sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

BC faz o certo com sindicância interna sobre caso Master

Por Folha de S. Paulo

Órgão apura eventuais falhas na supervisão que facilitaram a fraude que já deixa custos acima de R$ 50 bi

Diante de sinais de risco perceptíveis, tudo indica que o BC tardou em agir; regulação do sistema deve se modernizar, diante de inovações

É oportuna a instauração de sindicância interna pelo Banco Central para revisar o processo de fiscalização e liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro e liquidada em novembro de 2025 com evidências de fraude bilionária investigadas pela Polícia Federal.

A iniciativa, conduzida pela corregedoria do órgão, teve início no mesmo novembro. O objetivo é identificar eventuais falhas na supervisão —a demora em prevenir um rombo que já supera R$ 50 bilhões, valor a ser arcado principalmente pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a cronologia das decisões sobre as negociações para a venda do Master ao BRB e da liquidação.

O privilégio da leitura na prisão. Por José de Souza Martins

Valor Econômico

Com longa experiência docente, levo em conta que não se lê livros assim, a torto e a direito. É necessário ter um programa de leitura

Foi uma surpresa a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria manifestado interesse no programa de estímulo à leitura na prisão. Com isso, ele teria a possibilidade de diminuir a pena que lhe tocou na condenação do STF. Pessoalmente, vejo mais do que o que poderia ser tomado como egoísmo do preso. Ninguém sai ileso da leitura de um livro. Senti-me, por isso, tentado a fazer-lhe algumas sugestões de leitura.

Com longa experiência docente, levo em conta que não se lê livros assim, a torto e direito. É necessário ter um programa de leitura, ter alguma ideia e alguma curiosidade sobre temas, autores e livros. Ouso, portanto, fazer-lhe algumas sugestões às quais outros cidadãos poderão agregar as suas.

Antes de tudo, escândalo do Banco Master é um caso de polícia. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O banqueiro Daniel Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa estruturada para atuar contra o sistema financeiro e patrimônio público e privado

A politização do caso do Banco Master, que mudou seu eixo para disputas institucionais, alegações de perseguição ou conflitos entre Poderes, é uma estratégia de defesa dos envolvidos que tem certa eficácia nos tribunais superiores do país, como um dos efeitos colaterais da chamada “judicialização da política”, protagonizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, já não é possível volatilizar o ponto central evidenciado pelas investigações: o que está em apuração são crimes tipificados na legislação penal e financeira brasileira, com indícios relevantes de violação ao Sistema Financeiro Nacional e de lesão direta ao patrimônio público e privado.

Brasil vive uma epidemia. Por Orlando Thomé Cordeiro

Correio Braziliense

Brasil enfrenta uma enxurrada de feminicídios e e país que mais mata pessoas trans e travestis. Há um traço comum aos dois tipos de crime: o ódio decorrente dos preconceitos e conservadorismo

Um dia

Vivi a ilusão de que ser homem bastaria

Que o mundo masculino tudo me daria

Do que eu quisesse ter

Que nada

Minha porção mulher que até então se resguardara

É a porção melhor que trago em mim agora

É o que me faz viver

Quem dera

Pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera

Ser o verão o apogeu da primavera

E só por ela ser

Quem sabe

O super-homem venha nos restituir a glória

Mudando como um Deus o curso da história

Por causa da mulher

A música acima é Super-Homem,  composta por Gilberto Gil em 1979. Caetano Veloso tinha acabado de voltar do cinema com Dedé Gadelha (sua esposa na época) e relatou para Gil que ficara impressionado com a cena em que a namorada do Super-Homem, Lois Lane, morre, e ele volta no tempo para salvá-la. A descrição, destacando o esforço de amor e a fragilidade do herói, foi de tal maneira intensa que Gil se sentiu profundamente tocado e compôs a música.

Tempo do "JÁ!" voa… Por José Sarney

Correio Braziliense

Temos a sensação de que o tempo está voando. Mas ainda existem os que querem o imediatismo do JÁ!

Vivemos atualmente com uma nova percepção sobre o tempo. Creio que os físicos encontrarão uma teoria sobre a sua compressão, porque temos a sensação de que o tempo está voando. Mas ainda existem os que querem o imediatismo do JÁ! 

O desenvolvimento do corpo humano, na evolução biológica desde os primórdios da criação, continua no mesmo ritmo, mas estamos vivendo agora o que jamais foi pensado, com a internet e a civilização digital, que estão aí para ficar e modificar o modo de pensar numa velocidade inacreditável, com a IA (inteligência artificial) e as redes sociais.

Banco Master nas eleições. Por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

As autoridades máximas da Justiça, com seu discurso de negação das críticas, podem estar nos empurrando para dias difíceis, um quadro oposto à democracia que afirmam defender

O ano eleitoral começa com um escândalo. Deve avançar nos próximos meses, mas não creio que possa influenciar a escolha presidencial. Mas isso não significa que é irrelevante. O escândalo atinge, de certa forma, o Supremo Tribunal Federal (STF). Na verdade, em termos populares, tanto o contrato da mulher de Alexandre de Moraes como a controvertida relatoria de Dias Toffoli são temas muito discutidos. As notas de Edson Fachin, alguns posts de Gilmar Mendes e a própria posição do procurador-geral indicam que Toffoli está blindado. A tendência, portanto, é de crescer a desconfiança em relação aos ministros, na medida em que avança o caso do Banco Master.

Covardia e realidade. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A tortura e morte do cão Orelha e a responsabilidade de pais, escola, Estado, redes e plataformas

A tortura e morte do Cão Orelha, que trazia alegria a uma comunidade e nunca fizera mal a ninguém, traz uma série de questões para o debate nacional: a responsabilidade dos pais, a educação nas escolas, a influência da internet nas crianças e adolescentes, o exemplo que vem dos Poderes e autoridades e o papel da Justiça num País cujo principal e mais doloroso problema é a desigualdade social.

Como se sentem as famílias que acolheram e cuidaram do Orelha, entre outros cães comunitários? Indignadas e confiantes na Justiça e na punição daqueles capazes de cometer uma atrocidade dessas? Ou com medo, impotentes, descrentes das devidas punições? E se os suspeitos fossem pretos, pobres, da própria comunidade?

O paradoxo da tal terceira via. Por Vera Magalhães

O Globo

Eleitor se diz cansado da polarização, mas não vê alguém capaz de fazê-lo dar um voto de confiança na mudança e acaba votando no que lhe parece menos pior

Terceira via é uma expressão candidatíssima a disputar o pódio das mais desgastadas e desmoralizadas do léxico da política brasileira. A última vez em que bateu na trave a possibilidade de uma candidatura nascer pequena e abalar a polarização foi em 2014, quando Marina Silva ascendeu na esteira da morte trágica de Eduardo Campos e teve chance real de ir ao segundo turno, até ser abatida por um ataque pesado do PT, principalmente, mas também do PSDB de Aécio Neves, em menor grau.

A trinca de Kassab. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Enquanto ensaia voo solo, ex-prefeito mantém cargos nos governos Lula e Tarcísio

“O PSD terá candidato à Presidência da República. É uma decisão irreversível.” As frases foram recitadas por Gilberto Kassab às vésperas da eleição de 2022. Pouco depois, ele reverteu a decisão e declarou “neutralidade” na disputa.

Passados quatro anos, Kassab ensaia o mesmo jogo. Nesta semana, ele anunciou que o PSD lançará um presidenciável em abril. Informou que o escolhido sairá de uma “trinca de ouro”, integrada por Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Os governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul já figuravam como pré-candidatos da sigla. A novidade é o goiano Ronaldo Caiado, recém-saído do União Brasil. Veterano da turma, o homem do cavalo branco já concorreu à Presidência em 1989. Terminou em décimo lugar, com 0,7% dos votos.

Cotas merecem defesa, não blindagem. Por Pablo Ortellado

O Globo

O debate não se esgotou com o consenso no final dos anos 2000, nem deve ser interditado por desqualificações morais

Nos últimos dez anos, muitos livros tentaram explicar a onda populista. “O povo contra a democracia”, de Yascha Mounk (Companhia das Letras), foi um dos primeiros e continua entre os mais importantes. O diagnóstico que apresenta nos ajuda a entender o debate político em torno da lei catarinense que proibiu as cotas raciais no estado.

Aviso dos riscos de rolo em 2026. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mesmo com Trump e medo de bolhas, cenários do establishment para 2026 são risonhos

'Bela armada' dos EUA está pronta para atacar aiatolás; valor da Microsoft cai US$ 360 bilhões

Os chutes informados para a economia mundial no ano de 2026 parecem risonhos, ao menos no universo de bancões, consultorias e até de centros de estudos estratégicos. Na média e na mediana, parecem assim.

Não raro, dá tudo errado. Ruídos recente no concerto do otimismo nos lembram motivos possíveis de rolo, que acabam por enrolar o Brasil, alerta também para os animados do "Ibovespa 200 mil" (ou mais).

Trabalho volta ao centro do projeto nacional de desenvolvimento. Luiz Marinho

Folha de S. Paulo

Perspectiva é de mais avanços no emprego formal, apoiado em valorização da renda e retomada de investimentos

Mais do que quantidade, houve avanços na qualidade do emprego, com aumento da formalização e maior inclusão

O ano de 2025 consolidou a reconstrução institucional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reafirmou uma escolha política central: recolocar o trabalho no coração do projeto nacional de desenvolvimento. Após um período de esvaziamento das políticas trabalhistas, o Brasil voltou a combinar resultados expressivos no mercado de trabalho com uma agenda voltada à ampliação de oportunidades, à melhoria da qualidade do emprego e à redução das desigualdades.

Os indicadores sintetizam essa inflexão histórica. Em 2025, o país atingiu a menor taxa de desemprego da série iniciada em 2012, com cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já registrado. A população ocupada alcançou 102,6 milhões de trabalhadores, o maior patamar da história, evidenciando a expansão consistente da participação no mercado de trabalho.

Tolerância com Trump saiu caro. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Segundo mandato do americano é muito mais radical que o primeiro

Inércia das instituições lhe ensinou que ele poderia fazer o que quisesse

O homem é o mesmo, mas a diferença entre o Donald Trump do primeiro mandato e o do segundo é abissal. Os desatinos da primeira administração, que não foram poucos, ainda podiam ser interpretados como um acidente de percurso, consequência de um resultado eleitoral que surpreendeu não apenas os desavisados eleitores americanos como o próprio Trump, que entrara na disputa com baixas expectativas.

Kassab joga hoje de olho no amanhã. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente do PSD acumula forças para ocupar lugar de destaque nas negociações do processo eleitoral

Ideia é abrir espaço de interlocução na centro-direita como alternativa às lideranças de Lula e Bolsonaro

Interessante, mas ainda confuso, o jogo da oposição para a eleição presidencial. Já deu para entender que a dispersão de candidaturas empurra a decisão para o segundo turno.

Até aí, nada de novo. Se já seria quase impossível Luiz Inácio da Silva (PT) levar a reeleição no primeiro, muito mais improvável que isso aconteça num cenário diversificado, com o eleitorado dividido em várias opções.

Pé frio de Trump. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

É como se a Groenlândia se despejasse sobre os EUA, provocando o pior inverno do século

No Brasil, os bolsonaristas levam um balde de gelo com a nova intimidade entre Trump e Lula

Parece castigo divino. Justamente quando Donald Trump ameaça falir o planeta se a Dinamarca não lhe der a Groenlândia, o caos ambiental —no qual ele não acredita e favorece com suas medidas de fim do mundo— castiga os EUA com o pior inverno dos últimos 40 anos: nevascas brutais, cidades a 30° abaixo de zero, mortes por hipotermia, comércio, indústria e transportes parados e vida impossível fora de casa.

E, portanto, se move. Por Ivan Alves

Tenho publicado textos sobre a realidade política brasileira há algum tempo, insistindo, muito particularmente, em dois pontos, a saber: de um lado, defendo a necessidade de uma Frente Ampla para superarmos os atuais impasses político-institucionais vividos pelo nosso país.; de outro, venho apontando para a urgência de nos dotarmos de um projeto de nação. Na prática, é preciso refundar o Brasil, tomando por ponto de partida todo um conjunto de reformas de estrutura.