segunda-feira, 27 de abril de 2026

PT aprova manifesto ameno e que não toca em ‘feridas’

Por /Andrea Jubé, Sofia Aguiar e Érica Ribeiro

Sem a presença de Lula, documento não trata de segurança pública ou atuação nas redes sociais nem do descontentamento da população

Num momento em que mais da metade dos brasileiros desaprova a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou o seu 8º congresso nacional com a aprovação de um manifesto em tom ameno, sem menção ao descontentamento da população. Enquanto Lula cobrou do partido promessas factíveis para o futuro e a defesa de seu governo, a abordagem crítica coube aos discursos finais do presidente da sigla, Edinho Silva, e do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

Lideranças petistas ouvidas pelo Valor lamentaram que o documento não tocou em “feridas” do partido, como as dificuldades ainda não superadas com o debate sobre segurança pública e a atuação nas redes sociais, áreas de domínio da direita, bem como o diálogo com o segmento evangélico.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Terrabras e outras más ideias do PT para minerais críticos

Por Folha de S. Paulo

Bancada petista quer criar nova estatal, apenas o dispositivo mais caricato de um projeto intervencionista

Governos de fato atuam no setor, mas cumpre avaliar custos e benefícios; falta, ainda, mais investimento em pesquisa e pessoal qualificado

Parece piada, mas a bancada do PT na Câmara dos Deputados pretende criar uma nova estatal, de nome Terrabras —hoje já existem 44 empresas sob controle direto do Tesouro, fora mais de 70 subsidiárias.

Esse é apenas o dispositivo mais caricato de um projeto que prevê intervenção estatal ampla em exploração, produção e exportação de minerais críticos, entre eles, terras raras. Além da criação da estatal, o texto petista institui o sistema de partilha da produção entre setor público e empresas concessionárias, prevê conteúdo nacional para insumos e restringe a exportação.

Discurso de Alckmin no Congresso do PT

 

PT aprova manifesto para 2026 com foco em reeleição do presidente

Por Felipe Matoso, Guilherme Balza, Mariana Laboisiere, g1 e GloboNews

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26), durante Congresso Nacional do partido, um manifesto com foco nas eleições de outubro, além de futuras diretrizes partidárias.

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O texto aprovado, intitulado "Construindo o futuro", estabelece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 como o eixo central da tática política do PT para o próximo período.

Lula, contudo, não estava presente. Ele ainda se recuperava de dois procedimentos médicos realizados em São Paulo e tem previsão de voltar para Brasília ainda neste domingo.

Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país

Leia na íntegra o Manifesto aprovado no 8º Congresso Nacional do PT

Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.

O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.

A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.

PT suaviza propostas em manifesto para tentar atrair apoio do centro à reeleição de Lula, por Caio Spechoto

Folha de S. Paulo

Texto poupa Banco Central e diminui tom sobre Judiciário em comparação com outras peças da sigla

Documento foi aprovado em congresso do partido, que buscou evitar polêmicas para preservar presidente

O PT aprovou três documentos em seu congresso partidário, em votações concluídas neste domingo (26), incluindo um manifesto que reduz o tom de crítica ao Judiciário e que faz acenos ao centro político para atrair apoio à reeleição de Lula.

Além do sistema de Justiça, as manifestações tocam em temas como a política econômica. O partido também prega, nesses documentos, mais verba para assistência social, aumento dos tributos para bets e tarifa zero no transporte público.

O primeiro dos documentos contém as linhas gerais da tática eleitoral do partido. O segundo traz sugestões de diretrizes para o programa de governo que o presidente Lula apresentará em sua campanha de reeleição. O terceiro, tido como o mais importante pela cúpula da legenda, é um manifesto. O texto suaviza algumas propostas contidas nas demais manifestações.

Gilmar e a derrota autoinfligida, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Quanto mais o ministro intervém, maior o dano reputacional à corte

A escala do impacto reputacional é consistente com a natureza dos malfeitos

Entrevistas recentes do ministro Gilmar Mendes têm causado perplexidade pelo tom defensivo e pelos ataques desferidos. Em vários momentos, não fica claro se suas falas constituem narrativas retóricas em reação à onda de críticas ao Supremo, avaliações efetivas dos fatos ou simplesmente atos falhos.

Dentre estes últimos, sua afirmação que o Supremo é parlamentarista deixa entrever uma visão da corte como governo ou estado dentro do estado, no qual ele próprio seria uma espécie de primeiro ministro que já teria iniciado démarches com chefes do poder executivo e das casas do legislativo para um "pacto republicano".

'Voto não tem preço, tem consequência', por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Em ano eleitoral, é fundamental combater o aliciamento e a compra de votos

É imperioso proteger a verdade, a integridade do debate público e a legitimidade do processo eleitoral

Não é segredo que a igreja católica foi conivente e se beneficiou da escravização negra. Embora tenha havido vozes que se manifestaram contra o tratamento desumano dado aos africanos escravizados (a exemplo do Papa Pio II, que em 1462 instruiu os bispos a condenarem o tráfico como um "crime terrível"), foi só no século 19 que os católicos se posicionaram de maneira enfática em defesa dos direitos humanos.

Poesia | Minha Terra, de Ascenso Ferreira por Chico Anysio

 

Música | João Gilberto - Samba da minha terra (Dorival Caymmi) - Alemanha, 1967