Igor Gielow / Folha de S. Paulo
Presidente do partido afirma que projeto
presidencial, que uniu três governadores e isolou Flávio Bolsonaro, é para
valer
Ele vê rival na direita como competitivo,
promete campanha moderada e diz que não forçará a saída de seus ministros do
governo
O presidente do PSD, Gilberto
Kassab, afirmou que seu partido não usará a candidatura presidencial
que promete colocar de pé em abril para atacar o governo Lula (PT),
no qual ocupa três ministérios.
Secretário de Governo de Tarcísio de
Freitas (Republicanos-SP), o político recebeu a Folha em
seu apartamento na manhã desta quarta-feira (28), no mesmo ambiente em que ele
causara um terremoto na centro-direita na véspera.
Na noite
anterior, Kassab havia anunciado a filiação do governador Ronaldo
Caiado (União Brasil-GO)
ao PSD, ao lado dos também chefes estaduais da sigla Eduardo Leite (RS)
e Ratinho Jr.
(PR). Todos combinaram que do trio sairá um presidenciável, a depender de
posição em pesquisas e outros fatores.
"Nessa é diferente", insistiu
Kassab ante a natural incredulidade acerca do projeto, como sempre visto no
mundo político como uma forma de manter as opções em aberto. O aceno a Lula e a
liberdade que anunciou para que os
ministros do PSD fiquem no governo se quiserem reforçam a
impressão.
Contra ela há a aliança inédita dos três
governadores e as contas do cacique. Ele vê uma candidatura unificada com
talvez os mesmos 20% que estima para o nome lançado no campo da direita pelo
ex-presidente Jair
Bolsonaro, Flávio, ambos do PL.
No segundo turno, crê, o eleitorado de um
migrará majoritariamente para o outro contra Lula. Mantendo a cisão
estabelecida, Kassab sublinhou que considera Flávio competitivo. Prometeu uma
candidatura moderada, longe de propostas "radicais de esquerda e
direita".
Apenas uma postulação ao
Planalto de Tarcísio cancelaria os planos de Kassab, que pela
primeira vez disse que seria "um privilégio" concorrer a
vice-governador com o chefe, dando gás à versão de que gostaria de tentar o
governo estando no cargo em 2030 —presumindo a reeleição e um plano presidencial
do governador.
Para o PSD, ele prevê avanços em outubro,
refletindo o espraimento da sigla, que elegeu quase 900 prefeitos em 2024 e
hoje tem cerca de 1.300. Crê em 6 a 10 candidaturas
a governador viáveis, um aumento da bancada de deputados de 47
para talvez 80 e a manutenção de 14 senadores.