domingo, 12 de abril de 2026

Haddad foi um bom ministro, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Mesmo assim, boa parte da esquerda o chama de neoliberal

Já mercado lamenta que Haddad não tenha feito um ajuste fiscal mais duro

Fernando Haddad fez a reforma tributária que 9 entre 10 economistas achavam necessária para destravar o capitalismo brasileiro. Cobrou imposto dos ricos como nenhum governo de esquerda havia cobrado. Conseguiu entregar desemprego e inflação baixos, crescimento médio maior do que o dos últimos anos e foi o único político brasileiro, pelo que se sabe até agora, que se recusou a conversar com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Fernando Haddad foi, portanto, um bom ministro.

Mesmo assim, boa parte da esquerda o chama de neoliberal, e o mercado lamenta que Haddad não tenha feito um ajuste fiscal mais duro.

Anti-Lula assombra Lula, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Caiado e Zema, na casa dos 5% no primeiro turno, empatam com o presidente na disputa final

Avaliação do governo não é positiva nem entre o eleitorado de menor renda, indica Datafolha

O anti-Lula deve ter 42% dos votos, sugerem dados do DatafolhaRonaldo Caiado (PSD-GO), com 5% dos votos no primeiro turno, e Romeu Zema (Novo-MG), com 4%, iriam a 42% das preferências do eleitorado caso disputassem o segundo turno com Luiz Inácio Lula da Silva. Nessas hipóteses, o presidente ficaria com 45%.

Não dá para cravar que qualquer adversário de Lula consiga dar tamanho salto de votação entre os dois turnos —o Datafolha compôs cenários apenas com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Caiado e Zema. É temerário dizer que Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%, possa se tornar alternativa. Daciolo, do bordão "Glória a Deux", foi candidato a presidente em 2018 e chegou em sexto lugar, vencendo Henrique Meirelles, Marina Silva e Guilherme Boulos.

Dois caminhos para a prosperidade, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro investiga as causas profundas da divergência Ocidente-Oriente

Organizações baseadas em regras universais deram vantagem à Europa

"Two Paths to Prosperity", de Avner Greif, Joel Mokyr e Guido Tabellini, é uma obra de fôlego, daquelas que encantam os que gostam de entender as causas profundas de fenômenos históricos. O trio de autores se propõe a explicar nada menos do que a Grande Divergência, o processo pelo qual o Ocidente (Europa e EUA) consegue a partir do século 19 superar o Oriente (principalmente a China) em termos de riqueza e desenvolvimento científico.

Pacote pode virar arma eleitoral, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Medidas não deveriam se transformar em arma eleitoral para estimular o consumo a todo custo

Governo turbinou crédito para acelerar PIB; agora, o endividamento dá as caras de forma mais preocupante

No centro da discussão sobre as medidas de combate ao endividamento está o embate crescente no governo Lula neste ano eleitoral sobre o atual patamar da taxa Selic mantido pelo Banco Central –hoje em 14,75%.

O governo considera que o programa Desenrola de renegociação de dívidas –a primeira medida anunciada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ainda na época da transição– deu certo, mas foi prejudicado pelos juros em nível alto por um tempo prolongado.

Rio de lama e seus afluentes, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Palavra-chave no dia a dia da cidade é caos urbano

Massas eleitorais cariocas são regidas pela lógica do pior

Logo no início da peça "Júlio César", de Shakespeare, um vidente adverte o imperador: "Cuidado com os idos de março", 15 de março no calendário romano. Sem dar atenção à profecia, César é assassinado nesse mesmo dia. Mas não foi preciso áugure nenhum para se prever que março seria um mês ominoso no Rio de Janeiro, tendo em vista os prazos eleitorais de desincompatibilização para a alternância dos titulares no poder. Uma semana depois dos idos, o Rio ficou ao mesmo tempo sem governador, prefeito, chefe de polícia e secretariado. É a cidade do "perdeu!", uma metrópole à matroca.

Com os pés no chão, celebremos a resistência iraniana, por Roberto Amaral*

Aos analistas da crise internacional, a boa prudência aconselha parcimônia na projeção de seus desdobramentos, mesmo no curtíssimo prazo. A promessa de paz, ainda que a tempo medido, um pequeno armistício, uma curta suspensão das hostilidades por breves duas semanas para ensejar um mínimo de diálogo, consumou-se em poucas horas como se tudo não passasse de uma trampa. E não poderia ser diferente, pois um dos principais agentes da guerra e do cessar-fogo, o mais belicoso e o mais poderoso — os Estados Unidos da América do Norte — são um negociador de má-fé, e Israel, seu principal associado nesta guerra suja, é comandado por um criminoso de guerra com mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional, o que ameaça fazer da negociação a ser retomada uma não-negociação, um ilusionismo para acalmar o mercado global em crise e dar fôlego ao complexo industrial dos EUA, metido numa guerra muito mais custosa do que calculara a princípio (se é que houve cálculo), e as forças da ocupação israelense, que um alto comandante chegou a anunciar que estavam próximas da exaustão.

Poesia | Embriaguem-se, de Charles Baudelaire

 

Música | Paulinho da Viola e Lobão - Sinal Fechado (Paulinho da Viola)