sábado, 4 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Rombo das estatais tornou-se rotina no governo Lula

Por O Globo

Nos primeiros dois meses do ano, as perdas somaram R$ 4,2 bilhões, quase o total registrado em 2025

Nos primeiros dois meses do ano, as estatais federais registraram um rombo de R$ 4,16 bilhões. Trata-se do pior resultado para o primeiro bimestre desde 2002, quando o Banco Central (BC) deu início à série histórica. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode nem argumentar que foi um lapso. O recorde anterior ocorreu em 2024. De lá para cá, houve um agravante: o buraco tem crescido. O resultado negativo do primeiro bimestre deste ano foi R$ 2,8 bilhões maior que no mesmo período de 2025 e alcançou quase o total registrado ao longo de todo o ano passado, R$ 5,1 bilhões. Levando em conta a resistência do governo em promover a privatização mais óbvia — a dos Correios —, a sangria deverá continuar, deixando ao contribuinte uma conta que agravará a crise fiscal e aumentará ainda mais o endividamento público também recorde (79,2% do PIB).

Horizonte estreito, por Flávia Oliveira

O Globo

O que se vislumbra para outubro é a primeira disputa presidencial sem candidatura feminina desde 2006

Do limiar de abril, o que se vislumbra para outubro é a primeira eleição presidencial sem candidatura feminina desde 2006. Neste século, apenas no primeiro pleito (2002), quando Roseana Sarney desistiu de concorrer, não houve mulher como cabeça de chapa — Rita Camata foi vice de José Serra (PSDB), e Deyse Oliveira de Zé Maria (PSTU). O Brasil teve uma mulher, Dilma Rousseff, duas vezes vencedora (2010 e 2014); candidatas competitivas, caso de Marina Silva (2010, 2014 e 2018) e Simone Tebet (2022); uma dezena de vices com visibilidade, de Rita Camata (2002) a Ana Amélia, Sonia Guajajara, Manoela d’Ávila e Kátia Abreu, todas em 2018. A participação cresceu na esteira da cobrança das feministas por representatividade e sucumbiu à supremacia dos homens de partido.

Tem conserto? Por Eduardo Affonso

O Globo

A Sala Cecília Meireles resiste, serena, blindada por uma couraça que a protege das buzinas e freadas, do funk e do reggaeton

A Sala Cecília Meireles é um remanso à margem daquela corredeira que vem da Riachuelo, deságua na Rua da Lapa, reflui para a Mem de Sá, passa pela Rua do Passeio e sobe para fazer selfies na Escadaria Selarón. A Sala resiste, serena, blindada por uma couraça que a protege das buzinas e freadas, do funk e do reggaeton das JBLs ligadas em volume máximo nas barraquinhas do entorno dos Arcos. Sem saber, coitada, que um novo cavalo de Troia contrabandeou o inimigo lá para dentro.

Por que Moraes não é investigado? Por Thaís Oyama

O Globo

Tecnicamente, a resposta curta é: porque Paulo Gonet, procurador-geral da República, até agora não quis

"As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece." Foi com seu estilo costumeiro — muitos adjetivos, nenhum argumento e tom de quem não gostou de ser incomodado — que o ministro Moraes negou, por meio de sua assessoria, ter viajado com a mulher, Viviane Barci, ao menos oito vezes em jatinhos de empresas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A revelação, feita pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão, baseou-se no cruzamento de informações de três bancos de dados de aviação.

Uma campanha paralela, por Miguel Reale Júnior

O Estado de S. Paulo

Deve-se propagar: não vote em quem não destina verba ao ensino integral

Desalento é o sentimento que se espalha diante da certeza de que a crise de nossas instituições não será resolvida por via das eleições.

Há a sensação do “já visto”, dando até certo cansaço antecipado diante das mesmas superficiais promessas dos candidatos, que serão tonitruantes por todos os meios de comunicação. Os candidatos a presidente ou a governador podem até apresentar programa de governo, mas isso não levará a qualquer adesão revestida de entusiasmo.

Compliance zero, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O escritório Barci de Moraes disse, em nota, que “nenhum integrante jamais viajou em aviões de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”. Essa é construção defensiva que prospera nas fendas entre pessoas física e jurídica – porque sempre se poderá declarar que o jatinho era de empresa que tinha Vorcaro como sócio, cousa distante, com participação modesta etc.

A globalização não morreu, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

A guerra comercial não quebrou o sistema – apenas o obrigou a encontrar novos caminhos

Trump parece ter transformado a política econômica em uma versão moderna do menino que gritava “lobo” (Esopo). Depois de tantos alarmes falsos, o problema não é mais o que se anuncia, mas é a credibilidade de quem anuncia. O interessante na situação atual é ver que, um ano depois de idas e vindas, a liderança perde a credibilidade, mas o sistema não colapsa.

A trilha desse filme segue com as empresas ignorando o discurso e reorganizando as cadeias produtivas e distributivas, os países ignorando as ameaças e firmando novos acordos, mas os mercados reagindo e aumentando os prêmios de risco.

Em nome de Deus, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O secretário fez apelo público ao povo americano por um tipo específico de oração em tempos de guerra

A confusão entre guerra e religião é decisão perigosa. O mundo já experimentou essa mistura na época das Cruzadas, no século 14 e não deu certo. Mas o secretário de Defesa, ou de Guerra, dos Estados Unidos, Pete Hegseth, é religioso que coloca no mesmo nível conceitos de sua Igreja com a ação dos militares norte-americanos por todo o mundo. Ele se julga uma espécie templário redivivo, segundo suas próprias palavras. O secretário, voz ativa junta ao presidente Donald Trump, diz que a guerra demonstra a "força avassaladora" e a "capacidade incomparável" das Forças Armadas dos EUA de fazer chover morte e destruição sobre seus inimigos iranianos "apocalípticos".

O que significa machismo estrutural? Por Juliana Diniz

O Povo (CE)

As mulheres estão numa situação de desigualdade competitiva, enfrentando desafios institucionais, simbólicos e materiais maiores do que os homens enfrentam. E o pior: precisam lidar com a ideia amplamente difundida de que essa desigualdade é fruto da natureza, e não de uma certa cultura

Sabemos que o machismo é um problema estrutural, mas será que há clareza sobre o que isso significa? Gostaria de propor o debate porque estamos às vésperas da eleição e, se há um cenário em que as desigualdades se manifestam, é na cena política.

Desafios da autocorreção, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Resistência de alguns ministros do STF em reconhecer erros favorece apenas a extrema direita

A crise do Supremo não se solucionará de forma mágica

A resistência de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal em reconhecer erros e corrigir os rumos do tribunal favorece apenas a extrema direita. Depois de anos criticando e fustigando o Supremo por suas acertadas decisões na defesa dos direitos fundamentais e, sobretudo, na responsabilização dos que atentaram contra a democracia, surge agora uma distinta oportunidade de atacar o Supremo. A conduta de alguns de seus ministros tem deixado o tribunal cada vez mais vulnerável. O tema STF concentrará atenções não apenas na disputa presidencial, mas, sobretudo, na corrida pelas cadeiras do Senado.

Falta de oposição causou a decadência política do Rio, por Leonardo Weller*

Folha de S. Paulo

Estado choca o Brasil com uma longa lista de governadores presos e destituídos

Democracias precisam de oposições sérias capazes de pressionar governos a entregarem boas políticas públicas

Rio de Janeiro choca o Brasil. O afastamento de Cláudio Castro repete um padrão, verificado desde os anos 2000, com uma longa lista de governadores presos e destituídos. A economia fluminense tampouco é um bom exemplo. Apesar de contar com o segundo PIB da federação, governos perdulários e flutuações no preço do petróleo levaram o Rio à bancarrota.

Muito se fala na criação de Brasília como causa dessa decadência. Mas a antiga capital federal continuou sediando grandes estatais e autarquias, da Petrobras ao BNDE(S). Já o regime militar ajudou o Rio ao expandir o peso do setor público na economia, criando várias estatais na cidade e transformando a Petrobras em uma gigante. A Ponte Rio-Niterói, à época a maior do mundo, era símbolo daquele projeto de Brasil grande.

No Texas, Flávio Bolsonaro exibe sua vassalagem a Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 só faltou pedir a anexação do Brasil pelos Estados Unidos

Candidato ao Planalto repete o pai e questiona eleições de 2022

Aluno esforçado das lições marqueteiras, Flávio Bolsonaro desistiu da dancinha ao som do funk "Zero Um, Novo Capitão". Na avaliação de quem cuida de suas redes, imitar a postura tiktoker de Donald Trump não pegou bem. Um político moderado não pode rebolar descendo até o chão.

A ordem é abrir a boca o menos possível, evitar as entrevistas do tipo quebra-queixo, escapar das cascas de banana. Uma palavra sobre o escândalo Master? Nem pensar. A finalidade da estratégia low profile é reprimir a natureza golpista do filho 01.

Legado de Ibaneis para Brasília e o BRB é o pior possível, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Situação do BRB se agrava com inação do governo do DF

Ex-governador do DF não conseguirá se distanciar do escândalo Master

Investigado por suspeitas de envolvimento no escândalo Master, Ibaneis Rocha (MDB), ex-governador do Distrito Federal, conseguiu o que queria. Saiu do cargo no último dia 30 para se candidatar ao Senado antes de o BRB ser obrigado a anunciar ao mercado que não iria mais publicar o seu balanço de 2025 dentro do prazo.

Ibaneis conseguiu empurrar a bola para a sua sucessora, a vice-governadora Celina Leão (PP), que também dá sinais de não querer resolver a crise com a urgência necessária para o tamanho do problema do banco.

Equilíbrio fiscal: assunto de todos, por Marcus Pestana

Aproxima-se as eleições e é hora de discutir os desafios e os dilemas nacionais. No entanto, a política econômica, apesar de ser tema central para a vida do País, sempre fica escanteado. Tudo indica que os temas predominantes serão segurança pública e corrupção, a partir dos escândalos do INSS e do Banco Master. A política fiscal é evitada por todos. Nenhum candidato, em plena campanha, vai ser explícito sobre aumento de impostos ou corte de gastos em uma estratégia de ajuste fiscal. Mas, ao assumir, o próximo presidente da República terá um inevitável encontro com o reequilíbrio das contas públicas.

O incêndio na pizzaria, por Murillo de Aragão

Veja

O sistema institucional precisa ser imediatamente depurado

Vivemos em um país onde o Estado é maior que a sociedade e os detentores do poder sempre exerceram contenção de danos em nome da manutenção da institucionalidade e da tutela de nós, a patuleia. Mesmo que custasse atropelar a Constituição, que, nos dias de hoje, nos faz lembrar de como a chamavam no Império: a defunta. Já não há estado de direito nem contenção moral de muitos que dirigem o país. A “Constituição Cidadã” é plena de direitos, parca de obrigações e ineficaz na aplicação de ambos.

Entrevista | “Nunca escolhemos adversários”, diz Edinho Silva, presidente do PT

Sergio Lirio /CartaCapital

A meteórica alta das intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas não surpreende Edinho Silva, presidente do PT. Resultado da “polarização”, afirma o ex-ministro e ex-prefeito de Araraquara, à frente da legenda em mais uma eleição decisiva tanto para o País quanto para o partido. “Sempre tive a leitura de que qualquer candidato que representasse o campo bolsonarista cresceria rapidamente.” O dirigente petista, na entrevista a seguir, nega que a agremiação tenha preferência por outro adversário, minimiza os efeitos da candidatura de Ronaldo Caiado (“é um problema da família Bolsonaro, não nosso”), afirma que a campanha por um quarto mandato do presidente apresentará aos eleitores um programa arrojado e moderno com uma perspectiva de futuro, em especial para as novas gerações, e espera uma mudança do humor da população quando se aproximar a hora da escolha. “No meio do ano, a situação será outra.”

Apenas Flávio, por André Barrocal

CartaCapital

O filho 01 de Bolsonaro veste um figurino que não lhe cabe, enquanto torce pelo incerto engajamento de Tarcísio de Freitas e Donald Trump em sua campanha

Em 4 de abril acaba o mistério: Tarcísio de Freitas continuará governador de São Paulo? Para concorrer à Presidência da República em outubro, o anti-Lula predileto do “mercado”, do empresariado e da grande mídia teria de deixar o cargo até esta data. Vontade de subir a rampa do Palácio do Planalto não lhe faltava, ainda que considerasse o atual chefe da nação um oponente duríssimo de bater. A concessão judicial de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, dez dias antes do fim do prazo para Tarcísio decidir se abandonava São Paulo e alçava voos mais altos, havia realimentado os sonhos do governador. É o que havia confidenciado um dos auxiliares mais próximos dele em conversas com a turma da Avenida Faria Lima, a meca do capital financeiro no Brasil.

Cenário movediço, Aldo Fornazieri

CartaCapital

Há um congestionamento de candidaturas à direita

Com a escolha de Ronaldo Caiado como candidato do PSD, o quadro das candidaturas presidenciais está praticamente definido e o cenário da disputa ganha novos contornos. O quadro revela um Lula olímpico no campo do centro-esquerda, um centro órfão e um enorme congestionamento à direita. O centro poderia ter um representante se Ratinho Júnior ou Eduardo Leite viessem a ser candidatos. Além de Caiado, a direita terá Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos. Outros possíveis candidatos se situarão entre as candidaturas nanicas.

Atrás do trio elétrico… Por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Os países que mais se desenvolveram uniram por conta própria mercado eficiente e coordenação estatal

“Quando tudo tem de ser feito pelo livro, quando o pensamento se torna rígido e a fé cega é a moda, é impossível um partido ou uma nação progredir. A vida cessará e essa nação ou esse partido perecerá.” (Deng Xiaoping)

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, diz a música de Caetano Veloso. Nós morremos porque fomos atrás do tripé macroeconômico, superávit fiscal, câmbio flutuante e regime de meta de inflação. A fé cega no livro, na teoria e a troca entre estabilidade monetária e o desmonte da infraestrutura brasileira montada a duras penas entre 1930 e 1980. O Plano Real nunca teve como meta um projeto de desenvolvimento econômico e, muito menos, um plano estratégico para o Brasil. O mantra da eficiência econômica, somado à alocação eficiente dos recursos pela iniciativa privada, colocaria o Brasil rumo ao crescimento sustentável! A partir desse momento, é decretado o cancelamento da palavra planejamento e a repetição ad nauseam que investimento público é sinônimo de gasto. Cinquenta anos de experiências de planejamento desde Getúlio, Juscelino e o regime militar foram jogados no lixo da história. Quem foi atrás do trio elétrico desmantelou a capacidade produtiva deste país.

Na antevéspera das eleições, por Ligia Bahia*

CartaCapital

Vamos à luta pela saúde ou nos manteremos acendendo velas a torto, à esquerda e à direita nestes tempos decisivos para os direitos e a democracia?

Candidaturas anunciadas ou ensaiadas já se acompanham de críticas (ao que aí está) e de proposições para a saúde no âmbito nacional. Ideias, interesses brutos ou já lapidados e projetos, ainda que imprecisos, estão circulando.

O doutor Queiroga, ex-ministro de Jair Bolsonaro, lançou em fevereiro o Plano Real da Saúde, “reforma” baseada na revisão de valores da tabela SUS e remuneração adequada de profissionais.

O atual repeteco do programa eleitoral do PL em 2022, destituído de qualquer menção ao fato de não ter sido implementado durante o mandato autoritário-negacionista, tem como propósitos imediatos tracionar a candidatura do autor da cópia ao Senado e angariar apoios de parte do empresariado setorial e entidades médicas e enfermagem.

Cultura do Bra$il e a Economia, por Luiz Carlos Prestes Filho

Catetear Notícias

Embora as obras de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e muitos outros, como Margareth Menezes, sejam símbolos da identidade brasileira, os direitos de exploração comercial dessas gravações (os chamados "masters") pertencem, em grande parte, a conglomerados internacionais, como Universal Music Group (França/EUA), Sony Music (Japão/EUA) e Warner Music (EUA).