segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Concessão se firma no transporte como política de Estado

Por O Globo

Governo prevê para este ano 14 leilões de rodovias e oito de ferrovias, com R$ 300 bilhões em investimentos

Estão previstos para este ano 14 leilões de rodovias federais e oito de ferrovias, pacote que deve gerar investimentos de R$ 300 bilhões ao longo dos contratos. Para atrair investidores, o governo tem apostado no BNDES como fonte de financiamentos. O banco encerrou 2025 com uma carteira de empréstimos estimados em R$ 22 bilhões para concessionárias de rodovias e em R$ 3,7 bilhões para as de ferrovias. O objetivo do BNDES é superar tais valores neste ano.

O entulho institucional a ser enfrentado. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A crise atual não se resolve nem pela troca de comando das instituições, nem por um redesenho institucional pontual

A degradação institucional no STF, STJ ou TCU não se resolve pela alternância do poder

A dimensão da degradação institucional brasileira não deve ser subestimada. O conhecimento acumulado sobre crises institucionais fornece pistas. A literatura identifica, em linhas gerais, dois padrões de superação. O primeiro ocorre em crises de grande envergadura, pela ascensão de uma força política nova, normalmente oriunda da oposição. É o que se observa em processos de transição democrática e de mudança de regime. A alternância de poder, nesses casos, desencadeia o desmonte do ancien régime e a elaboração de uma nova Constituição. Não é, contudo, o nosso caso.

Não mexa na minha sobrevivência eleitoral. Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Ao interferir nas emendas, o conflito entre STF e Legislativo tende a escalar

O ano de 2026 tende a aprofundar um conflito que já vinha em gestação silenciosa: o embate entre o Legislativo e o STF em torno das emendas parlamentares, especialmente as impositivas. Não se trata apenas de uma disputa jurídica sobre regras orçamentárias, mas de algo politicamente mais sensível: a sobrevivência eleitoral dos parlamentares.

O STF deve avançar no julgamento da constitucionalidade dessas emendas. Caso imponha limites substantivos ou as declare inconstitucionais, o efeito político será imediato. O tribunal tocará no principal instrumento por meio do qual deputados e senadores constroem e mantêm suas redes locais de apoio.

Europa correrá risco se ceder a Trump.Por Gideon Rachman

Financial Times / Valor Econômico

É tentador dizer que a aliança transatlântica chegou ao fundo do poço. Infelizmente, ela ainda pode cair muito mais.

A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia levantou a possibilidade, antes impensável, de que os EUA possam usar suas forças armadas para tomar o território da Dinamarca - um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Vários países europeus responderam com o envio de tropas para a ilha - com o pretexto declarado de que isso fazia parte de um exercício para reforçar a segurança no Ártico.

A reação de Trump foi acusar esses países - entre eles França, Alemanha e Reino Unido - de fazerem um “jogo muito perigoso”. E afirmou que todos eles serão atingidos por tarifas de importação de 10% no começo de fevereiro, que subirão para 25% em junho.

O caso Master e o silêncio dos ‘inocentes’. Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Banco Master contou com a conivência e a leniência de empresas de auditoria, órgãos fiscalizadores e plataformas de investimento para promover a maior fraude da história

Na base de cadastro de pessoas jurídicas da Receita Federal, Daniel Bueno Vorcaro aparece como sócio de 14 empresas, além do Banco Master S/A. Seu pai, Henrique Moura Vorcaro, está ligado a 54 empreendimentos, a maioria imobiliários e de participações - muitos, porém, com capital social nulo ou muito baixo (coisa de R$ 1.000,00).

Mas a campeã é a irmã, Natália Bueno Vorcaro Zettel, que é sócia de 59 empresas. Seu marido, Fabiano Campos Zettel, responde por outros 19 CNPJs, da Moriah Asset (“o primeiro veículo de investimentos em Wellness do Brasil”) à Igreja Batista da Lagoinha Belvedere - é bom lembrar que instituições religiosas têm imunidade tributária no Brasil. Outro integrante da família, também investigado, o primo Felipe Cançado Vorcaro é sócio de outras 17 pessoas jurídicas.

Tratado “pode ser o primeiro de uma série”, diz Ricupero

Por Daniela Chiaretti / Valor Econômico

Ex-secretário geral da Unctad, diplomata acredita que tratado UE-Mercosul é positivo para economia brasileira, mas há desafios

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado no sábado, 17, tem o potencial de abrir uma frente de novos tratados entre os países do Mercosul e o Canadá, Japão, Coreia do Sul e outros. A opinião é do diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente e que durante dez anos foi secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a Unctad.

“No cenário atual, em que não estão surgindo grandes acordos comerciais, este do Mercosul e da União Europeia pode ser o primeiro de uma série no mundo”, diz. “Penso que esse acordo tem esta vantagem”, diz, em um mundo pouco multilateral. Ricupero vê o acordo como positivo para o Mercosul e o Brasil, mas com desafios.

Socialista surpreende e supera rival de extrema direita no 1º turno das eleições presidenciais de Portugal

Por O Globo, com agências internacionais

Com mais de 99% das urnas apuradas, António José Seguro alcançou 31,14% dos votos, contra 23,48% de André Ventura, líder do Chega

O socialista António José Seguro foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial em Portugal, realizada neste domingo, superando o adversário de extrema direita André Ventura, até então apontado como favorito pelas pesquisas de opinião. Com mais de 99,6% dos votos apurados, o candidato socialista tinha 31,14% dos votos válidos, contra 23,48% de Ventura — o que garante os dois no segundo turno, o primeiro que será disputado em quatro décadas, no dia 8 de fevereiro.

A superioridade do candidato socialista no primeiro turno contrariou as pesquisas realizadas até então, que apontavam que Ventura, líder do partido radical Chega, na primeira colocação. Seguro, de 63 anos , incorporou em sua campanha a imagem de integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos frente ao "extremismo".

Juros elevados são o maior entrave ao crédito para 80% das indústrias, mostra CNI. Por Míriam Leitão

O Globo

Os juros elevados foram apontados como o principal obstáculo por 80% das empresas industriais que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos). O dado consta da Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Depois dos juros, aparecem como principais dificuldades a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis, citada por 32% das empresas, e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades do setor, mencionada por 17%.

Só falta culpar o BC e absolver o Master. Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Liquidação do banco não provocou qualquer abalo nos mercados. No ambiente político, parece um cataclismo

Liquidação de banco é sempre traumática. O trauma é tanto maior quão mais amplos forem os laços da instituição com o sistema financeiro. E quanto maior for o número de clientes, credores e devedores. Por aí, a liquidação do Banco Master deveria passar como episódio menor, sem qualquer abalo no sistema.

Para comparar: há 1,6 milhão de clientes do Master habilitados a receber seu dinheiro de volta. Parece muito, mas é nada diante do tamanho do sistema bancário no Brasil. Só o Itaú tem mais de 100 milhões de clientes, segundo dados recentes do Banco Central (BC). Por isso mesmo a liquidação do Master não provocou qualquer abalo nos mercados.

Cultura tem de ser projeto de nação. Por Preto Zezé

O Globo

A economia criativa brasileira permanece excessivamente dependente do eixo Rio-São Paulo

O Brasil é uma potência cultural de fato. Não por discurso, mas por evidência. Nossa música atravessa décadas influenciando o mundo. O setor audiovisual ganha espaço em festivais e plataformas. A moda, a literatura, os games e o poder de consumo cultural das favelas despertam interesse global. O problema nunca foi talento. O problema é estratégia.

Marcas da pandemia persistem. Por Demétrio Magnoli

O Globo

O vírus biológico já não atemoriza. O que assusta é o vírus político

Cinco anos atrás, no réveillon de 2021, sob a pandemia, milhões desceram ao litoral paulista, depois de meses intermináveis de congelamento da vida social. A peregrinação foi acompanhada de sombrias admoestações de especialistas e jornalistas. Mas a maior onda de infecções e óbitos chegou um ano depois, no verão de 2022, pelas artimanhas da biologia, com a variante ômicron. Já quase esquecemos aquilo, exilando a Covid-19 para o rodapé da História. O pesadelo passou, sem deixar os rastros previstos —exceto um, que ninguém profetizou.

Morre o ex-ministro Raul Jungmann

Por Lauro Jardim / O Globo

Morreu agora há pouco, em Brasília, aos 73 anos, o ex-ministro e ex-deputado federal por três mandatos Raul Jungmann. Ele estava internado no DF Star e lutava havia anos contra um câncer no pâncreas.

O ex-ministro chegou a ficar internado por longo tempo. Mas foi para casa recentemente já estava sob cuidados paliativos. No fim de semana, voltou ao hospital.

Jungmann foi ministro cinco vezes. No governo FHC, foi ministro do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e de Políticas Fundiárias. No governo Temer, ocupou o Ministério da Defesa e em 2018 foi o primeiro ministro da Segurança Pública do país (o cargo, que agora Lula promete recriar, foi extinto no governo Bolsonaro).

Pernambucano, Jungamnn começou a militar na política no PCB, com o partido ainda na clandestinidade. Depois, ajudou a fundar o PPS, onde ficou até 2018,

Autoridades destacam legado democrático de Raul Jungmann

Por Danandra Rocha / Correio Braziliense

Ex-ministro, que morreu neste domingo (18/1), recebe homenagens de líderes de todos os Poderes e governadores

A morte de Raul Jungmann, neste domingo (18/1), provocou forte repercussão entre autoridades dos Três Poderes, governadores, parlamentares e lideranças políticas. Reconhecido pela capacidade de diálogo e pela atuação em momentos decisivos da vida institucional do país, o ex-ministro foi lembrado como uma referência republicana e democrática. Procurada pelo Correio, a família informou que não irá se manifestar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou a trajetória pública de Jungmann e lembrou a homenagem prestada recentemente. “Recebo com pesar a notícia do falecimento do ex-deputado federal, ex-ministro e presidente do Instituto Brasileiro de Mineração, Raul Jungmann. Ainda em dezembro, em nome da Câmara dos Deputados, concedi a Jungmann uma Moção de Louvor. Foi um reconhecimento da sua trajetória pública, de serviço prestado ao país”, afirmou. Motta ressaltou ainda “as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional”.