*Antonio Gramsci (1891-1937), Cadernos do
Cárcere, 4ª Edição, v,1, p.118. Editora Civilização Brasileira, 2006.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 24 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Antonio Gramsci (A solidez das crenças)
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
O cinema brasileiro atingiu novo patamar
Por Correio Braziliense
O agente secreto consolida um novo patamar do
cinema brasileiro, que deixou de ser tratado como promessa periférica ou surpresa
exótica para ingressar no espaço central da indústria global do audiovisual
Com quatro indicações ao Oscar, O agente secreto não é apenas um êxito artístico. É um marco histórico. O filme de Kleber Mendonça Filho consolida um novo patamar do cinema brasileiro, que deixou de ser tratado como promessa periférica ou surpresa exótica para ingressar no espaço central da indústria global do audiovisual. Melhor filme, Melhor filme internacional, Melhor escalação de elenco e Melhor ator, para Wagner Moura — o conjunto das nomeações traduz, em linguagem de prestígio internacional, aquilo que o público brasileiro já vinha percebendo: há uma retomada consistente, madura e competitiva das nossas produções, capaz de dialogar com o mundo sem renunciar às nossas raízes.
Mark Carney, San Tiago Dantas e o mote do outro Ocidente. Por Paulo Fábio Dantas Neto
Fim de uma era. Por André Gustavo Stump
Correio Braziliense
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney,
foi objetivo. Disse, em Davos, que "a velha ordem não vai regressar.
Estamos no meio de uma ruptura, não de uma transição". Mais claro
impossível
A Europa foi o centro do mundo desde que as grandes navegações começaram a moldar a geopolítica em que vivemos. Portugal e Espanha dividiram o mundo por intermédio do Tratado de Tordesilhas, que não foi reconhecido por franceses, ingleses e holandeses. Uns invadiram os outros e começaram a dividir as áreas de interesse. Ingleses se espalharam pelos continentes e criaram o império onde o sol jamais se punha, com a inclusão da Índia, a joia da Coroa. Faz sentido. O diamante Koh-i-Noor, um dos maiores diamantes lapidados do mundo, originário da Índia, é a peça central da coroa britânica. O diamante pertencente à Índia foi "cedido" à rainha Vitória em 1848.
As contradições do fim de uma ordem mundial. Por Juliana Diniz
O Povo (CE)
A ameaça bate às portas da Dinamarca e vem
muito nua, muito evidente. Não se pode dizer que o país nórdico represente um
risco à democracia ocidental, tampouco que o povo da Groenlândia seja incapaz
de se autogovernar de forma livre
A crise em torno da Groenlândia é dramática pelo potencial que tem de demonstrar ao mundo todas as contradições e insuficiências de um arranjo geopolítico. Para a Europa, é a revelação incômoda de que a soberania, um conceito que funda todo o Direito e a Política modernos, é uma ficção, tão frágil quanto parece ser o sistema de freios e contrapesos da democracia americana. Ver-se na posição historicamente reservada aos territórios coloniais é um choque, uma demonstração evidente do fracasso de um modelo de organização do mundo.
Quando os loucos conduzem os cegos. Por Roberto Amaral*
Nascemos como território aberto: feitoria, praias, água, alimento e sombra para
o repouso de corsários de todas as bandeiras; o mundo chegava para a aventura
predatória dos séculos seguintes de apropriação da terra dada, a caça à
natureza e aos homens, povos nativos preados e, com a Colônia, a escravidão de
negros importados para o eito e a morte antecipada.
Bem mais tarde emerge, sem animação orgânica, uma ideia de povo em busca de
nação, ausente o projeto de colonizador (com o qual não podia arcar a
decadência irreversível do império lusitano); historiadores apressados
referem-se às lutas travadas por portugueses, africanos escravizados, tropas de
brancos pobres e indígenas escravizados como o início da construção de uma
nacionalidade, nada obstante a impossibilidade de identificar a mínima
consciência de pertencimento comum na expulsão da experiência do príncipe de
Nassau (1654), modernizante em face da passividade portuguesa, ainda que não
cogitasse de qualquer sorte de mobilidade social, ou da criação de mercado
interno. Não havia uma nação a contrapor-se ao sonho holandês na América.
Absolute Cultura. Absolute Democracia. Por Margareth Menezes
Correio Braziliense
A "fervura" que Wagner Moura sente,
e que todos nós vemos nas salas de cinema cheias, é a celebração da nossa
soberania cultural. É a democracia devolvendo ao Brasil o direito de se
enxergar, se orgulhar e prosperar
"Está fervilhando." Foi assim que o
ator Wagner Moura resumiu o atual momento da nossa cultura ao ser questionado
sobre o brilho recente do audiovisual brasileiro no cenário global. Da
aclamação em Cannes às premiações no Globo de Ouro, chegando às históricas
quatro indicações ao Oscar, o Brasil voltou a ocupar o lugar que é seu por
direito: o topo. E, ao explicar esse fenômeno, Wagner foi direto e preciso:
"Isso é apenas a democracia".
O que a internet hoje celebra com o meme "Absolute Cinema", aquele selo simbólico de qualidade para o que é verdadeiramente marcante, é, na verdade, o resultado de um país que voltou a respirar e a investir em si mesmo. Não é sorte, não é milagre. E, embora o talento do nosso povo seja infinito, não se trata apenas de inspiração. Trata-se de política pública.
Racismo que não se esconde. Por Flávia Oliveira
O Globo
O que era sugerido na campanha, e
subentendido no discurso de posse, agora é repetido para o público interno em
púlpito internacional
Um ano depois de assumir o segundo mandato à frente da Casa Branca, o racismo de Donald Trump nem sequer ousa esconder seu nome. O supremacismo branco, sempre evidente, tornou-se escancarado. O que era sugerido na campanha presidencial, e subentendido no discurso de posse, agora é repetido para o público interno em púlpito internacional. Apenas nesta semana, por duas vezes, uma na sede do governo, em Washington, outra no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o mandatário dos Estados Unidos abusou de frases depreciativas a imigrantes, em particular aos somalis, novos alvos da tática trumpista de semear na própria base eleitoral a aversão a estrangeiros.
A desonra de Toffoli. Por Thaís Oyama
O Globo
Se Toffoli resolver jantar num restaurante,
arrisca ouvir adjetivos bem menos jurídicos que no passado
Dias Toffoli foi passar uns dias de descanso num resort de luxo na Argentina. Dado que as últimas notícias sobre o ministro do STF envolvem justamente um resort de luxo no Brasil, onde ele desfruta confortos de toda espécie, a escolha do magistrado pode ter sido motivada por duas razões: 1) ele gosta muito de resorts e se interessa também por conhecer estabelecimentos do gênero mundo afora; 2) ele buscou um refúgio fora do país para se proteger da vista de seus conterrâneos, dado que seu nome aparece no noticiário dia sim e outro também, cada vez sob luz pior.
Adeus, María Corina. Por Eduardo Affonso
O Globo
A mais recente aquisição para a minha lista
de desencantos é a brava oposicionista venezuelana
Se arrependimento matasse, o planeta não estaria com problema de superpopulação. “Non, je ne regrette rien” talvez valha para Édith Piaf como forma de levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, sem reconhecer que errou rude nas coisas do coração. Nas questões ideológicas, atire o primeiro termo de ajustamento de conduta quem nunca teve de enfiar a viola no saco e se perguntar onde é que estava com a cabeça quando curtiu, gostou, apoiou ou ajudou a eleger uns e outros.
‘Defesa da democracia’ como escudo. Por Roseann Kennedy
O Estado de S. Paulo
Fazer uma apreciação ética das ligações de Toffoli com o caso Master é o que ajudaria na integridade do STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio sobre as críticas à condução
do ministro Dias Toffoli na relatoria do caso Master. Mas surpreendeu até o
ambiente jurídico e acadêmico com o tom adotado.
A despeito de uma série de episódios que põem em suspeição o trabalho de Toffoli, o chefe do Judiciário considerou a atuação do magistrado regular. Até aí, o texto segue um script institucional. Estranho seria se Fachin ratificasse, numa nota pública, críticas aos pares.
Um país à margem da lei. Por Oscar Vilhena Vieira
Folha de S. Paulo
Brasil parece incapaz de abraçar um código de conduta
Que Eunices e Sebastianas nos deem forças
para buscarmos uma nação melhor
"O Agente
Secreto" e "Ainda
Estou Aqui" expressam a força do cinema brasileiro.
E isso merece muita, mas muita comemoração. Ambos os filmes retratam,
no entanto, um país à margem da lei, como "Cidade de Deus" ou
"Cabra Marcado para Morrer", também aclamados internacionalmente.
"Ainda Estou Aqui" retrata o arbítrio como política de Estado. A tortura, os desaparecimentos forçados e a perseguição de dissidentes foram transformadas em instrumentos de manutenção de poder. A Constituição foi suspensa por sucessivos atos institucionais, que transferiram o poder aos militares, restringiram direitos e retiraram as ações repressivas do controle judicial. Instituições foram criadas ou receberam expressa determinação para torturar e matar.
Trump e a estratégia do homem louco. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Presidente adota comportamento errático para
tornar eventuais blefes mais críveis
Cientistas políticos são céticos em relação à
eficácia dessa tática em relações internacionais
Com suas investidas e recuos, Donald Trump se
consagra como usuário da estratégia do homem louco na teoria dos
jogos.
Mesmo que o Agente Laranja não esteja muito familiarizado com Von Neumann e Morgenstern nem com os formuladores contemporâneos desse ramo da matemática aplicada, ele já jogou pôquer e é razoavelmente parecido. A ideia por trás dessa estratégia é que, se você de vez em quando se comportar como louco nas interações com outros "players", mais fácil será fazer com que seus blefes sejam aceitos. Você conseguirá arrancar mais concessões com menos esforço.
A razão de Trump. Por Demétrio Magnoli
Folha de S. Paulo
Senhor da Casa Branca almeja quebrar
instituições sobre as quais se sustenta ordem erguida no pós-guerra
Nova ordem imaginada por Trump é concerto de
grandes potências engajadas na delimitação de esferas de influência
As crises da Groenlândia e de Gaza esclarecem o sentido da política global de Trump. Mais que a soberania sobre a ilha ártica ou uma solução geopolítica na Terra Santa, o senhor da Casa Branca almeja quebrar as instituições sobre as quais se sustenta a ordem internacional erguida no pós-guerra. Seus atos conduzem o mundo ao estado hobbesiano da "guerra de todos contra todos".
Cláudio Castro é tragado para o caso Master. Por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Operação Barco de Papel apura suspeitas de
operações financeiras irregulares no Rioprevidência
Castro se junta ao governador Ibaneis Rocha
(DF), que bancou a compra do Master pelo BRB, na lista de autoridades que têm
muito a explicar
O esquema de fraudes de Daniel
Vorcaro arrastou para o centro da crise do Banco Master o
governador do Rio, Cláudio
Castro, após a operação Barco de Papel, da Polícia
Federal, que apura suspeitas de irregularidades no fundo de
previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência.
Castro, no mínimo, deve explicações por ter mantido no cargo o presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, um dos alvos das investigações e exonerado somente nesta sexta (23) após a operação. Ele está fora do país.
Com Lula, 'ma non troppo'. Por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Estratégia da campanha é buscar o voto
conservador no interior do estado
Na segurança, ideia é criticar influência de
políticos ligados a práticas criminosas
Eduardo Paes deixará a prefeitura em 20 de março, antes do prazo previsto na legislação eleitoral, mas a tempo de entregar a chave da cidade ao Rei Momo, curtir alucinadamente quatro dias de Sambódromo e, quem sabe, chorar com a vitória da sua Portela. Será o Carnaval da despedida de quem começa a pré-campanha para ser o governador do Rio de Janeiro como favorito. Até outubro, é fazer com que o salto alto não atrapalhe.
Placas tectônicas. Por André Barrocal e Sergio Lirio
O movimento das forças em Brasília e na Faria
Lima em torno do escândalo do banco Master
O crime organizado de colarinho branco está
nu, graças ao escândalo do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco
Central. O conglomerado do agora ex-banqueiro Daniel Vorcaro sofreu outro golpe
na quarta-feira 21, quando o BC anunciou o fechamento do Will, instituição
financeira virtual do grupo. Outsider, Vorcaro foi parar no meio do furacão de
uma batalha que movimenta interesses gigantescos em Brasília e na Avenida Faria
Lima, coração financeiro do País. Uma guerra na qual nem todos os objetivos são
nobres. Há quem esteja, de fato, interessado em desbaratar uma fraude de
enormes proporções. E há quem, como de costume, tente manipular o rumo das
investigações em busca de dividendos eleitorais e financeiros – ao mesmo tempo,
se possível.
A última campanha eleitoral da vida do presidente Lula terá o combate aos poderosos como bandeira, daí o governo não arredar o pé de levar o caso Master às últimas consequências, doa a quem doer. Com o fantasma de uma improvável delação premiada de Vorcaro a rondar Brasília e deixar a cidade tensa, o Banco Central não recuou e não pretende recuar. Sempre que ocorre uma liquidação, os bens dos donos ficam indisponíveis, não podem ser vendidos até terminar a apuração de responsabilidades pela autoridade monetária. As degolas decretadas pelo BC farão com que o Fundo Garantidor de Crédito desembolse quase 50 bilhões de reais para ressarcir os clientes. O FGC é abastecido com recursos das próprias instituições financeiras, incluídas estatais como o Banco Brasil e a Caixa Econômica Federal. Adendo: os rumores de delação premiada podem ser lidos de distintas maneiras. A ideia de abrir a boca pode mesmo andar pela cabeça do empresário – resta saber o que ele teria a delatar – ou pode configurar-se como um pedido de socorro ao mundo político, no qual Vorcaro cultivou, ao longo do tempo, sólidas e ecumênicas relações.
Gestão temerária. Por Maurício Thuswohl
Loteado pelo União Brasil, o RioPrevidência multiplicou por sete aplicações no Banco Master sem aval do seu Comitê de Investimentos
No emaranhado de operações fraudulentas com
Letras Financeiras (LFs) articuladas a partir do Banco Master, destaca-se a
irresistível atração que esse tipo de aplicação parece ter exercido sobre
diversos institutos de previdência de funcionários públicos estaduais ou
municipais. Segundo investigações da Polícia Federal e do Banco Central, 18
dessas instituições investiram, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, quase
1,9 bilhão de reais no banco controlado por Daniel Vorcaro e liquidado em
novembro pelo BC. Como as LFs não estão cobertas pelo Fundo Garantidor de
Créditos (FGC), os servidores correm o risco de jamais reaver os valores
investidos.
Com base em informações coletadas no Ministério da Previdência, os investigadores constataram que nenhum dos 18 institutos possuía aplicações vinculadas ao Master antes do período analisado. Em uma lista que inclui fundos mantidos por servidores dos governos de Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima, o destaque absoluto vai para o Rio de Janeiro, já que o RioPrevidência é responsável sozinho por 1,2 bilhão de reais aplicado nas LFs do Master, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado – o governo fluminense contesta o cálculo e diz que o valor aplicado foi de 960 milhões.
O Master e o risco sistêmico. Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
Quando ocorre uma ruptura dos nexos monetários, a reconstrução exige impedir a desvalorização brutal da riqueza
O noticiário a respeito do Banco Master tem
frequentado com assiduidade os ambientes da mídia. As notícias veiculadas nos
meios de comunicação podem sugerir aos leitores e telespectadores que o
episódio Master se refere apenas a um banco em particular.
A liquidação extrajudicial executada pelo Banco Central pretendeu evitar uma grave deterioração do ambiente de confiança e pode ser interpretada de diferentes maneiras, mas o efeito mais imediato e perigoso é evitar o risco de desestabilização do sistema financeiro.
O perigo Trump. Por Cláudio Couto
CartaCapital
Se Putin é autoritário e expansionista, o
presidente dos Estados Unidos parece ser ainda mais ameaçador, por agir com uma
boa dose de irracionalidade
Afirmações categóricas sobre o futuro são
sempre arriscadas e, provavelmente, equivocadas. Quando falamos sobre os
perigos do presente, na realidade nos referimos ao que está por vir – ou seja,
ao futuro. Feita a advertência, arrisco dizer que talvez vivamos o momento mais
perigoso da humanidade desde o ocaso da Guerra Fria – e, quiçá, desde o fim da
Segunda Guerra Mundial.
Desde a vitória dos Aliados sobre o Eixo, o mundo passou por momentos de grande tensão e severos conflitos, como as guerras da Coreia e do Vietnã, além da crise dos mísseis em Cuba. No entanto, ao longo desse período, a institucionalidade internacional construída no pós-Guerra possibilitou certa contenção das grandes potências, cujos líderes se comportavam com alguma racionalidade. Hoje, tanto a institucionalidade quanto a racionalidade são deficitárias.
Pax Americana… Por Jamil Chade
CartaCapital
… Ou o último suspiro de uma hegemonia?
Um ano após tomar posse, Donald Trump quer
uma ONU para chamar de sua, sugere que suas ambições territoriais não
podem ser questionadas, promove uma reviravolta nas alianças tradicionais dos
EUA e, acima de tudo, atua para frear a impressão de que governa um país em
decadência.
A ordem é a de estabelecer uma espécie de novo status para a Pax Americana, ordenamento global que atenderia aos interesses dos EUA. Mas, entre analistas, diplomatas e mesmo banqueiros, há uma impressão de que, no lugar de força, o que Trump demonstra ao mundo é a fragilidade de uma nação. Numa recente reunião entre financistas suíços, em Genebra, um deles constatou que, se por décadas o dólar era a referência por conta da hegemonia econômica dos EUA, hoje a moeda norte-americana apenas mantém tal status graças à força bélica.
RAUL, uma estrela maior. Por Marcus Pestana
Raul Jungmann
era um desses imprescindíveis. Perdi um dos maiores amigos que fiz na política.
Inteligente, competente, humano, coerente, íntegro. Raul era uma referência
especial para mim e um dos meus interlocutores mais constantes. Ele teve alta do
hospital na sexta, dia 16. Eu tinha combinado de visitá-lo no sábado. Uma gripe
radical me impediu. Remarcamos para quarta-feira. Fiquei arrasado. Raul nos
deixou na segunda. Não pude ver meu amigo uma última vez.
Pessoalmente, o último encontro foi num sábado de setembro de 2025, quando almoçamos com os jornalistas da Confraria Orlando Brito, no Lake’s. Um grupo de jornalistas da velha guarda e do bom jornalismo, que ele chamava carinhosamente de Butantã. Como queríamos conversar sobre mais uma crise institucional que atormentava a República, saímos de lá e fomos tomar um café na 113 Sul. Depois o levei em casa. Recordo também a bonita homenagem que o IDP fez a ele como Doutor Honoris Causa, em maio de 2025, quando a luta já instalada contra o câncer não o impediu de fazer mais um belo discurso.












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