O movimento das forças em Brasília e na Faria
Lima em torno do escândalo do banco Master
O crime organizado de colarinho branco está
nu, graças ao escândalo do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco
Central. O conglomerado do agora ex-banqueiro Daniel Vorcaro sofreu outro golpe
na quarta-feira 21, quando o BC anunciou o fechamento do Will, instituição
financeira virtual do grupo. Outsider, Vorcaro foi parar no meio do furacão de
uma batalha que movimenta interesses gigantescos em Brasília e na Avenida Faria
Lima, coração financeiro do País. Uma guerra na qual nem todos os objetivos são
nobres. Há quem esteja, de fato, interessado em desbaratar uma fraude de
enormes proporções. E há quem, como de costume, tente manipular o rumo das
investigações em busca de dividendos eleitorais e financeiros – ao mesmo tempo,
se possível.
A última campanha eleitoral da vida do presidente Lula terá
o combate aos poderosos como bandeira, daí o governo não arredar o pé de levar
o caso Master às últimas consequências, doa a quem doer. Com o fantasma de uma
improvável delação premiada de Vorcaro a rondar Brasília e deixar a cidade
tensa, o Banco Central não recuou e não pretende recuar. Sempre que ocorre uma
liquidação, os bens dos donos ficam indisponíveis, não podem ser vendidos até
terminar a apuração de responsabilidades pela autoridade monetária. As degolas
decretadas pelo BC farão com que o Fundo Garantidor de Crédito desembolse quase
50 bilhões de reais para ressarcir os clientes. O FGC é abastecido com recursos
das próprias instituições financeiras, incluídas estatais como o Banco Brasil e
a Caixa Econômica Federal. Adendo: os rumores de delação premiada podem ser
lidos de distintas maneiras. A ideia de abrir a boca pode mesmo andar pela
cabeça do empresário – resta saber o que ele teria a delatar – ou pode
configurar-se como um pedido de socorro ao mundo político, no qual Vorcaro
cultivou, ao longo do tempo, sólidas e ecumênicas relações.