terça-feira, 20 de outubro de 2026

Entrevista | Lula tem histórico de mudança e é antissistema, diz presidente do PT, por Sofia Aguiar e Lucas Borges Teixeira

Valor Econômico

Edinho Silva diz que Flávio captou desejo por mudança e negou que adversário tenha sido subestimado no primeiro turno

A cinco dias do segundo turno, o coordenador-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, fez uma autocrítica, assumiu erros cometidos durante a disputa, mas também realçou acertos, como a neutralidade do Centrão no primeiro turno. Em entrevista ao Valor, ele negou que a campanha tenha subestimado a força política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas reconheceu que o parlamentar soube catalisar o desejo de mudança do eleitor. Ele disse acreditar, entretanto, que será possível associar esse sentimento à imagem de Lula, porque o petista “tem histórico de mudança”.

O Valor também pediu entrevistas ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN). Ambos adiaram a conversa para depois do segundo turno.

Para eventual quarto mandato, o presidente nacional do PT citou um “remanejamento orçamentário” para acomodar promessas como o “Pix MEI”, o novo Pé-de-Meia e o aumento do Bolsa Família. “Não é aumentar gasto. É fazer remanejamento dentro do Orçamento”, argumentou. Conforme antecipou o Valor nesta segunda-feira (19), o governo terá que remanejar cerca de R$ 20 bilhões na Lei Orçamentária de 2027 para acomodar as propostas mais recentes de Lula, como o “Pix MEI”, sem aumentar o limite total de despesas.

Edinho afirmou que a principal cobrança de Lula até aqui foi a falta de material de campanha nas ruas, problema que, segundo ele, foi corrigido. Ele negou que Lula ou o PT deixassem a atuação nas redes sociais em segundo plano, mas admitiu a guinada do candidato à reeleição depois que ele adotou as “vídeo selfies”. Agora, a primeira agenda das manhãs são as gravações de Lula para as plataformas digitais.

A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:

Sangue, suor e lágrimas na reta final, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Se a subestimativa do voto de direita favorece Flávio Bolsonaro, a quebra de sigilo é a bala de prata de Lula

O debate da Band deu o tom da dramaticidade da última semana de campanha que se iniciou com a rodada da BTG/Nexus em que a diferença entre os finalistas se estreitou para 0,6 ponto. Equivaleria a uma vantagem inferior a um milhão de votos do senador Flávio Bolsonaro, não fosse a subestimativa histórica do voto da direita, em média, de 1,4 ponto. Caso se repita, o “voto envergonhado” do eleitor que se omite ou mente para ser melhor aceito no seu meio social, deixaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa desvantagem um pouco acima de 2 milhões, a mesma do 1º turno. Tudo isso se a eleição fosse hoje, mas, até domingo, cada dia vai ser um round. A bala de prata de Lula passou a ser a quebra do sigilo dos candidatos e suas famílias.

Flávio venceu na linguagem da fé, mas pode ter perdido o crente indeciso, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Apesar da postura arrogante, Flávio sai do debate com cortes para evangélicos

Campanha do bolsonarista conseguiu mais material para usar nas redes sociais

O Brasil tem pelo menos 40 milhões de evangélicos, e esse número cresce se incluirmos os católicos conservadores. Mas a fé apareceu só de raspão nas falas dos dois candidatos no debate da Band, no domingo (18). Qual deles se comunicou melhor com os cristãos indecisos?

Flávio Bolsonaro se apresentou como crente em apenas dois momentos. No primeiro bloco, quando Lula afirmou que venceria a disputa, Flávio respondeu: "Tá repreendido em nome de Jesus". E completou: "Só o Senhor é Deus. Está repreendido".

O fetiche dos debates, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Embates televisivos raramente têm efeito decisivo sobre o resultado de eleições

Oferecem, porém, uma brecha para avaliar candidatos fora de ambiente por eles controlado

Sim, o debate de domingo (18) foi muito ruim, mas o que dava para esperar? O homem, e, por conseguinte, o candidato, é um produto de seu meio. Uma campanha presidencial marcada pela polarização afetiva, por escândalos de corrupção e por uma ausência de propostas e ideias ainda mais intensa que o normal só poderia mesmo produzir um debate como o que vimos, em que sobressaíram agressividade, pegadinhas e evasivas. O surpreendente seria se, dadas as condições objetivas de campanha, os candidatos tivessem discutido seriamente projetos e programas.

Faltou conteúdo e sobrou despreparo no debate, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Lula e Flávio mostraram que lhes falta exatamente a matéria-prima para um bom embate: as ideias

Os dois foram pintados para uma guerra de insultos que não serviu para estimular o eleitorado a votar

Se era para fornecer ao país um show de grosserias e despreparo no trato de questões substantivas, teria sido melhor que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mais uma vez fugissem de um confronto de ideias. No debate deste domingo (18), mostraram que lhes falta exatamente essa matéria-prima.

Nenhum dos dois compareceu munido de argumentos para discorrer sobre temas do interesse coletivo e cobrar do adversário provas de conhecimento e capacidade para presidir o Brasil. Foram pintados para uma guerra de insultos mútuos que resultou em lamentável empate no quesito ausência de conteúdo.

Big techs e Nunes Marques capturam a cena eleitoral, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Presidente do TSE, indicado por Bolsonaro ao STF, parece um torcedor de toga

Na reta final do pleito, manipulação dos algoritmos atinge o ponto máximo

Depois de funcionários da Meta admitirem um segredo de polichinelo —restrições que prejudicam as contas da campanha de Lula—, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a empresa adote medidas de tratamento igualitário no segundo turno. Quem espera que Mark Zuckerberg cumpra a decisão pode esperar sentado. Ele vai enrolar, como sempre.

Ajuste fiscal e embuste político, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Prometer cortes de gastos públicos e preservar programas sociais de alto custo é engambelar o eleitor

Num palco propício a embuste político, uma motosserra como a empunhada pelo presidente argentino Javier Milei para simbolizar seu projeto de redução do Estado tem forte impacto visual. Se levado à prática, um projeto desses tem consequências igualmente fortes: desemprego, aumento da pobreza e fechamento de empresas. Milhões de argentinos estão vendo isso. Não se sabe se por prudência ou criatividade, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, esforçado imitador de Milei, adotou um símbolo mais modesto, a tesoura, mas empregado de forma superlativa. Prometeu um tesouraço. Chegou a falar em corte de R$ 200 bilhões de gastos.

A ‘herança maldita’ em 2027, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Populismo de campanha vira tesouraço depois, mas Lula e Flávio escondem o jogo

Depois de confirmar que debate não é seu forte, como mostrou desde 1989 em todas as sete campanhas presidenciais que disputou, o presidente Lula manteve sua aposta nos anúncios populistas para tentar virar a eleição até o próximo domingo. O “vale-tudo” corre solto na sua campanha.

O desafio para que ele e Flávio Bolsonaro abram suas contas bancárias e a promessa de entregar os seus dados e de seus filhos ao TSE, ainda hoje, fazem parte do jogo. Mas antecipar o pagamento do Bolsa Família, a dias da eleição, não faz.

É o que se chama de “forçação de barra”, o uso da Presidência e dos recursos públicos para, inequivocamente, comprar votos e minimizar a abstenção, empurrando eleitores de baixa renda para as urnas no domingo.

O debate eleitoral e a miséria exposta, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A atividade política havida no Brasil é rasteira. A campanha eleitoral, rasteira. Rasteiros a serem os próximos quatro anos. Causalidade. Uma condenação. Serão anos de depressão aguda; de exaustão terminal, talvez com alguma chance de termos chances em 2030. (O esquema vigente, o tal polarizado, dá sinais de esgotamento na sociedade, embora sejamos mestres em desaproveitar chances.)

Será necessário sobreviver – andar de lado – até lá, qualquer que seja o produto das urnas. (O cronista não compara os candidatos, problemas diferentes, carregadores individuais para crises específicas.) Sobre o presente projetado no amanhã: o que pauta o debate hoje condiciona o porvir. O debate está num lugar distante daquelas que seriam as prioridades deste País.