quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master exige melhora de normas republicanas

Por Folha de S. Paulo

Autoridades não deveriam manter encontros fora da agenda, como fez Lula com Vorcaro

É preciso rever quarentenas, regular contratações de advogados parentes, dar transparência ao lobby e instituir código de ética no STF

Impressiona no caso Master a extensão da rede de pessoas importantes que o banco influenciou ou tentou influenciar. Os tentáculos da empresa de Daniel Vorcaro se espalham pelos Três Poderes e não conhecem barreiras geográficas.

O banqueiro mineiro buscava aproximar-se de autoridades dos mais diversos calibres. Revelou-se agora que Vorcaro foi recebido pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa audiência sem registro oficial em fins de 2024.

Caiado, Leite ou Ratinho: qual será a cara do candidato da terceira via? Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão não será apenas sobre quem tem mais potenciais, o que pode se aferir com pesquisas, mas também sobre o projeto de centro-direita que o PSD quer representar

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD de Gilberto Kassab introduziu um fato novo no tabuleiro eleitoral de 2026. Ao deixar o União Brasil por falta de legenda para disputar a Presidência, Caiado reforçou a disposição do PSD de apresentar uma candidatura própria ao Planalto, colocando o partido no centro do debate sobre a chamada “terceira via”, em oposição tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com isso, o PSD passa a reunir três governadores presidenciáveis que estão no segundo mandato, ou seja, que não podem concorrer à reeleição: Caiado; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; Ratinho Junior, do Paraná, cujos perfis políticos e trajetórias eleitorais são bastante distintos.

Proposta liberou-geral do TSE fortalece ministros. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Proposta de Kassio Nunes que entrará em consulta pública nesta segunda escancara eleição para a desinformação mas fortalece poder discricionário do TSE e, em última instância, do STF

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, vê as eleições de outubro, em função do avanço da inteligência artificial, sob a mais grave ameaça de desinformação da história. A ministra faz este alerta enquanto é gestada, na Corte eleitoral que ainda preside, o escopo legal desta ameaça, a trepidante proposta de resolução que vai reger a disputa de outubro.

Pela tradição do TSE, as balizas da disputa são coordenadas pelo ministro que a presidirá. Como o vice de Cármen, o ministro Kassio Nunes Marques, assume o comando do tribunal em agosto, é dele, pois, a incumbência. O ministro diz que o tema ainda está sob consulta e evita se pronunciar sobre o cenário desenhado pela proposta.

A realidade de um mundo pós-ruptura. Por Martin Wolf

Valor Econômico

A Europa tem um papel fundamental na construção de um sucessor para a ordem global liderada pelos EUA

Na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, ouvimos Donald Trump proferir um discurso desconexo, permeado por sua já conhecida mistura de ressentimento e megalomania. Também ouvimos Mark Carney, ex-banqueiro central e agora primeiro-ministro do Canadá, fazer um discurso brilhante sobre o fim da velha ordem e as opções para as chamadas “potências intermediárias”. Este último foi o acontecimento mais importante.

Carney começou citando um ensaio de Václav Havel, escritor, dissidente e o primeiro presidente da Checoslováquia pós-comunista. No texto, Havel sustentava que o comunismo se mantinha, nas palavras de Carney, “por meio da participação de pessoas comuns em rituais que, no fundo, elas sabiam ser falsos”. De modo parecido, argumentou Carney, “em grande medida evitamos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade” daquilo que chamávamos de “ordem internacional baseada em regras”.

Supremo não sabe para onde ir. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não há consenso dentro da instituição sobre como enfrentar a atual turbulência severa

O caminho da crise envolvendo o STF é sem volta, mas o problema é que não se tem muita ideia neste momento até onde vai chegar. Em termos políticos foi ultrapassado o ponto no qual uma “gestão de crise reputacional” poderia conter os danos causados à imagem e legitimidade da instituição.

Não custa lembrar os clássicos da sociologia: instituições existem não por terem uma placa com o nome delas pendurada na fachada de um prédio. Existem por se acreditar nelas. E por serem entendidas como impessoais. Aqui está a essência do problemão imediato do STF: sofre com falta de credibilidade por parecer defender os interesses (políticos e financeiros) de alguns de seus integrantes.

OAB contra regra do STF para audiências. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Seccional de SP quer audiências paritárias com ministros; OAB nacional prefere não comentar

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve participação minguada nos debates sobre a ética no Judiciário nas últimas décadas. Na esteira dos escândalos do Banco Master, a seccional de São Paulo divulgou uma proposta de código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das sugestões é que, ao receber um advogado, o ministro divulgue a audiência concedida e, se for solicitado, garanta o mesmo direito à parte contrária no processo.

Calma em meio à tempestade. Por Alvaro Gribel

O Estado de S. Paulo

Para quem esperava um BC leniente no governo Lula, script não poderia ter sido mais diferente

O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou que vai começar a cortar a taxa na próxima reunião, em março. O BC, dessa forma, cumpriu à risca as boas práticas de condução da política monetária: subiu os juros quando a inflação ameaçou sair do controle, suportou a pressão política que vinha de vários lados e esperou pacientemente até que ficasse claro o efeito do aperto sobre os preços e sobre o controle das expectativas. Para quem esperava um BC leniente no governo Lula, o script não poderia ter sido mais diferente.

Democracia em estado de vigilância. Por Fabiano Garrido

O Globo

O desafio central já não será reagir a ataques explícitos às instituições, e sim preservar a legitimidade do processo eleitoral

O dia 8 de janeiro de 2023 marcou a entrada da democracia brasileira numa fase de vigilância permanente. Ao longo dos últimos três anos, a tentativa de ruptura institucional foi contida, os responsáveis processados dentro dos marcos do Estado de Direito, e as instituições demonstraram capacidade de reação. A partir daquele momento, porém, a estabilidade democrática deixou de se apoiar em consensos tácitos e passou a depender de atenção contínua, cooperação institucional e reconhecimento social ativo.

As eleições de 2026 se aproximam nesse novo regime. Não como episódio isolado de tensão política, tampouco como mera repetição de disputas anteriores, mas como um teste silencioso de sustentação democrática. O desafio central já não será reagir a ataques explícitos às instituições, e sim preservar a legitimidade do processo eleitoral num ambiente atravessado por ruído informacional constante, fadiga institucional acumulada e disputas recorrentes sobre o significado de autoridade, verdade e derrota política.

Sobe Ratinho; desce Tarcísio. Por Julia Duailibi

O Globo

O governador do Paraná é apontado pelos caciques do PSD como nome do partido mais forte na disputa

Gilberto Kassab pode negar, mas a leitura mais óbvia da entrada de Ronaldo Caiado no PSD é a avenida aberta para Ratinho Junior ser o candidato a presidente pelo partido na eleição deste ano. O governador do Paraná é apontado pelos caciques do PSD como nome mais forte na disputa, e a aposta agora é que a candidatura presidencial de Caiado se transformará, em breve, numa candidatura ao Senado.

Não que Ratinho esteja bombando nas pesquisas. Tanto ele quanto Caiado patinam. No cenário mais recente da Quaest em que Flávio Bolsonaro é o candidato bolsonarista, o governador mineiro, Romeu Zema, tem 3%, Caiado, 4% e Ratinho, 9%. Nesse cenário, sem o governador paulista Tarcísio de Freitas, Flávio lidera com 23%. Quando Caiado e Zema são retirados, Ratinho oscila para 11%, e Flávio para 28%. Mas, quando o cenário é sem Ratinho e Zema, Caiado não tem desempenho igual: vai a 5%, enquanto Flávio Bolsonaro chega a 31%. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, outro nome do PSD, não foi testado na rodada.

Aproximações perigosas. Por Merval Pereira

O Globo

O governo tenta impedir que se faça uma CPI sobre o Master, que virará tema eleitoral, queiram ou não os governistas.

As investigações, não só as oficiais, mas as dos jornalistas também, mostram uma proximidade muito perigosa do entorno do presidente Lula com o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master. A começar pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e pelo ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, que foram para o Master a pedido do governo. O líder do PT, senador Jaques Wagner, admitiu ter sido ele quem indicou os dois — porque Lula tinha um compromisso moral com Mantega depois de não ter conseguido colocá-lo na Vale. Acabou arranjando um lugar aparentemente muito bem remunerado no Master; dizem que ganhava cerca de R$ 1 milhão por mês.

Anatomia de uma fraude. Por Malu Gaspar

Por O Globo

O Brasil já acumula experiência suficiente em grandes escândalos para saber que, mesmo quando há orquestração para abafar um caso, chega um momento em que a situação sai do controle, e o acordão se desfaz, porque a lama se espalha tanto que cada um passa a correr para salvar a própria pele. Foi assim no mensalão, no petrolão, e, pelo andar da carruagem, parece que será assim com o Banco Master.

No Supremo Tribunal Federal (STF), acuado pelas revelações sobre a promiscuidade de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, os ministros passaram a acreditar que o governo Lula, se não está por trás do vazamento de informações que só os enredam ainda mais no esquema, tampouco se move para ajudá-los. Nos bastidores, os supremos se queixam de que, depois de tantos serviços prestados, o presidente é muito ingrato ao deixá-los arder no escândalo.

Juros perto da queda de março. Por Míriam Leitão

O Globo

Como os antibióticos, os juros mantidos na taxa nominal de 15%, por mais tempo do que o necessário, produzem efeitos negativos

O Copom manteve a taxa de juros, mas deu a indicação de que na próxima reunião, a de março, iniciará a “flexibilização da política monetária”. Nas horas que antecederam o encontro de ontem, houve um aumento do percentual de bancos que projetavam o início da queda já na reunião de janeiro. Mesmo assim era um grupo minoritário, 22%. O comunicado do Banco Central registra que manterá a “restrição” para assegurar a convergência da inflação para a meta. O fato é que a taxa já está convergindo e, ao demonstrar tanto medo em reduzir a altíssima Selic, a autoridade monetária só eleva a incerteza. Por isso, é bem-vindo o sinal dado de que os juros começarão a cair em março.

O novo Flamengo x Palmeiras do Banco Central. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

BC mantém a Selic em 15%, mas 'antevê' corte de juros na reunião de 18 de março

Para o 'mercado', taxa cairia a 12,25% no final do ano; para ser assim, BC teria de correr

Banco Central vai cortar a Selic na próxima reunião de política monetária, em 18 de março, depois do Carnaval, antes da Semana Santa. É o que o BC "antevê", segundo o texto do comunicado divulgado depois da decisão de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano.

Como o BC foi muito direto e explícito, assim será, a não ser em caso de terremoto na finança americana ou de que algum meteorito de Donald Trump arrebente parte do planeta.

Antes de entrar no debate futebolístico sobre o tamanho dos cortes de juros que virão, convém um comentário político de passagem.

O Supremo na berlinda. Por Maria Hermínia Tavares de Almeida

Folha de S. Paulo

STF se transformou em centro de gravidade da política nacional

Com o protagonismo vieram os holofotes sobre o funcionamento da corte

STF está hoje no centro das atenções políticas. Chegar a essa destacada – e incômoda -- posição levou tempo. Foi um longo processo, cujo resultado não se deve ao acaso ou a algum desígnio de partidos, lideranças ou mesmo dos membros da própria corte.

Os estudiosos indicam razões para tanto: algumas ancoradas na Constituição de 1988; outras resultantes de características do sistema político; ou, ainda de decisões contingentes de representantes políticos, ministros ou atores sociais.

Primeiro, o desenho institucional que concentra no tribunal a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e sobre quase toda controvérsia relevante. Ele tornou inevitável que conflitos importantes – entre entes federativos, entre governo e oposição ou entre interesses organizados na sociedade -- fossem "judicializados" no STF. Mais ainda, quando uma Carta extensa e programática constitucionalizou garantias e um elenco extenso de direitos sociais, metas e políticas públicas para assegurá-los.

O acordo para salvar quem tem foro privilegiado no caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Costura vai muito além de proteger Toffoli e pode se transformar em tábua de salvação

Usa-se a tática da intimidação e ameaças de delação em doses cavalares para garantir blindagem de quem tem rabo preso

A avalanche de informações das últimas semanas sobre Daniel Vorcaro e suas conexões no mundo da política, governos e Judiciário não pode tirar o foco principal do escândalo: as fraudes praticadas pelo Banco Master, que já estão documentadas nas investigações da Polícia Federal com base em denúncia do Banco Central.

Qual foi o papel da gestão de Campos Neto no caso Master? Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Entrevista de Armínio Fraga à Folha e apurações na mídia levantam hipótese de negligência

Há ainda zonas de sombra a esclarecer na atuação da autoridade monetária nos últimos anos

Em entrevista que foi ao ar no site desta Folha no dia 24, o economista Armínio Fraga afirmou que o Banco Central teria demorado a agir diante das evidências de graves problemas do Banco Master. Na opinião do ex-presidente da instituição (1999-2002), a autoridade monetária tinha todas as ferramentas para fiscalizar a instituição financeira, que já dava sinais críticos há muito tempo.

Fraga não fez menção mais definida ao período a que se referia. Quando o BC deveria ter agido? Sabemos que o atual presidente, Gabriel Galípolo, assumiu no início de 2025, e anunciou a intervenção no mês de novembro. Deveria tê-lo feito antes? Ou as dificuldades já seriam detectáveis antes de 2025, durante a gestão de Roberto Campos Neto (2019-2024), atual vice-chairman do Nubank?

Ninguém solta a mão do Toffoli. Por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Na ciranda de náufragos, o grito 'todos por um Toffoli' afunda o STF

Estratégia está mais para cumplicidade do que colegialidade

Dias Toffoli não entrou para a sauna da promiscuidade judicial no verão passado. Conhecido de outros camarotes, jatinhos e casas de veraneio, Toffoli cultiva a amizade útil, a amizade com vantagem embutida. Da Libertadores a Champions League, do Lide ao Esfera, aceita convites e leva segurança com diárias pagas pelo STF. Tanto faz se o amigo está ou poderá estar na pauta do tribunal ou de sua relatoria.

Entrevista | Kassab descarta atacar Lula com candidatura do PSD

Igor Gielow / Folha de S. Paulo

Presidente do partido afirma que projeto presidencial, que uniu três governadores e isolou Flávio Bolsonaro, é para valer

Ele vê rival na direita como competitivo, promete campanha moderada e diz que não forçará a saída de seus ministros do governo

O presidente do PSDGilberto Kassab, afirmou que seu partido não usará a candidatura presidencial que promete colocar de pé em abril para atacar o governo Lula (PT), no qual ocupa três ministérios.

Secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o político recebeu a Folha em seu apartamento na manhã desta quarta-feira (28), no mesmo ambiente em que ele causara um terremoto na centro-direita na véspera.

Na noite anterior, Kassab havia anunciado a filiação do governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) ao PSD, ao lado dos também chefes estaduais da sigla Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR). Todos combinaram que do trio sairá um presidenciável, a depender de posição em pesquisas e outros fatores.

"Nessa é diferente", insistiu Kassab ante a natural incredulidade acerca do projeto, como sempre visto no mundo político como uma forma de manter as opções em aberto. O aceno a Lula e a liberdade que anunciou para que os ministros do PSD fiquem no governo se quiserem reforçam a impressão.

Contra ela há a aliança inédita dos três governadores e as contas do cacique. Ele vê uma candidatura unificada com talvez os mesmos 20% que estima para o nome lançado no campo da direita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, ambos do PL.

No segundo turno, crê, o eleitorado de um migrará majoritariamente para o outro contra Lula. Mantendo a cisão estabelecida, Kassab sublinhou que considera Flávio competitivo. Prometeu uma candidatura moderada, longe de propostas "radicais de esquerda e direita".

Apenas uma postulação ao Planalto de Tarcísio cancelaria os planos de Kassab, que pela primeira vez disse que seria "um privilégio" concorrer a vice-governador com o chefe, dando gás à versão de que gostaria de tentar o governo estando no cargo em 2030 —presumindo a reeleição e um plano presidencial do governador.

Para o PSD, ele prevê avanços em outubro, refletindo o espraimento da sigla, que elegeu quase 900 prefeitos em 2024 e hoje tem cerca de 1.300. Crê em 6 a 10 candidaturas a governador viáveis, um aumento da bancada de deputados de 47 para talvez 80 e a manutenção de 14 senadores.

Vamos conversar sobre o Estado em descompasso? Por Antônio Márcio Buainain

Jornal da Unicamp

Agendas do passado, emergências do presente e o futuro em risco

É difícil acompanhar o debate público no Brasil sem tropeçar, quase diariamente, em alertas sobre a crise fiscal iminente, o crescimento dos gastos e a trajetória da dívida pública. É claro que a situação fiscal do país importa e que ignorar esses números seria irresponsável, ainda assim, confesso um incômodo persistente perante esse debate. Tenho a sensação de que ele ignora as pessoas: fala-se de corte de gastos como imperativo técnico, muitas vezes necessário para reduzir desperdícios, ineficiências e práticas inaceitáveis, como a corrupção, mas raramente se discute com a mesma ênfase onde esses cortes incidem e como afetam a provisão de serviços públicos essenciais e a vida das pessoas. Ajustes fiscais aparecem como abstrações, ignorando que seus efeitos sobre a saúde, a educação e outras políticas básicas se manifestam de forma muito concreta sobre a população, particularmente a mais vulnerável. Discute-se a insustentabilidade da previdência, mas quase nunca a velhice e o destino de milhões de pessoas que envelhecerão fora dos modelos que organizam essas contas.