*Hannah
Arendt (1906-1975), “Origens do totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São
Paulo, 2020.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 15 de agosto de 2026
Opinião do dia – Hannah Arendt*
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Descaso fiscal é a alma da nova lei dos combustíveis
Por O Globo
Equipe econômica saiu celebrando ajuste de
fachada depois de governo ceder a Congresso ávido por vantagens
As negociações que levaram à aprovação nesta semana do Projeto de Lei Complementar (PLP) dos Combustíveis dão a dimensão do descaso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Congresso com a situação das contas públicas. Com a guerra no Oriente Médio, o preço do barril do petróleo disparou, e o Planalto começou a anunciar medidas com a intenção de amortecer a escalada no preço dos combustíveis. Criou um imposto sobre exportações de petróleo para poder desonerar a venda de diesel. Mas queria mais: oferecer subsídios que garantissem gasolina barata na bomba — e, para isso, precisou usar recursos do Tesouro.
‘Para Flabia, Fidel Castro’, por Flávia Oliveira
O Globo
O regime que ele inaugurou ainda resiste,
agora sob asfixia brutal do governo de Donald Trump
Fidel Castro (1926-2016) completaria 100 anos na última quinta-feira, 13 de agosto. Líder da Revolução Cubana (1959), ícone da resistência ao boicote econômico dos Estados Unidos, que se estende desde então, foi inequívoca personalidade histórica do século XX. Jovem jornalista, fui a Havana, encontrei Fidel. O enredo começou em meados de 1999, quando o então presidente cubano veio ao Brasil para a Cimeira do Rio de Janeiro, reunião de chefes de Estado de América Latina, Caribe e União Europeia. De olho em potenciais investidores brasileiros, Fidel desafiou o então presidente da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, a levar à ilha uma delegação de empresários. Desafio aceito, partimos, eu pelo GLOBO, quatro meses depois.
Por que decisões de Moraes têm de ser lidas à luz da política, por Thaís Oyama
O Globo
Ministros do STF ‘fazem política’ com tanta
naturalidade que é como se a atividade fizesse parte de suas atribuições
Em que momento magistrados do Supremo
Tribunal Federal passaram a agir como políticos é difícil precisar. Mais fácil,
talvez, seja tentar localizar quando começaram a se comportar assim de forma
pública.
Pouca gente criticou quando, em maio de 2023, o ministro Alexandre de Moraes trabalhou à luz do dia para que o presidente Lula indicasse dois nomes próximos dele para as duas vagas de juristas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ele presidia. Moraes vivia, então, a fase em que seu status de “herói da democracia” lhe servia como salvo-conduto para heterodoxias diversas. Jornais trataram a nomeação dos apadrinhados do ministro como prova de sua “força”. Ninguém perguntou desde quando juiz monta grupos. Muito menos alguém perguntou se era adequado que o presidente do TSE fizesse isso poucas semanas antes do julgamento da inelegibilidade de um ex-presidente da República e adversário derrotado pelo presidente no poder.
O que devo a Ney Matogrosso, por Eduardo Affonso
O Globo
Foi quando alguém sem rosto, só máscara,
surgiu cantando seus mortos, seus caminhos tortos, sua alma cativa
Foi há 53 anos, num agosto como este. Num
tempo em que 53 anos levavam mais de meio século para passar. (Era cedo para o
garoto de 14 anos, que amava Chico e Elton John, descobrir que há segundos que
não acabam nunca e décadas que somem sem que se saiba aonde foram parar.)
Ele estava naquele estágio — depois do gibi e
antes do jornal, já com o beijo e ainda sem o orgasmo — que, por falta de um
CID apropriado, chamam de adolescência. E tudo à sua volta — casa, pai, desejo,
Deus, escola, comida, paisagem — atendia pelo nome de “interior de Minas”, que
era, a um tempo, geografia e metáfora.
Foi quando alguém sem rosto, só máscara, surgiu cantando seus mortos, seus caminhos tortos, sua alma cativa. Uma cabeça anônima, servida em prato de papel-alumínio, entre pão e vinho, feijão e cebolas. E lá no fundo azul, na noite mineira, uma voz lhe iluminou a mente e ali fez uma dança, uma festa.
Fim da credibilidade de uma superpotência, por Fareed Zakaria
Washington Post / O Estado de S. Paulo
Trump trata promessas como blefes; os aliados
estão reagindo criando alternativas
As potências entram em declínio quando os países deixam de organizar o mundo em torno delas
Na semana passada, um pequeno terremoto
geopolítico abalou o Oriente Médio. A Arábia Saudita e a Turquia – duas nações
que mantiveram uma hostilidade aberta uma em relação à outra durante grande
parte da última década – comprometeram-se a entrar em guerra em defesa uma da
outra. Juntamente com o Paquistão, elas assinaram o Acordo de Defesa Conjunta
de Meca, declarando, ao estilo da Otan, que um ataque a uma delas seria
considerado um ataque a todas.
O Paquistão e a Arábia Saudita mantêm, há muito tempo, laços estreitos em matéria de segurança. Mas a Arábia Saudita e a Turquia têm sido rivais regionais acirrados, entrando em conflito por causa do Catar, do Egito, da Irmandade Muçulmana e, de forma mais explosiva, do assassinato de Jamal Khashoggi em Istambul, pelo qual o líder turco, Recep Tayyip Erdogan, pareceu culpar diretamente o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman.
Quaest: Lula tem 43% ante 40% de Flávio no segundo turno, por Joelmir Tavares
Valor Econômico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
tem 38% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 31% no
primeiro turno da eleição presidencial, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta
sexta-feira (14). Num segundo turno entre os dois, Lula marca 43%, enquanto Flávio
aparece com 40%.
Na rodada anterior, divulgada no dia 5 deste
mês, Lula possuía 39% no primeiro turno, ante 30% de Flávio. Os levantamentos,
porém, não são diretamente comparáveis, já que a lista de candidatos mudou. No
segundo turno, o candidato do PT alcançava 44%, enquanto o do PL tinha 39%.
As oscilações de Lula e Flávio se deram dentro da margem de erro, mas começam a apontar uma tendência de recuperação de Flávio, após uma série de crises em sua campanha. O quadro de segundo turno é de empate, do ponto de vista estatístico, considerando a margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.
Kassab diz que chance de Flávio Bolsonaro ser eleito é ‘zero’ e que Centrão está com Lula, por Pedro Augusto Figueiredo e Renan Porto
O Estado de S. Paulo
Candidato a vice-presidente disse a empresários que filho de Jair Bolsonaro é poupado neste momento e que ‘desabará’ após início da campanha
Presidente do PSD e candidato a vice-presidente, Gilberto Kassab disse a uma plateia de empresários na quinta-feira, 13, que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é “preservado” neste momento das críticas dos adversários e que vai “desabar” nas pesquisas quando a campanha começar oficialmente, no próximo domingo, 16.
“Eu posso falar para vocês que a chance do Flávio se eleger é zero”, disse Kassab durante uma reunião na sede do Iate Clube de Santos, localizada em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. “A própria pesquisa é tendenciosa porque ela não pega o Flávio que está apanhando durante a campanha. Ele está sendo preservado. Na hora que o PT mostrar quem é o Flávio e as pessoas que estão no entorno dele, ele vai desabar”, acrescentou.
2027, a hora da verdade, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Quem quer que vença a eleição presidencial
terá de lidar com o problema fiscal
Não ser claro sobre as dificuldades à frente
é uma forma de estelionato eleitoral
Se as análises de economistas não estão
erradas, 2027 terá algo de hora da verdade. Não importa quem vença a eleição
presidencial, terá de lidar
com o nó fiscal em que o país se enredou.
A fórmula que Lula encontrou para promover índices de crescimento confortáveis com baixo desemprego não é sustentável. Ela se baseou em estímulos ao consumo e expansão de gastos públicos. A prodigalidade do Executivo, sancionada e reproduzida pelo Legislativo, impacta nos juros. Para conter a inflação, o Banco Central precisa manter taxas reais em níveis elevados, o que tem efeito sobre a dívida pública. Pelas projeções, sob Lula 3, a dívida bruta do governo aumentará em 11 pontos percentuais, chegando a 83% do PIB.
Lula, a última valsa, por Demétrio Magnoli
Folha de S. Paulo
A campanha do presidente tornou-se o
guarda-chuva sob o qual articula-se a paz entre o Congresso e o STF, para que
tudo permaneça como está
No terceiro mandato, o reformismo brando de
Lula dissolveu-se em mera irresponsabilidade fiscal populista
O PT veste vermelho,
quando concorre para marcar posição, alternando às cores nacionais quando crê
no triunfo. Lula vestiu
branco, sob o fundo de uma bandeira verde-amarela, na convenção de lançamento
de sua sétima candidatura presidencial. "Lulinha porreta", como se
exibiu? Não: isso foi dirigido à militância. O sétimo Lula é o candidato da
"ordem".
"Ordem", aí, com aspas. O certo é candidato do status-quo, ou seja, da desordem institucional. Sua campanha tornou-se o guarda-chuva sob o qual se articula a paz entre o Congresso e o STF, para que tudo permaneça como está.
Ao confiar mais em balas que em urnas, políticos conservadores se tornam alvo de violência, por Angela Alonso*
Folha de S. Paulo
Ocorrências são tão velhas quanto a República,
mas governos de direita abrem campo com estímulo a armas
De 2003 a 2023, houve 1.228 ataques a
políticos e ativistas e 760 assassinatos consumados
A saída acabou sendo mais momentosa que o
debate. Foi quando o prefeito chamou na chincha o candidato ao governo do
partido adversário. Aconteceu em São Paulo e
não esquentou mais porque as respectivas equipes entraram apartando.
Na presidencial, Flávio
Bolsonaro decidiu-se por slogan que ressoa o de Lula e alude
à arminha do pai: "A
esperança virou medo". Medo da criminalidade, que Jair
Bolsonaro e seu pupilo Tarcísio
de Freitas tinham prometido conter.
Como ficaram na promessa, o tema ficou na agenda e outros se lançam ao posto de solucionador-mor da República. A violência está no programa de Ronaldo Caiado, velho de guerra de 1989, como Lula. Em um de seus arroubos juvenis (já desafiou o Bananinha para luta livre), Kim Kataguiri propôs nada menos que uma bomba atômica.
Os sonhos não envelhecem, a esperança não se apagou, por Marcus Pestana
Ainda sobre a Lava Jato, por Pedro Serrano
CartaCapital
A operação vestiu-se da aparência de um
processo penal comum, mas com conteúdo material de caráter tirânico com fim
imediato de destruição da democracia brasileira
Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça aplicou, por unanimidade, a pena de disponibilidade pelo prazo de 60 dias aos desembargadores federais lavajatistas do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, isso por descumprirem decisões de lavra do Supremo Tribunal Federal que determinavam a suspensão de ações penais. A vulgarmente conhecida Operação Lava Jato, sob pretexto de combater a corrupção, acarretou efeitos nefastos para os direitos fundamentais, à dignidade e à liberdade de muitas pessoas, consoante inclusive reconhecido por instâncias do Judiciário brasileiro e mesmo pelas Nações Unidas.
Candidato a capitão do mato, por Maria Inês Nassif
CartaCapital
Flávio Bolsonaro não procura voto, espera
apenas que Trump tome o poder para ele, à força
Se a extrema-direita apostasse, de fato, na conquista do poder pelo voto, teria se imposto à família Bolsonaro e substituído o candidato às eleições presidenciais. Flávio é inepto e corrupto. Como o pai, confiou na débil Justiça fluminense e no socorro de uma ala do Ministério Público (e agora, na condescendência de um ministro do STF “terrivelmente evangélico”) para livrá-lo dos rigores da lei, embora sem conseguir apagar os rastros das atividades ilícitas. O último escândalo no qual aparece envolvido até o pescoço, o do Banco Master, ainda está quente. Também são indeléveis suas digitais nas negociações com o governo de Donald Trump para impor sanções ao Brasil e ameaçar a soberania do País.
Chantagem e segredos, por André Barrocal
CartaCapital
O jogo de Luiz Antonio Lopes na denúncia de
estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar, vice de Flávio
Está nas mãos de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a decisão capaz de esclarecer uma acusação gravíssima contra o deputado Alfredo Gaspar, do PL de Alagoas. O escolhido para ser vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro cometeu ou não estupro de vulnerável, ou seja, fez sexo com uma menor de 14 anos? Pelo artigo 217-A do Código Penal, esse crime é punível com prisão por um período de dez a 18 anos, e não importa que o acusado alegue ter havido consentimento da vítima. A Polícia Federal pede desde abril para investigar o caso. Antes de autorizar ou negar, Mendes quer ouvir o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e este requereu à PF diligências preliminares antes de se manifestar. No início de agosto, o juiz enviou a solicitação de Gonet à polícia e, também, àqueles que em março acionaram a PF, o deputado Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, e a senadora Soraya Thronicke, do PSB de Mato Grosso do Sul.
Keynes e Descartes, por Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
O inglês subverteu os modelos da “economia
das certezas”, que engessam a capacidade de observar
Quem procura conhecimento, procura saber
mais. Essa correlação só acontece se você procura conhecimento livre de dogmas,
doutrinas e certezas. Saber mais requer algumas características: ceticismo,
inconformismo e incomodação. A busca pelo conhecimento tem começo, mas não tem
fim, exige ter mais dúvidas do que certezas. Sempre duvide das certezas ou
verdades absolutas.
Hegel invocou René Descartes e disse que o
pensador iluminista “começou do zero, do universal, do pensamento como tal, e
que esse é um novo e absoluto começo.
“A afirmação de que o começo deve ser construído a partir do pensamento apenas ele expressou, dizendo que devemos duvidar de todas as coisas – de omnibus est dubitantur, não no ceticismo, como se devêssemos permanecer sempre em dúvida, na completa indecisão da mente.”
Eleições dramáticas, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Tensão institucional e polarização elevam a
temperatura do pleito
Finalmente, a campanha de verdade vai começar. Até agora foi o ensaio de um espetáculo desafinado, com protagonistas desastrados e enrolados nos cadarços dos próprios sapatos. A plateia se divide entre odiar um ou outro dos ponteiros — e torcer por uma terceira via que não consegue entrar em cena.
Como toda eleição presidencial, temos dramas em curso. Teme-se a transição; outros temem o continuísmo. Nesta eleição, porém, há camadas adicionais: tensão institucional, incerteza econômica, polarização, escândalos graves, questões geopolíticas e uma disputa intensa pelas narrativas.
Luta pelo poder, por José Casado
Revista Veja
Manifesto de chefes da PF mostra a dimensão
da crise nos Três Poderes
Uma crise avança como rio de enchente pela
Praça dos Três Poderes, em Brasília. Governo, Supremo Tribunal Federal e
Congresso estão em conflito, enredados numa profusão de investigações criminais
por corrupção com patrocínio e beneficiários políticos — fraudes bilionárias no
Banco Master, no INSS e
nas emendas parlamentares ao Orçamento, entre outras.
Esses múltiplos inquéritos já desenhavam
contornos de uma liquefação, reafirmada em plena campanha eleitoral com o
inédito manifesto dos chefes da Polícia Federal em
26 estados e no Distrito Federal.
É uma grande confusão institucional na qual predominam interesses privados dos dois candidatos mais destacados nas pesquisas sobre a disputa para a Presidência da República: Lula, que tem um dos filhos sob investigação nas maracutaias do INSS; e, Flávio Bolsonaro, que já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do Banco Master, preso por trapaças em série.






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