segunda-feira, 25 de maio de 2026

Vem aí o estelionato eleitoral, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Eis o resumo da coisa: as bondades eleitorais são dirigidas a beneficiários específicos; os custos recaem sobre todos

Não se trata apenas de roubalheira. O dinheiro público vem sendo utilizado legalmente em benefício de candidatos às próximas eleições. O movimento mais recente nessa direção teve senadores e deputados como protagonistas. Foram aprovadas leis que relaxam os controles aplicados no uso dos fundos eleitoral e partidário — formados, é bom que se registre, com dinheiro dos contribuintes.

Candidatos e dirigentes partidários também querem mais recursos para praticar bondades eleitorais. De que são eleitorais, não há dúvida. Bondades? Aí depende. Para cidadãos, setores ou empresas beneficiados, certamente. Para o conjunto do país, poderiam ser chamadas de maldades.

Por uma Primeira Emenda tropical, por Demétrio Magnoli

O Globo

‘O Congresso não poderá fazer nenhuma lei que restrinja a liberdade de expressão’, diz o texto

Diante das eleições, Lula vestiu a fantasia de Papai Noel, engajando-se na oferenda de presentes a diversos segmentos da população. O custo é pago pelo Tesouro, em casos como a derrubada da “taxa das blusinhas”. Noutros, paga-se o preço imaterial da supressão do princípio da liberdade de expressão. É nesse escaninho que se enquadra o decreto de regulamentação de redes sociais.

O ato presidencial atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), do Ministério da Justiça, a prerrogativa de fiscalizar as plataformas de rede. Seu fundamento legal é a decisão do STF, de junho de 2025, que derrubou parcialmente o Marco Civil da Internet, obrigando as big techs a remover, a partir de notificação extrajudicial, postagens tidas como ilícitas. A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) da ditadura militar ganha novo nome.

O último camisa 10, por Preto Zezé

O Globo

Ele talvez funcione como espelho de um Brasil profundamente contraditório: talentoso e inseguro

A discussão sobre Neymar nunca foi só futebol. Talvez por isso provoque reações tão intensas e contraditórias. Há quem o veja como o último grande gênio do futebol brasileiro e há quem o transforme no retrato de tudo aquilo que incomoda no país: excesso de exposição, celebridade permanente, marketing, individualismo e hiperpersonalização. Talvez a força simbólica dele esteja justamente aí. Nunca coube numa definição simples, porque o próprio Brasil também nunca coube.

Por que tamanha estabilidade? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Votação simbólica no Congresso Nacional seria apenas falta de transparência?

A grande maioria das decisões tomadas nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal tem acontecido ao longo dos anos de forma simbólica e não de forma nominal, quando é possível identificar o voto de cada legislador. No ano de 2025, por exemplo, foram 420 votações simbólicas e apenas 215 nominais na Câmara. Já no Senado, foram 126 e 25, respectivamente.

Uma possível conclusão apressada desses números seria que os parlamentares implementam esse rito sumário e interpretado por muitos como pouco transparente para evitar desgastes e custos políticos junto a eleitores e grupos de interesse diante de votações controversas.

Essa explicação, embora intuitiva, talvez esteja apenas olhando para uma perspectiva superficial do problema.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

‘Super El Niño’ exigirá preparo maior do Brasil

Por O Globo

Previsão é o fenômeno mais intenso nos últimos 140 anos, agravando cheias, secas e incêndios florestais

O Brasil precisa se preparar desde já para os efeitos nefastos do próximo El Niño, fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico que favorece eventos como secas severas, grandes incêndios florestais e tempestades devastadoras. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos e da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, mostram que a probabilidade de ele ocorrer a partir do segundo semestre deste ano ultrapassa 90%. Segundo cientistas, poderá ser o mais intenso dos últimos 140 anos e foi apelidado “Super El Niño”.

Oito anos depois da onda antipolítica, senadores eleitos em 2018 enfrentam dificuldades para se reeleger, por João Pedro Pitombo

Folha de S. Paulo

Renovação parlamentar registrada na eleição passada não deve se repetir neste ano

Dos 54 senadores em fim de mandato, 18 anunciaram que não vão concorrer à reeleição

Quando as urnas foram abertas em outubro de 2018, uma sucessão de surpresas nos estados fez com que 46 das 54 vagas em disputa fossem conquistadas por novatos, sendo 10 deles nomes sem uma trajetória anterior em cargos eletivos.

Oito anos após a onda antipolítica que ascendeu com a Operação Lava Jato e com a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, os senadores eleitos naquele pleito chegam ao fim do mandato em cenário desafiador.

Levantamento da Folha aponta que 18 dos 54 senadores cujo mandato se encerra em 2027 anunciaram que não vão concorrer à reeleição. Outros 3 seguem com a situação indefinida e 33 vão tentar renovar o mandato, parte deles enfrentando dificuldades em seus estados.

Senado será renovado em dois terços, com a eleição de dois senadores em cada unidade da federação. Neste ano, a disputa terá peso estratégico em meio a um cenário de tensões entre o Executivo, Congresso e Judiciário.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atua para ampliar a bancada conservadora mirando o enfrentamento ao STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto o presidente Lula (PT) tenta conter o avanço da ala mais radical do bolsonarismo com candidaturas próprias e alianças nos estados.

Por que o impacto eleitoral da economia está diminuindo? Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Um candidato mal avaliado pode ganhar devido à arquitetura da escolha

A literatura também mostra que, quanto mais intenso o partidarismo, maior o viés

É muito comum, sobretudo em contexto de eleições, que se especule sobre o impacto da economia sobre o voto. O bordão "it’s the economy, stupid" (é a economia, estúpido) será repetido ad nauseam. Que a própria percepção da economia seja influenciada pela preferência partidária ou lealdade individual do voto das pessoas não é novidade. Desconsiderar que as pesquisas embutem este problema (a avaliação é endógena) leva recorrentemente a equívocos.

A potência do VAAR, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Complementação monetária é conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC

Não é segredo que a educação amplia oportunidades e reduz desigualdades

Em tempos de Copa do Mundo, aproveito para destacar a potência do VAAR.

Não, eu não estou falando do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), mas do Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR), uma complementação monetária do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) —principal fonte de financiamento da educação pública— repassada pela União a estados e municípios.

Conquista dos movimentos sociais negros junto ao MEC (Ministério da Educação), o montante total do VAAR equivale a R$ 7,5 bilhões em 2026. É dinheiro destinado a incentivar a melhoria da gestão escolar nas redes públicas de ensino que apresentem avanços na aprendizagem e na redução de desigualdades socioeconômicas e raciais.