quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Adiamento do encontro de Tarcísio com Bolsonaro frustra a Faria Lima. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O mercado reage à viabilidade, governabilidade e risco de cada candidatura de oposição: Lula lidera; Flávio consolida-se como segundo polo; a alternativa “moderada” não cresce

No começo da semana, na bolsa de apostas da Faria Lima, acreditava-se que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teria uma conversa decisiva com o ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma visita previamente agendada e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa era de que o gesto — embora apresentado como manifestação de solidariedade pessoal — carregasse um significado político mais profundo: abrir uma janela para rearranjo da direita na disputa presidencial e, sobretudo, reanimar a esperança do mercado de que ainda existe um caminho eleitoral capaz de derrotar Lula sem recorrer ao bolsonarismo “raiz”.

Haddad no fogo fortalece Lula. Por Julia Duailibi

O Globo

A conta do PT não passa por ganhar em São Paulo se o adversário for Tarcísio, cenário mais provável hoje. Passa por não perder de muito

Lula começou a montar os palanques estaduais para a eleição deste ano. A primeira convocação foi feita: Fernando Haddad para perder em São Paulo. O PT sabe que é improvável a vitória contra Tarcísio de Freitas. Nunca ganhou no estado. Perdeu com Lula, em 1982, e continuou perdendo com nomes estrelados, como Suplicy, Marta, Dirceu, Genoino, Mercadante, Padilha, Marinho e com o próprio Haddad. As derrotas mostram o tamanho da trincheira antipetista no interior paulista, situação agravada pelo adversário, Tarcísio, que disputa com a caneta na mão e a aprovação na casa dos 60%.

Parlamento Europeu freia o acordo com Mercosul, em novo obstáculo. Por Assis Moreira

Valor Econômico

A opção que fica é a de a Comissão Europa, o braço executivo da UE, colocar em vigor provisoriamente a parte comercial do acordo

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia ganhou um novo obstáculo, com o Parlamento Europeu aprovando nesta quarta-feira uma moção para submeter o texto legal do tratado à análise da Corte de Justiça da União Europeia.

Dos 669 eurodeputados presentes, 334 votaram a favor da revisão jurídica e 324 contra. Ou seja, o Parlamento ficou rachado, com vitória por dez votos. Houve 11 abstenções. O resultado foi recebido com aplausos pela metade dos eurodeputados.

A moção, apresentada por um grupo de 144 eurodeputados, solicita ao Tribunal de Justiça da UE que se pronuncie sobre dois pontos: se o acordo pode ser aplicado antes da ratificação total por todos os 27 Estados-membros e se suas disposições restringem a capacidade da UE de definir políticas ambientais e de proteção ao consumidor.

O começo do grande recuo sobre a Groenlândia. Por Gideon Rachman

Em Financial Times / Valor Econômico

Reação do mercado pode ter convencido Trump a mudar sua posição de tomar a ilha à força

Os ricos e poderosos se empurravam e acotovelavam para conseguir entrar e ver o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursar no Congress Centre de Davos. Talvez fosse o medo de perder algo importante; talvez fosse o desejo de presenciar um momento histórico.

Mas lá pela metade do discurso de mais de uma hora e cheio de divagações do presidente americano, muitos dos ouvintes já estavam checando seus celulares — ou saíam para outros compromissos.

O discurso de Trump não foi nenhum momento histórico. Mas marcou, sim, o início de um recuo em relação à Groenlândia. Em uma das poucas passagens relativamente coerentes, Trump descartou de maneira explícita a possibilidade de os EUA usarem a força para tomar a ilha da Dinamarca.

Acordos contra a distopia americana. Por Míriam Leitão

O Globo

Apesar da judicialização na UE, Brasil mantém otimismo e amplia negociação do Mercosul com outros países como Canadá, Índia e Emirados Árabes

O Brasil decidiu manter a tramitação do acordo União Europeia–Mercosul o mais acelerada possível. O texto deve ser enviado ao Congresso em questão de dias. Isso apesar de o Parlamento Europeu ter decidido, ontem, levar o texto ao Tribunal de Justiça. Segundo o embaixador Philip Fox, da Secretaria de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, a Corte normalmente demora 18 meses para dar seu veredito, mas a Comissão terá ainda que se posicionar quanto à decisão de enviar o acordo para a análise do Tribunal.

Em entrevista que me concedeu ontem na GloboNews, o embaixador disse que, apesar dessa judicialização, continua muito otimista em relação ao caminho escolhido pelo Brasil de negociar, em parceria com o Mercosul, acordos comerciais com países e blocos. Estão sendo negociados tratados com o Canadá, a Índia, os Emirados Árabes Unidos, o Vietnã e possivelmente o Japão.

A Europa espezinhada (ou a bola da vez). Por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

O método da humilhação espetacular explicita o caráter fascista do trumpismo

A União Europeia é a nova vítima do método da humilhação espetacular empregado pelo governo Trump como arma de guerra simbólica. Pobre Europa. De repente, ela se viu submetida a um padecimento moral inédito, impensável. O bullying e o escárnio voltamse contra ela. A Casa Branca a insulta com tarifas e desaforos. O Reino Unido, aliado histórico do Tio Sam, não escapou. Keir Starmer, polidamente, chama de “erro” a postura agressiva e predatória dos Estados Unidos. Não fez nem cócegas no Pentágono.

Trump e os invertebrados. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

Trump ressuscitou a antiga teoria do Grande Homem na História, que já andava meio esquecida. Ao mais tardar com o famoso “Fim da História”, convencionou-se que indivíduos tem peso específico nos acontecimentos, mas não são capazes de alterar grandes rumos.

Quanto Lula é responsável pelo que o Brasil é (ou Bolsonaro, ou Vargas, ou FHC)? Teria acontecido a Revolução Russa sem Lenin? Ou a chinesa sem Mao? Ou a vitória soviética na Segunda Guerra sem Stalin? Ou teria acontecido essa guerra sem Hitler?

Três ministros ameaçam código de ética. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Fachin está diante de dilema: vale a pena defender princípios em troca do isolamento interno?

Edson Fachin está diante de um dilema. Se liberar logo para votação a proposta de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF), tem chance de conquistar a maioria no plenário. Fincará uma bandeira digna em sua gestão, mas o custo da vitória para ele pode ser maior que o benefício.

Aos olhos da opinião pública, a aprovação de um código de conduta pode ser interpretada como censura à participação de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso do Banco Master. Funcionaria como uma espécie de confissão da existência de ministros do Supremo descomprometidos com a ética.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Obsessão de Trump pela Groenlândia desafia a razão

Por Folha de S. Paulo

Se motivação é segurança, EUA já contam com anuência da Dinamarca para aumentar presença militar na ilha

Ameaças ora atenuadas só enfraquecem a Otan; não se pode mais descartar a hipótese de que não há razões de Estado, mas sim vaidade

O que quer Donald Trump com a Groenlândia? Até aqui, são incompreensíveis as reais intenções do presidente americano em relação à ilha ártica que, segundo ele disse repetidas vezes nos últimos dias, pretende anexar aos EUA.

Ameaças comerciais e militares, a esta altura, não são mais novidades neste segundo mandato do republicano. Até a invasão da Venezuela, a retórica inflamada e os tarifaços pareciam se limitar a meios de forçar negociações. No caso da Groenlândia, porém, é difícil entender o que poderia ser negociado.

Se Trump está preocupado com a segurança, como alega, não seria necessário negociar mais nada. Por força de um acordo bilateral entre os Estados Unidos e a Dinamarca, que comanda a política externa do território autônomo, e de outras convenções, os militares americanos já têm todo o acesso ao local de que poderiam precisar.

O fim das ilusões progressistas. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

As mudanças na direita desde 2018 não são um fenômeno fortuito

Ainda estamos por entender as razões do crescimento do direitismo extremista

Por décadas, as elites progressistas vivemos uma espécie de ilusão de ótica, como aquelas que fazem os viajantes enxergar oásis inexistentes no meio do deserto. Foram oito anos de Presidência nas mãos de liderança reformista de centro, seguidos por uma década e meia de governos encabeçados pela centro-esquerda. Tudo isso ­e mais uma Constituição muito avançada em termos de garantias individuais e direitos sociais —parecia confirmar que, depois de 20 anos de autoritarismo, o Brasil estava se transformando em um país politicamente arejado.

É bem verdade que as eleições para o Congresso contavam outra história. Ali, as várias correntes da direita sempre formaram entrincheirada maioria. Mas, por operarem sob a batuta do pragmático "centrão", eram vistas como forças do atraso, incontornáveis parceiras de coalizões no presente, fadadas a serem superadas mais adiante.

Por dentro do Dops. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O prédio que serviu a duas ditaduras deve se tornar um museu dos direitos humanos

Em suas masmorras, praticaram-se horrores que não podem ser apagados nem se repetir

O prédio da ex-sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), na rua da Relação, aqui no Rio, foi tombado pelo Iphan e, depois de passado o rodo e restaurado, pode se tornar um museu dos direitos humano. Por suas masmorras passaram presos de duas ditaduras, a de Getúlio Vargas (1937-1945) e a dos militares, de 1964 a 1985, quando foi desativado. Entre uma e outra, na democracia, muita gente apanhou lá, sem motivo político ou sem motivo.

Escândalo de crédito carbono falso no caso Master mina confiança. Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Pirâmide financeira para a fabricação de R$ 45 bilhões mostra que o sistema de regulação falhou

A começar pela Comissão de Valores Mobiliários, é preciso enfrentar o problema de peito aberto

Os detalhes da teia montada para sustentar o esquema de fraudes com uso de crédito de estoque de carbono, envolvendo a família Vorcaro, a empresa Alliance Participações e os fundos de investimento, já apontam para um dos maiores escândalos do setor no Brasil.

Revelada pela Folha numa série de reportagens publicadas desde a semana passada, a pirâmide financeira para a fabricação de R$ 45 bilhões em crédito de estoque de carbono fake coloca em xeque as negociações desses ativos no momento em que o setor se preparava para ganhar impulso após a criação da lei sobre o mercado regulado.

A questão colonial da Groenlândia. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Maior razão para Trump querer a maior ilha do Ártico é seu ego

Quem esperava cooperação contra o caos climático encara o colonialismo

Há muitas razões geopolíticas para que Trump queira a maior ilha do Ártico, mas nenhuma supera o que o motiva de fato: satisfazer seu ego. Foi o próprio Trump que colocou o imbróglio sobre a Groenlândia nestes termos em mensagem ao premiê norueguês. Ao relacionar o fato de não ter recebido o Nobel da Paz à sua insistência bélica de anexar a Groenlândia, Trump explicita sua política externa personalíssima, na qual o interesse nacional é condicionado à maximação errática de sua autoimportância.

Reação política e promessa de Guantánamo no gelo fazem Trump recuar na Groenlândia, por ora. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Americano teme poder de armas e dinheiro, mas União Europeia menos submissa ajudou

Acordo sugerido na Otan prevê entrega de bases maiores, sob domínio eterno dos EUA

Donald Trump recuou. Ao menos da boca para fora. Na manhã desta quarta, cancelou a ameaça de guerra na Groenlândia, mas disse que não abriria mão de tomar posse daquele "pedaço de gelo"; que um "não" europeu teria consequência.

O negocista imobiliário chegou a perguntar: "quem defenderia uma propriedade arrendada ou alugada?". De tarde, na prática passou a dizer a repórteres que não queria se apropriar da ilha. Mais importante, anunciou o cancelamento de novo tarifaço contra europeus e "diretrizes" para um acordo.

Como Trump recua? Como recuou, se foi isso mesmo que aconteceu? De mais novo, houve mais reação política. O que pode ter sido relevante?

Enfrenamos o mundo como ele é. Por Mark Carney*

*Discurso do Primeiro Ministro do Canadá Mark Carney no Fórum Econômico Mundial

É um prazer — e um dever — estar com vocês neste momento decisivo para o Canadá e para o mundo.

Hoje, falarei sobre a ruptura na ordem mundial, o fim de uma bela história e o início de uma realidade brutal onde a geopolítica entre as grandes potências não está sujeita a quaisquer restrições.

Mas também afirmo que outros países, particularmente potências médias como o Canadá, não são impotentes. Eles têm a capacidade de construir uma nova ordem que incorpore nossos valores, como o respeito aos direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a solidariedade, a soberania e a integridade territorial dos Estados.

O poder dos menos poderosos começa com a honestidade.

Parece que todos os dias somos lembrados de que vivemos em uma era de rivalidade entre grandes potências. De que a ordem baseada em regras está desaparecendo. De que os fortes podem fazer o que podem, e os fracos devem sofrer o que devem.

Os EUA, polícia do mundo. Por Ivan Alves Filho

Os Estados Unidos se arvoram em polícia do mundo. A face externa dos Estados Unidos repousa em uma espécie de fascismo de exportação.

Senão vejamos. A História registra que os sucessivos governos norte-americanos promoveram invasões de todo tipo em mais de 70 países, e estamos nos referindo somente ao século XX. Assim, os Estados Unidos invadiram a Nicarágua em 1912, o Haiti em 1915, a República Dominicana em 1916, a Rússia Soviética em 1918, o Panamá em 1941, a Coréia em 1945, além de terem fomentado golpes militares em países como Guatemala em 1954, Laos em 1955, Indonésia em 1957-1959, Congo em 1961, o Brasil em 1964. A guerra contra o Vietnam, quando os Estados Unidos lançaram contra esse país do sudeste asiático duas vezes e meia a quantidade de bombas lançadas durante toda a Segunda Guerra Mundial, se configurou como uma das ações mais tenebrosas cometidas por um país contra outro ao longo da História. 

A liberdade e seu pulso, por Marcio Junior

Livro Resenhado: SNYDER, Timothy. Nossa moléstia: lições sobre liberdade extraídas de um diário hospitalar. Tradução de Fábio Lopes da Silva, André Cechinel. Florianópolis: Editora da UFSC, 2022.

O adoecimento faz parte da vida; é uma condição dela, na medida em que todos (inclusive outras formas de vida) estamos suscetíveis a situações em que o corpo não funciona como deveria funcionar, causando sofrimento e risco à vida e nos lembrando que, como sabemos, a sua finitude e a única certeza que temos.

Há, todavia, uma enorme complexidade em torno disso, e essa complexidade se faz maior na medida em que estarmos minimamente saudáveis é um fator fundamental para que possamos realizar não apenas as atividades cotidianas, mas aquelas que também nos fazem, como humanidade, melhores do que fomos ontem. Nesse sentido, é impossível a saúde não se fazer um tema essencial para o avanço civilizatório, e entendê-la e tratá-la com esta devida importância é contribuir em muito para caminharmos rumo ao bem-estar de todas e todos.