sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Corrupção, o patinho feio do debate nacional, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Um fator clássico no combate à corrupção é a existência de punição correspondente ao crime

Um relatório sobre a percepção da corrupção, realizado pela Transparência Internacional, coloca o Brasil numa posição incômoda: na 107.ª posição entre 182 países. Muito possivelmente não é perfeito. O governo brasileiro responde com outras pesquisas, que mostram um crescimento de confiança no funcionalismo nacional. Argumenta que a pesquisa não capta os esforços que faz para combater a corrupção, que o aumento de certos índices não indica maior corrupção, mas o aumento das ações do Estado para combatê-la de forma efetiva.

STF e Toffoli, um abraço de afogados, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Supremo tentou uma ‘solução salomônica’, mas foi tarde demais e o estrago já foi feito

O Supremo Tribunal Federal tentou uma “solução salomônica”, ao afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do escândalo Master como se fosse “a pedido”, o que não é exatamente verdade, mas essa saída foi tarde demais e óbvia demais, já que Toffoli era indefensável e estava, ou está, afundando a Corte num abraço de afogados. O estrago já está feito.

Ao admitir que é sócio da empresa Maridt, Toffoli confirma indiretamente que seus dois irmãos, um padre e outro engenheiro de classe média, eram seus “laranjas” e deixa no ar as hipóteses de ter recebido quantias de um fundo ligado ao grupo e de lavagem de dinheiro com a dança entre fundos. Por que assumiu a relatoria do caso Master, se estava desde o início escancaradamente impedido?

O STF e os ‘interesses institucionais’, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

O Supremo Tribunal Federal recorreu a uma manobra jurídica imprevista no seu próprio regimento para enterrar o “caso Toffoli”. Alegando “altos interesses institucionais”, o ministro Dias Toffoli recorreu ao artigo 21, inciso III, do regimento interno e levantou uma “questão de ordem” para se retirar da relatoria da investigação de fraude no Banco Master.

Só que, conforme especialistas jurídicos ouvidos pela coluna, não existe essa previsão.

Um juiz só se afasta de um caso se for declarado suspeito ou por motivo de foro íntimo.

E Toffoli não fez nem uma coisa nem outra.

Lula põe Trump no palanque, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente leva à Casa Branca comitiva de peso para reforçar agenda de campanha na segurança pública

Com o norte-americano como parceiro no combate ao crime, petista desestimula interferência nas eleições

Passou abaixo do radar do noticiário o anúncio que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) fez, na recente entrevista ao UOL, de que pretende levar consigo o ministro da Justiça, o secretário da Receita Federal e o diretor da Polícia Federal na visita a Donald Trump, prevista para o início de março, em Washington.

Comitiva de peso para tratar do combate ao crime organizado. Talvez não por coincidência, Fernando Haddad (PT) tenha dito nesta semana que sua data de saída da Fazenda pode ser retardada em função de pedido do presidente para que dê conta de "algumas entregas importantes" relacionadas à segurança pública.

Toffoli, o agente secreto, e o Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Fundos e empresas donos de outros fundos e empresas estão na base do caso Master

País precisa discutir se vai tornar mais público o nome de beneficiário final de negócios

De 2021 a 2025, Dias Toffoli foi sócio secreto de empresa que era sócia de um fundo de propriedade de outro fundo, Arleen, que seria de propriedade de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Que se confirme agora que Dias Toffoli era de fato sócio da turma do Master apenas acrescenta uma camada de vexame a um escândalo que já era grotesco, um ministro do STF que relatava investigação sobre ex-sócios de sua família.

Esqueça-se por um momento que "camada" seja um clichê da moda. "Camadas" de empresas ou fundos que escondem propriedades ou beneficiários finais de negócios são um dos assuntos centrais desse rolo que começa no Master, mas vai longe. Mais sobre isso mais adiante.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Era insustentável a relatoria de Toffoli no caso Master

Por O Globo

Diante das revelações da PF sobre suas relações com Vorcaro, ministro tinha o dever de deixar o processo

Tornou-se insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de todas as revelações do relatório entregue pela Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, Toffoli não tinha alternativa a não ser deixar o caso. No início, ele se recusou. Em nota, chamou de “ilações” os fatos usados para defender sua suspeição. Fachin pediu então parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois de reunião com os demais ministros, Toffoli cedeu e deixou a relatoria, em seguida atribuída ao ministro André Mendonça.

Sem palavras, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Revelações da PF tornam insustentável manutenção de Toffoli à frente do caso Master

STF tem de ser cuidadoso no desembarque para não oferecer pretexto para anulações

Estou esgotando meus adjetivos. O último que usei para estampar o título de uma coluna sobre os desatinos de Dias Toffoli no caso Master foi "indefensável". Antes, já empregara "ridículo" para referir-me à situação como um todo e "esquisitas" e "extravagantes" para qualificar decisões que o magistrado tomou em relação às investigações. As novas revelações, que mostram que o envolvimento de Toffoli com o Master e com Daniel Vorcaro é ainda mais profundo do que se temia, me lançam em "terra incognita lexicalis".

Caso Master está próximo a perder dique de contenção, por César Felício

Valor Econômico

Caso o escândalo saia do garrote do STF e volte para a primeira instância, o filme de 2014 começa a rodar

A presença do caso Master no Supremo, sob a relatoria cada vez mais contestada do ministro Dias Toffoli, é a última contenção que existe para que o escândalo não se torne, politicamente, uma guerra de todos contra todos como se tornou a Lava-Jato, entre 2014 e 2018. Muito se fala das forças pró-"Acordão", uma conjura para que as relações do caso envolvendo o banco liquidado com o meio político não venham à tona. Mas há uma corrente "desacordão" que ganha alento para que o caso tenha desdobramentos.

Uma República refém de Dias Toffoli, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ao determinar que PF envie todo material o encontrado em celular de Vorcaro, ministro do STF avisa aos Três Poderes que não cairá sozinho

última decisão do ministro Dias Toffoli, do fim da manhã desta quinta-feira (12), foi a determinação para que a Polícia Federal envie à Corte todos os dados de todos os celulares e computadores apreendidos e periciados, além de todas as provas já documentadas na investigação.

A justificativa é que a defesa apresentou um requerimento relatando dificuldades na obtenção de cópias de laudos periciais eletrônicos, mas o significado desta decisão extrapola este pedido.

Ao requerer esse conjunto de provas, o ministro avisa àqueles que tenham preocupação com os desdobramentos da investigação - nos Três Poderes, na advocacia e no sistema financeiro – que não cairá sozinho.

Poesia | Canção do Exílio, de Murilo Mendes

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Anjo da Velha Guarda (com Teresa Cristina)

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