domingo, 12 de abril de 2026

Uma nação perigosa? Por Pedro S. Malan

O Estado de S. Paulo

Os pesos e contrapesos da democracia norte-americana hão de impedir, ainda que a um custo inicial elevado, que esse cenário de horror se materialize

Faltam quase 200 semanas: é assustador Estadão, 13/4/25, A4), foi o título de artigo que publiquei neste espaço, há exatamente um ano, a propósito das primeiras 12 semanas do governo Trump. Já era possível então antever um futuro incerto e perigoso, para os EUA e para o mundo. O panorama é agora ainda mais assustador.

Nação perigosa (Dangerous Nation) é o título do livro publicado há exatos 20 anos por Robert Kagan. A obra mostra que desde a independência, os norte-americanos aumentaram seu poder e influência por meio da expansão comercial e territorial, do combate à influência no continente norteamericano de franceses, espanhóis, russos e mesmo de britânicos, da alienação dos native americans. Em detalhado reexame desse processo histórico, Kagan mostra como os EUA, desde seus primórdios como nação, foram vistos pelo resto do mundo não apenas como uma fonte inspiradora de mudança política, cultural e social, mas também como uma nação ambiciosa, por vezes perigosa.

Miséria de ideias marca início da disputa eleitoral, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Nenhum candidato tentou, ainda, abrir um debate proveitoso sobre qualquer assunto relevante para a vida econômica e para a gestão pública do País

Bocejo vai ser a marca da campanha eleitoral, neste ano, se nenhum desastre, escândalo ou alguma grande surpresa mudar o cenário. Por enquanto, nada ou quase nada aparece, no horizonte político, além do conflito grupal entre bolsonarismo e lulismo ou, numa perspectiva mais ampla, entre direita, esquerda e algum liberalismo conservador ou reformista. Num ambiente menos morno e paradão, as aventuras do senhor Vorcaro seriam noticiadas, quase certamente, com menor destaque. O Brasil já teve escândalos financeiros mais notáveis e com envolvimento de instituições mais poderosas. Apesar de mais interessantes, é melhor evitar sua repetição.

Artemis e o Planeta Trump, Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A Artemis II distrai EUA e mundo, mas não esconde o “admirável mundo novo de Trump”

A Missão Artemis II é um sucesso histórico que vem a calhar para Donald Trump distrair os Estados Unidos e o mundo por algum tempo, mas não anula as suas ações nocivas contra a economia, as regras, a estabilidade e a segurança do planeta onde vivemos e traz aquela dúvida cruel: o que aconteceu com o sistema de pesos e contrapesos da democracia americana?

Quando Trump ameaça o Irã dizendo que “toda uma civilização vai morrer, para nunca mais voltar”, tem alguma coisa de errado aí, muito errado, um cheiro de Hitler no ar, um sinal amarelo (ou vermelho?) para a humanidade. Afora a perplexidade de parte da população civil e da mídia, nada acontece. O sistema de Justiça, as Forças Armadas e o Congresso dão de ombros, como se fosse normal, uma frase “desajeitada” a mais.

O que pode dar errado em Islamabad? Por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Superestimarem seus respectivos ganhos na guerra e Trump não conseguir controlar Netanyahu

As negociações entre EUA e Irã têm a melhor composição possível. O que pode dar errado? As partes superestimarem seus respectivos ganhos táticos, militares, políticos e estratégicos na guerra de 40 dias; ou Donald Trump não conseguir controlar Binyamin Netanyahu.

A escolha do vice J.D. Vance prova o desejo de Trump de alcançar um acordo. Além do mandato que a eleição lhe confere, o vice foi quem mais vocalizou oposição à guerra, no processo de decisão.

Todos contra um, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Sem rivais no campo progressista, presidente tende a ficar isolado em debates e 2º turno

Rumo à sétima campanha presidencial, Lula deixou escapar uma preocupação com os debates de TV. “Eu não sei quantos candidatos vai ter do lado de lá”, comentou, na quarta-feira. O petista disse que preferia participar de encontros “sem tanta regra”. “Quem sabe não precisa ser todo mundo junto, quem sabe faz uma mistureba?”, sugeriu, em entrevista ao ICL Notícias.

Pela lei eleitoral, outros três pré-candidatos têm lugar garantido nos debates: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Eles são filiados a partidos que elegeram ao menos cinco congressistas em 2022. As emissoras também podem convidar representantes de legendas nanicas que pontuarem bem nas pesquisas. Em tese, poderá ser o caso de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Com quem será? Por Merval Pereira

O Globo

No STF existe uma disputa antes velada, agora quase escancarada, para saber que grupo controlará a maioria do plenário ou, pelo menos, da Primeira Turma, hoje composta pelos ministros Flavio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Carmem Lucia e Luis Fux.

Em meio a toda crise institucional que o Supremo Tribunal Federal (STF) vive, existe uma disputa antes velada, agora quase escancarada, para saber que grupo controlará a maioria do plenário ou, pelo menos, da Primeira Turma, hoje composta pelos ministros Flavio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Carmem Lucia e Luis Fux. O provável futuro ministro da Casa, Jorge Messias, vai compor esse grupo, pois Fux pediu para sair por divergências com a maioria dele. O indicado pelo presidente Lula está tendo ajuda até mesmo dos ministros indicados por Bolsonaro, como André Mendonça e Nunes Marques, mas conta também com ministros mais ligados a Lula, como Gilmar Mendes.

Vorcaro é um fenômeno antropológico, por Elio Gaspari

O Globo

Entre propinas, festas, milicianos, consultorias e honorários, em três anos, o banqueiro aspergiu, numa conta de padaria, mais de R$ 1 bilhão

Entre propinas, festas, milicianos, consultorias e honorários, em três anos, Daniel Vorcaro aspergiu, numa conta de padaria, mais de R$ 1 bilhão. Contratou serviços de um ex-presidente (Michel Temer, com R$ 10 milhões), dois ex-ministros (Ricardo Lewandowski, do STF, com pelo menos R$ 6,1 milhões e Guido Mantega , da Fazenda, com R$ 14 milhões.) Nessa constelação de notáveis brilha o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes (R$ 80 milhões). Em quatro anos o Master gastou mais de R$ 500 milhões com advogados de 91 bancas.

A milícia privada de Vorcaro custou-lhe R$ 68,66 milhões em 2023. Nas asas de suas empresas voaram pelo menos três ministros do Supremo: Alexandre de Moraes, marido da doutora Viviane, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Este, como relator do caso Master, quis impor sigilo ao processo e tentou blindar a investigação.

Banco Central pede socorro, por Míriam Leitão

O Globo

O sistema financeiro ficou maior e mais complexo, o BC precisa contratar mais, valorizar o servidor, criar um ambiente próprio de IA

A proposta de ampliar a autonomia do Banco Central tem ficado prisioneira dos conflitos. Dias atrás, quase foi tirada de pauta após o PT não gostar da resposta do presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o seu antecessor. Ele não acusou Roberto Campos Neto no caso Master. Contornada a crise, decidiu-se que o relatório será votado esta semana na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Esse projeto deve ser avaliado pelos seus méritos e em busca de maior eficiência da autoridade monetária. O número de instituições financeiras aumentou muito nos últimos anos, as fraudes estão mais sofisticadas e complexas, o ambiente digital ampliou a exposição a riscos de ataques cibernéticos. O país precisa de mais Banco Central e não menos. A instituição está definhando com a perda gradativa de pessoal.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Notícias inquietantes para Lula no Datafolha

Por Folha de S. Paulo

Avaliação positiva do governo não supera a negativa nem mesmo entre eleitores mais pobres

Na simulação de segundo turno, há empate com Flávio Bolsonaro, que surge numericamente à frente pela primeira vez

A nova pesquisa do Datafolha traz notícias inquietantes para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a apenas seis meses da disputa presidencial.

Entre os brasileiros aptos a votar, a avaliação do governo petista tem viés de baixa. Ademais, nas simulações de segundo turno, o incumbente aparece empatado com os principais adversários à direita, e Flávio Bolsonaro (PL) se encontra pela primeira vez numericamente à frente.

Haddad foi um bom ministro, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Mesmo assim, boa parte da esquerda o chama de neoliberal

Já mercado lamenta que Haddad não tenha feito um ajuste fiscal mais duro

Fernando Haddad fez a reforma tributária que 9 entre 10 economistas achavam necessária para destravar o capitalismo brasileiro. Cobrou imposto dos ricos como nenhum governo de esquerda havia cobrado. Conseguiu entregar desemprego e inflação baixos, crescimento médio maior do que o dos últimos anos e foi o único político brasileiro, pelo que se sabe até agora, que se recusou a conversar com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Fernando Haddad foi, portanto, um bom ministro.

Mesmo assim, boa parte da esquerda o chama de neoliberal, e o mercado lamenta que Haddad não tenha feito um ajuste fiscal mais duro.

Anti-Lula assombra Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Caiado e Zema, na casa dos 5% no primeiro turno, empatam com o presidente na disputa final

Avaliação do governo não é positiva nem entre o eleitorado de menor renda, indica Datafolha

O anti-Lula deve ter 42% dos votos, sugerem dados do DatafolhaRonaldo Caiado (PSD-GO), com 5% dos votos no primeiro turno, e Romeu Zema (Novo-MG), com 4%, iriam a 42% das preferências do eleitorado caso disputassem o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva. Nessas hipóteses, o presidente ficaria com 45%.

Não dá para cravar que qualquer adversário de Lula consiga dar tamanho salto de votação entre os dois turnos —o Datafolha compôs cenários apenas com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Caiado e Zema. É temerário dizer que Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%, possa se tornar alternativa. Daciolo, do bordão "Glória a Deux", foi candidato a presidente em 2018 e chegou em sexto lugar, vencendo Henrique Meirelles, Marina Silva e Guilherme Boulos.

Dois caminhos para a prosperidade, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro investiga as causas profundas da divergência Ocidente-Oriente

Organizações baseadas em regras universais deram vantagem à Europa

"Two Paths to Prosperity", de Avner Greif, Joel Mokyr e Guido Tabellini, é uma obra de fôlego, daquelas que encantam os que gostam de entender as causas profundas de fenômenos históricos. O trio de autores se propõe a explicar nada menos do que a Grande Divergência, o processo pelo qual o Ocidente (Europa e EUA) consegue a partir do século 19 superar o Oriente (principalmente a China) em termos de riqueza e desenvolvimento científico.

Pacote pode virar arma eleitoral, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Medidas não deveriam se transformar em arma eleitoral para estimular o consumo a todo custo

Governo turbinou crédito para acelerar PIB; agora, o endividamento dá as caras de forma mais preocupante

No centro da discussão sobre as medidas de combate ao endividamento está o embate crescente no governo Lula neste ano eleitoral sobre o atual patamar da taxa Selic mantido pelo Banco Central –hoje em 14,75%.

O governo considera que o programa Desenrola de renegociação de dívidas –a primeira medida anunciada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ainda na época da transição– deu certo, mas foi prejudicado pelos juros em nível alto por um tempo prolongado.

Rio de lama e seus afluentes, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Palavra-chave no dia a dia da cidade é caos urbano

Massas eleitorais cariocas são regidas pela lógica do pior

Logo no início da peça "Júlio César", de Shakespeare, um vidente adverte o imperador: "Cuidado com os idos de março", 15 de março no calendário romano. Sem dar atenção à profecia, César é assassinado nesse mesmo dia. Mas não foi preciso áugure nenhum para se prever que março seria um mês ominoso no Rio de Janeiro, tendo em vista os prazos eleitorais de desincompatibilização para a alternância dos titulares no poder. Uma semana depois dos idos, o Rio ficou ao mesmo tempo sem governador, prefeito, chefe de polícia e secretariado. É a cidade do "perdeu!", uma metrópole à matroca.

Com os pés no chão, celebremos a resistência iraniana, por Roberto Amaral*

Aos analistas da crise internacional, a boa prudência aconselha parcimônia na projeção de seus desdobramentos, mesmo no curtíssimo prazo. A promessa de paz, ainda que a tempo medido, um pequeno armistício, uma curta suspensão das hostilidades por breves duas semanas para ensejar um mínimo de diálogo, consumou-se em poucas horas como se tudo não passasse de uma trampa. E não poderia ser diferente, pois um dos principais agentes da guerra e do cessar-fogo, o mais belicoso e o mais poderoso — os Estados Unidos da América do Norte — são um negociador de má-fé, e Israel, seu principal associado nesta guerra suja, é comandado por um criminoso de guerra com mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, o que ameaça fazer da negociação a ser retomada uma não-negociação, um ilusionismo para acalmar o mercado global em crise e dar fôlego ao complexo industrial dos EUA, metido numa guerra muito mais custosa do que calculara a princípio (se é que houve cálculo), e as forças da ocupação israelense, que um alto comandante chegou a anunciar que estavam próximas da exaustão.