sábado, 30 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Classificar PCC e CV como terroristas tem efeito incerto

Por O  Globo

Apesar da medida arbitrária, Brasil terá de lidar com consequências. Será melhor se aprofundar a cooperação

O Departamento de Estado americano anunciou que, a partir de 5 de junho, as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passarão a ser consideradas organizações terroristas, como os cartéis do narcotráfico e grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hamas ou Hezbollah. Não foi exatamente uma surpresa, o movimento já vinha sendo gestado. No anúncio, porém, os Estados Unidos não apresentaram nenhuma evidência contundente de atuação terrorista dessas facções, cuja atividade criminosa e violenta tem motivação sobretudo financeira, não política, ideológica ou religiosa. Ao contrário dos cartéis mexicanos, os grupos brasileiros nem sequer têm o mercado americano como alvo principal. Apesar da arbitrariedade da medida, o Brasil será obrigado a lidar com as consequências.

O desafio de pensar o futuro, por Marco Aurélio Nogueira*

O Estado de S. Paulo

O futuro depende de projetos bem concatenados e da gestação, nas sociedades, de ‘blocos históricos’

Sempre pedimos ao passado para nos ajudar a entender as agruras do presente. O passado determina muitas coisas. Modela experiências, individualidades e relacionamentos. Forma estruturas difíceis de serem modificadas. Condiciona não pela transmissão de “heranças malditas”, mas pelo que contém de tradições, valores e percursos reiterados. Carrega cultura no ventre. A história é sempre permanência e mudança, continuidade e descontinuidade.

O passado não nos domina. “Eu não vivo no passado, o passado vive em mim”, cantou Paulinho da Viola. Sua herança nos chega sem um testamento ou um roteiro a ser seguido. Não guia nossos passos, não diz o que devemos fazer com ele. A falta de clareza sobre o futuro é que nos leva a buscar explicações no passado.

Fraternidade fratricida, por Marcelo de Azevedo Granato*

O Estado de S. Paulo

Uma política erguida sobre sentimentos inibe a construção de projetos comuns e pode conduzir à dessensibilização diante do adversário político

Pesquisas eleitorais indicam a consolidação da disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de outubro. Os números reafirmam a tendência de uma disputa equilibrada, mas o panorama político brasileiro não se resume a eles. Para além das conclusões das pesquisas sobre a divisão do eleitorado, verifica-se também um padrão de insulamento e de desqualificação recíproca entre os grupos de eleitores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro, com efeitos negativos para a sociedade e a democracia brasileira.

A pesquisa Polarização afetiva, confiança e adesão à democracia no Brasil, realizada no ano passado pelo ConnectLab, Centro de Estudos da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), entrevistou pessoas da esquerda à direita do espectro político, inclusive aquelas autodeclaradas petistas e bolsonaristas.

O jogo de Flávio Bolsonaro, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Não desfazendo da obstinação do bolsonarismo eduardista por estabelecer relações na Casa Branca, a conta do acesso de Flávio Bolsonaro ao primeiro escalão da administração Trump – sobretudo a Marco Rubio e J.D. Vance – não fechará sem a variável lobby-de-algum-grupo-econômico-pesado.

Isto parece ser condição fundamental para se chegar ao presidente dos EUA: ter o apoio de bilionários de cujos investimentos o governo, donde o projeto de poder trumpista, dependa. Lula tem os seus empresários abridores de portas em Washington. Está explícito. Nem sempre será, talvez porque os de Flávio – o cronista especula – sejam financiadores do Partido Republicano e do movimento MAGA. Atenção a isso.

O vale-tudo do projeto de poder bolsonarista, por Flávia Oliveira

O Globo

À espreita do Brasil, estão o risco de intervenção, inclusive militar, dos Estados Unidos e sanções econômico-financeiras

Não há limite para o projeto de poder do bolsonarismo. Vale duvidar das urnas eletrônicas, minar a credibilidade de autoridades e do sistema eleitoral, confrontar Legislativo, Judiciário e até a ciência. Vale tramar golpe de Estado e assassinato de presidente e vice eleitos, bem como de ministro do Supremo Tribunal Federal. Vale incitar nação estrangeira a aplicar tarifas, abrir investigação contra o Brasil por concorrência desleal e impor sanções a personalidades da República. Agora, vale também buscar classificação de organizações criminosas, caso de PCC e Comando Vermelho, como terroristas e sujeitar o país a graves retaliações econômicas e financeiras pela maior economia do planeta, segundo maior parceiro comercial brasileiro.

Não sou sócio do Master, por Eduardo Affonso

O Globo

O Banco Master está liquidado — e liquidando a carreira de muita gente —, mas os sócios devem estar bem

Mesmo morando em Minas, onde a energia elétrica era fornecida pela Cemig, passei a infância ouvindo minha mãe dizer que não era sócia da Light. Uma lâmpada esquecida acesa, a porta da geladeira mantida aberta enquanto se brigava com a alavanca da forminha de gelo, e lá vinha ela:

— Não sou sócia da Light!

O sonho de toda mãe dos anos 1960 devia ser a oportunidade de comprar ações da companhia e, assim, deixar de se preocupar com a televisão ligada sem ninguém assistindo, o chuveiro elétrico em uso por mais de cinco minutos — ou com a erfráier e o ar-condicionado, se esses avanços tecnológicos existissem naquela época.

A força da verdade, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

A realidade costuma prevalecer sobre as fantasias dogmáticas, sejam de caráter político, ideológico ou simples modismos de última hora

Sou remanescente dos melhores momentos do jornalismo no Brasil, época em que os repórteres dos jornais diários não eram obrigados a competir com as notícias 24 horas da tevê a cabo. Os jornalistas tinham a possibilidade de viajar para qualquer lugar em que houvesse chance de uma boa reportagem. No meu tempo de Veja, por exemplo, anos setenta, fui de avião pequeno, teco-teco alugado, ao encontro dos indígenas gigantes nas margens do Rio Peixoto de Azevedo, na divisa dos estados do Amazonas e Mato Grosso. 

Quem ganha com um Brasil mais frágil? Por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

O que verificamos é que, para o núcleo familiar central do bolsonarismo, o interesse nacional não é mais importante que seu projeto pessoal do poder. Vale tudo para derrotar seu adversário político, inclusive ignorar a soberania do Brasil

O reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos deve inspirar muita preocupação em todos nós. O potencial de intervenção americana no território brasileiro é, agora, uma ameaça real. Para além da preocupação com a integridade territorial, há um risco para os cidadãos nacionais, que ficam vulneráveis à captura e encarceramento sem qualquer possibilidade de controle do excesso pelo estado brasileiro.

Lembremos dos episódios em que barcos foram abatidos na Costa do Caribe e no Oceano Pacífico. Foram mais de 145 mortos, numa ofensiva militar sobre a qual se sabe muito pouco. A comunidade internacional levanta o questionamento sobre a ocorrência de verdadeiras execuções extrajudiciais, sem acusação, sem processo, sem identificação clara dos alvos: apenas o abatimento, a longa distância, de embarcações tidas por suspeitas.

A escala 6x1 e a estratégia dos que nada querem mudar, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Desde a Revolução Francesa diz-se que reformas emancipatórias podem gerar efeitos perversos

No Brasil, quem tem escala 5x2 ganha em média R$ 6.211; na 6x1 o valor é R$ 2.627

"Atraso", "desastre" e "retrocesso" são alguns dos adjetivos empregados por aqueles que se contrapõem à PEC 221, que propõe reduzir para 40 horas a jornada de trabalho, estabelecendo uma escala de 5 dias trabalhados para 2 de descanso remunerado, sem perda salarial.

Para os mais críticos, a aprovação da PEC não apenas gerará maiores custos aos empregadores —que seriam repassados a toda a sociedade, por meio do aumento dos preços— como, sobretudo, imporá perdas aos próprios empregados, que serão demitidos ou obrigados a migrar para a informalidade. Trata-se, para esses críticos, não apenas de uma medida economicamente contraproducente mas de uma proposta perversa para aqueles que almeja beneficiar.

O Brasil à mercê do vorcarismo, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Trata-se da doutrina pela qual os seus praticantes acham que nunca serão pegos por atos ilícitos e irresponsáveis

Daniel Vorcaro, dono do Master, é o guru máximo desse sistema de crenças que se espalha pelo país

O vorcarismo está com tudo no Brasil. É uma doutrina pela qual os seus praticantes acham que nunca serão pegos por atos ilícitos e irresponsáveis. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, é o guru desse sistema de crenças.

Mesmo sendo causador do maior escândalo financeiro da história do país com perdas que podem superar R$ 60 bilhões, Vorcaro quer assumir de volta o banco para controlar a venda de ativos da instituição quebrada, pagar as dívidas e ficar com o saldo remanescente, como mostrou a colunista Mônica Bergamo.

A proposta foi parar nas negociações da sua delação premiada. Desde sempre, antes mesmo da liquidação do Master pelo Banco Central, ficar com o "troco" sempre foi o plano do ex-banqueiro.

Terrorismo ao gosto do freguês, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Inexistência de definição universalmente aceita permite múltiplas classificações

Lei americana abusa de tipos abertos e a brasileira exige motivação ultraespecífica

PCC e CV são organizações terroristas, como acaba de decretar Donald TrumpNão existe definição universalmente aceita de terrorismo, o que dá ampla margem de manobra a quem faz a classificação.

Os americanos se valem de conceituações relativamente abertas. Qualquer ação que envolva violência e tenha o objetivo de intimidar a população civil ou forçar o governo a alterar políticas pode ser categorizada como terrorista (US Code, Title 18). Se você tiver uma treta com as autoridades locais, elas não precisarão se esforçar muito para acusá-lo de terrorismo.

Escala 5x2 anula efeito da foto de Flávio Bolsonaro com Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Contrária à redução da jornada de trabalho, direita não consegue evitar vitória de Lula

Momento eleitoral decide a sorte da PEC, que precisa passar no Senado

Foi o espetáculo de sempre no mafuá da Câmara dos Deputados. Em mais de 12 horas de sessão, vaias, comemorações, bate-bocas ensaiados para alimentar as redes sociais. O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) roubou a cena ao dizer que o fim da escala 6x1 vai permitir mais tempo para o sexo.

Em defesa da aprovação do texto, Otoni de Paula (PSD-RJ) voltou à década de 60 do século passado, aos polarizados festivais da canção, puxando o coro de "Pra Não Dizer que não Falei das Flores (Caminhando)", de Geraldo Vandré. Uma cena constrangedora, mas quem estava ligando?

Um país em depressão, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Quando a política e o estresse psicológico se encontram

A coincidência cronológica é demasiado precisa para ser fortuita. Em 2013, ano em que as “jornadas de junho” inauguraram o ciclo de polarização permanente no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde registrava prevalência de 7,6% de depressão diagnosticada entre adultos. Em 2019, o índice foi a 10,2% — 16,3 milhões de pessoas. Em 2022, no inquérito Covitel, da UFPel, chegou a 13,5%. Em seis anos, alta de 34%. Em uma década, quase dobrou. Nesse período, o país atravessou Lava-Jato, impeachment, recessão histórica, eleição de 2018, pandemia, eleição de 2022 e o 8 de Janeiro.

A nova abolição, por André Barrocal

CartaCapital

A despeito da pressão empresarial, a Câmara aprova o fim da escala 6×1. O Senado tende a corroborar

O fim do trabalho escravo no Brasil, último país a abolir a prática, foi seguido por cerca de quatro décadas de expedientes laborais inclementes: 12 horas diárias, 14 horas, 16 horas. Getúlio Vargas, nos anos 1930 e 1940, impôs limites: 8 horas por dia e 48 por semana. Era o início da chamada escala 6 por 1. Passaram-se mais quatro, cinco décadas e a Constituição que enterrou a ditadura reduziu a carga semanal para 44 horas. E agora, 38 anos depois, o Brasil está à beira de outro passo histórico para dar mais tempo livre àqueles que o carregam nas costas. Os deputados acabam de aprovar a jornada de 40 horas por semana, realidade na Europa desde o século passado, sem corte de salário. Basta o endosso dos senadores, e as pistas indicam que eles não vão nadar contra a maré, para a mudança constitucional entrar em vigor de forma escalonada: 42 horas em 60 dias e 40 horas, em um ano. Será a abolição da escala 6 por 1.

A revolução da IA e o futuro da humanidade, por Marcus Pestana

A trajetória humana é a história de sucessivos desequilíbrios, provocados pela constante inovação, fruto da inquietação humana e da busca permanente de desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida. O mundo nunca deu razão àqueles que acreditavam numa utopia estacionária, onde, em certo momento, estabilizaríamos a vida, alcançando tranquilidade e a conservação do status quo, sem as tormentas causados pelas mudanças disruptivas e inovações revolucionárias.

O pecado da escravidão, por Jamil Chade

CartaCapital

A primeira encíclica de Leão XIV une-se à posição da ONU na crítica ao neocolonialismo

Sem o carisma e a vitalidade de Francisco, o antecessor, o papa Leão XIV finalmente saiu da sombra e deu sentido ao seu pontificado. Na segunda-feira 25, o norte-americano ­Robert Prevost lançou a encíclica Magnifica ­Humanitas, que trata da salvaguarda dos seres humanos na era da Inteligência Artificial. O papa aproveitou a oportunidade para uma reparação histórica. “Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, declarou, em referência à chancela da Santa Sé a séculos de escravidão. O reconhecimento papal deu-se dois meses depois de a Assembleia-Geral das Nações Unidas ter aprovado uma resolução na qual declara a escravatura como o maior crime contra a humanidade de todos os tempos.

A síndrome de Babel, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Na encíclica Magnifica Humanitas, Leão XIV alerta para os perigos da tecnologia

Cometo a ousadia de abrir este modesto artigo com um trecho da encíclica Magnifica Humanitas do papa Leão XIV. “A tecnologia”, diz o texto, “pode curar, conectar, educar, cuidar da casa comum; mas também pode dividir, descartar, gerar novas injustiças. Na teoria, em si mesma, ela não é uma solução para os problemas da humanidade, assim como não é, em si mesma, um mal; todavia, na prática, não é neutra, pois tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam. Por isso, a primeira escolha não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre edificar Babel ou reconstruir Jerusalém: entre um poder que pretende dominar o céu e um povo que, unido na presença de Deus, começa o trabalho de reerguer os muros da convivência fraterna.”

Depois das facções, acusação de terrorismo de Trump pode alcançar qualquer brasileiro, por Thiago Rodrigues*

CartaCapital

Ao incluir PCC e CV no aparato jurídico da guerra ao terror, Washington amplia sua capacidade de impor sanções, abrir processos e exercer pressão política sobre o País

No dia 26 de maio, Flávio Bolsonaro foi recebido na Casa Branca por Donald Trump. O senador, agora pré-candidato à Presidência, disse ter pedido ao americano que incluísse o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, as principais facções criminosas brasileiras, na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado dos EUA, conhecida pela sigla FTO, de Foreign Terrorist Organizations.

Dois dias após a visita, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou a inclusão imediata do CV e do PCC como terroristas, mas em outra categoria: a de Specially Designated Global Terrorists, ou SDGTs, “terroristas globais especialmente designados”. Rubio prometeu porém, para 5 de junho, incluí-los também na lista de FTOs.

Governo Lula diz que soberania é 'inegociável', rejeita 'interferência' e ataca família Bolsonaro após EUA classificarem PCC e CV como terroristas

Por Jeniffer Gularte e Sérgio Roxo – O Globo

Texto afirma que ação de opositores é 'deplorável' e feita por 'falsos patriotas'

O governo Lula afirmou em nota que rejeita qualquer "interferência" e que a soberania é "inegociável" após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O texto traz ataques à família Bolsonaro e diz que a medida foi tomada após uma "manipulação política" feita por "falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado". O próprio presidente também se manifestou em discurso nesta manhã afirmou que as facções são "terroristas para os brasileiros e não como Trump quer".

O governo era contra a medida, que foi tomada dois dias após o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, se reunir com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Flávio e aliados comemoraram a iniciativa de Trump.

Quem age contra a soberania é indigno de ser presidente, diz ex-chanceler sobre Flávio Bolsonaro

Leonardo Miazzo – CartaCapital

Soberania depende da capacidade de um país se pautar por suas próprias leis, enfatiza Aloysio Nunes

O ex-chanceler Aloysio Nunes afirmou a CartaCapital considerar o senador Flávio Bolsonaro (PL) indigno de se tornar presidente da República, após o pré-candidato ao Palácio do Planalto trabalhar para os Estados Unidos designarem como terroristas as facções criminosas PCC e Comando Vermelho.

Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, o governo de Donald Trump classificará as facções como “Organizações Terroristas Estrangeiras” a partir de 5 de junho. O republicano acelera desde 2025 o combate ao que chama de “narcoterrorismo”, enquanto o Brasil temia as implicações legais e de soberania caso essa designação passasse a contemplar o PCC e o CV.

A postura brasileira também resulta de uma avaliação técnica: facções são organizações criminosas voltadas ao lucro, sem motivação política ou ideológica – um elemento associado à definição de terrorismo no direito internacional.

O anúncio de Rubio ocorreu cerca de 48 horas após o encontro entre Trump e Flávio na Casa Branca. O senador afirmou ter solicitado a medida contra o PCC o CV.

“Um atributo central da soberania é a capacidade de um país reger-se por suas próprias leis. Flávio Bolsonaro e a extrema-direita defendem a aplicação de uma lei norte americana ao Brasil“, resumiu Nunes.

O ex-ministro das Relações Exteriores enfatiza: a lei brasileira tipifica como terrorismo determinados atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

“Não se aplica aos crimes do CV e do PCC, que são punidos pela Lei das Organizações Criminosas com penas mais severas que as cominadas ao terrorismo”, acrescentou Aloysio Nunes. “Preconizar a aplicação extraterritorial de uma lei norte americana no Brasil é agir contra nossa soberania. Quem faz isso é indigno de ser presidente da República.”