terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Opinião do dia – Rubens Ricupero*

Valor: A própria democracia americana está hoje em risco?

Ricupero: Ele é a maior ameaça que a democracia americana enfrenta desde a Guerra Civil Americana, em 1865. Representa em ideias tudo que é anti-iluminismo, antiprogresso, anticiência.

*Da entrevista no Valor Econômico, hoje, 20/01/2026.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ainda é a economia

Por Folha de S. Paulo

Haddad diz que tema não será tão decisivo na eleição, mas Lula aposta em renda elevada por gasto público

Quaisquer que sejam as preocupações primordiais do eleitorado, seu enfrentamento depende de crescimento duradouro e solvência do Estado

Em entrevista ao UOL, o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, disse acreditar que a economia não derrotará o governo nas eleições deste ano, assim como não garantirá sua vitória. A declaração é prudente e adequada a um ocupante do cargo, mas decerto não corresponde ao que aposta o chefe.

Haddad argumenta que, em recente pesquisa Datafolha, realizada em dezembro, economia, inflação e preços altos foram apontados como os principais problemas do país por não mais de 11% dos entrevistados, atrás de saúde (20%) e segurança (16%). Aponta ainda que o tema continua importante no mundo, mas é menos decisivo num cenário de polarização política.

A direita dividida. Por Merval Pereira

O Globo

Com a possibilidade de Tarcísio ficar oito anos à frente do governo, dificilmente os Bolsonaros terão papel relevante no jogo político

Temos cerca de dois meses e meio para entender o que a direita nacional levará para a campanha presidencial contra a reeleição de Lula. As pesquisas mostram que a soma dos diversos candidatos da direita é maior que os votos prometidos a Lula, sugerindo que, se houvesse um candidato único desse espectro político, a disputa seria acirrada. Só que não. Quando se vai para o segundo turno, Lula hoje venceria qualquer deles. Está garantida a vitória? Nada disso.

A rejeição a Lula continua alta, mas a de Flávio Bolsonaro é de igual magnitude. Teremos então, como em 2022, uma disputa entre rejeitados? Só se Flávio mantiver sua candidatura até 4 de abril. Ainda há pesquisas pela frente. Se nelas o candidato oficial do bolsonarismo não conseguir se manter estável, é provável que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, volte a surgir como candidato possível.

Lições do massacre. Por Fernando Gabeira

O Globo

As revoltas de agora em Teerã trazem fatos novos. O primeiro é a presença dos jovens

O Irã é um país distante, eu sei. No entanto não é tão distante quando se sabe que milhares de pessoas são mortas lutando pela liberdade.

Por coincidência, na semana anterior ao massacre eu tinha dado um livro a minha filha: “Lendo Lolita em Teerã”. Sua autora, Azar Nafisi, é uma de minhas referências na tentativa de entender o país. Professora de inglês, autora de ensaios sobre Vladimir Nabokov, ela escreveu uma autobiografia interessante, “Things I've been silent about” (Coisas sobre as quais silenciei).

Bancos vão pagar uma conta alta. Por Míriam Leitão

O Globo

O BC criará um Índice de Liquidez de Ativos para as instituições financeiras, com objetivo de evitar casos como o do Banco Master

Chegou a hora de pagar a amarga conta da fraude do Master e ela será dos bancos, principalmente dos maiores. Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa poderão ter que despender de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões cada um para recompor o Fundo Garantidor de Crédito. Há quem fale em R$ 6 bilhões. Em outras palavras: haverá dinheiro público de bancos estatais na quitação do sinistro. Desde ontem, o FGC está restituindo aos investidores até o valor garantido, mas depois será necessário refazer o fundo. O rombo pode chegar a R$ 50 bilhões. As instituições terão que antecipar cinco anos de contribuição e aumentar o percentual da contribuição.

O velho cientista de IA. Por Pedro Doria

O Globo

Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial

Yann LeCun anunciou que deixaria a Meta, casa de Facebook, Instagram e WhatsApp, em novembro último. A saída parecia cordial. Aí, não faz uma semana, ele deu uma entrevista pesada — e a bomba estourou. A Meta deverá anunciar um número grande de demissões ainda nesta semana porque atravessa uma crise profunda. Diferentemente do resto do Vale do Silício, a companhia não consegue acertar em inteligência artificial. É nesse contexto que terminou se demitindo um dos três nomes que inventaram a tecnologia por trás da IA.

Entrevista: ‘Trump é a maior ameaça à democracia dos EUA desde a Guerra Civil’

Por Daniela Chiaretti e Roberto Lameirinha / Valor Econômico

América Latina é ‘irrelevante’ no contexto global, diz ex-ministro Rubens Ricupero

“Donald Trump é a maior ameaça que a democracia americana enfrenta desde a Guerra Civil Americana, em 1865. Representa em ideias tudo que é anti-iluminismo, antiprogresso, anticiência, anti-problema climático. Ele é um retrocesso de valores.”

As frases acima são de Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, que dirigiu por dez anos o braço das Nações Unidas sobre comércio e desenvolvimento, a Unctad, e é um dos maiores diplomatas brasileiros. “Não sei se as pessoas se dão conta de que estamos vivendo uma época de destruição do mundo em que vivemos”, teme. “A situação é muito grave e perigosa.”

Prestes a completar 89 anos - 68 deles atuando em relações internacionais -, Ricupero diz que o mundo que conheceu está acabando. Nesta entrevista ao Valor explica por que considera que está se voltando a um mundo pré-guerras. Diz que a América Latina é irrelevante, a Europa, enfraquecida e desunida, também, e que é a China quem hoje dá estabilidade ao cenário global. As eleições do Congresso americano em novembro serão importantes para sinalizar como serão os três últimos anos do governo Trump. 

A seguir, trechos da entrevista:

O alto custo da diplomacia amadora de Trump. Por Jan-Werner Mueller

Valor Econômico

Trump acredita claramente que não saber nada sobre um conflito é a maneira mais fácil de resolvê-lo. Mas essa estratégia de “ignorância é força” ainda não produziu resultados estáveis

Muitos elementos da reunião recente do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com Donald Trump em Mar-a-Lago foram desconcertantes, para não dizer deprimentes. Para começar, nenhum funcionário americano recebeu o chefe de Estado ucraniano em sua chegada a Miami, o que contrasta fortemente com a pompa e circunstância dispensadas ao presidente russo, Vladimir Putin, em Anchorage (Alasca), em agosto passado.

Mas ainda mais perturbadora foi a completa ausência de diplomatas treinados e experientes do lado americano da mesa de negociações. Em vez disso, estavam a chefe de Gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e seu adjunto, Steve Witkoff, promotor imobiliário com ligações de longa data com a Rússia, além do genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.

A dúvida atroz de Lula sobre Gaza. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Quais as reais intenções de Trump em Gaza: paz, resort macabro ou se sentir dono do mundo?

Dúvida atroz de Lula: aceitar ou não o convite de Donald Trump para integrar o tal Conselho de Paz para a Faixa de Gaza, sem saber ou compreender exatamente o que está por trás tanto do convite quanto da criação do próprio conselho? Em se tratando de Trump, tudo é possível e as piores respostas são sempre as mais prováveis. E se for uma armadilha?

Depois de ameaçar ser presidente da Venezuela, da Groenlândia e, quem sabe, do Canadá, Trump cria e assume a presidência do conselho de paz em Gaza passando por cima da ONU, escolhe os membros e estabelece as regras e condições, como mandato de três anos e o preço de US$ 1 bilhão, por país, para uma vaga vitalícia.

Caso Master expõe governador do DF. Por Roseann Kennedy

O Estado de S. Paulo

Ibaneis precisa de pressa para socorrer os cofres do BRB, que não está imune a uma intervenção do BC

O Banco Central, regulador nacional do sistema financeiro, ainda calcula o tamanho do rombo nas contas do Banco de Brasília (BRB), como um dos desdobramentos do caso Master. A auditoria contratada pela própria instituição também está em andamento. Mas já é possível ter certeza de que o “projeto de nacionalização” que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dizia promover no banco público não tinha fundamentos sólidos. E o máximo que ele conseguiu foi ver o banco envolvido em escândalo nacional.

Jungmann deixa legado nas políticas de Defesa, segurança e agrária. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Da militância no PCB clandestino à liderança no PPS e ao campo político que desembocaria no Cidadania, Jungmann representou a esquerda democrática e republicana

A morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília, devido às complicações de um câncer de pâncreas, contra o qual lutou dois anos, encerra a trajetória de um dos mais completos homens públicos de sua geração. O político pernambucano atravessou a clandestinidade da resistência democrática e, na democracia, assumiu responsabilidades de Estado em diferentes governos e momentos da vida nacional. Era muito respeitado até por adversários, pela capacidade de diálogo, pela integridade e pelo compromisso republicano.

Raul Jungmann. Por vários autores (nomes ao final do texto)

Folha de S. Paulo

Deixa-nos o legado do debate de ideias, da capacidade de ouvir, da conciliação

O seu exemplo há de ser levado em conta na polarização que divide o país

Recordar é viver. No caso de Raul Jungmann, 73, que nos deixou neste domingo (18), é viver um exemplo de vida. Tanto no plano pessoal como na vida pública.

O motivo desta manifestação é para que, em tempos de velocidade e fugacidade das informações e acontecimentos, este depoimento possa atravessá-los para que todos os que vierem depois possam conhecer, saber e praticar o exemplo que ele nos deixou.

Não apenas nós, que assinamos este artigo, somos testemunhas do seu exemplo. Certa e seguramente ele poderia ser assinado e referendado por centenas, senão milhares de seres da vida privada e da pública que com ele conviveram. Basta verificar os inúmeros depoimentos que já vieram à luz revelando imensa tristeza por tão significativa perda.

Trump está afundando os EUA. Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Ao ameaçar a Dinamarca, americano coloca em risco aliança para segurança

Uso militar e econômico da Groenlândia poderia ser implementado sem a transferência da posse da ilha

Uma coisa é uma intervenção militar em ditaduras hostis, como Venezuela e Irã. Outra, bem diferente, é ameaçar uma nação que não apenas é uma democracia aliada como também membro da aliança mais importante para a segurança dos EUA. É "apenas" isso que Trump coloca em risco ao exigir a anexação da Groenlândia.

UE precisa dizer não a Trump. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pretensões do presidente sobre a Groenlândia não têm motivação racional

Entregar soberania da ilha aos EUA não pode ser considerado opção viável

Já passa da hora de traçar uma linha vermelha para Donald Trump. O uso de tarifas para retaliar países europeus que se manifestaram contra a pressão que os EUA exercem para que a Dinamarca lhes ceda a Groenlândia é um claro sinal de que o apetite do presidente americano é insaciável. Nem menciono ações dos EUA contra nações com as quais Washington tinha desavenças históricas, como Venezuela, Irã ou Cuba. Trump agora está se voltando contra seus mais tradicionais aliados.

Código de ética, sozinho, não contém o Supremo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ministros do STF ganharam poder e influência política a partir de 2012, com o julgamento do mensalão

Sem o exercício da autocontenção, manual de ética não seria suficiente para o controle de condutas no tribunal

Os clichês não existem apenas para serem depreciados por quem tem a escrita como ofício. Na origem, costumam encerrar verdades cujo uso abusivo os colocam no rol das trivialidades a serem evitadas na elaboração de raciocínios.

Candidatura de Flávio enfrenta Michelle, uma adversária íntima. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

A ex-primeira-dama está cada vez mais próxima de Tarcísio

Ciro Nogueira não consegue que o centrão fique ao lado do filho 01

Com a destreza e a velocidade de um mico, Ciro Nogueira pula de galho em galho, de árvore em árvore. Em outubro trabalhava diuturnamente por Tarcísio de Freitas no Planalto, almejando o lugar de vice. Menos de quatro meses depois, a luta é fazer com que a turma do centrão, que também muda de lugar de acordo com as conveniências, engula a candidatura de Flávio Bolsonaro.