quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra da Ucrânia faz quatro anos sob o signo do cansaço

Por Folha de S. Paulo

Pior conflito europeu desde 1945 se arrasta e pode ser trocado pelo Irã na lista de prioridades de Trump

Estudos indicam ao menos 500 mil óbitos militares e 15 mil civis; gasto militar da Europa subiu de 17% em 2022 para 21,4% em 2025

A Guerra da Ucrânia, um conflito que tanto a Rússia quanto o Ocidente acreditavam que estaria resolvido rapidamente, entrou nesta terça-feira (24) em seu quinto ano sob o signo da exaustão.

Cansados estão os ucranianos, submetidos a um regime de blecautes devido à degradação de seu sistema energético sob forte frio. Cansados estão os russos, isolados do Ocidente e pagando um preço altíssimo em sangue.

Pós-Lula tem Senado como possível campo de batalha, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para integrantes do governo, a base na Casa foi prejudicada pela nomeação de lideranças de peso para ministérios

Em Minas Gerais, existe um ditado popular que pode ser usado para explicar o potencial interesse do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em disputar uma cadeira no Senado. “Político sem mandato é igual padre sem paróquia e general sem tropa”, diz a máxima. Faz sentido: se tudo correr como desejam os petistas em relação à eleição para o Senado, o carpete azul royal que decora o plenário da Casa Alta do Congresso Nacional se tornará o campo de batalha dos potenciais sucessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dentro do partido, com vistas à eleição de 2030.

Chocolates e vacas na geopolítica pós-Trump, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Relações comerciais entre Brasil e Índia são muito pequenas em relação ao tamanho das economias

No século XIX, a coroa portuguesa foi à Índia buscar mudas de árvores altas para fazer sombra aos cacaueiros cultivados por aqui. Vieram jaqueiras, mangueiras, laranjeiras. Essa combinação é usada até hoje no sul da Bahia, na região chamada Cabruca, cenário do clássico “Gabriela, Cravo e Canela”, de Jorge Amado. De lá, saem chocolates com terroir de frutas amarelas.

“É o que encanta os jurados”, contou à coluna Thiago Fernandes, diretor do consórcio Cabruca, que reúne 15 marcas de chocolate da região. No ano passado, barras com sabor de laranja, de queijo canastra com doce de leite e de cumaru conquistaram medalhas de prata na premiação da Academy of Chocolate, em Londres. No ano anterior, a marca Ju Arléo havia conquistado medalha de ouro com seu chocolate sabor cupuaçu. Desempenho semelhante foi alcançado pelas consorciadas na International Chocolate Awards de Nova York.

Correria pré-eleitoral explicita falta de foco, por Vera Magalhães

O Globo

Há risco de transformar temas estruturais em bandeiras eleitoreiras, com jogo para as plateias

O calendário político brasileiro tem um defeito conhecido: quando o tempo encurta pela proximidade das eleições, a tentação de decidir rápido demais sobre questões complexas aumenta, e a qualidade das decisões diminui. Com poucos meses de funcionamento efetivo antes de a campanha ganhar o centro da agenda, Congresso, governo e Judiciário se veem diante de uma pauta pesada: limitar penduricalhos no Judiciário, avançar em temas sensíveis como o fim da escala 6x1 e projetos de segurança pública, tudo isso enquanto a CPMI do INSS começa a obter acesso a provas do caso Master.

Lacerdismo volta à política brasileira, Por Ricardo Lewandowski

O Globo

É mais fácil e cômodo repetir palavras de ordem curtas e simples, revestidas de uma indignação hipócrita

O pensador grego Aristóteles, um dos fundadores da filosofia ocidental, que viveu há cerca de 2.500 anos, ensinava que a arte da política consistia na busca do bem comum, pautado por justiça e equidade, por meio de um debate racional, travado franca e abertamente. Esse ideal, que corresponde à própria essência da democracia, embora jamais tenha se concretizado em toda a sua plenitude, sempre pautou a ação daqueles que, filiados a tal tradição, atuaram na arena pública.

Lamentavelmente, de uns tempos para cá, ressurge entre nós, na contramão desse respeitável legado, uma prática nefasta, que julgávamos definitivamente sepultada no passado, que atende pelo nome de “lacerdismo”. Cuida-se de um estilo peculiar de ação política que privilegia uma retórica agressiva e inflamada, pautada num moralismo refalsado, cujo objetivo único é deslegitimar os adversários, destruindo suas reputações.

O Congresso e o banco Master, por Elio Gaspari

O Globo

Lembrai-vos da CPI da Americanas, um exemplo de CPIzza

O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal Federal (STF) tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.) Uma parte do Congresso quer uma CPI; outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal (PF), a que se devem as poucas novidades saídas da caixa-preta do Master.

A milícia no banco dos réus, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Investigação escancara ligação entre política, polícia e crime organizado no Rio

O julgamento do caso Marielle levou ao Supremo uma realidade conhecida dos cariocas: a ligação entre política, polícia e crime organizado.

A Procuradoria-Geral da República expôs a conexão dos irmãos Brazão, acusados de encomendar o assassinato da vereadora, com grupos armados que dominam territórios nas zonas Norte e Oeste do Rio. Esses laços não são novos. Já haviam sido mapeados pela CPI das Milícias, concluída em 2008.

Julgamento de mandantes do assassinato de Marielle será divisor de águas, Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O crime contou com a cobertura do próprio chefe da Polícia Civil à época, o delegado Rivaldo Barbosa, que prejudicava as investigações para evitar que chegassem aos verdadeiros assassimos e seus mandantes

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou ontem o julgamento dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco e o seu motorista, Anderson Gomes, com o pedido de condenação dos réus pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e as defesas dos acusados. Marielle foi morta a tiros em 14 de março de 2018, no bairro da Lapa, na região central da capital fluminense. A vereadora, que saía de um evento com mulheres negras, foi assassinada com quatro disparos na cabeça. Anderson Gomes, motorista do carro que a transportava, foi atingido por três projéteis nas costas e morreu.

Projeto de Derrite favorece máfia do combustível? ‘Nada aí foi retirado graciosamente’, diz senador, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Substitutivo apresentado por Derrite e aprovado nesta terça-feira exclui dois artigos aprovados pelo Senado que disciplinavam o controle da venda de combustíveis no Brasil para impedir a ação da máfia ligada ao PCC

Mal foi apresentado na Câmara dos Deputados, o substitutivo do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) no PL Antifacção, aprovado nesta terça-feira, 24, pela Câmara dos Deputados, virou alvo do escrutínio de senadores e deputados preocupados com as alterações feitas no texto do Senado. E entre elas está a supressão de dois artigos, o 17.° e o 18.º do projeto do Senado, que apertavam o cerco aos fraudadores de combustíveis para impedir que a máfia ligada a sonegadores contumazes e ao Primeiro Comando da Capital (PCC) continuassem a operar no País.

O peso que o Senado merece ter, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Ter uma Casa Alta composta pelos melhores nomes de cada Estado é uma pauta, uma necessidade, da sociedade

Este artigo tem um objetivo concreto. Advertir para a importância do Senado – de como temos em nossas mãos um instrumento incrível, que pode ser muito útil ao Brasil – e para a nossa responsabilidade, enquanto sociedade, de proporcionar que a Casa Alta possa funcionar à altura de suas atribuições constitucionais. Penso que não é uma utopia ter um Senado composto por pessoas sérias e competentes, lideranças reais em seus Estados, capazes de pensar e de realizar o Brasil. Depende de nós.

STF corrói o próprio capital, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É com o esforço de ministros que o Supremo vem demolindo seu patrimônio de confiança junto à população

A recuperação é obra que leva tempo, requer autocrítica e, sobretudo, grau elevado de espírito público

O Supremo Tribunal Federal não veio parar onde está de repente, por acaso ou sem o esforço de seus integrantes. Foi um trabalho meticuloso ao longo dos últimos anos de corrosão de um dos preceitos constitucionais que norteiam a administração pública: a impessoalidade.

Ministros adotaram atitudes de estrelas e, em alguns casos, com um traço de empáfia mais comum nas subcelebridades que nos astros de verdade. Atrairiam apenas antipatia se não ultrapassassem outros mandamentos daquele definidor artigo 37 da Constituição de 1988 que exige do servidor respeito à legalidade, à moralidade, à publicidade e à eficiência.

A meia furada e a orgia do Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente da CVM diz no Senado que banco superavaliava ativos com ajuda de cúmplices

Fundos secretos, de laranjas e empresários amigos, facilitavam a fraude

Banco Master não existia. Era um zumbi podre que seria comprado pelo BRB, o banco estatal do Distrito Federal, o final de um crime perfeito: ganhar dinheiro com a desova de um cadáver no colo do que, no fim das contas, é o governo, o público em geral. Basicamente, era um esquema para pegar dinheiro emprestado, que sabia não ter como pagar, e sumir com o tutu.

Provas e indícios desse esquema aparecem faz meses. Só piora. Nesta terça, João Accioly, o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse no Senado que haveres do Master eram "meia furada" que diziam valer "R$ 500 milhões" em fundos misteriosos. Era, claro, metáfora.

A arte de pisar em cascas de banana, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A folia do presidente e Janja foi um desastre de comunicação contratado e evitável

Mesmo com estrategista, Lula dispensou o cálculo e se entregou ao conforto da adulação

Lula, Janja, Toffoli e Moraes —para ficar em figuras centrais da República no debate público da última semana— provavelmente estão convencidos de que controlam a própria comunicação. Quer dizer, que sabem preservar sua imagem, proteger o próprio capital reputacional, compreender os códigos pelos quais são julgados e evitar as armadilhas narrativas que os adversários produzem. À luz do modo como foram pautados na mídia e na conversação pública, entretanto, não são exemplo de sucesso.