quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Juros perto da queda de março. Por Míriam Leitão

O Globo

Como os antibióticos, os juros mantidos na taxa nominal de 15%, por mais tempo do que o necessário, produzem efeitos negativos

O Copom manteve a taxa de juros, mas deu a indicação de que na próxima reunião, a de março, iniciará a “flexibilização da política monetária”. Nas horas que antecederam o encontro de ontem, houve um aumento do percentual de bancos que projetavam o início da queda já na reunião de janeiro. Mesmo assim era um grupo minoritário, 22%. O comunicado do Banco Central registra que manterá a “restrição” para assegurar a convergência da inflação para a meta. O fato é que a taxa já está convergindo e, ao demonstrar tanto medo em reduzir a altíssima Selic, a autoridade monetária só eleva a incerteza. Por isso, é bem-vindo o sinal dado de que os juros começarão a cair em março.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master exige melhora de normas republicanas

Por Folha de S. Paulo

Autoridades não deveriam manter encontros fora da agenda, como fez Lula com Vorcaro

É preciso rever quarentenas, regular contratações de advogados parentes, dar transparência ao lobby e instituir código de ética no STF

Impressiona no caso Master a extensão da rede de pessoas importantes que o banco influenciou ou tentou influenciar. Os tentáculos da empresa de Daniel Vorcaro se espalham pelos Três Poderes e não conhecem barreiras geográficas.

O banqueiro mineiro buscava aproximar-se de autoridades dos mais diversos calibres. Revelou-se agora que Vorcaro foi recebido pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa audiência sem registro oficial em fins de 2024.

O novo Flamengo x Palmeiras do Banco Central. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

BC mantém a Selic em 15%, mas 'antevê' corte de juros na reunião de 18 de março

Para o 'mercado', taxa cairia a 12,25% no final do ano; para ser assim, BC teria de correr

Banco Central vai cortar a Selic na próxima reunião de política monetária, em 18 de março, depois do Carnaval, antes da Semana Santa. É o que o BC "antevê", segundo o texto do comunicado divulgado depois da decisão de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano.

Como o BC foi muito direto e explícito, assim será, a não ser em caso de terremoto na finança americana ou de que algum meteorito de Donald Trump arrebente parte do planeta.

Antes de entrar no debate futebolístico sobre o tamanho dos cortes de juros que virão, convém um comentário político de passagem.

O Supremo na berlinda. Por Maria Hermínia Tavares de Almeida

Folha de S. Paulo

STF se transformou em centro de gravidade da política nacional

Com o protagonismo vieram os holofotes sobre o funcionamento da corte

STF está hoje no centro das atenções políticas. Chegar a essa destacada – e incômoda -- posição levou tempo. Foi um longo processo, cujo resultado não se deve ao acaso ou a algum desígnio de partidos, lideranças ou mesmo dos membros da própria corte.

Os estudiosos indicam razões para tanto: algumas ancoradas na Constituição de 1988; outras resultantes de características do sistema político; ou, ainda de decisões contingentes de representantes políticos, ministros ou atores sociais.

Primeiro, o desenho institucional que concentra no tribunal a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e sobre quase toda controvérsia relevante. Ele tornou inevitável que conflitos importantes – entre entes federativos, entre governo e oposição ou entre interesses organizados na sociedade -- fossem "judicializados" no STF. Mais ainda, quando uma Carta extensa e programática constitucionalizou garantias e um elenco extenso de direitos sociais, metas e políticas públicas para assegurá-los.

O acordo para salvar quem tem foro privilegiado no caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Costura vai muito além de proteger Toffoli e pode se transformar em tábua de salvação

Usa-se a tática da intimidação e ameaças de delação em doses cavalares para garantir blindagem de quem tem rabo preso

A avalanche de informações das últimas semanas sobre Daniel Vorcaro e suas conexões no mundo da política, governos e Judiciário não pode tirar o foco principal do escândalo: as fraudes praticadas pelo Banco Master, que já estão documentadas nas investigações da Polícia Federal com base em denúncia do Banco Central.

Qual foi o papel da gestão de Campos Neto no caso Master? Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Entrevista de Armínio Fraga à Folha e apurações na mídia levantam hipótese de negligência

Há ainda zonas de sombra a esclarecer na atuação da autoridade monetária nos últimos anos

Em entrevista que foi ao ar no site desta Folha no dia 24, o economista Armínio Fraga afirmou que o Banco Central teria demorado a agir diante das evidências de graves problemas do Banco Master. Na opinião do ex-presidente da instituição (1999-2002), a autoridade monetária tinha todas as ferramentas para fiscalizar a instituição financeira, que já dava sinais críticos há muito tempo.

Fraga não fez menção mais definida ao período a que se referia. Quando o BC deveria ter agido? Sabemos que o atual presidente, Gabriel Galípolo, assumiu no início de 2025, e anunciou a intervenção no mês de novembro. Deveria tê-lo feito antes? Ou as dificuldades já seriam detectáveis antes de 2025, durante a gestão de Roberto Campos Neto (2019-2024), atual vice-chairman do Nubank?

Ninguém solta a mão do Toffoli. Por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Na ciranda de náufragos, o grito 'todos por um Toffoli' afunda o STF

Estratégia está mais para cumplicidade do que colegialidade

Dias Toffoli não entrou para a sauna da promiscuidade judicial no verão passado. Conhecido de outros camarotes, jatinhos e casas de veraneio, Toffoli cultiva a amizade útil, a amizade com vantagem embutida. Da Libertadores a Champions League, do Lide ao Esfera, aceita convites e leva segurança com diárias pagas pelo STF. Tanto faz se o amigo está ou poderá estar na pauta do tribunal ou de sua relatoria.

Entrevista | Kassab descarta atacar Lula com candidatura do PSD

Igor Gielow / Folha de S. Paulo

Presidente do partido afirma que projeto presidencial, que uniu três governadores e isolou Flávio Bolsonaro, é para valer

Ele vê rival na direita como competitivo, promete campanha moderada e diz que não forçará a saída de seus ministros do governo

O presidente do PSDGilberto Kassab, afirmou que seu partido não usará a candidatura presidencial que promete colocar de pé em abril para atacar o governo Lula (PT), no qual ocupa três ministérios.

Secretário de Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o político recebeu a Folha em seu apartamento na manhã desta quarta-feira (28), no mesmo ambiente em que ele causara um terremoto na centro-direita na véspera.

Na noite anterior, Kassab havia anunciado a filiação do governador Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) ao PSD, ao lado dos também chefes estaduais da sigla Eduardo Leite (RS) e Ratinho Jr. (PR). Todos combinaram que do trio sairá um presidenciável, a depender de posição em pesquisas e outros fatores.

"Nessa é diferente", insistiu Kassab ante a natural incredulidade acerca do projeto, como sempre visto no mundo político como uma forma de manter as opções em aberto. O aceno a Lula e a liberdade que anunciou para que os ministros do PSD fiquem no governo se quiserem reforçam a impressão.

Contra ela há a aliança inédita dos três governadores e as contas do cacique. Ele vê uma candidatura unificada com talvez os mesmos 20% que estima para o nome lançado no campo da direita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio, ambos do PL.

No segundo turno, crê, o eleitorado de um migrará majoritariamente para o outro contra Lula. Mantendo a cisão estabelecida, Kassab sublinhou que considera Flávio competitivo. Prometeu uma candidatura moderada, longe de propostas "radicais de esquerda e direita".

Apenas uma postulação ao Planalto de Tarcísio cancelaria os planos de Kassab, que pela primeira vez disse que seria "um privilégio" concorrer a vice-governador com o chefe, dando gás à versão de que gostaria de tentar o governo estando no cargo em 2030 —presumindo a reeleição e um plano presidencial do governador.

Para o PSD, ele prevê avanços em outubro, refletindo o espraimento da sigla, que elegeu quase 900 prefeitos em 2024 e hoje tem cerca de 1.300. Crê em 6 a 10 candidaturas a governador viáveis, um aumento da bancada de deputados de 47 para talvez 80 e a manutenção de 14 senadores.

Vamos conversar sobre o Estado em descompasso? Por Antônio Márcio Buainain

Jornal da Unicamp

Agendas do passado, emergências do presente e o futuro em risco

É difícil acompanhar o debate público no Brasil sem tropeçar, quase diariamente, em alertas sobre a crise fiscal iminente, o crescimento dos gastos e a trajetória da dívida pública. É claro que a situação fiscal do país importa e que ignorar esses números seria irresponsável, ainda assim, confesso um incômodo persistente perante esse debate. Tenho a sensação de que ele ignora as pessoas: fala-se de corte de gastos como imperativo técnico, muitas vezes necessário para reduzir desperdícios, ineficiências e práticas inaceitáveis, como a corrupção, mas raramente se discute com a mesma ênfase onde esses cortes incidem e como afetam a provisão de serviços públicos essenciais e a vida das pessoas. Ajustes fiscais aparecem como abstrações, ignorando que seus efeitos sobre a saúde, a educação e outras políticas básicas se manifestam de forma muito concreta sobre a população, particularmente a mais vulnerável. Discute-se a insustentabilidade da previdência, mas quase nunca a velhice e o destino de milhões de pessoas que envelhecerão fora dos modelos que organizam essas contas.

Poesia | Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa

 

Música | Carmen Miranda - Uva de caminhão (Assis Valente)