quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mendonça empurra Moraes para a fogueira e incendeia a eleição, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com pedido para investigar ministro por suspeitas graves, STF mergulha em crise inédita

As revelações de ontem lançaram o Supremo Tribunal Federal numa crise inédita em 135 anos. No olho do furacão, misturam-se suspeitas graves contra um ministro, a guerra intestina na Corte e a eleição presidencial.

Um relatório da Polícia Federal escancarou as relações perigosas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na mira de investigações, o banqueiro recorria ao ministro em busca de conselhos e proteção.

Três dias antes de ser preso, o pivô de fraudes bilionárias se desmanchou em mensagem ao juiz: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”.

No dia seguinte, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria fugir do país: “Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Foi interceptado com o pé no jato, quando tentava decolar para Dubai.

Forma não se sobrepõe aos fatos no caso Master, por Vera Magalhães

O Globo

Possível extrapolação de atribuições de Mendonça não pode ser usada para anular evidências graves que pesam contra Alexandre de Moraes

A bomba que caiu sobre o Supremo Tribunal Federal com a revelação da natureza das relações entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro pode mudar a forma como a Corte lida com suspeitas sobre seus integrantes ou ser reduzida, uma vez mais, à disputa entre “alas” do próprio tribunal.

Este último seria o desfecho ideal para quem gostaria de ver soterrado o conteúdo explosivo do relatório da Polícia Federal tornado público por André Mendonça: transformar em questão principal o método e as eventuais motivações do ministro, relegando a segundo plano o que foi encontrado.

Líderes nas pesquisas precisam, às pressas, aprender a ouvir eleitores de Cury, por Elio Gaspari

O Globo

Lula e Flávio decidiram não ir ao debate da Band, má ideia

A surpresa despontou durante o debate da Band, na noite de 23 de agosto: o médico e escritor Augusto Cury era o campeão de buscas na internet. Augusto de quê? Passou uma semana, e a surpresa encorpou. As pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg colocaram-no à frente de todos os aspirantes à terceira via. Cury saiu do nada, conseguiu 8% na BTG e 7,8% na AtlasIntel. É uma mixaria, já que Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro 30% na BTG. Na pesquisa estimulada, quando o entrevistado recebe um cartão com os nomes dos candidatos, marcou 11%, ante 2% da pesquisa BTG anterior. Continua sendo uma mixaria. Não é mixaria o fato de ter pulado de 8,3 milhões de seguidores para 10,5 milhões em menos de uma semana, um dos maiores incrementos do mundo.

Andanças de amiga de Lulinha ainda preocupam o governo, por Fernando Exman

Valor Econômico

Existe a convicção no Palácio do Planalto que a eleição será novamente decidida por estreita margem de votos, provavelmente com uma parcela importante dos chamados "eleitores-pêndulo" reagindo a cada revelação dos vários escândalos em curso no país. São monitorados com lupa, portanto, os possíveis desdobramentos do caso que envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e as tratativas da lobista pela Esplanada dos Ministérios.

A avaliação é que os danos até agora só não foram maiores porque houve a tentativa de viabilizar a comercialização do “produto errado” para o Ministério da Saúde. Isto é, ela poderia ter tentado vender qualquer remédio para dor de cabeça, por exemplo, que a intermediação teria mais chances de ser bem-sucedida. Mas o que veio a público, por enquanto, foi a articulação para a aquisição de frascos de canabidiol.

Candidatos e a ambição de mudar emendas, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Alguma retomada do controle sobre as emendas está na cabeça de Lula e de outros postulantes ao Planalto

No final dos anos 1990, um grupo de 37 parlamentares até então sem projeção se viu sob os holofotes no que ficou conhecido como o escândalo dos anões do Orçamento, sobre desvios de verbas federais. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que os investigou por seis meses terminou em 1994.

Fernando Henrique Cardoso (PSDB) seria eleito naquele ano, em primeiro turno, surfando na popularidade do ex-ministro da Fazenda responsável pelo Plano Real. Foi com esse poder das urnas que conseguiu recuperar para o Palácio do Planalto o domínio sobre uma parcela significativa do Orçamento que antes tinha seu destino decidido no Congresso Nacional, contou à coluna o cientista político Sérgio Praça, professor visitante no programa de pós-graduação em Gestão Pública e Sociedade da Universidade Federal de Alfenas.

O presidente tucano conseguiu que o Legislativo aprovasse, em setembro de 1995, uma resolução que disciplinou as emendas.

"Fernando Henrique contava com uma coalizão de cinco partidos, que tinha 75% do plenário", comentou. "Uma coisa que hoje é impossível, porque o sistema é muito mais fragmentado."

Política sem imaginação, por Marcelo de Azevedo Granato*

O Estado de S. Paulo

A lógica da polarização passa a organizar tanto a percepção da realidade quanto a imaginação do futuro

Por que as alternativas a Lula da Silva e a Flávio Bolsonaro não decolam se 39%-40% das pessoas de 25 a 59 anos e 34% daquelas entre 16 e 24 anos afirmam estar cansadas ou desconfortáveis com a polarização, conforme pesquisa BTG/Nexus deste ano (Adultos lideram cansaço com polarização e jovens são mais complacentes , Coluna do Estadão, 10/8, A2)? Some-se a isso o fato de que petistas e bolsonaristas correspondem a apenas 16% e 13% da população, respectivamente, conforme pesquisa realizada pelo ConnectLab, Centro de Estudos da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), no ano passado.

Uma resposta possível é que, embora os eleitorados mais fiéis sejam minoritários, as duas candidaturas organizam o campo político praticamente sozinhas. Desse modo, contribuem para uma espécie de efeito paralisante que, no Brasil de hoje, compromete nossa já rarefeita capacidade de imaginar outros futuros políticos para além daqueles propostos pelas forças políticas atuais.

A eleição e o dólar, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Até agora, pesquisas de intenção de voto não têm afetado de forma significativa os preços dos ativos

Na ausência de um evento externo, como uma piora no cenário geopolítico ou uma alta antecipada dos juros básicos nos Estados Unidos, muitos analistas apostam que o câmbio deva provavelmente oscilar numa faixa estreita até o desfecho da eleição presidencial brasileira, com a cotação do dólar sendo negociada entre R$ 5,05 e R$ 5,20 na maior parte do tempo.

Xandão se torna tóxico para Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Presidente vai defender investigação, e Flávio tem agora um mote para o ato do 7 de Setembro

Os diálogos que vieram à tona entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, causaram extrema preocupação na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As conversas foram reveladas pelo Estadão.

Desta vez, a gravidade do relatório da Polícia Federal detalhando mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro é tanta que o comitê de Lula ainda está à procura de uma estratégia para se afastar da crise. Agora, a guerra fratricida nas fileiras do STF ameaça explodir na Praça dos Três Poderes e até paralisar votações de interesse do governo no Congresso.

Ministros do Supremo avaliam que provas contra Moraes podem ser anuladas, por Renato Souza

Correio Braziliense

Magistrados acreditam que abertura de investigação contra o colega poderia abrir precedente para que outros membros se tornem alvos

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos sob reserva pela reportagem, avaliam que eventuais provas contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master podem ser anuladas por terem sido obtidas pela Polícia Federal sem a autorização prevista no regimento. Conversas envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram tornadas públicas nesta terça-feira (1º/9).

No entanto, de acordo com a avaliação dos magistrados, para que a investigação tivesse curso, teria sido necessário que o relator, André Mendonça, solicitasse autorização dos demais membros da Corte, por se tratar de um colega de plenário. Mendonça indicou que o caso deve ser levado ao plenário pelo presidente do Tribunal, Edson Fachin.

A avaliação, nos bastidores, é de que uma eventual abertura de investigação contra Moraes abriria precedente para mirar também os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes e Luiz Fux, que já foram citados anteriormente em situações envolvendo o Master.

Esses magistrados acreditam que é mais fácil as provas colhidas serem anuladas pelo plenário do que ocorrer a autorização para a abertura de inquérito. O ministro Fachin avalia o que deve fazer, mas a tendência é convocar uma reunião administrativa para discutir a situação. No entanto, existe receio de uma ofensiva por parte do Senado, a quem cabe julgar integrantes do Supremo.

Em resposta a Mendonça, PGR diz que relatório sobre mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes é nulo, por Tiago Angelo

Valor Econômico

PGR, que também é citado no documento, afirma haver irregularidades na condução da apuração

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou pela nulidade do relatório da Polícia Federal (PF) que trata de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, ao ministro Alexandre de Moraes. O relatório estava em sigilo, mas foi tornado público nesta terça-feira (1º) por decisão de André Mendonça, relator das investigações sobre o banco na Corte.

Gonet, que também é citado no documento da PF, diz que ordens para investigar pessoas específicas são nulas, se não houver pedido expresso do Ministério Público. O PGR afirmou ainda que não cabe a juízes acusar e, menos ainda, "realizar investigações pré-processuais". Ele diz ainda que compete ao plenário investigar integrantes do Supremo e que Mendonça atuou ativamente para buscar indicativos de envolvimento de Moraes em ilícitos.

Resposta precoce da PGR eleva pressão sobre plenário da Corte, por Maria Cristina Fernandes


Valor Econômico

A perspectiva de investigação de ministro por seus colegas é inédita no STF

A manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que seja anulada a petição do ministro André Mendonça para a investigação do ministro Alexandre de Moraes ante a gravidade dos fatos trazidos pelo relatório da Polícia Federal sobre o Master aumenta as expectativas sobre a sessão da tarde desta quarta no Supremo Tribunal Federal.

A expectativa, no gabinete no ministro Edson Fachin até o início da noite desta terça, era de que a sessão poderia vir a ser poupada da explicitação do conflito pelo prazo concedido à PGR. Gonet, tinha cinco dias, mas respondeu antes que o pedido de Mendonça completasse 12 horas. Não se deu por impedido, a despeito de terem sido transcritas mensagens que trocou com um advogado de Daniel Vorcaro e com o próprio ex-banqueiro.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF deve cobrar explicações urgentes de Moraes

Por O Globo

Mensagens com apelos de Vorcaro às vésperas de ser preso põem ministro em xeque

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes continua a dever explicações convincentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master preso por ter comandado a maior fraude bancária da História do Brasil. O relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira traz indícios que expõem um grau de proximidade entre Vorcaro e Moraes incompatível com a isenção e a imparcialidade indispensáveis a qualquer magistrado, ainda mais a um ministro da mais alta Corte do país.

No relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, a PF atribui a Vorcaro mensagens endereçadas a Moraes, enviadas por um sofisticado mecanismo destinado a proteger a comunicação. Segundo a apuração dos investigadores, é possível afirmar que Moraes é o destinatário dessas mensagens. Suas respostas a Vorcaro não foram encontradas, porém, porque seu celular não foi periciado.

Heterodoxia econômica não é terraplanismo, por José Luis Oreiro e Luiz Fernando de Paula*

Folha de S. Paulo

Volta da política industrial e atuação estatal na transição verde mostram que antigas certezas já foram revistas

No Brasil, o desafio é superar tanto o voluntarismo quanto o fundamentalismo de mercado

Há críticas econômicas que ajudam a qualificar o debate público. Outras revelam o quanto o debate brasileiro ainda está preso a velhos dogmas. Ao associar a heterodoxia ao terraplanismo sanitário, como fez o editorial "É urgente recolocar as contas públicas nos trilhos" (15/8), esta Folha recorre a uma caricatura que não contribui para compreender os problemas econômicos do país.

heterodoxia não representa a negação da ciência econômica, mas uma tradição intelectual que inclui Keynes, Kalecki, Schumpeter, estruturalistas latino-americanos e pós-keynesianos. Suas ideias integram pesquisas sobre crescimento, estabilidade financeira, desigualdade e transformação produtiva. Aquilo que o editorial apresenta como "velharias" está longe de ter sido abandonado por governos ao redor do planeta.

Gasto das famílias empaca, agro e petróleo empurram um PIB cada vez mais devagar, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Consumo privado cresce ao menor ritmo anual desde 2017, afora anos de epidemia

Investimento produtivo vai às mínimas do século e regrediu, no último ano

economia deve crescer perto de 2% neste 2026. É o que dá para depreender do resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado nesta terça (1º) pelo IBGE, e do andamento do terceiro trimestre até aqui. No último ano, nos últimos quatro trimestres, o PIB cresceu 1,9%, menor ritmo desde 2019 (excluídos tempos da epidemia). O auge do crescimento anual sob Lula 3 foi o primeiro trimestre de 2025, de 3,6%. Se o crescimento trimestral for zero neste segundo semestre, o PIB aumenta 1,8% em 2026.

Espancamento na UFRJ expõe a intolerância de esquerda, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Caso mostra como agressão, intolerância e virtude podem estar numa mesma justificativa

Fazer do adversário ameaça absoluta é o primeiro passo para converter violência em obrigação moral

violência fascista nunca se apresentou apenas como violência. Precisou de uma embalagem moral que a autorizasse. Em "A Personalidade Autoritária", Adorno e seus colegas identificaram na agressão autoritária uma disposição central: a convicção de que certas pessoas, por violarem valores fundamentais, merecem ser punidas. A agressão deixa então de parecer crueldade e passa a ser experimentada como justiça.

Durante décadas, a esquerda tratou esse mecanismo como propriedade quase exclusiva da direita, mas o episódio da semana passada na UFRJ deveria abalar essa certeza.

Cury é a terceira via que veio para ficar? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Há demanda do eleitorado por candidato fora da polarização

É muito difícil, porém, romper a lógica imposta pelo voto estratégico

O fenômeno Augusto Cury é para valer? O candidato pelo Avante, que em uma semana saltou de 2% das intenções de voto para 11% na pesquisa BTG/Nexus, tem condições de romper a lógica da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro? Como sempre digo aqui, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. E a tal da terceira via não viola nenhuma das regras da natureza, ainda que suas chances de concretização pareçam diminutas.

Cury sacode a poeira da disputa engessada, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Subida súbita ainda precisa de confirmação sobre ser uma tendência ou mero soluço de ocasião

Seja como for, a foto do momento mostra que há vida indecisa fora das torcidas de Lula e Flávio

A primeira novidade da eleição surgiu de onde menos se esperava. Augusto Cury (Avante), psiquiatra best-seller do ramo da autoajuda, atropela dois ex-governadores e um performático, bom de retórica, para se instalar na liderança do pelotão dos nanicos candidatos a presidente.

O desempenho nas pesquisas BTG/Nexus, Real Big Data e Atlas/Bloomberg impressiona, mas carece de comprovação para saber se significa soluço ou tendência. Seja como for, o retrato do momento mostra que há vida indecisa no ambiente em que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PLconcentram atenções e intenções.

Entre panfletos e fuzis, 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, por Guto Rodrigues

O evento na Aleam, sobre os 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, no ano se 1981, é um dos episódios mais brutais da ação da polícia na ditadura militar, acontecido em Manaus.

Com aparato militar, a manifestação estudantil foi sufocada pelas botas, cacetetes e tiros dentro da igreja, resultando no espancamento e prisões de estudantes nos carros camburões da Polícia.

"Foi a luta heroica dos estudantes amazonenses que conquistou a meia passagem, nada se conquista sem luta", discursou o camarada Eron, como também, Maciel, Carril, Irailde e Lúcia Antony, que também fizeram uso da palavra. O auditório senador João Bosco transformou-se num tribunal e os homenageados, estudantes que estiveram no ato,45 anos depois, com seus depoimentos, cantaram com ênfase o hino nacional e condenaram a brutalidade com frase: DITADURA NUNCA MAIS.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Adiar privatização dos Correios custa cada dia mais caro

Por O Globo

Governo prevê aporte de R$ 6 bilhões na estatal que fechou primeiro semestre com prejuízo recorde

Em abril de 2023, menos de quatro meses depois de assumir a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva retirou os Correios da lista de privatizações preparada pelo governo anterior. Na visão do PT, a empresa deveria cumprir sua “função social”. De lá para cá, a sangria da estatal só fez aumentar. No primeiro ano do mandato, o prejuízo foi de R$ 597 milhões. No ano seguinte, pulou para R$ 2,6 bilhões. No ano passado, chegou a R$ 8,5 bilhões e, tendo fechado o primeiro semestre deste ano em R$ 5,5 bilhões, deverá bater novo recorde até dezembro. Os Correios não sabem o que é um resultado trimestral no azul desde setembro de 2022. Para completar, a proposta de Orçamento para 2027 enviada pelo governo ao Congresso prevê um aporte de R$ 6 bilhões do Tesouro na estatal. Toda essa cegueira ideológica custa a cada dia mais caro ao país.

O problema da dívida pública, por Míriam Leitão

O Globo

O cenário de incerteza é menos pelo tamanho da dívida e mais pela falta de sinalização de um ajuste fiscal do presidente e do principal concorrente

A dívida pública brasileira não caminha para bater no muro. Mas parece, pelos números da dívida bruta e pela intensidade do debate em torno do tema. O Tesouro tem como rolar sua dívida, apesar de o total ter chegado a 82,5% do PIB em julho, o maior nível desde abril de 2021. Há erros técnicos que podem ser corrigidos tornando mais barata a rolagem dos títulos. E é fundamental dar ao investidor alguma perspectiva de que o próximo governo fará um ajuste nas contas públicas.

O que gera este cenário de incerteza no mercado é menos o tamanho da dívida ou sua trajetória recente, e mais a percepção de que nada será feito para conter a continuidade da alta. O atual presidente não se compromete com um ajuste, nem seu principal concorrente. A boa notícia é que não é um problema impossível de ser resolvido, porém, é preciso passar um sinal na direção correta.

Por que se fala tanto em terras-raras? Por Fernando Gabeira

O Globo

Elas são uma promessa para o Brasil, desde que se invista na tecnologia e haja rigor no respeito ao meio ambiente

Afinal, o que são essas terras-raras que os americanos querem, os chineses refinam, e os brasileiros veem como recurso para a economia futura?

Para começar, não são tão raras assim. Existem em abundância na China e no Brasil. Nem são propriamente terras. Esse nome era dado, nos séculos XVIII e XIX, a qualquer óxido metálico insolúvel em água.

Foram chamadas de raras quando descobertas num mineral em Ytterby, na Suécia. Elas ocorriam em minerais incomuns e eram consideradas raras porque era difícil a separação dos 17 elementos químicos que compõem o grupo. O nome desses elementos é meio curioso: cério, neodímio, disprósio, praseodímio, európio e por aí vai.

Perfis de fofoca turbinam crescimento de Augusto Cury nas redes, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Páginas de humor e entretenimento passaram a veicular mensagens favoráveis a candidato, que fala em 'movimento incontrolável'

Não foram só os chamados influenciadores que turbinaram o crescimento de Augusto Cury nas redes sociais.

Na última semana, perfis especializados em fofocas também passaram a difundir mensagens favoráveis ao candidato do Avante.

Páginas como Tricotei (4,2 milhões de seguidores no Instagram) e Futrikei (2,5 milhões de seguidores) transformaram Cury em tema de debate.

Esse tipo de perfil costuma ser usado por empresas de marketing digital para gerar engajamento em torno dos anunciantes.

Sintoma e diagnóstico, por Merval Pereira

O Globo

Cury diz ser de direita na cabeça, mas de esquerda no coração e tira no momento votos de vários candidatos, um pouco de Lula e Renan, a maior parte de Flávio.

O sonho de Ronaldo Caiado, o candidato a presidente da República do PSD, era chegar a esta altura da campanha com dois dígitos nas pesquisas de opinião. Achava que, a partir daí, subiria para enfrentar Lula no segundo turno. Quem chegou lá, pelo menos pelas pesquisas digitais e telefônicas de opinião, foi o escritor Augusto Cury, candidato do Avante, um azarão verdadeiro — não confundir com o filme “Dark Horse”. Pelo menos até agora, não há indicação de que Cury tenha alguma ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas, como ele acaba de entrar no jogo, sua vida será revirada pelo avesso.

Cury chega a dois dígitos na pesquisa e se coloca como terceira via, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A novidade é a velocidade com que o candidato do Avante assumiu o terceiro lugar na disputa. Cury passou a ser lembrado como opção presidencial

Nas primeiras rodadas de debates e entrevistas, marcadas pelas dificuldades de Lula e Flávio Bolsonaro para explicar seus passivos políticos, Augusto Cury se projetou como candidato menos interessado em prolongar a guerra entre os dois campos e mais empenhado em associar tecnologia, eficiência administrativa e cuidado com as pessoas. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira mostra que sua estratégia deu certo. No cenário estimulado sem Pablo Marçal, Cury saltou de 2% para 11% em uma semana. Lula oscilou de 41% para 39%, enquanto Flávio recuou de 37% para 33%. Ronaldo Caiado permaneceu com 5%; Renan Santos, com 3%; e Romeu Zema passou de 3% para 1%.

De que valem os votos da Faria Lima, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Aval é carimbo para formação de equipe capaz de confirmar ou dissipar o medo do eleitor de mudar

Ainda que votasse unida, a avenida Faria Lima teria dificuldade de eleger um vereador na capital. A atenção de um punhado de seus eleitores mobilizou a cúpula das duas principais campanhas por um único motivo. Este é o momento em que o eleitor olha para o lado, se dá conta de que tem uma eleição e faz o cálculo se a mudança vale a pena ou pode piorar o que está aí. O apoio naquela avenida serve de aval para o desafiante atrair uma equipe capaz de minorar a desconfiança do eleitor em relação a uma mudança para pior. Simples assim.

Há um mês, no auge da repercussão do “Dark Horse”, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguia ser recebido pela banca. Nunca houve muita dúvida da maior proximidade da pauta econômica, mas o custo institucional de um retorno do bolsonarismo mantinha a cancela fechada. Com a entrada da dupla Fabio Luís/Marco Aurélio Ribeiro nas paradas de sucesso dos vazamentos da PF, a diferença se estreitou, a perspectiva de poder se tornou real, e, em uma semana, Flávio teve três encontros importantes.

A válvula de escape mudou de lugar, por Luiz Schymura

Valor Econômico

Talvez esteja na hora de ampliar o campo de visão da regra, reconhecendo os efeitos fiscais das operações financeiras e tornando mais visíveis os canais para os quais o estímulo migra

A relação entre finanças públicas e ciclos eleitorais é conhecida: o gasto público tende a subir em anos de eleição, na tentativa de gerar sensação de bem-estar e sustentar a popularidade do governo. O ciclo de 2026 não foge à regra: os gastos primários federais partiram com força bem maior que em pleitos anteriores. O impulso do gasto público, federal mais estadual, superou a própria variação do PIB tanto em 2022 quanto no primeiro trimestre deste ano. Mas há uma regularidade adicional, menos discutida: regras fiscais não eliminam a pressão política pelo gasto, apenas ajudam a determinar por onde ela vai escapar. Sob o teto de gastos, uma das válvulas foi a desoneração tributária, que funcionou como um expediente para conceder benefícios a setores sem violar formalmente o limite de despesas. Sob o Novo Arcabouço Fiscal, em vigor desde 2024, o canal mudou: são as despesas financeiras.

O Tempo e a Lógica, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, envolvendo tudo o que é relevante

No livro “Epistemics and Economics”, George Shackle aborda a questão da racionalidade, tão cara aos economistas. “O tempo e a lógica”, comenta Shackle, “são estranhos um ao outro. O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, um sistema envolvendo tudo o que é relevante. Mas, infelizmente, o vazio do futuro compromete a possibilidade da lógica”.

George Shackle afirma que a economia é uma área do conhecimento submetida às incertezas da vida humana em sociedade. Ela procura estudar o comportamento dos agentes privados em busca da riqueza, nos marcos de um quadro social e político determinado temporalmente, isto é, cada nova decisão de acumular riqueza tem um caráter crucial, porquanto tem o poder de reconfigurar as circunstâncias em que foi concebida.

Lula e empresários debatem cenário fiscal, Trump e dívida pública, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na noite desta segunda-feira (31), com empresários e banqueiros para debater o panorama fiscal do país, de olho em atrair o setor a pouco mais de um mês das eleições. De acordo com fontes, o foco principal do jantar foi o diálogo sobre a economia brasileira, mas houve citações ao compromisso fiscal da gestão, à dívida pública e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os convidados começaram a chegar ao Palácio da Alvorada, onde foi o jantar, por volta das 19h30, e deixaram o local cerca de três horas depois, a partir das 22h30. Foram 16 empresários e banqueiros convidados, além de integrantes do governo e do presidente do PT, Edinho Silva.

A dívida que se pode conversar, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa

Nos últimos dados do Banco Central, a inadimplência das empresas voltou a subir: 3,2% na carteira ampliada, um pouco mais entre as menores. Em pesquisas aplicadas trimestralmente com pequenos negócios em todo o país, 28% já declaram ter alguma dívida em atraso, e mais da metade de quem tem compromisso em aberto vê o pagamento consumir 30% ou mais dos custos mensais do negócio. Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa.

Dito isso, sem meio-termo: esse retrato não é sinônimo de fracasso pessoal. É sinônimo de um sistema que ainda trata o pequeno empreendedor como um risco a ser precificado, quando deveria tratá-lo como um agente a ser conhecido.

Renan sai, Cury sobe. E daí? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Toffoli assumiu um poder que não tem e embaralha a eleição para nada. A polarização continua

Renan Santos sai, Augusto Cury sobe, e os dois movimentos excitam as campanhas, a opinião pública e os especialistas, provocando debates, confrontos e as mais diferentes suposições, mas o fato real, que não é nada excitante, é que nada muda na polarização acirrada entre os favoritos Lula e Flávio Bolsonaro. Nem Renan nem Cury têm força para mudar a eleição.

Há duas questões em relação à decisão que praticamente cassou a candidatura de Renan Santos, que já não tinha acesso à propaganda eleitoral na TV e agora fica impedido de fazer campanha digital – que é o seu forte –, de receber fundo eleitoral e de participar de debates e entrevistas. O que sobra?

Luta na lama, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Vazamento para todos! Vazamento para todos já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!

E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.

Brasília busca pactos por medo dos escândalos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Acordos entre instituições de Estado têm sido prática recorrente entre autoridades dos três Poderes

No empenho de contornar atritos está a intenção de controlar investigações para evitar o risco político

Não é de hoje, nem de ontem, que Brasília vive uma fase de acordos inusitados, fora do desenho constitucional de harmonia autônoma entre os Poderes. Foi o caso do acerto entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara com mediação do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Avizinha-se agora uma tentativa de conciliação entre o ministro André Mendonça, do STF, e o diretor-geral da Polícia FederalAndrei Rodrigues, patrocinada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT), a fim de dirimir divergências na condução dos inquéritos sobre as fraudes no INSS e as trapaças financeiras de Daniel Vorcaro à frente do liquidado banco Master.

Crescimento de Cury entre cristãos atrapalha Flávio e Renan, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Autor ocupa a terceira posição segundo BTG/ Nexus

Influenciadores apoiam campanha propositiva e de pacificação

Inicialmente tratada como piada por analistas, a campanha do escritor Augusto Cury parece ter atendido a uma demanda reprimida: o desejo de pacificar a discussão política no país. Ele ocupa o terceiro lugar isolado, com 11% de intenções segundo a pesquisa BTG/Nexus.

Após o debate presidencial na Band, no domingo retrasado (23), o psiquiatra e autor foi quem mais ampliou sua base de seguidores. E o volume de buscas por seu nome aumentou 900% durante a semana, segundo levantamento da Vox Radar citado pela CNN Brasil.

O colunista do PlatôBR Diego Amorim associou o crescimento à atuação do influenciador Pablo Marçal. Se mantiver o ritmo, o avanço de Cury deve atrapalhar sobretudo Renan Santos, candidato da Missão/MBL, e Flávio Bolsonaro, do PL.

Golpes do impeachment, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Afastamento definitivo de Dilma Rousseff completa dez anos

Iniciativa acirrou polarização e facilitou eleição de Jair Bolsonaro

Há dez anos, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff (PT) era definitivamente afastada da Presidência da República, depois de ser julgada culpada de crime de responsabilidade pelo Senado. O evento deixou marcas na história do país, algumas das quais ainda se fazem sentir.

Para o PT, o impeachment foi um golpe. A palavra "golpe" é suficientemente polissêmica para permitir essa interpretação. Um de seus múltiplos significados é o de "revés", como na expressão "golpe do destino". E não há muita dúvida de que o afastamento representou um revés para a petista. Já a tentativa de imprimir ao termo "golpe" o sentido mais técnico de "ruptura constitucional ilícita" é mais problemática.

Intervenção no Rio é aprovada pela população, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Pela primeira vez em décadas há um plano de governo sendo realizado

Exonerações de cargos comissionados ultrapassaram a marca de 6.000

O Supremo Tribunal Federal adiou mais uma vez o julgamento que trata do mandato-tampão no Rio de Janeiro. Há divergências sobre o tema: eleição direta, indireta ou a manutenção do desembargador Ricardo Couto no comando do estado até a posse do novo governador. Com a proximidade das eleições, esta última corrente deverá prevalecer.

É uma intervenção velada, pois a letra fria da Constituição estadual determina que, em caso de dupla vacância (Cláudio Castro renunciou em março e o cargo de vice estava vago desde o ano passado), a escolha do novo governador deve ser realizada pela Assembleia Legislativa.