quinta-feira, 26 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sucessor de Castro deveria ser escolhido em eleição direta

Por O Globo

Juristas afirmam que manobra de renunciar antes da cassação pelo TSE torna inadequada escolha pela Alerj

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou inelegível o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) trouxe incerteza sobre a escolha do novo chefe do Executivo. Temendo a cassação, Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento. Em caso de renúncia, a Constituição estadual determina que o governador interino — o desembargador Ricardo Couto — convoque eleição indireta para os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) escolherem o novo ocupante do Palácio Guanabara. Mas, diante da evidente manobra de Castro, renunciando ao cargo para evitar a cassação, juristas ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a eleição deveria ser direta, já que essa é a regra quando um governador é deposto antes de seis meses do fim do mandato. O TSE, porém, reafirmou ontem a decisão pela eleição indireta.

Derradeiro golpe, por Merval Pereira

O Globo

Castro demonstrou má-fé nesse derradeiro gesto de governo, para tentar, com uma votação indireta para o governo do estado, eleger um correligionário na Alerj que o ajudaria na campanha a senador.

A tentativa do ex-governador do Rio Cláudio Castro de escapar da punição renunciando um dia antes da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a cassação de seu mandato se parece em tudo, menos no resultado, com a do ex-presidente Collor, que, apesar de ter renunciado, foi cassado pelo Congresso Nacional. O então presidente, no entanto, tinha um vice-presidente que assumiu o posto e, no caso do Rio de Janeiro, houve tripla vacância, pois o vice-governador e o presidente da Alerj não estão em condições de assumir por questões legais.

O sistema contra as CPIs, por Malu Gaspar

O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar hoje a liminar do ministro André Mendonça que autoriza a prorrogação da CPI do INSS. Pelo prazo original, ela deveria terminar no sábado, dia 28, mas seus integrantes aprovaram a extensão dos trabalhos. Pela regra do Congresso, deveria ser suficiente para ela durar um pouco mais. Só que, para ter efeito, o requerimento tem de ser lido por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, numa sessão conjunta do Congresso. Sem esse rito, a CPI acaba. Em sua decisão, Mendonça deu 48 horas para Alcolumbre ler o tal requerimento e deixar a comissão prosseguir. Ele ignorou solenemente.

Master é dilema que ronda Gonet, por Julia Duailibi

O Globo

A Procuradoria-Geral da República é a titular da ação penal e tem o poder de denunciar o delator à Justiça

Um fantasma ronda o gabinete do procurador-geral da República, e ele atende pelo nome de Augusto Aras. O caso Master atropelou o atual PGR, Paulo Gonet, impondo-lhe um dilema que leva aos tempos do antecessor: tocar para valer a delação de Daniel Vorcaro ou colocar freios na investigação.

Uma proposta de delação é confeccionada dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na mesma sala que há pouco teve Jair Bolsonaro como inquilino e que agora serve de prisão ao ex-banqueiro. Ele se reúne lá, diariamente, com um time de advogados para organizar informações, colocá-las no papel e dividi-las em partes que poderão ser futuros anexos de uma colaboração. É um trabalho que deve durar mais três semanas e que, ao final, resultará numa proposta formal de delação, a ser apresentada aos delegados da PF e aos procuradores liderados pelo dono do dilema, Paulo Gonet.

A guinada no caso Master, por Míriam Leitão

O Globo

Banco Central e Polícia Federal foram atacados por cumprir seu papel no caso Master. Agora os rumos da investigação foram corrigidos

No final do ano passado, o Banco Central estava sob ataque do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União. O ministro Dias Toffoli, do STF, tinha convocado uma estranha “acareação” do diretor do BC com os investigados. O ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, falava em desfazer a liquidação do Banco Master. Em meados de janeiro, a Polícia Federal sofreu tentativa de interferência na investigação por parte do ministro Dias Toffoli. Neste fim de março, a situação é outra. O ministro relator no STF não é mais Dias Toffoli e sim André Mendonça. No TCU, os técnicos mostraram que o ministro Jhonatan estava errado. O fraudador Daniel Vorcaro está preso e negocia uma colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da União.

Poder americano com o gosto da derrota, por José Serra

O Estado de S. Paulo

Mesmo que vença, Trump já perdeu no que realmente queria: demonstrar que o poder americano segue absoluto

A história presenciou governos de diversos grandes líderes, aqueles que conseguiam absorver o sentimento da população, organizar os setores produtivos, articular a máquina pública no diálogo com todos os interesses e posicionar o País frente ao mundo. Em outros casos, no entanto, convicções particulares, voluntarismo e desapreço à opinião de segmentos da população deram a tônica de governos em que o jogo próprio da democracia ficou em posição subordinada. Mas o mais complexo é quando o poder do líder é entendido, por ele, como irrestrito, seja no militar, seja no econômico.

A União, os Estados e a guerra, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Somente uma estrutura capaz de colocar à mesa os Poderes da República e as três esferas da Federação poderia auxiliar na difícil tarefa de conciliar os diferentes interesses

Não é novo o debate sobre os efeitos do petróleo no bolso dos consumidores e nos custos das empresas. Os combustíveis têm seus preços administrados, isto é, não funcionam na lógica de oferta e demanda simplesmente. A política da Petrobras, a organização das distribuidoras e o mercado dos postos são fatores centrais. Os efeitos da guerra no Irã sobre os preços podem ser drásticos. Espera-se, do poder público, racionalidade na atuação, tendo em vista as restrições fiscais.

A delação de Vorcaro e o timing no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Supremo prefere acordo do dono do Master no primeiro semestre para evitar embolar com eleição

Ministros do Supremo Tribunal Federal preferem que o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro seja selado até junho, para diminuir a chance de interferência no processo eleitoral. Com pré-candidaturas delineadas, as campanhas têm início oficial programado para 16 de agosto.

A expectativa é de que os depoimentos e provas apresentadas pelo dono do Banco Master atinjam boa parte da classe política e jurídica.

Eleições e estabilidade, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Esta coluna prossegue o argumento de texto anterior sobre o quadro estável das eleições (“As dificuldades de Lula para se reeleger não são apenas momentâneas”, há 15 dias). No qual o viés de baixa para Lula permanece, assim como um persistente fenômeno.

As pesquisas indicam um amplo desejo por uma candidatura que fuja ao eixo Lula-Bolsonaro, mas até aqui não há nomes com pontuação expressiva. O descontentamento com “tudo o que está aí”, em tese, favoreceria uma eventual combustão espontânea via redes sociais – ou seja, o aparecimento de uma alternativa. Por ora, ela se faz esperar.

Eduardo Leite tenta viabilizar candidatura de fora para dentro do PSD, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O governador gaúcho adota um discurso crítico em relação à polarização. Afirma que pretende apontar inconsistências nos legados de Lula e Bolsonaro

O governador gaúcho Eduardo Leite intensificou sua interlocução com setores da sociedade, como o movimento Livres da Polarização, encabeçado pelo sociólogo Augusto de Franco, que articula um manifesto em seu apoio, e na mídia, com o objetivo de viabilizar sua candidatura à Presidência no PSD de fora para dentro. Corre contra o relógio, para aproveitar um momento de inflexão da disputa presidencial, em que as pesquisas revelam uma mudança qualitativa no equilíbrio entre governo e oposição.

A Polarização Afetiva asfixia o Centro, por César Felício

Valor Econômico

Crescimento dos extremismos, contudo, não significa que a eleição presidencial deste ano está resolvida

É bastante provável que o Brasil fique sem candidatos a presidente da República do espectro de centro pela primeira vez desde o início da história das eleições democráticas, o que inclui a Nova República (1985-) e o período entre 1945 e 1964.

Não se trata da ausência de candidatos competitivos, mas da ausência pura e simples de candidatos com este perfil, caso o governador Eduardo Leite (PSD) seja de fato alijado do processo, como tudo indica que será.

O choque do petróleo vai passar, a incerteza, não, por Eduardo Belo

Valor Econômico

Brasil vai enfrentar encarecimento da produção agrícola, pressão inflacionária e dificuldades para ajustar a política monetária

Se o pós-tarifaço já havia reconfigurado as bases do comércio internacional, o mundo que emerge após o ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã inaugura mais uma era de instabilidade nas relações globais. Desta vez, a incerteza brota do custo da energia derivada de combustíveis fósseis. E não vai se dissipar facilmente.

Independentemente de quando e como a guerra termine, o estrago está feito.

Não se deve subestimar o perigo à democracia, por Martin Wolf

Financial Times / Valor Econômico

EUA de Donald Trump são um líder mundial em declínio democrático

A democracia corre grave perigo, em todo o mundo. Essa é a mensagem de dois conceituados relatórios recentes - um da V-Dem, da Suécia, intitulado, “Desmonte da Era Democrática?”, o outro da Freedom House, dos Estados Unidos, intitulado “A Crescente Sombra da Autocracia”. Eles apresentam dois argumentos fundamentais. O primeiro é que fenômeno chamado por Larry Diamond, de Stanford, de “recessão democrática”, iniciado há 20 anos, começa perigosamente a parecer-se mais a uma depressão democrática. O outro é que, em 2025, o governo Trump iniciou o que se revelou o declínio mais rápido na saúde de qualquer grande democracia nos últimos tempos.

De acordo com a Freedom House, “a liberdade global diminuiu pelo 20º ano consecutivo em 2025”. “Um total de 54 países passou por uma deterioração em seus direitos políticos e liberdades civis, enquanto só 35 registraram melhoras”. A V-Dem mensura esse declínio não apenas pelo número de países afetados, mas também pelo número de pessoas. Conclui que entre 2005 e 2025, a proporção da população mundial vivendo em autocracias aumentou de 50% para 74%, enquanto a que vive em verdadeiras democracias liberais, onde se oferece um leque completo de direitos civis e legais, além de eleições, desabou de 17% para apenas 7%.

Os Estados Unidos sob ameaça autoritária, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Projeto no Congresso visa assegurar vitória do trumpismo nas eleições

Para os populistas, democracia eleitoral é apenas via para chegar ao poder

Os americanos já não vivem numa democracia liberal: eis a conclusão do instituto sueco V-Dem, que monitora e classifica as democracias do mundo segundo a saúde de suas instituições. A organização mede periodicamente como os países efetivam os princípios constitutivos do ideal democrático: eleições livres; garantia das liberdades fundamentais; participação cidadã; processos decisórios com efetiva deliberação; e igualdade política plena.

Flávio Bolsonaro moderado é conversa mole para boi dormir, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Imagem de moderação interessa a setores da direita liberal inclinados a sacrificar a democracia em troca de gestão privatista da economia

Candidato terá que responder sobre seu reacionarismo e encrencas pregressas

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, anda vendendo uma imagem de moderado. Não vai colar. Para citar a velha canção "Touradas em Madri", isso é conversa mole para boi dormir. Estamos falando do filho 01 de Jair Bolsonaro, o líder da extrema direita brasileira, condenado e preso por tentativa de golpe e atentado à democracia e ao Estado de Direito.

A coreografia de moderado tem certo interesse. Atrai, por exemplo, simpatias da direita liberal, viúva da sempre chorada terceira via, que rejeita Lula e o PT, e tem histórico de se inclinar por projetos autoritários, na expectativa de que adotem uma linha privatista na economia. O caso mais recente foi o apoio ao próprio Jair Bolsonaro.

Legado de Cláudio Castro é chacina e corrupção, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Seu governo foi o binômio dinheiro vivo, de um lado, e gente morta, de outro

Sem fortalecer instituições, estado está fadado a repetir outros Castros

Com a maioria formada no Tribunal Superior Eleitoral para condenar à inelegibilidade o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), na noite desta terça-feira (24) —não graças aos dois ministros indicados por Bolsonaro, também do partido de Castro—, é oportuno fazer um balanço de sua gestão. Duas palavras sintetizam o governo castrista: chacina e corrupção.

Endividamento das famílias virou risco eleitoral, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Reunião de Lula com Galípolo revela pressão em alta para juros caírem

Endividamento é turbinado por taxas elevadíssimas do cartão de crédito, que não são muito diferentes daquelas praticadas quando a Selic estava em 2%

No último ano do seu 3º mandato, o presidente Lula decidiu fazer uma cruzada contra o endividamento recorde das famílias brasileiras porque recebeu o diagnóstico de que as conquistas mais importantes do seu governo na área econômica, como a inflação em queda, o crescimento econômico e a queda recorde no desemprego, não estão sendo sentidas pela população.

A razão é o mal-estar causado pelo peso das dívidas no orçamento familiar. A queda de popularidade do presidente seria resultado da equação perversa do endividamento elevado com o escândalo do Master.

Reag, Master, BRB, Fictor: tem mais máfia no mercado? Como isso foi possível? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com nova operação da PF, é razoável suspeitar que possa existir mais gangues na finança

Regulação e fiscalização fracas e corruptos fortes facilitaram a ramificação do crime

Reag, Master, BRB, Fictor. Gente do comando do grupo Fictor é investigada por ter contatos com um Thiago de Azevedo, vulgo "Ralado", que tinha negócios com o "Bonde do Magrelo", braço do Comando Vermelho no interior de São Paulo. "Ralado" corrompia gente de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. Um pequeno Master.

Há mais bancos, fundos e operadores financeiros de outra espécie que estejam prestando serviços para o crime ou que sejam eles mesmos máfias, como o Master?