quinta-feira, 21 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Não é papel do governo financiar carros e táxis novos

Por O Globo

Bondade para taxistas e motoristas de aplicativo é danosa à vida nas cidades, ao meio ambiente e às contas públicas

Na mais recente medida eleitoreira, com o objetivo indisfarçável de melhorar os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo anunciou um programa para beneficiar taxistas e motoristas de aplicativo. Criado por meio de Medida Provisória, ele permitirá financiar em até seis anos a compra de qualquer veículo de até R$ 150 mil com juros camaradas. Os empréstimos serão fornecidos pelo BNDES por meio da rede bancária. A conta para o Tesouro é estimada em R$ 30 bilhões — e será paga integralmente pelo contribuinte.

Em crise, Flávio troca marqueteiro e cria ruido no meio evangélico

Crise de Imagem

Flávio sofre desgaste do agro aos evangélicos e tem primeira baixa com saída de marqueteiro

Por Luísa Marzullo e Letícia Pille - O Globo

A crise instalada na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desencadeada a partir da revelação de sua proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estremeceu as pontes com segmentos de sustentação do bolsonarismo nas últimas campanhas e derrubou o marqueteiro contratado pelo senador para cuidar de sua imagem. Em meio ao desgaste, o PL já identificou a contrariedade com interlocutores do mercado financeiro, do agronegócio e lideranças evangélicas.

Além disso, a insatisfação de aliados fez a primeira vítima no entorno de Flávio, com a saída do publicitário Marcello Lopes, o Marcellão. Ele estava nos Estados Unidos durante a semana mais crítica para a comunicação do candidato, o que gerou contrariedade entre pessoas próximas ao senador.

Agora, assume a função Eduardo Fischer, que fez a campanha de Alvaro Dias (Podemos) na corrida presidencial em 2018 e conhecido por trabalhos publicitárias fora da política.

Cenários preocupantes, por Merval Pereira

O Globo

Com a fragilidade atual da candidatura de Flávio, e as dificuldades que o governo Lula tem para manter a economia em bom estado pode ser que surja um caminho para um candidato alternativo que supere a polarização política.

Muito além do resultado das urnas em outubro, as consequências da derrota de um ou outro dos favoritos momentâneos nas pesquisas de opinião, ou a vitória de um azarão (dark horse?) que surja, colocarão o futuro do país em nova encruzilhada. O presidente Lula, cuja possibilidade de disputar a reeleição aumenta à medida que se enfraquece a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, dificilmente deixará de estar no segundo turno. Mas pode perder. Aí começa a confusão.

Se desistir, por qualquer motivo, de concorrer, Lula teria no seu vice, Geraldo Alckmin, um candidato perfeito para enfrentar Flávio, agregando o eleitorado de centro-direita. Mas ele é um “tucano do PSB”, e o PT prefere perder com os seus a ganhar com um aliado. Ganhando, Lula encontrará provavelmente um Congresso de oposição mais conservador que o atual, sobretudo no Senado. Isso tornará seu quarto governo no mínimo problemático, se não inviável. O que sairá de um governo sem força política, apoiado por um Supremo Tribunal Federal (STF) acuado politicamente, com probabilidade alta de impeachment de ministro, só saberemos quando acontecer.

Capa de celular e filme B no debate, por Julia Duailibi

O Globo

Decisão sobre manutenção da candidatura de Flávio será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro

Os tentáculos do Master atingiram Flávio Bolsonaro e agora começam a dar voltas pelo seu pescoço, a ponto de integrantes de seu partido, o PL, saírem falando por aí que em 15 dias decidirão se mantêm a candidatura de pé ou não. A cúpula do PL pode até causar nos bastidores, mas pouco tem a fazer diante da decisão que será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro, como foi dele o projeto de lançar o primogênito à Presidência, e não Tarcísio de Freitas, nome preferido dos chefões da sigla. Depois da repercussão ruim, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, veio a público dizer que o deadline de 15 dias, estabelecido numa reunião interna, não dizia respeito à manutenção da candidatura do senador, mas sim à retomada de seu crescimento nas pesquisas eleitorais.

O BC no meio do redemoinho, Por Míriam Leitão

O Globo

O Banco Central vive dias de pressão por causa pelo Banco Master. A situação do BRB é motivo de preocupação e sem solução a curto prazo

O problema do Banco de Brasília (BRB) não está resolvido. Longe disso. O controlador resiste à venda de algum pedaço relevante da instituição que poderia ajudar a enfrentar a crise. Desde o fim de março, o BRB já está pagando multa diária pela não publicação do balanço. A cada solução apresentada, a governadora Celina Leão faz uma pesquisa com a Câmara Distrital e sondagens de opinião pública para ver como a proposta impactaria sua popularidade. Se houver uma queda brusca de liquidez, será difícil evitar o pior.

O governo federal não quer ajudar, porque seria abraçar um desgaste que não foi criado por ele, pelo contrário, foi obra do centrão e do ex-governador bolsonarista, Ibaneis Rocha. O governo do Distrito Federal tem insinuado que, se acontecer algum incidente, terá sido porque a União não ajudou.

Uma eleição refém do sistema, por Malu Gaspar

O Globo

Câmara dos Deputados acaba de aprovar, num acordão que incluiu de lulistas a bolsonaristas, um monstrengo batizado de minirreforma eleitoral, que de mini não tem nada e que, em vez de reformar, promove uma avacalhação nas eleições que vêm aí.

A lista de mudanças é ampla. Uma delas prevê que a multa máxima para partidos que não apresentarem prestações de contas ou cujas contas forem rejeitadas não pode ser de mais de R$ 30 mil (antes poderia chegar a 20% do valor questionado). Considerando que o fundo partidário distribuiu R$ 1 bilhão em 2025 e que o fundo eleitoral entregará mais de R$ 5 bilhões neste ano, caiu a perto de zero o custo de fazer lambança com o dinheiro dos nossos impostos.

Mas tem mais.

Liberadas as armas da batalha campal de outubro, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Congresso se move para diminuir as incertezas abertas pela desidratação de Flávio Bolsonaro

Na mesma semana em que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em redemoinho, o Congresso Nacional municiou-se das armas com as quais pretende enfrentar um ano eleitoral marcado pelo efeito abrasador do escândalo do Master na política nacional. Acossados pelas investigações e pela dissolução das lealdaldes, os parlamentares rumam para um vale-tudo na cata ao eleitor.

O liberou geral é liderado pelo Centrão mas tem o apoio tanto do PL quanto do PT. Vide, por exemplo, a aprovação, na noite de terça, de uma reforma eleitoral. Além de um amplo Refis para os partidos, a reforma atropelou a Constituição ao jogar por terra o princípio da anualidade numa mudança nada cosmética que já valerá para a eleição de outubro, o disparo em massa de mensagens via robôs.

A cinco meses da eleição, surge um acinte na Câmara, por Carlos Alexandre de Souza

Correio Braziliense

No momento em que o país enfrenta situações como a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado, há personalidades no Congresso Nacional dispostas a afrouxar mecanismos de controle.

Câmara dos Deputados volta a protagonizar um espetáculo deprimente a menos de cinco meses das eleições. Em uma votação relâmpago, a casa legislativa aprovou um projeto de lei que pode ser considerado um tiro na Lei da Ficha Limpa e em outros dispositivos da legislação para moralizar o processo eleitoral. Em votação célere e discreta, os deputados aprovaram, na terça-feira, o Projeto de Lei 4.822/25, um compêndio de "liberou geral" para os candidatos.

A proposta reúne um conjunto de medidas feitas sob medida para os partidos se lançarem à corrida eleitoral com uma série de garantias. Autoriza, por exemplo, o disparo em massa de mensagens por aplicativo, problema sobre o qual a Justiça Eleitoral já havia estabalecido restrições. O projeto de lei determina, ainda, um teto de no máximo R$ 30 mil para possíveis multas a serem aplicadas a legendas em caso de reprovação na prestação de contas. Pela regra atual, o partido é obrigado a devolver 20% do valor identificado como irregular.

Baixo nível de inteligência política, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Senador Flávio Bolsonaro afunda por culpa própria, mas não é o único a errar

Inteligência política parece ser um bem escasso em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ela nada tem a ver com moral ou ética – em boa medida, serve para escapar disso –, mas, sim, com a identificação exata de riscos e oportunidades.

O senador ungido pelo chefe do clã como candidato da franquia Bolsonaro achou que podia tocar uma campanha sem ser importunado pelo fato de que pediu dinheiro para o banqueiro no centro do maior escândalo da atualidade. Escondeu isso até de seu chefe de campanha, talvez temendo que a candidatura acabasse ali mesmo.

Candidatura sob risco? TSE avalia, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O escândalo do Banco Master migrou do Supremo Tribunal Federal (STF) para as campanhas eleitorais depois que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) surgiu nas investigações. As trocas de mensagens com Daniel Vorcaro derrubaram as intenções de voto do filho de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião e viraram uma arma poderosa para os outros concorrentes.

Nos bastidores, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que, politicamente, a candidatura de Flávio encontrou um entrave difícil de ser superado e pode se traduzir em derrota nas urnas. Juridicamente, porém, atestam que, hoje, não há empecilho para o registro oficial da candidatura.

Agenda do presidente para 1.º de janeiro de 2027, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

O ajuste fiscal não tem preferência por PT ou PL, por Lula ou Flávio (ou quem venha a substituí-lo). Ele já marcou seu encontro com o próximo presidente da República

Os candidatos (relevantes) à Presidência da República não terão a coragem necessária para defender o rigor com as contas públicas. Ademais, não se quer um maluco com motosserra, vale dizer (aliás, escrevi neste espaço um artigo que envelheceu bem quando da eleição de Milei). Na lógica opaca predominante no meio político, falar em responsabilidade fiscal é coisa de economista, não de candidato. A ver.

Muito embora Mário Covas tenha ensinado, em 1998, que a probidade, a responsabilidade e o rigor com cada centavo de dinheiro público importam, as lideranças atuais, de parte a parte, preferem ver o diabo a assumir que terão de sacar a tesoura em 2027. Para lembrar: Covas foi reeleito e entregou o Estado de São Paulo saneado e com capacidade altíssima de investimento.

Fim do 6x1 e distorções à vista, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Há mais de 2,4 mil ocupações laborais; não dá para regulamentar a jornada uma a uma

O professor José Pastore, um dos mais respeitados especialistas em Economia do Trabalho, vem advertindo que algumas das propostas do governo que preveem a extinção do regime de jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) “criam mais problemas do que soluções”. E isso, não só para a macroeconomia e para as empresas, mas também para o interesse dos próprios trabalhadores.

A regra de transição para o novo sistema, em análise no Congresso, que contraria a posição do governo que quer vigência imediata, já aponta para dificuldades. Mais encrencas devem ser produzidas pelo projeto de regulamentação, também defendido pelo governo, para entrar em vigor depois da reforma constitucional.

Os dois Brasis nas eleições, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Oposição crispada é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública informada

No segundo turno, candidatos têm de enfatizar as diferenças que os separam

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro.

No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

Flávio Bolsonaro tem uma ficção de programa para elite fingir que é liberal, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Candidato não tem ideias, história, conexões sociais ou políticas para sustentar planos

Filho de Jair diz que é inspirado pelo governo do pai e não se compromete com reformas

Cinismo é a primeira reação ao se ouvir que Bolsonaros tenham programa de governo. Eles têm planos, decerto, além daquela atração pelo dinheiro vivo e pela mumunha. No mais, querem o fim da esquerda, um ataque reacionário ao que se chama de "costumes" e reviver a ditadura. O sentido do bolsonarismo, a política e a sociedade que o levam adiante, é assunto mais complexo. Trata-se aqui de ações de governo ou no governo.

Naquele vídeo escabroso da reunião ministerial de abril de 2020, Jair Bolsonaro explicitou suas preocupações: livrar sua família da polícia, espionar, melar eleições ou impedi-las. Pouco depois, entregou a maior parte do comando do seu governo de trevas ao centrão direitão, o semipresidencialismo de avacalhação, de resto incentivando a degradação terminal das emendas.

É erro histórico aprovar Lobo para a CVM e rejeitar a PEC do BC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Galípolo alertou sobre risco da falta de recursos para o regulador

Senador petista pede rejeição da PEC e proposta é dada como morta no Congresso

É um erro histórico para Lula e para o Senado aprovar o nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e rejeitar a PEC da autonomia financeira do BC (Banco Central). Os dois assuntos estão umbilicalmente vinculados ao escândalo do Banco Master.

Ex-diretor da CVM até o fim de 2025, Lobo deu decisões favoráveis a Vorcaro assim que assumiu a presidência interina do órgão fiscalizador do mercado de capitais com a saída de João Pedro Nascimento, o JP, dois anos antes do fim do mandato.

Curriculum Vitae, 01, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Ativista do direito de mentir, luta contra o direito universal de não acreditar

Chama de 'narrativa' o que lhe desabona; de 'fato' o que lhe favorece

Filho de pai preso. Segue carreira do pai e se elege por ser filho do pai. Obedece ideias do pai, copia métodos do pai. Tem os aliados do pai. Trilha o curriculum do pai. Em casa, o pai o chama pelo número de antiguidade 01. Amor filial supera o paterno.

Sua sagacidade não alcança a do pai, porém mais afiada que a dos irmãos. Nunca disse "ditadura devia ter matado mais", mas vê em 1964 "contrarrevolução democrática". Não gostaria de filho "entrando em casa e apresentando seu namorado". Definiu as medidas do governo do pai na pandemia, e o superávit de mortes evitáveis da ordem dos seis dígitos, como o que "se espera de um estadista".

Os primeiros a morrer, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem foram as primeiras vítimas da Covid, da tragédia de Brumadinho e da ditadura militar?

Se o Brasil tende a ignorar os vivos, por que não cria mais dias de memória por seus mortos?

Doze de março acaba de ser instituído como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 no Brasil. A data se refere à morte no dia 12 de março de 2020, em São Paulo, da diarista Rosa Aparecida Urbano, 57 anos, a primeira vítima registrada da pandemia no país. Não há um de nós sem a perda de um ente querido, próximo ou remoto, entre os 700 mil que se foram sob o negacionismo de Jair Bolsonaro. Talvez, ao lembrar Rosa, o país se recorde do que era ser governado por um irresponsável.