terça-feira, 31 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

O peso histórico do 31 de Março no Brasil

Por O Povo (CE)

A data de 31 de Março tem um peso simbólico importante para a história do Brasil e precisa ser lembrada a cada ano dentro da perspectiva que oferece. Seja pelo que representou em termos de passado, seja pelas dúvidas que alimenta num olhar de futuro, diz respeito a um momento que merece uma ampla reflexão da sociedade.

Num dia como hoje, há 62 anos, entrávamos numa sombra política que se estenderia até 1985, quando o País começou a traçar a trajetória que o levaria de volta à democracia plena, devolvendo-se ao cidadão o direito de definir, pelo voto, seu próprio destino. Foram, desde então, nove eleições seguidas nas quais o brasileiro pode escolher o presidente da República, errando e acertando como é próprio de um regime democrático.

O que fazer quando o 'bem público' da informação se torna nocivo, por Martin Wolf

Financial Times /Valor Econômico

Criação e disseminação de informação confiável está em desvantagem econômica

Espalhar mentiras e fraudes pode ser um bom negócio, e a IA parece propensa a piorar a situação

A criação, comunicação e exploração do conhecimento são as habilidades que definem os seres humanos como animais sociais. Essas capacidades, mais do que qualquer outra coisa, tornaram os seres humanos senhores do planeta. Isso faz com que nossas ferramentas de comunicação —da linguagem à escrita, impressão, telecomunicações, rádio, televisão e agora a internet— sejam as tecnologias definidoras de suas épocas. Sua invenção e uso moldaram não apenas o que podemos fazer em cada momento, mas quem somos.

Novas tecnologias de comunicação transformam a sociedade. Como argumentou Jürgen Habermas, a democracia liberal, hoje em perigo, foi filha do livro, do panfleto e do jornal. As tecnologias digitais de nosso tempo são igualmente transformadoras. Infelizmente, junto com muitos ganhos, elas trazem enormes danos potenciais que hoje ameaçam a saúde de nossas sociedades. Esses danos não são teóricos; são visíveis demais.

PIB, produtividade e jornada de trabalho, por João Saboia*

Valor Econômico

Reduções na jornada de trabalho poderiam ser mais facilmente assimiladas se a economia voltasse a crescer a taxas mais elevadas

Discuti em artigos anteriores aqui no Valor Econômico o comportamento da produtividade do trabalho no Brasil nos últimos anos. Os dados são bastante desfavoráveis. Excetuando-se os casos da agropecuária, da indústria extrativa mineral, dos serviços industriais de utilidade pública e da intermediação financeira, a regra geral foi a estagnação ou queda da produtividade nos últimos trinta anos.

O período mais favorável para a evolução da produtividade agregada na economia brasileira ocorreu entre 2003 e 2013. Nesse período, a produtividade por pessoal ocupado cresceu 20,9% e a produtividade por horas trabalhadas aumentou 25,2%. Tal diferença se deve à redução das horas trabalhadas por pessoa ocupada no período.

Terceira via de governador goiano aprofunda divisão, por César Felício

Valor Econômico

Caiado se apresenta como mais eficaz que Flávio para derrotar Lula

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, agora pré-candidato exclusivo do PSD à Presidência, definiu na segunda-feira (30) no evento do partido em São Paulo qual a linha divisória que pretende traçar na campanha para se diferenciar do senador Flavio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL: a experiência. Todo o discurso de Caiado centrou-se neste raciocínio: é ele, com seus 77 anos a serem completados em setembro, seus cinco mandatos de deputado federal, oito anos como senador e oito anos com governador, que dará ao Brasil governabilidade pela direita.

Kassab rifa Eduardo Leite e indica Caiado candidato do PSD à Presidência, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ao escolher Caiado, Kassab também abandona o projeto de um centro autônomo e aposta em uma candidatura mais palatável aos eleitores do governador de São Paulo

A decisão do PSD de lançar Ronaldo Caiado à Presidência, rifando Eduardo Leite, é a afirmação de uma candidatura de centro-direita, com ambição de unir liberais e conservadores, em reconhecimento pragmático dos limites que as pesquisas vêm impondo ao centro político brasileiro. Embora Gilberto Kassab tenha procurado vender a escolha como um “privilégio” diante de três nomes competitivos, a verdade é que os levantamentos recentes — especialmente Genial/Quaest, Datafolha e Atlas — indicam um cenário de crescente cristalização da disputa entre Lula e o campo bolsonarista, hoje representado por Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, a margem para uma candidatura alternativa não apenas é estreita; na sua avaliação, exige um perfil com maior capacidade de polarização, ainda que sob o discurso de superá-la.

Caiado de ‘centro’? por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com Caiado candidato, a direita despe a fantasia de ‘centro’ e tende a fechar com Flávio

O quase ex-governador Ronaldo Caiado pode ser tudo, menos de “centro”, e o anúncio de sua candidatura à Presidência confirma o quanto as várias frentes de direita vêm ocupando espaços de poder, enquanto a esquerda vai se fechando numa bolha que não aponta para o futuro.

O pior na escolha monocrática de Gilberto Kassab, um grande perdedor nessa história, é que Caiado, além de ser assumidamente de direita, é da direita mais identificada com o bolsonarismo do que daquela que tem resistência a ele ou o rejeita.

Xandão vai salvar o Rio, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Largaram a mão do “Cláudio” – o patrocinador, para quem entregavam cabeças. Descobriram de repente o assalto milionário à fundação Ceperj, por meio do qual – com abuso de poderes político e econômico – Castro e seus bacellares desequilibraram a disputa eleitoral de 2022; e em função do qual foram correta e tardiamente condenados pela Justiça Eleitoral.

O ex-governador – que sempre foi o que é, e sobre cuja administração escrevi, neste jornal, em 25 de outubro de 2024, o artigo O governo de Cláudio Castro acabou sem ter começado – já era. Rei morto (“Cláudio” tem todo o direito de se sentir traído), rei posto. Ou rei projetado: Eduardo Paes, aquele a ser beneficiado pela eleição direta a governadortampão. Governador-tampão em junho – a se reeleger em outubro. Essa é a conta de chegada. Porque será direta a eleição-tampão – comunica a blitz editorial combinada à legislação de Alexandre de Moraes. Para limpar o Rio do comando criminoso. Uma chance única – é desse modo explícito que se convoca o STF a decidir politicamente. (Uma chance única – não que seja mentira.)

A democracia é a questão central, por Míriam Leitão

O Globo

Flávio Bolsonaro deu novas demonstrações de fazer o mesmo caminho do pai. Caiado promete anistia a Bolsonaro e o defendeu em palanque

O golpismo da direita continua sendo o problema da eleição. Da mesma forma que foi nas duas disputas presidenciais anteriores. O senador Flávio Bolsonaro, como seu pai, não tem credencial democrática, e já demonstrou desrespeito institucional. Infelizmente, outras forças da direita não quiseram condenar o golpismo. O PSD, de Gilberto Kassab, teve uma chance com o governador Eduardo Leite, que demonstrou ter entendido o ponto central. Neste fim de semana, Flávio Bolsonaro repetiu o pai e pôs em dúvida, diante de uma plateia estrangeira, a lisura do processo eleitoral brasileiro. Hoje, 62 anos depois do golpe militar, estamos de volta à quadra um.

Cuba é o próximo alvo de Trump, por Fernando Gabeira

O Globo

Ajudar o povo cubano não significa apoio a seu governo. Latino-americanos precisam, mais que nunca, ser solidários

Se você acorda com a sensação de que este mundo é maluco, tem razão. Uma das causas: o homem mais poderoso é um estúpido. Trump declarou guerra ao Irã usando o falso pretexto de que havia ameaça à segurança americana. A capacidade nuclear dos iranianos já tinha retrocedido décadas com os bombardeios de junho.

Trump achou que o bombardeio levaria multidões às ruas para derrubar a ditadura sangrenta dos aiatolás. Tremendo erro de avaliação. Ninguém sairia às ruas para ser morto pela Guarda Revolucionária, quase ninguém se sentiria à vontade para lutar ao lado dos Estados Unidos e de Israel, horrorizados com a destruição de uma escola em que morreram mais de 150 crianças.

O que US$ 200 bi compram, por Pedro Doria

O Globo

A OpenAI, que pretende chegar dois anos depois ao azul, acredita precisar gastar US$ 200 bilhões

Na planilha, a Anthropic planeja chegar ao azul em 2028 — daqui a dois anos. A OpenAI, em 2030. Para chegar ao azul, a primeira companhia espera gastar US$ 22 bilhões de seus investidores. Fazer inteligência artificial é bastante caro. A OpenAI, que pretende chegar dois anos depois ao azul, acredita precisar gastar US$ 200 bilhões. Fazer IA pode ser até muito mais que bastante caro. E, até aqui, os dois modelos das duas companhias, Claude e GPT, são equivalentes. É virtualmente impossível, para quem usa ambos pesadamente, dizer que um é realmente melhor que o outro. Então onde está a diferença? O que se compra com US$ 200 bi que US$ 20 bi não pagam?

Caiado na pista, por Merval Pereira

O Globo

Ronaldo Caiado, candidato do PSD a presidente da República é uma tentativa de abrir espaço alternativo à polarização entre lulistas e bolsonaristas.

A escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para candidato do PSD a presidente da República é uma tentativa de abrir espaço alternativo à polarização entre lulistas e bolsonaristas. A ideia é que o eleitorado está cansado dessa disputa, existente desde a eleição de 2018, e anseia por uma novidade que o mobilize. Caiado não é exatamente uma novidade na política, mas é um fator novo na disputa, com a vantagem de ter experiência em cargos públicos que o credencia. Novidade seria o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, mas não há indícios de que ele teria condições de enfrentar o presidente Lula ou o clã Bolsonaro.

Kassab libera ala lulista do PSD e avalia que Caiado une mais grupo da direita do que Leite, por Lauriberto Pompeu

O Globo

PSD consultou situação dos diretórios estaduais antes de tomar a decisão

A definição de lançar o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato à Presidência pelo PSD passou por uma consulta do partido aos diretórios estaduais. A avaliação da cúpula nacional da legenda é que Caiado atrai com mais facilidade os apoios dos líderes regionais da legenda do que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que era a outra alternativa presidencial da sigla.

Pelo mapa montado pelo comando nacional do PSD, há um entendimento de que a maioria do Nordeste estará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em qualquer cenário e que esses estados não dariam palanque nem para Caiado e nem para Leite.

Ao se equilibrar entre os 'valores do Brasil profundo' e o gestor moderno, Caiado tem tarefa quixotesca em eleição polarizada por Lula e Flávio, por Eduardo Graça

O Globo

Governador tem aprovação recorde em estado com pouco peso eleitoral e enfrenta uma série de obstáculos para não repetir este ano sua primeira campanha à Presidência, em 1989, quando não teve sequer 1% dos votos, entre eles a aversão a acenos ao centro e a disputa com o bolsonarismo pelo voto à direita

Obstinado aspirante da segunda via da direita. O título do perfil do governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), publicado no selo Persona de O GLOBO há um ano e quatro meses, provou-se tão preciso em retrospecto quanto revelou-se síntese dos obstáculos que o político de 76 anos terá pela frente até outubro, em disputa pela Presidência polarizada pelas candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

De lá para cá, Caiado trocou o União Brasil pela sigla de Gilberto Kassab para viabilizar sua ambição de encerrar a longeva trajetória pública na disputa pelo mesmo cargo que a iniciou, em 1989, quando mirou o Planalto pela primeira vez. Era então a face da União Democrática Ruralista (UDR) e de um setor agropecuário consideravelmente mais coadjuvante do que hoje, em suas esferas econômica e política. No horário eleitoral, aparecia montado em um cavalo branco. Um ano após a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), o líder setorial de 40 anos, personagem da elite goiana, apresentava como trunfo nos debates televisivos sua especialização médica em Paris.

Miséria eleitoral, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Real empenho do PSD na candidatura de Caiado será medido pelas verbas que irão para a campanha

Critérios do financiamento público fazem com que partidos se concentrem em eleger deputados federais

As bases do PSD, isto é, Gilberto Kassab, decidiram que o candidato presidencial do partido será mesmo Ronaldo Caiado. Mas, a menos que Caiado consiga o milagre de subir rapidamente nas pesquisas, eu me pergunto se as bases do PSD estarão dispostas a financiar muito seriamente sua candidatura. Se há algo que mudou na política nos últimos anos, é a estrutura de incentivos à participação em pleitos presidenciais.

Em 1989, a primeira eleição da redemocratização, 22 candidatos concorreram. Não eram obviamente todos competitivos, mas quatro deles saíram do primeiro turno com mais de 10% dos votos válidos e oito marcaram mais de 1%. No pleito de 2022, o total de participantes caiu para 11, dos quais dois ultrapassaram os 10% e só quatro superaram o 1%. Está deixando de ser interessante para partidos políticos lançar candidatos a presidente se não tiverem chance clara de vitória.

Por que Caiado e não Flávio? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Pelos valores, candidato do PSD está próximo de uma maioria crescente do eleitorado, mas Flávio também

Talvez maior ativo de Caiado seja os resultados positivos de seus sete anos como governador

É bom que o PSD tenha se adiantado na escolha do candidato. Quanto antes Caiado entrar na arena, mais chances tem de virar o jogo. E ele precisa realmente chacoalhar o tabuleiro, porque nada indica que o eleitorado, polarizado e calcificado, pense numa terceira via.

A escolha por Leite seria a aposta na promessa de um eleitorado fora da polarização —abrangendo a centro-esquerda e a centro-direita— que está só esperando um candidato mais ao centro. Até hoje, nunca se concretizou; Marina (2014), Alckmin (2018) e Simone Tebet (2022) estão aí de prova.

Governo não enxerga razões do desgaste, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O personagem de Lula que falava aos pais e avós já não exerce o mesmo fascínio sobre os filhos

Além disso, o PT perdeu o discurso da ética na política ao estrelar dois históricos escândalos de corrupção

Têm sido frequentes as notícias sobre a justificada preocupação do governo com o crescimento da oposição nas pesquisas de intenção de votos. Esse noticiário diz que no ambiente palaciano não se compreende as razões para tal e, de maneira contraditória, ao mesmo tempo ali se tenta emplacar a ideia de que a eleição pode ser resolvida no primeiro turno em favor de Lula (PT).

Diretas Já no Rio vira laboratório da eleição presidencial, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Pleito popular por mandato-tampão repete disputa entre lulistas e bolsonaristas

Vácuo no poder está ligado à infiltração de organizações criminosas

Eduardo Paes pegou o túnel do tempo, deu um rolé (carioca não dá rolê) em 1984 e voltou sonhando com multidões. Postou nas redes fotos da campanha das Diretas Já, um dos maiores movimentos políticos da história brasileira, que acabou frustrado no Congresso, mas enfraqueceu a ditadura militar. Com o voto popular, o ex-prefeito e candidato a governador do Rio de Janeiro espera conter a infiltração de organizações criminosas nas instituições, sobretudo na Assembleia Legislativa.

STF: quando a blindagem agrava a crise, por André Régis*

Folha de Pernambuco

O Supremo Tribunal Federal já ultrapassou o ponto em que poderia sair desta crise por meios suaves. A fase das explicações laterais, dos gestos cosméticos e do controle de danos ficou para trás. Quanto mais a Corte se fecha para conter o desgaste, mais aprofunda sua crise de autoridade.

Desde o Inquérito das Fake News, o STF passou a depender menos da autoridade que lhe era espontaneamente reconhecida e mais do exercício direto de poder. Como toda corte constitucional, sempre dispôs de poder duro: pode anular atos, impor limites e conter abusos. Mas sua força histórica nunca decorreu apenas disso. Decorreu, sobretudo, do prestígio institucional, da deferência pública e da confiança de que agia como árbitro, não como parte interessada. Esse equilíbrio se rompeu.