A Índia também está em estreita proximidade,
buscando agora suas próprias aspirações de se tornar uma potência mundial.
A mudança nas relações de poder geopolítico se reflete não apenas na
região do Pacífico, mas também na ascensão de potências médias como
Brasil, África do Sul e Arábia Saudita, que buscam, com autoconfiança,
maior independência. Muitos desses países em ascensão estão buscando
admissão na associação mais ampla e flexível dos BRICS. O fim
da hegemonia ocidental também é indicado pelas
profundas transformações geoeconômicas da ordem econômica
mundial liberal que os EUA criaram desde o fim da Segunda
Guerra Mundial. Não que essa ordem comercial mundial baseada
em regras — agora também pressionada pelo próprio Trump — possa ser
simplesmente liquidada, como se vê hoje na interessante disputa sobre o
fornecimento de “terras raras”; mas dificilmente algo ilustraria melhor as
restrições de política de segurança, agora rotineiras, ao comércio mundial
do que a recente decisão do governo alemão — que se orgulha de ser
o campeão mundial das exportações — de sustentar com fundos estatais
a indústria siderúrgica alemã, que já não é competitiva internacionalmente.
Embora essas mudanças nas relações de poder
geopolítico já fossem evidentes há algum tempo, e embora a reeleição
de Trump não pudesse ser descartada quando a guerra na
Ucrânia começou, os governos ocidentais não conseguiram compreender,
após a invasão russa, que esse conflito — uma vez que seu início não
pudesse ser evitado — precisava ser concluído durante o mandato de Joe
Biden.
Enquanto isso, o segundo mandato de Trump
trouxe o que já havia sido anunciado no documento programático da
Heritage Foundation: o desmantelamento, agora
praticamente irreversível, do mais antigo regime
liberal-democrático, seguindo um padrão que nós, na Europa, já conhecíamos
pelo exemplo da Hungria e de outros países."
*Jürgen Habermas (1929),é um filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt. De palestra proferida na Fundação Siemens em 19 de novembro de 2025: Será que a UE ainda consegue escapar da influência autoritária dos EUA?












.jpg)


