão pela capacidade de inflamar as redes sociais, em que demagogos autoritários perderão espaço. Povos cindidos, divididos em partes que perderam a capacidade de se tolerar, poderão voltar a conviver. O que promoverá essa mudança tão radical é o lento declínio das redes sociais, seguido pela ampliação de uso da inteligência artificial (IA). E a tese não é mera suposição. Há ciência por trás dela.

Menos pobre, mais desigual, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Por que, apesar dos programas de distribuição de renda, a desigualdade aumenta?

O ajuste fiscal será destacado por muitos economistas como item essencial do programa do governo que tomará posse em 1.º de janeiro de 2027. De fato, não há política pública ampla e relevante que se sustente sem contas ajustadas e saudáveis. A sabedoria do futuro governo estará na escolha do ajuste que adotará. Em seu artigo publicado no Estadão de sexta-feira passada (Uma agenda para o Brasil, 1/5, B9), no qual propõe uma agenda para o Brasil, o economista Fabio Giambiagi fez a ressalva: “O ajuste terá que ser equilibrado e, por questões óbvias de justiça social, terá de envolver ingredientes que afetem o ‘andar de cima’, para que as questões fiscalmente mais relevantes tenham passagem na sociedade”.

Xandão golpista, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Que Xandão se voltará contra seus sócios: não há dúvida. Questão de tempo; que ainda não chegou. Que o governo – sócio oportunista – tentaria se livrar de Xandão: tampouco havia dúvida. Pressionado pela combinação entre ano eleitoral e fator Master, Lula tenta se desvincular de Alexandre de Moraes já, às pressas, descarte prematuro baseado na ficção ousada de que ele, aliando-se ao bolsonarismo, teria trabalhado pela rejeição a Jorge Messias.

Literatura fantástica: Moraes se associara a Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro – dedicando-se assim à obra que ergueu novo patamar competitivo para a bancada do impeachment de ministro do Supremo no Senado – num pacto pela reeleição do presidente do Senado em 2027, o que garantiria o bloqueio a processos de impeachment de ministros do STF; algo que ninguém poderia prometer, a Casa a ter 2/3 de suas cadeiras em disputa, projetada a eleição de senadores bolsonaristas em volume sem precedentes.

Eleitores cativos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pesquisas mostram que polarização afetiva se cristalizou

Lógica recomendaria busca por candidatos de baixa rejeição

A semana passada foi desastrosa para Lula, mas é cedo para considerar sua candidatura como carta fora do baralho. Apesar de os sinais emitidos pelo Parlamento não serem alvissareiros para o petista, são os eleitores e não os senadores que definirão o nome do próximo presidente. E isso faz diferença.

Minha leitura da última safra de pesquisas é que os dois principais blocos de eleitores —lulistas e bolsonaristas— se deixaram aprisionar por suas preferências. A polarização, que ocorre não apenas na régua da política mas também na dos afetos, se cristalizou. Cada um dos lados sente a perspectiva de vitória do adversário como ameaça física. Aceitam tudo para evitar que o outro time triunfe.

Combate ao sistema é truque para enganar eleitor, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governistas e oposicionistas disputam a pauta antissistema, sendo todos eles criaturas da ordem institucional

No lugar de propostas de desmonte, a sociedade seria mais bem atendida com uma agenda racional de reconstrução

Uma das saídas defendidas por petistas para superar a fase de adversidades é vestir o figurino antissistema. Isso equivale à difícil tarefa de convencer as pessoas de que o governo é, ao mesmo tempo, de situação e de oposição.

Pode ser que o conceito fique um tanto confuso na mente do eleitorado, porque sendo governo e se colocando no lugar de opositor a "tudo isso que está aí", esse ente híbrido seria adversário de si mesmo.

Código de ética que falta ao Supremo inexiste no Congresso, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Alcolumbre faz acordo com extrema direita para barrar CPI do Master e beneficiar golpistas

Motta viaja a paraíso fiscal em jatinho das bets e na volta bagagem não passa no raio-X

As últimas jogadas de Davi Alcolumbre sugerem que, em matéria de traição e velhacaria, ele está disposto a superar Eduardo Cunha.

Ex-presidente da Câmara que engendrou o impeachment de Dilma Rousseff, dez anos atrás, Cunha acabou preso por corrupção, lavagem de dinheiro, contas secretas na Suíça e risco à ordem pública. Agora quer se reeleger deputado, garantindo que, sem o show dele, o bolsonarismo não existiria. Uma espécie de marketing do desastre.