sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Era insustentável a relatoria de Toffoli no caso Master

Por O Globo

Diante das revelações da PF sobre suas relações com Vorcaro, ministro tinha o dever de deixar o processo

Tornou-se insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de todas as revelações do relatório entregue pela Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, Toffoli não tinha alternativa a não ser deixar o caso. No início, ele se recusou. Em nota, chamou de “ilações” os fatos usados para defender sua suspeição. Fachin pediu então parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois de reunião com os demais ministros, Toffoli cedeu e deixou a relatoria, em seguida atribuída ao ministro André Mendonça.

Uma agenda positiva para a democracia, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

É preciso tratar dos problemas de diversos grupos sociais que não se sentem representados pelas elites políticas tradicionais e suas instituições

Os defensores da democracia começaram 2026 com uma grande vitória: a eleição de Antonio Sérgio Seguro em Portugal, que bateu o candidato da extrema direita. Estabeleceu-se o que muitos chamam de cordão sanitário contra os antidemocratas, algo essencial quando há o risco da vitória de autoritários - no caso português, de um partido como o Chega, cujo racismo explícito atinge nossos compatriotas que moram por lá.

Depois do alívio e da comemoração, vem o aviso: ancorar-se numa estratégia apenas defensiva dos regimes democráticos é muito arriscado. Para sair desta quadra obscurantista da história, será preciso construir uma agenda positiva para a democracia, num processo que demandará mais tempo que o curto prazo de uma eleição. Isso vale para Portugal, para os Estados Unidos ou para o Brasil.

A necessidade de uma agenda positiva não significa que os instrumentos defensivos devam ser ignorados ou aposentados. A reação a governantes de extrema direita e a partidos de extrema direita aspirantes ao poder continuará exigindo métodos reativos dos democratas.

Carnaval a finitude do que éramos, por José de Souza Martins

Valor Econômico

Entre nós, o Carnaval foi destituído das referências mediadoras da Quaresma, do tempo da espera. Virou coisa em si mesma

Mesmo não o sendo, de fato, o Carnaval se tornou uma espécie de referência identitária do imaginário do que o brasileiro julga que é. Na verdade, a imensíssima maioria do povo sempre esteve e está cada vez mais distante dessa festividade, que, aliás, não é apenas uma, mas várias escondidas sob um único nome.

O declínio do Carnaval brasileiro pode ser analisado como documento e indício sociológico de mudanças profundas no que reiteradamente tem-nos sido dito que somos. O Carnaval é o outro lado, é o nosso nunca fomos.

Na política e no carnaval, tristeza não tem fim, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Um fato é público: uma fantasia que não fará sucesso neste carnaval é a de banqueiro Daniel Vorcaro

Há menos mistérios entre o céu e a terra do que há segredos em Brasília e neblina no sorteio de relatores no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas um fato é público: uma fantasia que não fará sucesso neste carnaval é a de banqueiro - nem se vier com dinheiro nos bolsos do terno italiano.

De “outsider” da Faria Lima a “hit pop” na capital federal, anfitrião de festas e jantares concorridos em Brasília e São Paulo, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master e alvo da Polícia Federal (PF) metamorfoseou-se em “persona non grata” entre políticos e autoridades que já o frequentaram: ninguém conhece, ninguém viu. Até que a perícia da Polícia Federal nos celulares e laptops apreendidos derrube as máscaras. O nome do ministro Dias Toffoli surgiu em conversas, e a consequência imediata foi seu afastamento da relatoria do caso Master no STF - gesto pelo qual era cobrado, mas ao qual resistiu com resiliência.

Fatos empurram STF para reforma adiada, por Vera Magalhães

O Globo

Contribuição inestimável na defesa do Estado de direito não exime a Corte de prestar contas à sociedade, um imperativo das própias democracias

Historicamente, reformas de instituições não acontecem porque elas próprias anteveem a necessidade de promover mudanças. São provocadas de fora para dentro e se precipitam a partir da constatação externa de que valores, condutas ou culturas não são mais cabíveis. Quanto mais as instituições agem em negação, mais essas reformas lhe são impostas. O Supremo Tribunal Federal se vê, com o caso Master, diante da possibilidade de promover uma reforma, embora, até aqui, venha agindo para passar apenas uma mão de verniz na pintura que teima em descascar.

Toffoli usou toga como escudo, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ministro sabia desde o início que não podia ser o relator do caso no STF

O ministro Dias Toffoli sabia, desde o início, que não tinha condições de comandar o inquérito sobre as fraudes do Banco Master. Em vez de se declarar impedido, insistiu na relatoria, colando a imagem do Supremo ao escândalo financeiro.

Nos últimos meses, Toffoli tomou decisões exóticas, que alegraram investigados e constrangeram investigadores. Impôs sigilo absoluto sobre os autos, fez pressão sobre o Banco Central, inventou uma acareação descabida, sequestrou documentos de uma CPI.

Quando a Polícia Federal prendeu o cunhado de Daniel Vorcaro, o ministro exigiu que as provas recolhidas na operação fossem lacradas e enviadas a seu gabinete. Parecia preocupado com o que poderia vir a público.

Já eram conhecidas algumas conexões entre o ministro e a teia do Master. Toffoli viajou de jatinho para o exterior com um advogado do banco. A empresa Madridt Participações, formalmente administrada por seus irmãos, vendeu cotas de um resort a um fundo ligado a Vorcaro.

Cão Orelha é nova Escola Base, por Pablo Ortellado

O Globo

Não devemos ecoar a indignação das ruas, mas resistir a ela quando os fatos exigem

Em março de 1994, duas mães procuraram a polícia de São Paulo após notarem no comportamento dos filhos sinais do que parecia ser abuso sexual. O pânico moral que tomou a comunidade escolar fez aquela acusação inicial se desdobrar em acusações múltiplas aos donos da escola e a outras cinco pessoas. No final, exames e diligências não confirmaram as acusações, o laudo médico se mostrou inconclusivo, buscas não encontraram evidências, e o inquérito acabou arquivado por falta de provas. Os acusados, porém, perderam seu trabalho e seu patrimônio, sofreram enorme impacto psicológico e viveram por anos com a desconfiança pública de ter participado de um abuso atroz.

A institucionalidade da economia, o caso Master e as duas éticas do STF, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O risco maior não era apenas sistêmico para o mercado, contido até aqui pela liquidação do banco, mas institucional: estava em erosão da confiança no Supremo Tribunal Federal

O caso do Banco Master ameaçava transbordar dos riscos que correm o mercado financeiro para uma crise institucional, cujo epicentro seria o Supremo Tribunal Federal (STF), aquele que deveria compatibilizar a ética da responsabilidade, própria da burocracia, com a ética das convicções, que move os políticos. Os mais recentes indicadores sobre a percepção da corrupção pela sociedade no Brasil mostram o alto risco que corre a credibilidade e a legitimidade das nossas instituições, entre as quais o Supremo, lançado no olho do furacão de uma crise do sistema financeiro provocada por uma fraude bancária cuja dimensão cresce a cada nova revelação.

O problema dos juros no Brasil, por Benito Salomão

Correio Braziliense

Não se deve normalizar juros demasiadamente altos, baseado em expectativas desancoradas que sistematicamente não se realizam a posteriori

Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) reuniu-se para decidir a meta para a Taxa Selic vigente nos próximos 45 dias. A decisão foi pela manutenção em 15% ao ano, o que traz algumas implicações não desprezíveis. A escolha por um juro básico de 15% ao ano, em um contexto de queda da inflação acumulada, gera uma taxa real de juros ex ante mais elevada. Pelos dados mais recentes (IPCA de janeiro de 4,4%), a taxa real de juros ex ante (juro esperado para o futuro) estaria próxima dos 10,6% (15% - 4,4%).

Carnaval, alegria do povo, por José Sarney

Correio Braziliense

Quando ouço reclamarem que estão gastando dinheiro com festas, sempre contesto: o povo, que sofre tanto, tem que ter direito de curtir dias de alegria

Passou 2025 e o carnaval veio chegando. Já começou a folia, quando as coisas vão esquentar e as águas, rolar: as águas de inverno e aquelas que passarinho não bebe — só peru na véspera de Natal. 

O carnaval nos foi trazido pelos portugueses, e suas origens, segundo dizem, remontam às festas pagãs da Grécia muito tempo antes de Cristo. Falam que era uma festa que louvava as colheitas e celebrava a fertilidade da terra. E — claro — caíam na gandaia.

Corrupção, o patinho feio do debate nacional, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Um fator clássico no combate à corrupção é a existência de punição correspondente ao crime

Um relatório sobre a percepção da corrupção, realizado pela Transparência Internacional, coloca o Brasil numa posição incômoda: na 107.ª posição entre 182 países. Muito possivelmente não é perfeito. O governo brasileiro responde com outras pesquisas, que mostram um crescimento de confiança no funcionalismo nacional. Argumenta que a pesquisa não capta os esforços que faz para combater a corrupção, que o aumento de certos índices não indica maior corrupção, mas o aumento das ações do Estado para combatê-la de forma efetiva.

STF e Toffoli, um abraço de afogados, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Supremo tentou uma ‘solução salomônica’, mas foi tarde demais e o estrago já foi feito

O Supremo Tribunal Federal tentou uma “solução salomônica”, ao afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do escândalo Master como se fosse “a pedido”, o que não é exatamente verdade, mas essa saída foi tarde demais e óbvia demais, já que Toffoli era indefensável e estava, ou está, afundando a Corte num abraço de afogados. O estrago já está feito.

Ao admitir que é sócio da empresa Maridt, Toffoli confirma indiretamente que seus dois irmãos, um padre e outro engenheiro de classe média, eram seus “laranjas” e deixa no ar as hipóteses de ter recebido quantias de um fundo ligado ao grupo e de lavagem de dinheiro com a dança entre fundos. Por que assumiu a relatoria do caso Master, se estava desde o início escancaradamente impedido?

O STF e os ‘interesses institucionais’, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

O Supremo Tribunal Federal recorreu a uma manobra jurídica imprevista no seu próprio regimento para enterrar o “caso Toffoli”. Alegando “altos interesses institucionais”, o ministro Dias Toffoli recorreu ao artigo 21, inciso III, do regimento interno e levantou uma “questão de ordem” para se retirar da relatoria da investigação de fraude no Banco Master.

Só que, conforme especialistas jurídicos ouvidos pela coluna, não existe essa previsão.

Um juiz só se afasta de um caso se for declarado suspeito ou por motivo de foro íntimo.

E Toffoli não fez nem uma coisa nem outra.

Lula põe Trump no palanque, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente leva à Casa Branca comitiva de peso para reforçar agenda de campanha na segurança pública

Com o norte-americano como parceiro no combate ao crime, petista desestimula interferência nas eleições

Passou abaixo do radar do noticiário o anúncio que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez, na recente entrevista ao UOL, de que pretende levar consigo o ministro da Justiça, o secretário da Receita Federal e o diretor da Polícia Federal na visita a Donald Trump, prevista para o início de março, em Washington.

Comitiva de peso para tratar do combate ao crime organizado. Talvez não por coincidência, Fernando Haddad (PT) tenha dito nesta semana que sua data de saída da Fazenda pode ser retardada em função de pedido do presidente para que dê conta de "algumas entregas importantes" relacionadas à segurança pública.

Toffoli, o agente secreto, e o Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Fundos e empresas donos de outros fundos e empresas estão na base do caso Master

País precisa discutir se vai tornar mais público o nome de beneficiário final de negócios

De 2021 a 2025, Dias Toffoli foi sócio secreto de empresa que era sócia de um fundo de propriedade de outro fundo, Arleen, que seria de propriedade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Que se confirme agora que Dias Toffoli era de fato sócio da turma do Master apenas acrescenta uma camada de vexame a um escândalo que já era grotesco, um ministro do STF que relatava investigação sobre ex-sócios de sua família.

Esqueça-se por um momento que "camada" seja um clichê da moda. "Camadas" de empresas ou fundos que escondem propriedades ou beneficiários finais de negócios são um dos assuntos centrais desse rolo que começa no Master, mas vai longe. Mais sobre isso mais adiante.

Sem palavras, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Revelações da PF tornam insustentável manutenção de Toffoli à frente do caso Master

STF tem de ser cuidadoso no desembarque para não oferecer pretexto para anulações

Estou esgotando meus adjetivos. O último que usei para estampar o título de uma coluna sobre os desatinos de Dias Toffoli no caso Master foi "indefensável". Antes, já empregara "ridículo" para referir-me à situação como um todo e "esquisitas" e "extravagantes" para qualificar decisões que o magistrado tomou em relação às investigações. As novas revelações, que mostram que o envolvimento de Toffoli com o Master e com Daniel Vorcaro é ainda mais profundo do que se temia, me lançam em "terra incognita lexicalis".

Caso Master está próximo a perder dique de contenção, por César Felício

Valor Econômico

Caso o escândalo saia do garrote do STF e volte para a primeira instância, o filme de 2014 começa a rodar

A presença do caso Master no Supremo, sob a relatoria cada vez mais contestada do ministro Dias Toffoli, é a última contenção que existe para que o escândalo não se torne, politicamente, uma guerra de todos contra todos como se tornou a Lava-Jato, entre 2014 e 2018. Muito se fala das forças pró-"Acordão", uma conjura para que as relações do caso envolvendo o banco liquidado com o meio político não venham à tona. Mas há uma corrente "desacordão" que ganha alento para que o caso tenha desdobramentos.

Uma República refém de Dias Toffoli, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ao determinar que PF envie todo material o encontrado em celular de Vorcaro, ministro do STF avisa aos Três Poderes que não cairá sozinho

última decisão do ministro Dias Toffoli, do fim da manhã desta quinta-feira (12), foi a determinação para que a Polícia Federal envie à Corte todos os dados de todos os celulares e computadores apreendidos e periciados, além de todas as provas já documentadas na investigação.

A justificativa é que a defesa apresentou um requerimento relatando dificuldades na obtenção de cópias de laudos periciais eletrônicos, mas o significado desta decisão extrapola este pedido.

Ao requerer esse conjunto de provas, o ministro avisa àqueles que tenham preocupação com os desdobramentos da investigação - nos Três Poderes, na advocacia e no sistema financeiro – que não cairá sozinho.