segunda-feira, 27 de abril de 2026

Jornada menor, baixa produtividade: é nó da economia, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

É muito bom trabalhar menos. Mas continuaremos no baixo crescimento. Tirando o agro e sua intensa tecnologia

Começando pelo óbvio: a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário, aumenta o custo da mão de obra. Quanto? Depende do perfil da empresa. Numa fábrica automatizada, o impacto será pequeno. Num hospital ou data center, o custo do trabalho terá peso significativo na rentabilidade. Em resumo, quanto mais empregados tiver uma empresa, maior será o aumento de custos com a redução da jornada.

Considerando as propostas em andamento no Congresso, parece que o resultado mais provável será o seguinte: jornada máxima de 40 horas semanais, com escala de cinco dias trabalhados por dois de descanso. Hoje, são 44 horas semanais (desde a Constituição de 1988), admitindo a escala 6x1.

Redistribuir horizonte, por Preto Zezé

O Globo

Parte do eleitorado já não fala do lugar clássico da exclusão, mas da sensação de bloqueio: melhorou sem consolidar

A queda recente da popularidade do presidente Lula costuma ser atribuída a problemas de comunicação, desgaste ou insatisfação econômica. Tudo isso pesa, mas talvez não explique o essencial. Há sinais de descompasso mais profundo entre a linguagem política forjada no ciclo da inclusão social e uma sociedade marcada por precarização, endividamento e novas aspirações.

Por décadas, o lulismo respondeu a uma demanda concreta de acesso — a consumo, universidade, crédito e direitos — e produziu mudanças reais. Mas parte do país passou a organizar suas expectativas em outro registro. Muitos que ascenderam não encontraram estabilidade: o diploma não garantiu inserção compatível, o trabalho se fragmentou, e a vida passou a ser administrada entre informalidade, aplicativos, múltiplas rendas e insegurança.

A ignorância da norma, por Demétrio Magnoli

O Globo

Notificação extrajudicial às plataformas de rede exigem a derrubada de postagens contrárias ao PL da Misoginia

A notificação extrajudicial de Jorge Messias às plataformas de rede exigindo a derrubada de postagens contrárias ao PL da Misoginia configura gesto oficioso de censura e tem todas as características de um ato ilegal. O texto reformulado, excluindo da censura postagens de jornalistas, envereda pela violação do princípio da igualdade perante a lei. Contudo, mesmo que se pudesse amparar a iniciativa num álibi jurídico qualquer, ainda configuraria grave cisão com a norma: segundo a regra, a Advocacia-Geral da União apela ao Judiciário, não recorre à coação.

As mentiras que os ministros do Supremo contam, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Falta de transparência na sua conduta e argumentos de retórica para preservar privilégios alimentam fama de “intocáveis”

Na entrevista que Gilmar Mendes concedeu ao Jornal da Globo, na quarta passada, o ministro foi perguntado sobre a necessidade de um código de ética para os membros do Supremo Tribunal Federal, a fim de recuperar a credibilidade do órgão. Na resposta, o decano da Corte afirmou que não seria necessário regular questões como a divulgação de seus compromissos e as participações em palestras e eventos, porque isso já ocorre na prática. Sem dar detalhes, tratou de fugir da pergunta, passando a destacar a crise de confiança da imprensa, que na sua visão seria pior do que a do STF.

Por que o STF ‘dobra a aposta’? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Em um sistema fragmentado, ameaças à Corte fazem barulho, mas não viram ação

O STF tem sido alvo recorrente de críticas. Parlamentares defendem o indiciamento de ministros. Políticos de oposição acusam a Corte de ser “intocável”. O tom do debate público subiu — e a pressão política, ao menos no discurso, parece crescente.

Mas o comportamento recente do STF aponta em outra direção. Em vez de recuar, a Corte avança. Diante das críticas, ministros não apenas reafirmam suas posições, como ampliam o escopo de suas decisões — como evidenciado pela solicitação de inclusão de novos atores políticos no inquérito das fake news e pela continuidade de investigações sensíveis.

Manifesto do PT omite casos Master e INSS; partido quer atrair centro

Gabriel Hirabahasi, Danielle Brant Alvaro Gribel / O Estado de S. Paulo

Congresso Nacional da legenda de Lula abandona defesa de reforma do sistema financeiro e inclui proposta de reformas agrária e da comunicação, em aceno à esquerda

Versão final, desidratada a pedido do Planalto, exclui citações diretas a Bolsonaro e recua em defesa de reforma do sistema financeiro.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou ontem seu manifesto com diretrizes do partido para este ano. A versão final do texto foi desidratada a pedido do Palácio do Planalto, como revelou o Estadão, excluindo mais de dez citações diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e também retirando um parágrafo que fazia a defesa da reforma do sistema financeiro e mencionava o caso do Banco Master.

"Lula vai concorrer com Bolsonarinho", diz Haddad

Por Vanilson Oliveira / Correio Braziliense

Ministro afirma que país foi "reconstruído grão a grão" e diz que eleições serão decisivas para o futuro

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou neste domingo (26/4) que o Brasil vive um processo de reconstrução baseado na retomada de políticas públicas e na mobilização coletiva. Em discurso no 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, ele criticou os retrocessos do governo anterior e disse que “Lula vai concorrer com o Bolsonarinho, o filho de Jair Bolsonaro. Uma família que só entregou caos”.

O ex-ministro criticou adversários, afirmando que “não podemos, de maneira nenhuma, considerar a hipótese de retrocesso”. Para Haddad, o momento exige avançar além da reconstrução e apresentar novas propostas. “Nós não podemos ficar só na reconquista. Temos que oferecer ao povo brasileiro um programa que vá além”.

Lula reforça agendas em SP e disputa ‘paternidade’ de projetos com Tarcísio

Por Cristiane Agostine e Marcello Corrêa / Valor Econômico

Presidente intensifica eventos no Estado após lançamento da pré-candidatura de Haddad

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou neste ano sua presença em São Paulo e dobrou a participação em eventos no Estado após lançar a pré-candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, há pouco mais de um mês. Lula tenta reforçar bandeiras do governo federal no Estado e disputa a “paternidade” de obras com o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As campanhas de Lula e Haddad serão “casadas”, segundo o PT, e o desempenho eleitoral do presidente em São Paulo será fundamental para sua tentativa de reeleição. O presidente busca construir um palanque forte em São Paulo e tenta atrair apoio para Haddad, sobretudo no interior, que resiste à centro-esquerda.

Lula faria na segunda-feira (27) sua sétima viagem oficial ao Estado neste ano, para visitar duas cidades do interior, Presidente Prudente e Andradina. Por recomendação médica, depois de tratar um câncer de pele no couro cabeludo, na sexta-feira (24), a viagem foi cancelada e o presidente será representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O presidente, no entanto, insistiu para participar dos eventos nas duas cidades e deve falar remotamente, segundo a Presidência.

PT aprova manifesto ameno e que não toca em ‘feridas’

Por /Andrea Jubé, Sofia Aguiar e Érica Ribeiro

Sem a presença de Lula, documento não trata de segurança pública ou atuação nas redes sociais nem do descontentamento da população

Num momento em que mais da metade dos brasileiros desaprova a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou o seu 8º congresso nacional com a aprovação de um manifesto em tom ameno, sem menção ao descontentamento da população. Enquanto Lula cobrou do partido promessas factíveis para o futuro e a defesa de seu governo, a abordagem crítica coube aos discursos finais do presidente da sigla, Edinho Silva, e do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

Lideranças petistas ouvidas pelo Valor lamentaram que o documento não tocou em “feridas” do partido, como as dificuldades ainda não superadas com o debate sobre segurança pública e a atuação nas redes sociais, áreas de domínio da direita, bem como o diálogo com o segmento evangélico.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Terrabras e outras más ideias do PT para minerais críticos

Por Folha de S. Paulo

Bancada petista quer criar nova estatal, apenas o dispositivo mais caricato de um projeto intervencionista

Governos de fato atuam no setor, mas cumpre avaliar custos e benefícios; falta, ainda, mais investimento em pesquisa e pessoal qualificado

Parece piada, mas a bancada do PT na Câmara dos Deputados pretende criar uma nova estatal, de nome Terrabras —hoje já existem 44 empresas sob controle direto do Tesouro, fora mais de 70 subsidiárias.

Esse é apenas o dispositivo mais caricato de um projeto que prevê intervenção estatal ampla em exploração, produção e exportação de minerais críticos, entre eles, terras raras. Além da criação da estatal, o texto petista institui o sistema de partilha da produção entre setor público e empresas concessionárias, prevê conteúdo nacional para insumos e restringe a exportação.

PT aprova manifesto para 2026 com foco em reeleição do presidente

Por Felipe Matoso, Guilherme Balza, Mariana Laboisiere, g1 e GloboNews

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26), durante Congresso Nacional do partido, um manifesto com foco nas eleições de outubro, além de futuras diretrizes partidárias.

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O texto aprovado, intitulado "Construindo o futuro", estabelece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 como o eixo central da tática política do PT para o próximo período.

Lula, contudo, não estava presente. Ele ainda se recuperava de dois procedimentos médicos realizados em São Paulo e tem previsão de voltar para Brasília ainda neste domingo.

Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país

Leia na íntegra o Manifesto aprovado no 8º Congresso Nacional do PT

Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.

O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.

A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.

PT suaviza propostas em manifesto para tentar atrair apoio do centro à reeleição de Lula, por Caio Spechoto

Folha de S. Paulo

Texto poupa Banco Central e diminui tom sobre Judiciário em comparação com outras peças da sigla

Documento foi aprovado em congresso do partido, que buscou evitar polêmicas para preservar presidente

O PT aprovou três documentos em seu congresso partidário, em votações concluídas neste domingo (26), incluindo um manifesto que reduz o tom de crítica ao Judiciário e que faz acenos ao centro político para atrair apoio à reeleição de Lula.

Além do sistema de Justiça, as manifestações tocam em temas como a política econômica. O partido também prega, nesses documentos, mais verba para assistência social, aumento dos tributos para bets e tarifa zero no transporte público.

O primeiro dos documentos contém as linhas gerais da tática eleitoral do partido. O segundo traz sugestões de diretrizes para o programa de governo que o presidente Lula apresentará em sua campanha de reeleição. O terceiro, tido como o mais importante pela cúpula da legenda, é um manifesto. O texto suaviza algumas propostas contidas nas demais manifestações.

Gilmar e a derrota autoinfligida, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Quanto mais o ministro intervém, maior o dano reputacional à corte

A escala do impacto reputacional é consistente com a natureza dos malfeitos

Entrevistas recentes do ministro Gilmar Mendes têm causado perplexidade pelo tom defensivo e pelos ataques desferidos. Em vários momentos, não fica claro se suas falas constituem narrativas retóricas em reação à onda de críticas ao Supremo, avaliações efetivas dos fatos ou simplesmente atos falhos.

Dentre estes últimos, sua afirmação que o Supremo é parlamentarista deixa entrever uma visão da corte como governo ou estado dentro do estado, no qual ele próprio seria uma espécie de primeiro ministro que já teria iniciado démarches com chefes do poder executivo e das casas do legislativo para um "pacto republicano".

'Voto não tem preço, tem consequência', por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Em ano eleitoral, é fundamental combater o aliciamento e a compra de votos

É imperioso proteger a verdade, a integridade do debate público e a legitimidade do processo eleitoral

Não é segredo que a igreja católica foi conivente e se beneficiou da escravização negra. Embora tenha havido vozes que se manifestaram contra o tratamento desumano dado aos africanos escravizados (a exemplo do Papa Pio II, que em 1462 instruiu os bispos a condenarem o tráfico como um "crime terrível"), foi só no século 19 que os católicos se posicionaram de maneira enfática em defesa dos direitos humanos.