quinta-feira, 9 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tentativa de trégua no Irã atesta inépcia de Trump

Por Folha de S. Paulo

Para acalmar eleitores e mercados, americano recua de ultimato pela 5ª vez numa guerra sem objetivo claro

Nenhum dos rivais concorda com os termos tornados públicos da base de negociações, proposta pelo Irã; cessar-fogo é frágil

Após muito suspense, passou a vigorar, na noite de terça-feira (7), um cessar-fogo na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ao menos, foi o que disse acreditar Donald Trump, ciente dos riscos inerentes à empreitada.

De um lado, a pressão global devido à escalada dos preços de energia decorrente do fechamento do estreito de Hormuz —o corredor de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo— pela teocracia islâmica.

Novas revelações constrangem Moraes ainda mais no julgamento do Master, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Entre 2023 e 2025, também foram identificados cerca de R$ 65 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro a escritórios e empresas ligados a políticos importantes do país

As novas revelações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, complicaram ainda mais a posição institucional do ministro Alexandre de Moraes no julgamento de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Objetivos, volumosos e politicamente sensíveis, os fatos são teimosos e transcendem a esfera pessoal. O que está em jogo é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).

Documentos fiscais enviados à CPI do Crime Organizado revelam que o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, recebeu R$ 80.223.653,84 do Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Trata-se de uma média mensal de aproximadamente R$ 3,6 milhões, em 22 pagamentos praticamente idênticos, formalmente declarados à Receita Federal pelo próprio banco.

O roteiro Master de Lula, por Malu Gaspar

O Globo

Uma hora a realidade acabaria se impondo. Depois de tentar resolver a crise do Master atuando nos bastidores, Lula finalmente compreendeu que abafar o caso ou circunscrevê-lo à oposição não é uma possibilidade. As pesquisas de opinião vêm mostrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) está com a imagem enlameada e, embora o escândalo não atinja diretamente o Palácio do Planalto, a sujeira pode respingar no governo. Não foi por outra razão que o presidente da República resolveu falar. Numa longa entrevista ao site de notícias ICL, ontem, ele afirmou que o STF tem de dar “uma explicação convincente para a sociedade”, porque “essas coisas a gente não joga debaixo do tapete achando que o povo vai esquecer”. E ainda completou dizendo que, “se o cara quiser ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte”.

O Rio em julgamento, por Merval Pereira

O Globo

Os quatro ministros que já haviam votado pela eleição direta no plenário virtual fazem parte de um bloco informal

O julgamento sobre se a eleição para substituir o ex-governador do Rio Cláudio Castro — que renunciou ao mandato para evitar uma cassação que parecia inevitável — será indireta ou direta está definindo um reposicionamento de grupos dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) que poderá ter consequências em próximos julgamentos importantes, como o caso do Banco Master.

Ficou claro na sessão de ontem que os quatro ministros que já haviam votado pela eleição direta no plenário virtual fazem parte de um bloco informal. Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin precisam de mais dois votos para ganhar a votação que fará prevalecer a tese das diretas. Os ministros Dias Toffoli e Edson Fachin poderão decidir esse julgamento.

Trégua não elimina crise econômica, por Míriam Leitão

O Globo

Mesmo com a trégua anunciada por Trump, a persistência do conflito indica que o desfecho no Oriente Médio continua incerto

A economia mundial continuará atravessando um tempo de extrema incerteza, apesar da trégua anunciada por Donald Trump e da esperança trazida pelas negociações. As hostilidades continuaram ontem, o dano estrutural à infraestrutura reduz a capacidade de produção e oferta de petróleo, a operação para restabelecer a normalidade no Estreito de Ormuz será lenta. A ofensiva impôs ao Irã a morte da maioria dos seus principais líderes, mas mostrou que o país tem o controle da arma que sempre ameaçou usar contra os seus inimigos: o fechamento do Estreito de Ormuz. O Irã bloqueou a logística do petróleo e agora saiu da teoria para a prática, criando um prejuízo considerável para a economia internacional.

Trump e os 1.001 tentáculos da 301, por Assis Moreira

Valor Econômico

Os EUA estão expandindo a definição do que consideram barreira ao comércio e ampliando o arsenal de coerção

Apesar da suspensão do tarifaço de Donald Trump, considerado em fevereiro ilegal pela Suprema Corte americana, cerca de 55% das exportações brasileiras continuam submetidas a sobretaxas ao entrar nos Estados Unidos, pelos cálculos da Amcham Brasil.

O potencial é de tarifas adicionais sobre certos produtos brasileiros. O USTR, a agência de representação comercial americana, quer concluir até a metade do ano as duas investigações que envolvem o Brasil com base na Seção 301 da lei comercial americana, que é utilizada para lidar com práticas estrangeiras consideradas injustas e que afetariam o comércio dos Estados Unidos.

Master é grande nódoa na imagem do BC, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Caso reforça argumentos dos que defendem que a atuação dos órgãos reguladores do sistema financeiro passe a ser acompanhada por auditores externos

Houve um tempo em que o Banco Central do Brasil funcionava como um grande mercadão, tipo feira livre, tantas eram as ingerências políticas que sofria. O peso das pressões causou profunda instabilidade no funcionamento da instituição, evidenciada pela rotatividade dos seus dirigentes. Em apenas oito anos, de agosto de 1985 a setembro de 1993, por ali passaram dez presidentes diferentes (e dez diretorias) sem contar com os interinos. Uma média de pouco mais de 9 meses de mandato para cada um.

O limite que falta num país de endividados, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A lucratividade da indústria financeira montada sobre consumidores desavisados da economia popular seguiu intocada sob gestões do PT, MDB e PL

O governo federal corre atrás de um novo programa para desafogar endividados porque o saldo positivo de renda e emprego, com o qual se pretendia pavimentar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, escorre pelo ralo.

E não se esvai empurrado apenas pela Selic, mas por um modelo de crescimento baseado numa maior oferta de crédito para a baixa renda. Esta oferta é, em grande parte, dissociada de mecanismos que contenham práticas financeiras abusivas. Quantos usuários do Pix parcelado, por exemplo, sabem a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras pelas quais operam? Podiam saber pelo menos o limite da taxa, mas o Banco Central, depois de sucessivos adiamentos, desistiu de regulamentar o mecanismo.

Endividamento público e as restrições ao próximo governo, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Há uma restrição à política fiscal que o próximo governo herdará. Seria bom que os meios para estabilizar a relação dívida/PIB passassem por uma ampla discussão durante a eleição

Este artigo é o primeiro de dois que ocuparão este nobre espaço a fim de trazer elementos sobre um tema crucial, particularmente no avizinhamento da eleição. Trata-se da dívida pública. Recentemente, foi divulgado o último dado da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que alcançou 79,2% do PIB. Esse mesmo indicador estava em 71,4% do PIB em janeiro de 2023. Em pouco mais de três anos, a DBGG avançou 8 pontos percentuais do PIB e com viés de alta para o horizonte futuro. O Brasil está às vésperas de uma nova eleição, não saberemos quem será presidente daqui 10 meses, mas sabemos que o próximo governo terá fatalmente que lidar com ajustes.

Tudo que era sólido desmanchou no ar, por José Serra

O Estado de S. Paulo

O jogo dos próximos anos exige um Estado forte, não mastodôntico, que consiga navegar na nova realidade

O mundo dessa segunda metade da década de 2020 pode ser qualquer coisa, mas jamais poderemos dizer que é um palco para amadores. De fato, esta década está se caracterizando por jogar por terra a velha forma de produzir e de viver. Vamos tentar olhar três dimensões deste novo mundo.

Primeiro, algo que já estava no radar há alguns anos, mas só nesta década ganhou cores mais marcantes: a transição climática. Emissões lançadas por uma economia afetam, indistintamente, todas as demais. Por isso, esforços isolados, ainda que relevantes, são insuficientes diante da escala da questão. A redução conjunta de emissões exige metas compatíveis, mecanismos de monitoramento confiáveis e compromissos estáveis de longo prazo, para que a ação climática não seja comprometida por condições assimétricas entre países ou pela transferência de atividades intensivas em carbono para locais onde as exigências sejam menores.

Não basta o ajuste fiscal, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

É preciso que o próximo governo entenda a importância de se estabelecer uma política permanente de geração de superávits nas contas públicas

As discussões sobre a política fiscal estão presentes na imprensa todos os dias. Debater os efeitos de medidas adotadas pelo governo ou pelo Congresso, a probabilidade de cumprimento de regras fiscais e os efeitos do gasto público sobre os juros é fundamental. Falta, contudo, uma discussão de maior fôlego sobre o processo orçamentário brasileiro. Perdemos a capacidade de planejar.

A Constituição Cidadã criou as bases para um processo orçamentário transparente, público, equilibrado e planejado. O Plano Plurianual (PPA), a Lei Orçamentária Anual (LOA) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) são os três eixos dessa lógica. A questão central é a dificuldade de se implantar, na prática, o projeto constitucional.

Lula se distancia do Supremo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia” e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativa ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado.

Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

Ministros em campanha por Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Chegada de novo ministro ao STF pode mudar correlação de forças em meio à crise interna

A campanha que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) fazem pela aprovação de Jorge Messias no Senado não é de todo desinteressada. Nos bastidores, integrantes de diferentes alas da Corte lutam para engordar seu próprio time – e, assim, conquistarem um aliado quando Messias passar pelo crivo dos parlamentares.

Diante de um tribunal conflagrado, uma parceria a mais é bem-vinda. Hoje, a ala crítica ao comando de Edson Fachin está numericamente empatada com o time do presidente. A correlação de forças internas pode mudar com a chegada do novato.

No Brasil, trocar de partido não é desvio, é estratégia de sobrevivência eleitoral, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Enquanto o sistema premiar estratégias individuais acima de identidades partidárias, a migração seguirá sendo regra

Sistemas eleitorais com representação proporcional de lista aberta, como o brasileiro, tornam a reeleição significativamente mais incerta. A competição, tanto intra quanto extrapartidária, é intensa. Entre 1962 e 2022, em 16 eleições para a Câmara dos Deputados, a taxa média de reeleição foi de apenas 63% (nas duas últimas eleições, 2018 e 2022 esse patamar foi ainda menor, 47% e 55%, respectivamente). Em outras palavras, quase 40% dos parlamentares não conseguem renovar seus mandatos.

É muito inferior ao observado nos Estados Unidos, onde a taxa de reeleição no mesmo período alcança cerca de 93%.” O incumbente americano tem uma carreira legislativa muito mais estável e tranquila do que o brasileiro.

Diante desse cenário, deputados brasileiros precisam reduzir incertezas e aumentar suas chances de sobrevivência eleitoral. Para isso, constroem conexões individuais com redes locais de interesse, frequentemente por meio da alocação de recursos e políticas públicas que reforçam essas bases.

EUA e Irã querem fugir da guerra, mas mundo não vai escapar da guerra tão cedo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Há chance de que a troca de fogo pare ou diminua, mas conflito seguirá por outros meios

Principais autoridades do mundo esperam meses de efeitos econômicos ruins, mesmo com 'paz'

Estados Unidos e Irã querem cantar vitória e dar um jeito de acabar com a guerra, do modo que puderem, não tão rápido que pareça fuga, nem tão devagar que pareça provocação.

Donald Trump quer evitar mais estrago econômico-eleitoral e o risco de ver uma tripulação de avião abatido se tornar refém do inimigo, por exemplo. O Irã quer salvar o que resta das suas armas, do regime e tomar posse de Hormuz de vez, sua bomba nuclear sem radiação.

A própria liberdade está em jogo nas eleições da Hungria, por Martin Wolf

Folha de S. Paulo / Financial Times

Votação do próximo domingo mostrará se é possível derrotar a democracia iliberal de Orbán

Mesmo que oposição vença, governar após 16 anos de 'Estado máfia' será tarefa difícil

Tenho idade suficiente para lembrar da revolta húngara contra o comunismo soviético em 1956 e sua subsequente repressão brutal. Quão deprimente é, então, encontrar o governo da Hungria apoiando ferozmente o ataque de Vladimir Putin à Ucrânia e o assalto do governo Trump à União Europeia.

A Hungria é um país pequeno. Mas Viktor Orbán, seu primeiro-ministro, não é um homem de pouca influência. Para muitos dos chamados "conservadores nacionais", notadamente nos Estados Unidos, ele define uma forma bem-sucedida e admirável de política de direita. Isso até usa o disfarce de servir aos "valores tradicionais". Mas a realidade é o que o ex-ministro Bálint Magyar chama de "Estado máfia".

As terras raras e o discurso de soberania, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Terras raras é tema importante demais para ficar no discurso da extrema direita

Decisões exigem ciência aplicada, intenção política e compromisso democrático

O risco à democracia não é o único problema criado pela existência de um candidato de extrema direita com chances de chegar ao Palácio do Planalto. Ao levar à cena uma agenda para lá de retrógrada, ele manda para o fundo do poço a discussão política, aprisionada entre a entranhada ignorância dos fatos e a diminuta capacidade intelectual, ambas marcas da família golpista e de seu círculo mais próximo.

É o caso da proposta feita por Flávio Bolsonaro de oferecer aos Estados Unidos acesso irrestrito aos minerais críticos e às terras raras brasileiras em troca do apoio do trumpismo à sua candidatura e, por via das dúvidas, à campanha preventiva de descrédito do processo eleitoral que se avizinha, se o incumbente Lula crescer nas pesquisas. O assunto é importante demais para ficar limitado aos termos em que foi posto pelo Bolsonaro-2 e ali mantido pelas críticas que vem recebendo, assentadas em defesa abstrata da soberania nacional.

A farsa antissistema, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Se você quer alguém novo, de fora, para livrar o Brasil da corrupção, prepare-se para ser tapeado

O sistema é o que os antissistema querem derrubar para impor seu próprio sistema, seja qual for

Não paga dez. Pelo que as trombetas já anunciam, o principal adversário dos candidatos a candidatos à Presidência pela oposição, mais do que o odiado incumbente, será um ente invisível, impalpável, incolor e inaudível —o sistema. A palavra já está na boca de vários, salivante, sibilante, pronta a ser pronunciada com uma profusão de "Ss", fazendo dos discursos uma sinfonia de assobios. O que a torna paradoxalmente significativa é o fato de que tanto esses candidatos quanto seus potenciais eleitores não precisam saber o que ela significa.

Meu partido? Quero é “um bom partido”, por Marcus Cremonese

Leio hoje (7 de abril) no portal Meio, citando a Folha, que “pelo menos 114 deputados federais mudaram de partido no prazo final para as eleições de 2026”.

Para quem tem menos de 50 anos esclareço: lá nas Minas Gerais onde nasci, um “bom partido” era aquele jovem, filho de fazendeiro ou dono de algum comércio na praça central da cidadezinha. Eles eram alvo do olhar de muitos pais que visavam dar ao escolhido a mão de suas filhas em casamento.