sexta-feira, 13 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Segunda Turma do STF tem de manter Vorcaro preso

Por O Globo

Investigações demonstraram que ele representa ameaça ao andamento das investigações e à sociedade

Não faltam motivos para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça no começo do mês. Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central, representa ameaça ao bom andamento das investigações e à própria sociedade, como comprova a apuração da Polícia Federal (PF). Há evidência de aliciamento de agentes públicos, monitoramento de “adversários”, invasão de sistemas digitais do Estado e planejamento de ações violentas para tentar calar notícias desfavoráveis.

Como semear valores contra a barbárie, por Fernando Luiz Abrucio

Por Valor Econômico

A escola deve semear o ideal de uma sociedade justa e tolerante, gerando indivíduos que não excluam o diferente nem admitam a desigualdade

Acompanhar o noticiário nas últimas semanas tem sido desanimador. O ataque ao Irã mostra como o mundo se tornou incerto e perigoso sob as novas regras estabelecidas por Trump e seus aliados, gerando um cenário sombrio no curto prazo. No Brasil a situação não é muito melhor: a epidemia de feminicídios tomou conta do país e as instituições políticas estão sob suspeita desde a eclosão do caso Master. É muito difícil lutar contra o imperialismo trumpista, mas é possível, em alguma medida, atuar sobre os valores que alimentam a barbárie brasileira. Para isso, uma via essencial é a educação, tomada como instrumento formador das pessoas desde a tenra idade.

Polarização aumentou mais entre grupos menos propensos a usar redes sociais, diz sociólogo Manuel Castells

Por Marcus Lopes / Valor Econômico

Em “Sociedade digital”, o pensador espanhol mostra que a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade

Em 1986, menos de 1% da informação mediada no planeta estava armazenada em formato digital, índice que hoje supera os 99,5%. O número de usuários de internet ao redor do globo terrestre saltou de 2,6 milhões, em 1990, para 5,3 bilhões em 2022. Já a quantidade de contas de telefonia celular passou de 23.500, em 1980, para mais de 8 bilhões em 2020, segundo dados do Banco Mundial.

Em poucas décadas, as populações que vivem nas mais diferentes partes do planeta presenciaram a transformação de uma realidade analógica para a digital, com reflexos em todos os setores da sociedade. Da organização espacial das cidades aos conflitos geopolíticos entre nações, a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade, conforme demonstra o sociólogo espanhol Manuel Castells em “Sociedade digital”.

Um dos maiores estudiosos da internet e mobilizações sociais da atualidade, Castells analisa a rede e os seus efeitos na comunicação e nas relações entre as pessoas, desde a década de 90. Efeitos que, conforme demonstra no livro, foram potencializados com o lançamento do iPhone, em 2007, pela Apple. O aparelho desenvolvido pela equipe de Steve Jobs é considerado como a tecnologia-chave para uma nova esfera da interação entre as pessoas e a comunicação em massa.

Brasília convida à ópera: ‘Nessun dorma’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

“Ninguém dorme, ninguém dorme”, é o estado de nervos na capital federal

Um político experiente, que circula entre Brasília e São Paulo, com trânsito nos três Poderes e no setor produtivo, depois de ouvir muito, resumiu assim o estado de nervos na capital federal: “Ninguém dorme, ninguém dorme”.

Nada mais apropriado para descrever Brasília em tempos de crise do Banco Master do que uma frase que remete à ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini. No ato final, o príncipe Calaf canta a ária “Nessun dorma” - “Que ninguém durma”, em livre tradução. A princesa Turandot proíbe que os súditos durmam naquela noite enquanto não descobrirem o nome do príncipe. Do contrário, todos morrerão e ela teria de se casar com ele.

Lula está com a caixa de ferramentas vazia, por Vera Magalhães

O Globo

Ao apostar tudo no 'nós contra eles', presidente não colheu resultado esperado, e, com essa e outras escolhas, abriu mão do eleitor de centro, que garantiu sua eleição em 2022

Ao abrir mão paulatinamente do eleitor da chamada frente ampla, que, na prática, assegurou sua vitória apertada em 2022, Lula plantou a dificuldade que enfrenta agora na largada oficial de sua campanha à reeleição.

Na disputa de quatro anos atrás, o então candidato Lula admitiu em entrevista ao Jornal Nacional a ocorrência de corrupção na Petrobras. Naquela mesma jornada, disse que não disputaria a reeleição em 2026. Fez um aceno ao centro escolhendo o antigo adversário Geraldo Alckmin como vice e se esforçando para atrair o apoio de Marina Silva, no primeiro turno, e o de Simone Tebet, no segundo.

A Sexta-Feira 13 do Supremo, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Julgamento de habeas corpus de Vorcaro pode assombrar o STF por bastante tempo

A Segunda Turma do Supremo começa a julgar hoje o pedido de habeas corpus de Daniel Vorcaro. A votação terá início numa sexta-feira 13, e suas consequências podem assombrar o tribunal por bastante tempo.

O ministro Dias Toffoli, que negava proximidade com o banqueiro, agora declarou-se suspeito e não participará do julgamento. Pode parecer má notícia para Vorcaro, mas não é. Com um ministro a menos, ele passa a precisar de apenas dois votos para sair da cadeia.

10 mil ou 10 milhões de misóginos? Por Pablo Ortellado

O Globo

Dez mil ou 10 milhões de misóginos? A resposta importa, e os dados disponíveis sugerem que estamos mais próximos do número menor

Após conhecermos os detalhes do brutal estupro coletivo em Copacabana, descobrimos nesta semana que os estupradores parecem estar ligados a grupos radicais masculinistas on-line (um dos jovens se entregou à polícia com uma camiseta com frase do influenciador Andrew Tate). Descobrimos também que, nesta semana, uma trend no TikTok, “Caso ela diga não”, viralizou ensinando meninos a responder com violência física a mulheres que rejeitam suas abordagens amorosas. Descobrimos também que essa trend faz parte de um conjunto muito mais amplo de conteúdos misóginos on-line que registram mais de 3,9 bilhões de visualizações no YouTube. O estupro coletivo é, assim, visto como fruto de campanhas de misoginia politicamente organizadas que atingem público alarmante na internet.

Biruta de aeroporto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A ‘biruta’ de Trump sopra como as pesquisas e os fatos, a favor de Flávio Bolsonaro

Tanto quanto como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Donald Trump apontam uma reversão de expectativas a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que atravessou 2025 como favorito, mas chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto. Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.

Flávio é hoje candidato praticamente único da direita e tem empate numérico com Lula num 2.º turno. Tornou-se “novidade” contra um candidato manjado, que sofre desgaste pelas peraltices de Lulinha, os vexames de Dias Toffoli e a queda do pedestal de Alexandre de Moraes.

Para onde vai o caso Master, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Em caso de investigação, que seja séria e fundamentada; em caso de delação premiada, que seja examinada com lupa

Temos muitos temas estratégicos para discutir. E outros urgentes, como o impacto da guerra e do fechamento do Estreito de Ormuz em nossa economia. No entanto, será difícil avançar em algo enquanto a atenção nacional estiver concentrada no escândalo do Banco Master.

Escândalos financeiros de maior volume, como foi o caso de Bernie Madoff nos EUA, foram muito discutidos, mas não conseguiram monopolizar o debate político. O caso brasileiro é crucial, porque envolve autoridades políticas, financeiras e judiciárias. Mais especificamente, algo inédito na História: dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Por que Vorcaro deveria continuar preso? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Se Vorcaro for liberado para ir para casa, muita gente em Brasília respira aliviada

Caberá aos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux decidirem se mantêm ou revogam a prisão preventiva de Daniel Vorcaro do Banco Master.

Criminalistas ouvidos pela coluna afirmam que sobram motivos para ele continuar sob a custódia da Justiça. A defesa argumenta o contrário. A votação começa hoje e segue por uma semana em plenário virtual.

Intervenção no mercado de petróleo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O governo Lula tenta atacar as distorções que atingem o mercado interno de derivados do petróleo com decisões que provocam novas distorções.

Ontem, os preços internacionais do petróleo tipo Brent voltaram a ultrapassar os US$ 100 por barril. Como a Petrobras não reajusta os preços internos dos derivados há quase um ano e, no caso do diesel, estão com uma “defasagem” em torno de 41%, ficou inevitável o desabastecimento em vários Estados do País.

A primeira causa desse desabastecimento é o aumento da estocagem. Como os consumidores sabem que, mais cedo ou mais tarde, a Petrobras terá de corrigir os preços internos, passaram a recorrer ao armazenamento aos preços atuais, subsidiados, não só para garantir o abastecimento, mas também para ganhar com a diferença de preços.

Alta da inflação e endividamento das famílias tiram o sono de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Palácio do Planalto teme que o choque do petróleo frustre uma das principais apostas políticas de Lula para sua campanha de reeleição: a “economia do afeto”

A guerra no Oriente Médio introduziu uma variável externa que pode alterar significativamente o cenário político brasileiro em pleno ano eleitoral, sobretudo a estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escalada do conflito e o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz provocaram a disparada do preço do barril, que chegou a ultrapassar a casa dos US$ 120 antes de recuar para a faixa de US$ 90. Governos do mundo inteiro estão diante da ameaça de inflação doméstica e desgaste político.

Lula está certo de limitar o estrago da guerra nos combustíveis, no curto prazo, Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo vai jogar a conta do subsídio na Petrobras e em outros exportadores de petróleo

União Europeia estuda que medidas tomar para conter o impacto da alta de preços

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai usar dinheiro dos impostos a fim de evitar alta maior do preço do diesel. Por ora, não se fez nada em relação à gasolina. O economista-padrão não deve gostar da medida. Mas, no curto prazo, faz sentido. Por falar nisso, a União Europeia estuda fazer algo parecido. Na Ásia, já se toma providência na mesma linha.

O governo vai compensar a perda de receita ou o gasto com subsídios cobrando imposto sobre exportação de petróleo. No ano passado, o Brasil exportou petróleo no valor de US$ 44,7 bilhões (dados da Agência Nacional do Petróleo, a ANP). A Petrobras registra que exportou US$ 25,6 bilhões, mais de 50% do total (a proporção é imprecisa, pois os produtos que entram na conta desses dois valores exportados são um pouco diferentes). Os acionistas da petroleira, governo inclusive, e suas irmãs privadas vão pagar a conta.

O Brasil deveria gastar mais em defesa? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ministro usa guerra no Irã como pretexto para pedir mais verbas

Reunir poderio bélico para dissuadir EUA de ataque não é meta realista

O ministro da Defesa, José Mucio, se valeu da guerra no Irã para pedir mais recursos para as Forças Armadas. Na visão de Mucio, a escalada bélica no Oriente Médio mostra que o Brasil precisa ampliar seu poder de dissuasão militar. Investimos hoje 1% do PIB em defesa e, no entender do ministro, precisaríamos aplicar no mínimo 2%. Ele diz que há países gastando até 7% nessa rubrica.

Cony aos incríveis 100, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Ele via a morte como uma pândega. O homem que se dizia terminal parecia cada vez mais inaugural

Ativo até o fim, aos 92 anos, Cony seria o primeiro a desmoralizar o seu próprio centenário

Já contei esta história. Em 2012, coordenando um ciclo no Sesi, em São Paulo, sobre o centenário de Nelson Rodrigues, convidei Carlos Heitor Cony a participar de um dos debates. Cony, com 86 anos, tinha um câncer linfático crônico, cujo tratamento lhe provocava um enfraquecimento que o obrigava à cadeira de rodas. Mas sua cabeça continuava atilada, surpreendente e com a molecagem intacta. Aceitou e tomou o avião no Santos-Dumont.

Governo anuncia pacote de medidas e zera PIS/Cofins do diesel para conter impacto da alta do petróleo

Por Sofia AguiarMarlla SabinoGabriel Shinohara e Mariana Andrade / Valor Econômico

Brasília - O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para conter o impacto nos preços dos combustíveis diante da pressão internacional no preço do petróleo, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Entre as medidas, o Executivo irá zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização para conter a alta do combustível.

Na prática, segundo o governo, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro.

O pacote foi anunciado durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, convocada para anunciar medidas do governo em meio a alta do petróleo no mercado internacional pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Lula zera tributo sobre diesel e cria imposto de exportação para conter preços com guerra no Irã

Caio Spechoto, Marcos Hermanson e Mariana Brasil  / Folha de S. Paulo

Governo afirma que redução de tributos, com impacto de R$ 30 bi, será compensada por taxa sobre vendas ao exterior.

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta quinta-feira (12), medida provisória que zera o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação de petróleo.

O anúncio foi feito como uma resposta ao aumento de preços dos combustíveis causado pela guerra no Irã, que pressiona as cotações do petróleo. Com as medidas, válidas até 31 de dezembro, o governo estima redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido na bomba.

Um ciclo esgotado, por Ivan Alves Filho

Há alguns meses, antes mesmo de eclodir o escândalo do banco Master, eu publiquei um texto intitulado Eu gostaria de saber o que está acontecendo com o Brasil. 

E acontece que, de lá para cá, a nossa crise só vem se aprofundando. Endividamento crescente das pessoas, aumento no número de dependentes inscritos no bolsa família, avanços escabrosos no crime organizado, casos chocantes de corrupção, feminicídio e estupros com frequência quase avassaladora; enfim, problemas de todo o tipo não saem mais das páginas dos jornais e do noticiário em geral. Tudo isso deixa a impressão de fim de um ciclo, senão de fundo do poço, tamanho os impasses que vivemos. Creio que estamos de volta aos tempos da República Velha, do Estado Novo e da ditadura militar. Um fechamento de época, pedindo urgentemente uma mudança de rumos. Caso contrário, a Democracia correrá sérios riscos, a descrença popular nas instituições da República se aprofundando cada vez mais. E esta descrença engloba igualmente os partidos políticos e boa parte de suas lideranças.