terça-feira, 23 de junho de 2026

A onda azul da direita sul-americana vai levar o Brasil? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Há temas que estão em alta e que direitistas souberam trabalhar melhor do que a esquerda

Movimento é pendular e, no futuro, veremos outras 'ondas vermelhas'

Se o padrão ainda não era claro, agora, depois Colômbia e provavelmente o Peru elegerem líderes de direita, ele deve estar: uma onda de direita está varrendo a América do Sul. Quando Lula iniciou seu mandato, Argentina, Colômbia, Peru, Bolívia e Chile tinham líderes de esquerda. Hoje, ou já têm líderes de direita ou acabaram de os eleger.

É um movimento pendular. No futuro, veremos outras "ondas vermelhas". Por enquanto, o trabalho é tentar entender o que está por trás desse movimento à direita. Segurança, corrupção, economia, migração; temas que estão em alta e que a direita soube trabalhar melhor do que a esquerda.

Por una cabeza, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Eleição na Colômbia, a exemplo do que ocorrera no Peru, é decidida por margem mínima de diferença

Polarização afetiva e ambientes de circulação rápida de informações favorecem a volatilidade do eleitorado

Pelas apurações extraoficiais, Abelardo de la Espriella, o candidato da direita radical, foi eleito presidente da Colômbia. As pesquisas já indicavam que Espriella levava vantagem sobre seu rival no segundo turno, o esquerdista Iván Cepeda. O que surpreendeu foi o resultado apertado. Se os números da contagem prévia se confirmarem, o que normalmente acontece, Espriella venceu por uma diferença de apenas um ponto percentual (49,66% a 48,7%). Na Colômbia, os votos em branco são válidos, daí que o vencedor não precisa atingir 50%.

O país da 'generosidade excessiva', por André Borges

Folha de S. Paulo

Parlamentares comparecem ao Congresso basicamente às terças e quartas-feiras

Magistrados e membros do Ministério Público podem parcelar descanso em cotas de cinco dias

No país onde o fim da escala 6x1 é tratado como heresia por setores da economia, ameaça aos empregos e ao crescimento do país, os homens da lei e da Justiça deitam e rolam com seus 60 dias de férias, fora os recessos, as licenças, as benesses e tudo o mais que a criatividade permitir.

É no Congresso, onde os recessos somam 55 dias por ano e parlamentares comparecem, basicamente, nas terças e quartas-feiras, que está o destino de quem labuta de segunda a sábado.

Como outros investigados, Jaques Wagner dá explicações vazias, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Tragado pelo buraco do Master, senador petista vira dor de cabeça para projeto da reeleição

PF não para de investigar esquema de corrupção montado por Vorcaro nem na Copa do Mundo

Jaques Wagner —a mais recente dor de cabeça da campanha petista à Presidência da República— não é da Bahia. É do Rio de Janeiro, nascido em 1951, no seio de uma família judia que fugiu do nazismo. Seu pai militou no Partido Comunista da Polônia. Com 15 anos, o filho começou a fazer política no movimento sionista e a ler Marx. Perseguido pelo regime militar, abandonou o curso de engenharia civil e se estabeleceu em Salvador, onde conheceu Lula nos anos 80, ajudando a fundar o PT. Em 2018, ele quase foi o candidato do partido ao Planalto.

Uberização: o marco global da OIT e o desafio civilizatório do STF, por Adenir Carruesco*

Correio Braziliense

A flexibilidade valorizada por muitos trabalhadores não pode servir como salvo-conduto para a ausência total de proteção social. É aqui que a ética deve guiar a interpretação jurídica

Em 1750, Jean-Jacques Rousseau alertava que o progresso poderia esconder novas formas de servidão, ao tecer "grinaldas de flores sobre cadeias de ferro". Mais de dois séculos depois, sua metáfora parece descrever com precisão o trabalho em plataformas digitais.

As plataformas tecnológicas oferecem conveniência, flexibilidade e autonomia aparentes. Seriam as novas "grinaldas de flores"? Controles algorítmicos invisíveis, sistemas de pontuação que determinam quem trabalha e quem fica de fora, jornadas exaustivas disfarçadas de "horários livres" implicam em autonomia ou o trabalhador descobre-se amarrando a própria coleira?

O Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgar o Tema 1.291 ("uberização"), enfrenta o desafio de remover as grinaldas sem destruir a flor. A questão central é: podemos manter o pensamento maniqueísta, analisando apenas os extremos, entre relação de emprego típica (art. 3º da CLT) e relação autônoma, civil ou comercial? Ou será que se pode pensar em uma decisão que saia desse campo antagonista?

O homem apagado, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Perto de nós existem outros como Vilmar. Pessoas com nome e CPF, mas lançadas à margem da sociedade

Não era apenas um objeto. O homem largado sobre a cadeira de rodas era um ser humano. Repleto de sonhos, de frustrações. Quem sabe de amores perdidos ao longo da vida? Talvez por ser uma pessoa em situação de rua, o homem foi apagado aos olhos dos outros. Morreu dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Recanto das Emas, em circunstâncias que estão sendo apuradas. De repente, o homem deixou este mundo. Parou de respirar. O corpo, inerte sobre a cadeira de rodas, somente foi percebido tempos depois por uma mulher, enfermeira, que estava na sala de espera com o marido.  Mas era tarde demais.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

É preocupante a retirada de policiais cedidos a tribunais

Por O Globo

Supremo deve continuar preservado, ou haverá interferência indevida em investigações que atingem o governo

Investigações contra corrupção no Brasil esbarram com frequência em obstáculos que contribuem para transmitir a sensação de impunidade. O exemplo mais citado costuma ser a Operação Lava-Jato, desmontada depois que vieram à tona erros processuais, em especial a ação coordenada entre magistratura e procuradoria — que levou à anulação da vasta maioria das condenações, mesmo de réus confessos, diante de provas irrefutáveis.

O Filme da Revelação, por Vagner Gomes*

“O interesse, como instância isolada – como já fora percebido nas lições clássicas do radicalismo filosófico inglês, em Hegel, Tocqueville, para não falar de Marx -, conduzia ao particularismo na forma do Estado, e, nas condições retardatárias da sociedade brasileira, onde predominava o estatuto da dependência pessoal, tendia a se combinar com as formas de mando oligárquicas e a sociabilidade de tipo hierárquico que prevaleciam no país. O primado do interesse, na Primeira República, assim, não se confronta com as formas de dominação tradicionais, antes as subordina, convertendo o atraso, tal como na exemplar demonstração de Victor Nunes Leal em seus estudos sobre o coronelismo, em uma vantagem para o moderno que estaria representado pela economia dominante em São Paulo, sob a direção de um patriciado com origem na propriedade fundiária e orientado por valores de mercado – a Prússia paulista será uma invenção da Primeira República.” (Luiz Werneck Vianna, “Weber e a interpretação do Brasil”, 1999)