*Antonio Gramsci (1891-1937) Caderno 15 (1933). Cadernos do Cárcere, v. 3 p.342. 3ª Edição, 2007. Editora Civilização Brasileira.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
domingo, 18 de outubro de 2026
Sobre o conceito de previsão ou perspectiva, por Antonio Gramsci*
O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões
Meta tem de zelar por equilíbrio na campanha eleitoral
Por O Globo
Facebook, Instagram, WhatsApp e sistemas de
IA não podem favorecer nenhuma candidatura
Fez bem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em tomar medidas para que a Meta — dona de Facebook, Instagram e WhatsApp — mantenha equilíbrio na disputa eleitoral. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se queixou de que as redes da empresa privilegiaram conteúdos do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em resposta, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que não haja restrição sem justificativa a conteúdos políticos ligados à eleição e que a ferramenta Meta IA, de inteligência artificial, não favoreça nenhum dos candidatos. Embora a decisão afirme não haver provas de manipulação deliberada, os casos apresentados despertam questionamentos razoáveis. Por isso é fundamental que o TSE cumpra seu papel constitucional de zelar pela paridade de armas.
Velho populismo e novo iliberalismo na disputa Lula x Flávio, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
No Brasil, direitos sociais avançaram antes
da consolidação dos direitos civis e políticos, fortalecendo a expectativa de
proteção pelo Estado e pelo governante
A campanha presidencial mudou de terreno. A
controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida e os embates em torno do caso Master e do Judiciário, que dominaram a reta de
chegada do segundo turno, cederam espaço ao preço da comida, à renda, à
criminalidade e às condições da educação e da saúde. A disputa sobre a ordem
institucional continua, mas precisa responder à pergunta sobre o cotidiano dos
eleitores: quem pode melhorar suas vidas?
Depois de perder o primeiro turno, Lula recuperou a iniciativa ao combinar mobilização nas ruas, medidas administrativas e articulação legislativa. Desonerações de combustíveis, renegociação de dívidas, apoio aos pequenos empreendedores e anúncio de auxílio a universitários aproximam sua campanha das necessidades imediatas. Parte dessas iniciativas está em execução; outra depende do Congresso, do Orçamento ou de um novo mandato. Seus críticos enxergam mais deficit fiscal e oportunismo eleitoral nesses benefícios.
Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro, por Bernardo Mello Franco
Por O Globo
Nascido no dia do atentado que tentou parar a
redemocratização, candidato do PL tem longo histórico de defesa do golpe e da
ditadura militar
Em 30 de abril de 1981, um capitão e um
sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas
bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em
comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o
processo de redemocratização do país.
Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como “excessivamente ambicioso”, assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.
Vale tudo? Por Merval Pereira
O Globo
Numa eleição presidencial que pode definir o
futuro do país nas próximas décadas, não vemos os candidatos apresentarem
programas compatíveis com nossas necessidades urgentes
O país vive nossa mais intensa e grave crise moral em meio a uma acirrada disputa eleitoral que se desenvolve sem que o ponto crucial de nossa tragédia social como Nação seja discutido, nosso descuido da mais essencial das nossas necessidades, a ética nas relações da sociedade. A desigualdade social, talvez a nossa maior chaga, é considerada por parte relevante da nossa sociedade uma questão menor, que se resolve através da meritocracia. Usei e abusei dos pronomes possessivos “nossa” e “nosso” porque é como sociedade que deveríamos enfrentar esse nosso problema.
Fascismo, crise climática e desinformação: os sinais de um mundo em colapso, por Martha Medeiros
O Globo
'Sobreviverá quem estiver no lucro de ter
vivido cercado por livros, informação e consciência do momento presente'
O livro é “A paixão pela mentira — A família e as tiranias”, do psicanalista Paulo Schiller. Lançado em 2025, discute as angústias e traumas infantis que resultam no adulto que nos tornamos. Como o título e o subtítulo indicam, o livro denuncia as narrativas estrambólicas que sustentam o fascismo desde sua origem, no âmbito familiar. A leitura é atrativa a leitores de qualquer espectro político, mas abri o livro justo neste frenético outubro de 2026, e ele me ajudou a entender a razão de estarmos tão assustados com a possibilidade de sermos governados por uma família que se encaixa exemplarmente na análise profissional e isenta do autor.
Os debates decidirão a parada, por Elio Gaspari
O Globo
É a primeira vez que se chega a uma situação
semelhante na disputa pela Presidência da República
Dois debates, o de hoje na Band e o do dia 23
na Globo, decidirão a disputa pela Presidência da República. É a primeira vez
que se chega a uma situação semelhante. Lula, aprovado ou rejeitado, é
conhecido. Flávio Bolsonaro é um sobrenome que carrega consigo o antipetismo. É
uma divisão pobre e irredutível, basta dizer que está aí há 18 anos com a mesma
agenda. Ao apagar das luzes do Lula 3.0, ele empunhou essa bandeira e o
Congresso aprovou a escala de 5x2 para os trabalhadores.
Veio uma pandemia, morreram 700 mil pessoas e não apareceu uma só ideia nova na área da saúde. Quando aparece uma, é travada no escurinho de Brasília.
A luta contra o desmatamento, por Míriam Leitão
O Globo
O menor número de desmatamento foi possível
após o governo Lula superar a terra arrasada que recebeu de Jair Bolsonaro na
área ambiental
A queda do desmatamento na Amazônia ao menor número nos 38 anos em que o INPE faz o monitoramento é uma vitória cuja dimensão só se entende através de uma viagem no tempo. Não poderia ser colhida se não houvesse uma decisão do governo seguida zelosamente por todas as equipes dos órgãos públicos envolvidos na missão. O presidente Lula repete o feito dos primeiros dois mandatos em que também derrubou fortemente o desmatamento na Amazônia. Dessa vez, há outra boa notícia a comemorar. O Cerrado, o bioma que vem sendo mais atacado, também teve o seu melhor número.
Debandada, por Dorrit Harazim
O Globo
Integrantes da bolha Trump se mudaram para o
Xanadu fortificado, onde se sentem em segurança por viverem intramuros
Há quem goste de qualificar Stephen Miller como a éminence grise de Donald Trump. O epíteto não lhe faz justiça. Seu poder é mais vasto do que o do frade de batina cinza Leclerc du Tremblay, braço direito de Richelieu nos tempos de Luís XIII. Miller é o homem que transforma em política pública os impulsos mais incivilizados de Trump. Imprime sua ideologia raivosa com métodos de inquisidor, não aceita desculpas nem abre espaço a dissenso. É temido não pela fisionomia que lembra Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, mas por deter um poder de ação e persuasão imenso na Casa Branca. Não por acaso, escolheu a dedo um cargo que não quer dizer nada (e, portanto, pode significar tudo) e não exige ser sabatinado pelo Senado: vice-chefe de Gabinete para Políticas Públicas. Opera melhor nas sombras do que à luz do dia, e poucos no universo Make America Great Again (Maga) se aventuram a contrariá-lo.
Diplomatas e militares que se cuidem! Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Eduardo Bolsonaro pode ou não ser chanceler, mas vem aí ‘faxina’ no Itamaraty e nas Forças Armadas
O senador Flávio Bolsonaro descartou seu
irmão Eduardo como chanceler no seu eventual governo, mas isso não é suficiente
para acalmar os ânimos nas duas principais carreiras de Estado, diplomatas e
militares, que temem a repetição no Brasil do que Donald Trump fez ao assumir
pela segunda vez a presidência dos EUA: uma caça às bruxas.
Está praticamente descartada uma nova tentativa de golpe militar, como nos anos de Jair Bolsonaro, mas o sinal amarelo acendeu quando Eduardo Bolsonaro anunciou a caça às bruxas como “uma faxina” no Itamaraty, para varrer os diplomatas não alinhados com o governo do pai nem com a campanha do irmão. Mais um tiro no pé, ou melhor, na campanha de Flávio.
O perigo de se depender dos EUA, por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
O calvário vivido por Volodmir Zelenski em
sua história com Donald Trump é completo para analisar como o presidente
americano se comporta perante aliados e adversários.
O Brasil vive um contexto diferente da
Ucrânia, mas no momento em que se prepara para entrar na órbita americana ou se
manter sob a chinesa, a lição é clara: os riscos são severos em ambos os casos.
O amor de Trump pela Rússia e desprezo pela Europa datam de 1987, quando o empresário foi convidado a visitar a União Soviética depois de comprar centenas de televisores para um hotel que estava montando em Nova York em uma loja que era um aparelho da KGB. Ao voltar, Trump gastou US$ 94 mil em anúncios no Wall Street Journal , New York Times e Boston Globe defendendo o abandono dos aliados europeus, japoneses e sauditas.
Vida é poesia, por Ignácio de Loyola Brandão
O Estado de S. Paulo
Namorar era olhar, trocar sorrisos maliciosos. E, se desse, pegar na mão, escondido do irmão
Dois momentos me tocaram fundo na primeira semana de outubro, ambos ligados a esta vida que chegou aos 90. O que chamo de vida é a de todos nós, brasileiros. O primeiro momento, tenebroso, foi a frase de um candidato à presidência do Brasil. Ela me desestruturou. A que ponto de sordidez chega a ambição de poder? A repelente, repulsiva, horrenda referência à prostituição em um cargo atribuída a Simone Tebet me deixou irado, desesperado. É vulgar, de espantosa baixeza, cafajestice. Inadmissível. Em que país vivemos? Ou viveremos?
Entrevista | Marco Aurélio Nogueira: ‘Não dá para tudo ser resolvido no confronto entre lulismo e bolsonarismo’, diz cientista político
Por Vera Rosa \ O Estado de S. Paulo
Autor do livro ‘Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir, dialogar’, Marco Aurélio Nogueira vê a democracia no Brasil ameaçada e diz que qualquer candidato eleito para a Presidência, seja Lula ou Flávio, terá de ‘descascar um abacaxi’
BRASÍLIA – O cientista político Marco Aurélio
Nogueira define o atual momento que vivemos como “uma encruzilhada política
paralisante”. No seu diagnóstico, trata-se de uma época na qual a manipulação
de algoritmos domina o mundo e ergue muros. Diante deste cenário, construir
pontes ficou mais difícil.
“Não dá mais para tudo ser resolvido a partir
de um confronto eterno entre o lulismo e o bolsonarismo”, diz Nogueira.
Professor aposentado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e articulista do
Estadão, o
cientista político observa que os democratas precisam reaprender a dialogar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva errou,
na sua avaliação, ao deixar de lado a frente ampla que ajudou a elegê-lo, em
2022. Na outra ponta, o discurso antissistema do senador Flávio Bolsonaro,
candidato do PL, não reflete uma coesão social sustentável. A terceira via, por
sua vez, não conseguiu sair do acostamento e “virou recheio de um sanduíche”.
Em seu mais novo livro, intitulado Como melhorar a vida que vivemos: pensar, agir,
dialogar, Nogueira trata dos muros que nos dividem e observa que o
cenário atual, com seu dinamismo frenético, acabou trazendo mal-estar.
Questionado se a democracia está sob ameaça, ele não titubeou e encaixou um “sempre” na resposta. “A democracia é aquela planta tenra, que precisa de adubação permanente”, afirmou o professor, citando frase do ex-governador da Bahia Otávio Mangabeira.
Querem mudar o jeito de escolher o presidente, deputados, STFs e levar bandidos ao poder, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Há projetos de mudar a forma de governar o
país entre o fim de 2026 e o início de 2027
Tentativa ocorreria em ano de economia
difícil e política que afunda no crime organizado
As turmas do poder político pretendem mudar
formas e modos de governo entre o final deste ano e o começo do próximo. Flávio
Bolsonaro (PL)
e cia. têm plano nebuloso de "mudar
a Constituição para redemocratizar o país". O centrão-direitão quer se
defender do avanço da extrema direita e dos políticos digitais. Todos querem
mexer no falido STF.
Tais mudanças serão discutidas em momento que pode ser de domínio da extrema direita no governo federal e de grande força no Congresso, com o que tal corrente pode vir a ser hegemônica no partidarizado STF. A extrema direita é composta também de grupos políticos associados ao crime organizado. De resto, a elite no poder foi comprada ou alugada pelo gângster e cafetão Daniel Vorcaro.
Flávio perde votos quando eleitor o imagina governando, por Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
Que candidato você prefere no comando em caso
de nova pandemia?
Em retrospecto, a liderança no primeiro turno
pode ter sido ruim para Flávio Bolsonaro
Para Flávio
Bolsonaro vencer a eleição, precisa impedir que os brasileiros se lembrem
de que, se votarem nele, ele será o presidente do Brasil pelos próximos quatro
anos. Ou mais, dependendo do que ele e o pai fizerem com a Constituição que já
disseram que esculhambarão.
Não houve campanha eleitoral no primeiro turno: houve noticiário sobre corrupção no STF. Leitores da coluna sabem que votar no PL para punir os corruptos do STF foi votar em 98% da quadrilha Master para usar os outros 2% como bodes expiatórios. Mas muita gente caiu no golpe, e Flávio terminou o primeiro turno na frente de Lula.
O apelo da dignidade, por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
Falha no primeiro turno não foi a falta de
debates, mas a falta da vontade de debater
O rebaixamento nas redes sociais parece
prioritário no pleito político; parlamentares da caixa de gargalhadas, com
milhões de votos, são epifenômenos dessa aberração
Na fatigante expectativa do segundo
turno, especialistas insistem em que problemas nacionais sejam postos em
debate entre os dois candidatos e não se confundam campanhas com exposições
biográficas. Todo mundo está cansado de saber que Lula,
autodeclarado mais sindicalista que de esquerda, representa estabilidade democrática,
ideias de povo próspero e soberano. Por vias populistas, sempre
"entregou" benefícios sociais.
Mas até os mal-informados também estão cansados de saber que Flávio Bolsonaro tem mais folha corrida do que biografia publicável em 23 anos de vida parlamentar. Supunha-se que um político da ultradireita em ascensão tivesse algo de pertinente a dizer sobre ajuste fiscal ou sobre um benefício qualquer a "entregar", como senha de trânsito no mercado eleitoral. O que ele diz numa hora, desdiz na outra. É um "flatus" ambulante. De concreto, o projeto de tirar o pai da cadeia. Embora possa facilmente entregar o país.
A maldição do vencedor, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Livro clássico de economia comportamental
ganha atualização
Autores mostram como as pesquisas evoluíram
nos últimos 30 anos
Especialmente em momentos de polarização afetiva, esperamos o pior de nossos semelhantes. Tentando ver o lado menos lúgubre das coisas, acho que dá para afirmar que humanos não somos tão maus quanto hoje pode parecer. Como espécie, somos cooperativos. Nosso impulso inicial é o de colaborar com o próximo, mas também não somos trouxas. Deixamos de cooperar a partir do instante que o próximo dá sinais de que não é um parceiro confiável. Faz sentido que seja assim. Se fôssemos seres totalmente egoístas e perfeitamente racionais, sempre empenhados em maximizar ganhos, não teríamos ido muito além do Pleistoceno.
Lula e Flávio vão em desespero rumo ao desempate, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Na reta final da corrida ao Planalto os erros
de cada um serão mais determinantes que os acertos
À falta de projetos, o país se prende à expectativa do que vai vencer: a onda da direita ou a força da caneta
A terceira semana de campanha do segundo turno vai começar com as
pesquisas paradas no empate entre os dois finalistas, em cenário que não
deixa de ser desafiante para o perdedor, mas é preocupante para o vencedor da
etapa inicial.
No histórico desse tipo de embate o segundo colocado estaria praticamente fadado à derrota. A escrita permeou as análises do placar de 4 de outubro, segundo as quais nunca houve uma virada. Ocorre que tampouco havia registro de diferença tão pequena.
Paulinho e Verinha em perigo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
O jabuti Jonathan, 194 anos, ser mais idoso
do mundo, está preocupado com a situação
Se vier o pior, um casal de jovens jabutis
brasileiros poderá esperar pela salvação; nós, não
Fui apresentado outro dia a um casal de jabutis. Chamam-se Paulinho e Verinha. Não entendi como seus tutores sabem quem é quem —jabutis são tímidos, não gostam de botar nem a cabeça para fora, quanto mais as partes. Só sei que têm menos de um ano e, pelo amor com que são tratados, uma bela vida pela frente. Ao observá-los, concluí que não fazem nada sem pensar —não importa onde sejam colocados, permanecem estáticos, avaliando a situação. Pode acontecer de só se decidirem muito depois de você, temendo morrer de velhice, ter desistido de esperar para ver.
A democracia e suas vicissitudes, por João Rego*
Revista Será?
– Uma
mensagem aos democratas indecisos
Já falei sobre o que a democracia moderna
representa para a humanidade. É a expressão civilizatória suprema que o ser
humano, em meio aos seus conflitos, conseguiu alcançar ao longo de milênios de
história, marcados por guerras, chacinas e genocídios.
A partir do século XVIII, com os pensadores
do Iluminismo, o pensamento político-filosófico construiu o veio principal por
onde as nações, com suas diversas formas de governo, começaram a caminhar em
direção aos modelos modernos de sociedade democrática.
Embora, no século XX, ainda tenhamos experimentado duas terríveis guerras mundiais, que deixaram um rastro de dezenas de milhões de mortos, entre eles os milhões de vítimas do Holocausto planejado e executado pelo nazismo, também testemunhamos os crimes do stalinismo — duas das principais expressões do totalitarismo que deixou profundas cicatrizes no século passado.
As eleições vistas de outro ângulo, por Elimar Nascimento*
Revista Será?
O historiador, cientista político e escritor
português João Pereira Coutinho publicou pela editora Três Estrelas um livro
fortemente interessante. Intrigante, na verdade, e desde o título: As ideias conservadoras explicadas a
reacionários e revolucionários (2014).
Bem resumidamente, Coutinho defende que o mundo moderno, nascido da Revolução Francesa, pariu três grandes ideologias: a conservadora, a reacionária e a revolucionária. O que as distingue? O conservadorismo, em essência, afirma que o mundo está em movimento, que a mudança é a forma de existir da modernidade; porém, considera que estas mudanças devem se fazer de forma lenta. A ideologia reacionária, ao contrário, se opõe à mudança e prega o retorno ao passado idealizado. No outro extremo, surgem as ideias revolucionárias, que querem “fazer do passado uma tábua rasa”.













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