terça-feira, 2 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Uso de criptoativos por criminosos requer atenção

Por O Globo

Operações contra finanças do PCC descobriram esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e golpes digitais

As operações recentes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa do Brasil, expuseram como o avanço da digitalização financeira abre espaço a novos crimes, permite integração à economia formal e cria inúmeras oportunidades para lavar o dinheiro resultante das atividades criminosas, como demonstrou reportagem do GLOBO. A transformação progressiva no perfil dos crimes — de assaltos e violência nas ruas para golpes digitais — tem pressionado o sistema de segurança pública e órgãos reguladores e de fiscalização, como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários. Entre os recursos empregados pelos criminosos, tem se destacado o uso crescente de criptoativos.

Renan Santos e a revolta dos lascados da direita, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Líder do partido Missão e do MBL tem 6,9% das intenções de voto no primeiro turno

Ele traz o DNA da nova direita de dizer o que pensa

Neste ano, um nome ainda desconhecido da maioria dos brasileiros roubou o protagonismo de Lula e Flávio Bolsonaro. Se sobreviver à campanha, Renan Santos, líder do partido Missão e do MBL, terá se tornado um político influente —e talvez presidente da República.

Renan defende causas impopulares, mas o caso Master abriu para ele uma avenida de oportunidades para se apresentar ao eleitor.

Um banqueiro vive como príncipe, tendo desviado R$ 60 bilhões e aliciado para a operação aliados nos três Poderes. Enquanto isso, o país se vê travado pela polarização, há uma sensação geral de insegurança e milhões de brasileiros recorrem a aplicativos de transporte e entrega para trabalhar.

Trump e os Bolsonaro vão ajudar Lula de novo? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro identificou que endurecimento no combate ao crime é ponto fraco de Lula

Consequências de classificação de CV e PCC como terroristas dependerão de governo Trump

Em julho de 2025, depois de lobbying de Eduardo Bolsonaro, o governo Trump anunciou um tarifaço de 50% contra o Brasil bem como sanções contra autoridades brasileiras. No momento do anúncio, Eduardo Bolsonaro comemorou efusivamente. Dias depois, já estava claro que o ato de agressão contra o Brasil não era positivo, e sim embaraçosamente negativo para seu grupo.

Em maio de 2026, depois de lobbying de Flávio Bolsonaro, o governo Trump anuncia que passará a designar PCC e CV como organizações terroristas. Flávio e seus colegas celebram efusivamente. A pergunta se impõe: estaremos diante de outro erro bolsonarista?

Políticos têm um olho em 2026 e outro em 2030, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Última eleição de Lula incentiva centro-direita a reeditar frente ampla para barrar avanço bolsonarista

Fim do ciclo do PT e reinício da era Bolsonaro pautam decisões dos independentes à direita e à esquerda

Se é precipitado fazer apostas definitivas sobre o resultado da eleição presidencial que acontecerá daqui a quatro meses, soa a temeridade mergulhar em projeções sobre o cenário de 2030.

No entanto, é exatamente o que já se faz no mundo político, levando em conta dois fatores: o fim do ciclo de êxitos do PT e a longevidade da era de influência da franquia Bolsonaro no poder central.

Imoralidade tributária, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

É preocupante a aprovação, na Câmara, de PEC que amplia imunidade de igrejas a impostos

Entidades assistenciais ligadas a templos e que concorrem com iniciativa privada também seriam beneficiadas

O Brasil não vai dar certo. Falta-nos o sentido de comunidade. Se um dia já circulou por aqui a ideia de que os custos para a manutenção do Estado precisam ser divididos de forma mais ou menos equânime entre todos, pessoas e instituições, essa é uma noção que foi abandonada.

Mais um eloquente exemplo disso foi dado pelos deputados na semana passada, quando aprovaram uma emenda constitucional que amplia para níveis absurdos a imunidade tributária das igrejas. Pela PEC, que ainda precisa passar pelo Senado, o poder público fica impedido de cobrar impostos sobre tudo o que elas possuem, pelos serviços que contratam e até por itens que consomem. É isso mesmo, templos não pagariam um centavo de imposto seja sobre os jatinhos que compram para espalhar a palavra de Deus, seja sobre a comida com que saciam a fome de seus ministros, do pão ázimo ao caviar.

O repórter que descobre qualquer coisa, até vaca falante, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Livro narra trajetória de Luarlindo Ernesto, do auge da imprensa marrom ao caráter investigativo de hoje

Aos 82 anos, ele é capaz de desvendar o mistério do dinheiro investido no filme "Dark Horse"

No romance "O Piano e a Orquestra", de Carlos Heitor Cony, o narrador está obcecado por uma vaca. Uma vaca que fala em perfeito francês: "À votre service".

Ele só a encontrara uma vez, empacada no meio da estrada, e gostaria de revê-la e mergulhar de novo na doce alucinação. Só uma pessoa no mundo poderia ajudá-lo: o repórter policial Luarlindo, cuja fama era saber de tudo e ser capaz de descobrir qualquer coisa. Em troca de alguns chopes, o jornalista dá o serviço. A vaca se escondia no bairro do Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro.

Ernst Bloch, utopia e ideologia, por Thomas Amorim*

Portal A terra é redonda

Uma defesa da função utópica no pensamento marxista a partir de Ernst Bloch, demonstrando que a esperança é uma capacidade cognitiva orientada para o “ainda-não-ser” do mundo

1.

Em suas origens, o materialismo histórico censurou o utopismo como produto ideológico, como idealismo sobre a construção da harmonia social a despeito da compreensão do sistema econômico, dos interesses antagônicos e da luta de classes. O ideal, a fé na razão e o otimismo de Henri de Saint-Simon, Joseph Fourier e Robert Owen eram cegos para a inércia de uma sociedade replicadora insaciável.

Com justiça, Karl Marx e Friedrich Engels buscaram contrapor essa ingenuidade iluminista à compreensão das determinações concretas que constituíam as leis férreas de um sistema capitalista capaz, afinal, de mantê-lo em funcionamento até os dias de hoje, não importando todos os projetos bem-intencionados que tenham se contraposto a ele no curso dos últimos dois séculos.

Mas o risco de abandonar a projetividade e a especulação utópica é recair no fatalismo, na adesão resignada ao curso mecânico do mundo. No século XX, tal “realismo” concorreu para os sucessivos desastres do pragmatismo de esquerda, como a capitulação da socialdemocracia europeia ao social-chauvinismo e a conivência de parte da esquerda com os gulags. Desde as Teses Sobre Feuerbach, Karl Marx não gostaria de suprimir o ideal em favor do material, mas de compreender ambos como parte da “atividade sensível humana”, pois “a discussão sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da práxis é uma questão puramente escolástica”.[i]