O Globo
Governador tem aprovação recorde em estado
com pouco peso eleitoral e enfrenta uma série de obstáculos para não repetir
este ano sua primeira campanha à Presidência, em 1989, quando não teve sequer
1% dos votos, entre eles a aversão a acenos ao centro e a disputa com o
bolsonarismo pelo voto à direita
Obstinado aspirante da segunda via da
direita. O título do perfil do governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), publicado no selo Persona de O GLOBO há um ano e quatro meses,
provou-se tão preciso em retrospecto quanto revelou-se síntese dos obstáculos
que o político de 76 anos terá pela frente até outubro, em disputa pela
Presidência polarizada pelas candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De lá para cá, Caiado trocou o União Brasil
pela sigla de Gilberto Kassab para viabilizar sua ambição de encerrar a longeva
trajetória pública na disputa pelo mesmo cargo que a iniciou, em 1989, quando
mirou o Planalto pela primeira vez. Era então a face da União Democrática
Ruralista (UDR) e de um setor agropecuário consideravelmente mais coadjuvante
do que hoje, em suas esferas econômica e política. No horário eleitoral,
aparecia montado em um cavalo branco. Um ano após a criação do Sistema Único de
Saúde (SUS), o líder setorial de 40 anos, personagem da elite goiana,
apresentava como trunfo nos debates televisivos sua especialização médica em
Paris.