quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Justiça Eleitoral tem de ser mais célere ao avaliar candidatos

Por O Globo

Apesar de pendências judiciais, nomes como Marçal, Arruda, Cunha e Garotinho registraram candidatura

A pouco mais de um mês das eleições, ainda pairam dúvidas sobre os candidatos que concorrerão. Rostos conhecidos da política obtiveram registro regular de candidatura nos sistemas oficiais, apesar de decisões judiciais que os consideraram inelegíveis — entre eles, o influenciador Pablo Marçal, o ex-governador fluminense Anthony Garotinho e o ex-governador do Distrito Federal (DF) José Roberto Arruda. O registro por si só não significa que estejam aptos a concorrer. Por isso, a Justiça Eleitoral precisa ser ágil na análise desses casos. O eleitor não pode ficar na dúvida sobre a validade do próprio voto.

W.O. em debate deveria custar voto, por Julia Duailibi

O Globo

A ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota

Ser candidato numa eleição significa cumprir algumas obrigações básicas, principalmente quando a candidatura é para inquilino da Presidência da República. Entre os deveres não previstos em lei, está participar de debates. Trata-se não só de demonstração de respeito, mas de evidente obrigação moral com o eleitor. Por isso a ida a esse tipo de confronto deveria ser tratada com mais cerimônia por aqueles que dependem da boa vontade de quem vota para chegar ao poder.

Diploma não é documento, por Merval Pereira

O Globo

Quem faz blogs e se diz jornalista, mas não é, pode ser processado pela lei penal, por injúria, difamação ou qualquer outro crime

A exigência de diploma para jornalistas foi imposta por decreto da Junta Militar em 1969 e vigorou durante 40 anos no Brasil, até que o Supremo Tribunal Federal (STF) a revogou, em 2009, considerando que a proibição de exercer a profissão violava a liberdade de expressão e de informação. Na primeira ocasião, a obrigatoriedade agradava aos que tinham faculdades de jornalismo e atuavam em um mercado de trabalho controlado pelo oficialismo governamental: ministérios, secretarias, sindicatos e associações chapas-brancas.

Mas a exigência tinha também o sentido de controlar quem podia ser jornalista, pois o registro era dado pelo governo, a ditadura militar. Hoje, a situação é mais complexa por causa das redes sociais, que inundam os usuários de informações nem sempre fidedignas, sem o controle de qualidade exigido pelo jornalismo profissional. É uma situação diferente da que tínhamos quando se decidiu que não era preciso ter diploma.

Debate no STF sobre diploma em jornalismo é tentativa de desviar o foco de arbitrariedades, por Malu Gaspar

O Globo

O caso da matéria do blogueiro Luís Pablo sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino poderia não ter passado de um entrevero menor, sobre o qual talvez nem mesmo os maranhenses tomassem conhecimento. Mas a reação do ministro e de seus colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) transformou o que poderia ter sido no máximo um processo criminal e a prisão de arapongas locais em assunto de alcance nacional, ao chamar a atenção sobre até onde os “supremos” estão dispostos a ir para se manter à margem da lei.

A disputa oculta da campanha eleitoral, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Disputas internas no STF, alavancadas embate entre inquérito das ‘Fake News’ e aqueles do Master e INSS, induzem o voto do eleitor

A rediscussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, derrubada pelo Supremo em 2009, em meio a uma campanha eleitoral em que estão em jogo 1.682 mandatos do poder político no país só reforça a percepção, pra lá de majoritária, de que o inquérito das fake news já deveria ter sido encerrado.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, até que tentou. O preâmbulo que fez na sessão da semana passada - “A força do tribunal reside em sua colegialidade, a melhor expressão de solidariedade a seus membros, seja confirmando decisões monocráticas, seja deliberando sobre o destino e a duração das investigações; a Presidência adotará as providências regimentais cabíveis para que essas deliberações ocorram com a brevidade que a matéria exige” - foi entendido como uma tentativa de levar ao plenário a decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre a quebra de sigilo do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, mas o alvo de Fachin ia adiante. Mirava o próprio inquérito em que esta decisão se abrigou.

Dificuldade de rolar a dívida, por Míriam Leitão

O Globo

O nó fiscal brasileiro é complexo e nenhum candidato falou ainda como enfrentá-lo de forma convincente

O ministro Dario Durigan disse que as taxas de juros pagas pelo Tesouro para rolar a dívida pública são altas demais e definiu a situação como “inaceitável”. De fato estão altas, mas reduzi-las é um processo que passa pelo controle dos gastos públicos. Há fatos específicos sobre a dívida brasileira. Os investidores querem comprar apenas papel pós-fixado e de período curto, ou seja, LFT atrelada à Selic. Em meio ao calendário eleitoral, os candidatos não fizeram propostas críveis de ajuste nas contas públicas, e a dívida é alta, cara e curta.

O Tesouro precisa rolar de R$ 140 bilhões a R$ 150 bilhões por mês. O problema é que os investidores e os gestores dos investimentos estão pedindo cada vez mais juros para comprar um pré-fixado como uma NTN-B. O Tesouro só consegue vender se aceitar pagar taxas de 8% acima do IPCA.

O peso da incerteza sobre a economia, por Assis Moreira

Valor Econômico

Aumento acentuado da incerteza pode se tornar um “novo normal” globalmente

A incerteza econômica torna-se, cada vez mais, uma característica marcante do ambiente macroeconômico. Ainda mais quando, por exemplo, os “choques de incerteza” fazem parte da prática de Donald Trump e amplificam os temores globalmente de mais contração econômica.

Para compreender o papel e o impacto econômico desse fenômeno particularmente importante no atual ambiente geopolítico, o Banco Central Europeu (BCE) encarregou os economistas Malin Andersson, Alina Bobasu, Lorena Saiz e Stefania Scrofani de preparar uma análise, publicada em seu recente boletim econômico.

Em termos práticos, como notam os autores, a incerteza reflete a falta de clareza sobre variáveis como crescimento futuro, inflação, taxas de juros, emprego, lucros, preços de ativos ou decisões de política pública. Ela pode ter diversas origens e é distinta tanto do risco quanto da confiança.

A disputa pelo poder das big techs chega com tudo às eleições no Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Brasil chega às eleições de 2026 com experiência acumulada em campanhas digitais, desinformação, disparos em massa, manipulação de imagens e vídeos e uso político das redes sociais

A transformação política do Vale do Silício não pode mais ser vista como simples mudança de comportamento de alguns bilionários ou flerte com a extrema-direita americana. Por trás dessa aproximação existe uma disputa sobre quem terá o poder de definir os limites das empresas que controlam plataformas digitais, mecanismos de busca, publicidade, inteligência artificial e parte crescente da circulação de informação.

Enquanto parte da elite tecnológica defende menor interferência estatal e maior liberdade empresarial, órgãos públicos continuam travando batalhas antitruste contra gigantes do setor. A inteligência artificial ampliou a queda de braços. O controle sobre grandes modelos, chips, centros de processamento e serviços de nuvem determinará quem terá capacidade de desenvolver as próximas gerações tecnológicas. O debate deixou de ser sobre redes sociais e comércio eletrônico apenas. O busílis é a infraestrutura sobre a qual empresas, governos e cidadãos construirão seus sistemas digitais.

Coronelismo, emenda e voto, por Gaudêncio Torquato

O Estado de S. Paulo

O coronel de ontem distribuía favores e proteção; o neocoronel distribui recursos do Orçamento. Permanece a tentativa de construir vínculos duradouros de lealdade política

Em 1949, Victor Nunes Leal publicou uma obra fundamental da ciência política brasileira: Coronelismo, enxada e voto.O livro tornou-se referência para compreender o poder na República Velha e as relações entre Estado, elites rurais e eleitorado. Passadas mais de sete décadas, sua atualidade decorre da sobrevivência da lógica de apropriação do poder que descreveu. A enxada perdeu protagonismo; as emendas parlamentares ganharam posição estratégica. Viveria o Brasil um novo ciclo de neocoronelismo, emenda e voto?

Victor Nunes Leal demonstrou que o coronelismo era uma rede de reciprocidades entre o poder local e o poder central. Os coronéis entregavam votos e sustentação política; em troca, recebiam prestígio, favores administrativos, influência e autonomia para controlar seus redutos. O eleitor, frequentemente dependente do chefe político, ocupava posição subordinada. O traço essencial daquele sistema era a confusão entre a res publica e a res privada.

A urbanização, o sufrágio e a Constituição de 1988 desmontaram esse universo rural. O velho coronel perdeu espaço, mas a intermediação política não desapareceu. Apenas se transformou.

O fator redutor, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Ambição e esperteza, associadas uma à outra, subordinam e exploram as demais potencialidades que carregamos. As duas são os únicos traços humanos remunerados pelo capital

Um ser humano pode ser tudo nesta vida. Alguém sozinho, quieto, pacato, um desses tipos que a gente mal nota, pode ter virtudes imensas e defeitos medonhos, num arranjo singular e inconfundível. Para começar a conversa, é bom lembrar que ninguém é puramente virtuoso, ninguém é puro vício. “Não és bom, nem és mau: és triste e humano”, escreveu Olavo Bilac, que, embora tristemente parnasiano, acertou. Qualquer pessoa, mesmo sem ser parnasiana, é um oxímoro ambulante, ainda que não saiba que o mundo lhe “foi contraditório”, na expressão de Carlos Pena Filho. Pode-se ser “ou isto ou aquilo”, à la Cecília Meireles, pode-se ir para lá ou vir para cá, pode-se perguntar sobre “ser ou não ser”, como Hamlet, pode-se até ser e não ser de uma vez só, sem que ninguém perceba.

E que diferença isso faz? Nenhuma. Rigorosamente, nenhuma.

A hora do nervoso para uma turma do STF, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A turma da força no Supremo Tribunal Federal se acha vítima de uma conspiração

Uma parte do STF encara as próximas eleições com evidente apreensão, embora já no anúncio dos resultados de 2022 tivesse se julgado vitoriosa sobre seu principal adversário político. Condição reiterada após o 8 de Janeiro e o julgamento e condenação de Jair Bolsonaro. Qual, então, a razão para o aparente nervosismo?

Na superfície não há alteração no eixo de polarização Lula-Bolsonaro. Nesses quatro anos, a acentuada mudança negativa para os operadores políticos no STF é a compreensão, por parte de vastos setores da sociedade e suas elites (muito além da franja bolsonarista), de que o Supremo deixou de ser uma instituição de Estado. Capturado por integrantes defendendo seus interesses particulares, lícitos ou não.

Lulinha, ‘Dark Horse’, Banco Master, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Investigações alimentam campanhas, mas só terminam após eleições

Os inquéritos sobre Lulinha, Dark Horse e Banco Master, explorados pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, têm potencial para alimentar a polarização política no País, mas pouca chance de produzir efeitos jurídicos a curto prazo. Segundo autoridades com acesso às investigações, o mais provável é que elas terminem somente após as eleições de outubro.

Enquanto isso, as campanhas serão abastecidas por vazamentos e notícias sobre o envolvimento de políticos nos esquemas. O último material que veio à tona beneficia Flávio: mensagens trocadas entre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger, amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente conhecido como Lulinha.

A solidão de Flávio B. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Incentivos institucionais e cálculo político explicam a neutralidade da direita pragmática

Coligações de partidos não definem as escolhas do eleitor, mas têm importantes efeitos indiretos

Aberta a temporada eleitoral, a candidatura de Flávio Bolsonaro vive um paradoxo. Ele é o preferido dos que jogam no campo antipetista. Pesquisa após pesquisa o situa perto —às vezes até empatado— com o presidente Lula. Na sondagem de agosto da Quaest, tem 30% das preferências, contra 39% do incumbente que pleiteia a reeleição. Ao mesmo tempo, o filho do ex-presidente amarga notável isolamento das lideranças do vasto campo das direitas.

Flávio Bolsonaro não logrou construir coligação eleitoral e terminou lançado apenas pela sua legenda, o PL (Partido Liberal). Desde 1989, é a primeira vez que um candidato competitivo não se apoia numa coligação. Até seu pai, um inimigo declarado do "sistema", teve a seu lado, além do PSL (Partido Social Liberal), o pequeno PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). O filho tampouco conseguiu atrair um vice com luz própria, capaz de somar algo a uma disputa que se prevê acirrada. E o alagoano Alfredo Gaspar (PL), político de projeção apenas local, chega à campanha sob o peso de ter de se defender de graves denúncias sobre seu comportamento na vida privada.

Os Bolsonaros são diferentes, você sabe, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Para Flávio Bolsonaro, o 'sistema é podre' e o Brasil 'olha com nojo para Brasília'

A família se proclama 'antissistema', mas faz parte dele há quase 40 anos

Flávio Bolsonaro disse em Copacabana, no domingo (16), que o Brasil "olha com nojo para Brasília". O que Brasília terá achado disso? Ele estava se referindo aos políticos. Os Bolsonaros são diferentes, você sabe. Não são políticos. O sistema é "podre". Eles são "antissistema". Mas vejamos o que cada um fez ou faz na vida.

1 - Jair Bolsonaro. Sete mandatos como deputado federal (1990, 94, 98, 2002, 06, 10 e 14). Presidente eleito em 2018, derrotado em 2022. Atual presidiário condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado. 2 - Flávio Bolsonaro. Filho 01 de Bolsonaro. Quatro mandatos como deputado estadual pelo Rio (2002, 06, 10 e 14). Atual senador e candidato à Presidência da República.

Elite não compra pão com o próprio suor, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Relatório da Oxfam expõe como se concentra a riqueza no Brasil

O 1% no topo controla sozinho 37,3% de toda riqueza patrimonial declarada no país

Não fui eu que escrevi isso primeiro, foi Machado de Assis, ou melhor, o Brás Cubas. "Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto."

Na divina comédia da burguesia à brasileira –rentista e pouco produtiva— que é Memórias Póstumas, Machado expõe as contradições do andar de cima da sociedade brasileira, de ideias liberais e renda escrava. Por isso, a atriz Fernanda Torres recomendou para que se entenda o Brasil a leitura do clássico machadiano combinada com a dos ensaios de Roberto Schwarz sobre Machado.

Trump tenta dar um jeitinho na alta dos juros e disfarçar que estoura déficit e dívida, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ora se discute se EUA adotariam planos parecidos com o de certa esquerda brasileira

Tesouro americano anuncia que vai intervir mais no mercado de dívida do governo

Juros dos Estados Unidos chegaram ao nível mais alto em quase 20 anos nesta terça (18), contaminando mercados do Ocidente. Nesta quarta, os economistas de Donald Trump anunciaram que vão intervir mais no mercado de títulos da dívida do governo —de juros para prazos mais longos.

O valor é pequeno, tais intervenções não são novidade. Importa é que o governo americano agiu em momento de febre, em que essas taxas de juros poderiam ficar descabeladas. Interessante, discute-se nos EUA se o governo pode adotar medidas que diferem pouco de planos de certa esquerda brasileira.

Entre outros problemas, muito maiores, juros americanos influenciam também o que vai ser das nossas taxas de juros, do real e da Bolsa. Uma alta pode até estourar uma suposta bolha de inteligência artificial (IA).