sábado, 4 de abril de 2026

Horizonte estreito, por Flávia Oliveira

O Globo

O que se vislumbra para outubro é a primeira disputa presidencial sem candidatura feminina desde 2006

Do limiar de abril, o que se vislumbra para outubro é a primeira eleição presidencial sem candidatura feminina desde 2006. Neste século, apenas no primeiro pleito (2002), quando Roseana Sarney desistiu de concorrer, não houve mulher como cabeça de chapa — Rita Camata foi vice de José Serra (PSDB), e Deyse Oliveira de Zé Maria (PSTU). O Brasil teve uma mulher, Dilma Rousseff, duas vezes vencedora (2010 e 2014); candidatas competitivas, caso de Marina Silva (2010, 2014 e 2018) e Simone Tebet (2022); uma dezena de vices com visibilidade, de Rita Camata (2002) a Ana Amélia, Sonia Guajajara, Manoela d’Ávila e Kátia Abreu, todas em 2018. A participação cresceu na esteira da cobrança das feministas por representatividade e sucumbiu à supremacia dos homens de partido.

Tem conserto? Por Eduardo Affonso

O Globo

A Sala Cecília Meireles resiste, serena, blindada por uma couraça que a protege das buzinas e freadas, do funk e do reggaeton

A Sala Cecília Meireles é um remanso à margem daquela corredeira que vem da Riachuelo, deságua na Rua da Lapa, reflui para a Mem de Sá, passa pela Rua do Passeio e sobe para fazer selfies na Escadaria Selarón. A Sala resiste, serena, blindada por uma couraça que a protege das buzinas e freadas, do funk e do reggaeton das JBLs ligadas em volume máximo nas barraquinhas do entorno dos Arcos. Sem saber, coitada, que um novo cavalo de Troia contrabandeou o inimigo lá para dentro.

Por que Moraes não é investigado? Por Thaís Oyama

O Globo

Tecnicamente, a resposta curta é: porque Paulo Gonet, procurador-geral da República, até agora não quis

"As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece." Foi com seu estilo costumeiro — muitos adjetivos, nenhum argumento e tom de quem não gostou de ser incomodado — que o ministro Moraes negou, por meio de sua assessoria, ter viajado com a mulher, Viviane Barci, ao menos oito vezes em jatinhos de empresas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A revelação, feita pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão, baseou-se no cruzamento de informações de três bancos de dados de aviação.

Uma campanha paralela, por Miguel Reale Júnior

O Estado de S. Paulo

Deve-se propagar: não vote em quem não destina verba ao ensino integral

Desalento é o sentimento que se espalha diante da certeza de que a crise de nossas instituições não será resolvida por via das eleições.

Há a sensação do “já visto”, dando até certo cansaço antecipado diante das mesmas superficiais promessas dos candidatos, que serão tonitruantes por todos os meios de comunicação. Os candidatos a presidente ou a governador podem até apresentar programa de governo, mas isso não levará a qualquer adesão revestida de entusiasmo.

Compliance zero, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O escritório Barci de Moraes disse, em nota, que “nenhum integrante jamais viajou em aviões de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel”. Essa é construção defensiva que prospera nas fendas entre pessoas física e jurídica – porque sempre se poderá declarar que o jatinho era de empresa que tinha Vorcaro como sócio, cousa distante, com participação modesta etc.

A globalização não morreu, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

A guerra comercial não quebrou o sistema – apenas o obrigou a encontrar novos caminhos

Trump parece ter transformado a política econômica em uma versão moderna do menino que gritava “lobo” (Esopo). Depois de tantos alarmes falsos, o problema não é mais o que se anuncia, mas é a credibilidade de quem anuncia. O interessante na situação atual é ver que, um ano depois de idas e vindas, a liderança perde a credibilidade, mas o sistema não colapsa.

A trilha desse filme segue com as empresas ignorando o discurso e reorganizando as cadeias produtivas e distributivas, os países ignorando as ameaças e firmando novos acordos, mas os mercados reagindo e aumentando os prêmios de risco.

Em nome de Deus, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O secretário fez apelo público ao povo americano por um tipo específico de oração em tempos de guerra

A confusão entre guerra e religião é decisão perigosa. O mundo já experimentou essa mistura na época das Cruzadas, no século 14 e não deu certo. Mas o secretário de Defesa, ou de Guerra, dos Estados Unidos, Pete Hegseth, é religioso que coloca no mesmo nível conceitos de sua Igreja com a ação dos militares norte-americanos por todo o mundo. Ele se julga uma espécie templário redivivo, segundo suas próprias palavras. O secretário, voz ativa junta ao presidente Donald Trump, diz que a guerra demonstra a "força avassaladora" e a "capacidade incomparável" das Forças Armadas dos EUA de fazer chover morte e destruição sobre seus inimigos iranianos "apocalípticos".

O que significa machismo estrutural? Por Juliana Diniz

O Povo (CE)

As mulheres estão numa situação de desigualdade competitiva, enfrentando desafios institucionais, simbólicos e materiais maiores do que os homens enfrentam. E o pior: precisam lidar com a ideia amplamente difundida de que essa desigualdade é fruto da natureza, e não de uma certa cultura

Sabemos que o machismo é um problema estrutural, mas será que há clareza sobre o que isso significa? Gostaria de propor o debate porque estamos às vésperas da eleição e, se há um cenário em que as desigualdades se manifestam, é na cena política.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Rombo das estatais tornou-se rotina no governo Lula

Por O Globo

Nos primeiros dois meses do ano, as perdas somaram R$ 4,2 bilhões, quase o total registrado em 2025

Nos primeiros dois meses do ano, as estatais federais registraram um rombo de R$ 4,16 bilhões. Trata-se do pior resultado para o primeiro bimestre desde 2002, quando o Banco Central (BC) deu início à série histórica. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode nem argumentar que foi um lapso. O recorde anterior ocorreu em 2024. De lá para cá, houve um agravante: o buraco tem crescido. O resultado negativo do primeiro bimestre deste ano foi R$ 2,8 bilhões maior que no mesmo período de 2025 e alcançou quase o total registrado ao longo de todo o ano passado, R$ 5,1 bilhões. Levando em conta a resistência do governo em promover a privatização mais óbvia — a dos Correios —, a sangria deverá continuar, deixando ao contribuinte uma conta que agravará a crise fiscal e aumentará ainda mais o endividamento público também recorde (79,2% do PIB).

Desafios da autocorreção, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Resistência de alguns ministros do STF em reconhecer erros favorece apenas a extrema direita

A crise do Supremo não se solucionará de forma mágica

A resistência de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal em reconhecer erros e corrigir os rumos do tribunal favorece apenas a extrema direita. Depois de anos criticando e fustigando o Supremo por suas acertadas decisões na defesa dos direitos fundamentais e, sobretudo, na responsabilização dos que atentaram contra a democracia, surge agora uma distinta oportunidade de atacar o Supremo. A conduta de alguns de seus ministros tem deixado o tribunal cada vez mais vulnerável. O tema STF concentrará atenções não apenas na disputa presidencial, mas, sobretudo, na corrida pelas cadeiras do Senado.

Falta de oposição causou a decadência política do Rio, por Leonardo Weller*

Folha de S. Paulo

Estado choca o Brasil com uma longa lista de governadores presos e destituídos

Democracias precisam de oposições sérias capazes de pressionar governos a entregarem boas políticas públicas

Rio de Janeiro choca o Brasil. O afastamento de Cláudio Castro repete um padrão, verificado desde os anos 2000, com uma longa lista de governadores presos e destituídos. A economia fluminense tampouco é um bom exemplo. Apesar de contar com o segundo PIB da federação, governos perdulários e flutuações no preço do petróleo levaram o Rio à bancarrota.

Muito se fala na criação de Brasília como causa dessa decadência. Mas a antiga capital federal continuou sediando grandes estatais e autarquias, da Petrobras ao BNDE(S). Já o regime militar ajudou o Rio ao expandir o peso do setor público na economia, criando várias estatais na cidade e transformando a Petrobras em uma gigante. A Ponte Rio-Niterói, à época a maior do mundo, era símbolo daquele projeto de Brasil grande.

No Texas, Flávio Bolsonaro exibe sua vassalagem a Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 só faltou pedir a anexação do Brasil pelos Estados Unidos

Candidato ao Planalto repete o pai e questiona eleições de 2022

Aluno esforçado das lições marqueteiras, Flávio Bolsonaro desistiu da dancinha ao som do funk "Zero Um, Novo Capitão". Na avaliação de quem cuida de suas redes, imitar a postura tiktoker de Donald Trump não pegou bem. Um político moderado não pode rebolar descendo até o chão.

A ordem é abrir a boca o menos possível, evitar as entrevistas do tipo quebra-queixo, escapar das cascas de banana. Uma palavra sobre o escândalo Master? Nem pensar. A finalidade da estratégia low profile é reprimir a natureza golpista do filho 01.

Legado de Ibaneis para Brasília e o BRB é o pior possível, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Situação do BRB se agrava com inação do governo do DF

Ex-governador do DF não conseguirá se distanciar do escândalo Master

Investigado por suspeitas de envolvimento no escândalo Master, Ibaneis Rocha (MDB), ex-governador do Distrito Federal, conseguiu o que queria. Saiu do cargo no último dia 30 para se candidatar ao Senado antes de o BRB ser obrigado a anunciar ao mercado que não iria mais publicar o seu balanço de 2025 dentro do prazo.

Ibaneis conseguiu empurrar a bola para a sua sucessora, a vice-governadora Celina Leão (PP), que também dá sinais de não querer resolver a crise com a urgência necessária para o tamanho do problema do banco.

Equilíbrio fiscal: assunto de todos, por Marcus Pestana

Aproxima-se as eleições e é hora de discutir os desafios e os dilemas nacionais. No entanto, a política econômica, apesar de ser tema central para a vida do País, sempre fica escanteado. Tudo indica que os temas predominantes serão segurança pública e corrupção, a partir dos escândalos do INSS e do Banco Master. A política fiscal é evitada por todos. Nenhum candidato, em plena campanha, vai ser explícito sobre aumento de impostos ou corte de gastos em uma estratégia de ajuste fiscal. Mas, ao assumir, o próximo presidente da República terá um inevitável encontro com o reequilíbrio das contas públicas.

O incêndio na pizzaria, por Murillo de Aragão

Veja

O sistema institucional precisa ser imediatamente depurado

Vivemos em um país onde o Estado é maior que a sociedade e os detentores do poder sempre exerceram contenção de danos em nome da manutenção da institucionalidade e da tutela de nós, a patuleia. Mesmo que custasse atropelar a Constituição, que, nos dias de hoje, nos faz lembrar de como a chamavam no Império: a defunta. Já não há estado de direito nem contenção moral de muitos que dirigem o país. A “Constituição Cidadã” é plena de direitos, parca de obrigações e ineficaz na aplicação de ambos.

Entrevista | “Nunca escolhemos adversários”, diz Edinho Silva, presidente do PT

Sergio Lirio /CartaCapital

A meteórica alta das intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas não surpreende Edinho Silva, presidente do PT. Resultado da “polarização”, afirma o ex-ministro e ex-prefeito de Araraquara, à frente da legenda em mais uma eleição decisiva tanto para o País quanto para o partido. “Sempre tive a leitura de que qualquer candidato que representasse o campo bolsonarista cresceria rapidamente.” O dirigente petista, na entrevista a seguir, nega que a agremiação tenha preferência por outro adversário, minimiza os efeitos da candidatura de Ronaldo Caiado (“é um problema da família Bolsonaro, não nosso”), afirma que a campanha por um quarto mandato do presidente apresentará aos eleitores um programa arrojado e moderno com uma perspectiva de futuro, em especial para as novas gerações, e espera uma mudança do humor da população quando se aproximar a hora da escolha. “No meio do ano, a situação será outra.”

Apenas Flávio, por André Barrocal

CartaCapital

O filho 01 de Bolsonaro veste um figurino que não lhe cabe, enquanto torce pelo incerto engajamento de Tarcísio de Freitas e Donald Trump em sua campanha

Em 4 de abril acaba o mistério: Tarcísio de Freitas continuará governador de São Paulo? Para concorrer à Presidência da República em outubro, o anti-Lula predileto do “mercado”, do empresariado e da grande mídia teria de deixar o cargo até esta data. Vontade de subir a rampa do Palácio do Planalto não lhe faltava, ainda que considerasse o atual chefe da nação um oponente duríssimo de bater. A concessão judicial de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, dez dias antes do fim do prazo para Tarcísio decidir se abandonava São Paulo e alçava voos mais altos, havia realimentado os sonhos do governador. É o que havia confidenciado um dos auxiliares mais próximos dele em conversas com a turma da Avenida Faria Lima, a meca do capital financeiro no Brasil.

Cenário movediço, Aldo Fornazieri

CartaCapital

Há um congestionamento de candidaturas à direita

Com a escolha de Ronaldo Caiado como candidato do PSD, o quadro das candidaturas presidenciais está praticamente definido e o cenário da disputa ganha novos contornos. O quadro revela um Lula olímpico no campo do centro-esquerda, um centro órfão e um enorme congestionamento à direita. O centro poderia ter um representante se Ratinho Júnior ou Eduardo Leite viessem a ser candidatos. Além de Caiado, a direita terá Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos. Outros possíveis candidatos se situarão entre as candidaturas nanicas.

Atrás do trio elétrico… Por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Os países que mais se desenvolveram uniram por conta própria mercado eficiente e coordenação estatal

“Quando tudo tem de ser feito pelo livro, quando o pensamento se torna rígido e a fé cega é a moda, é impossível um partido ou uma nação progredir. A vida cessará e essa nação ou esse partido perecerá.” (Deng Xiaoping)

Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu, diz a música de Caetano Veloso. Nós morremos porque fomos atrás do tripé macroeconômico, superávit fiscal, câmbio flutuante e regime de meta de inflação. A fé cega no livro, na teoria e a troca entre estabilidade monetária e o desmonte da infraestrutura brasileira montada a duras penas entre 1930 e 1980. O Plano Real nunca teve como meta um projeto de desenvolvimento econômico e, muito menos, um plano estratégico para o Brasil. O mantra da eficiência econômica, somado à alocação eficiente dos recursos pela iniciativa privada, colocaria o Brasil rumo ao crescimento sustentável! A partir desse momento, é decretado o cancelamento da palavra planejamento e a repetição ad nauseam que investimento público é sinônimo de gasto. Cinquenta anos de experiências de planejamento desde Getúlio, Juscelino e o regime militar foram jogados no lixo da história. Quem foi atrás do trio elétrico desmantelou a capacidade produtiva deste país.

Na antevéspera das eleições, por Ligia Bahia*

CartaCapital

Vamos à luta pela saúde ou nos manteremos acendendo velas a torto, à esquerda e à direita nestes tempos decisivos para os direitos e a democracia?

Candidaturas anunciadas ou ensaiadas já se acompanham de críticas (ao que aí está) e de proposições para a saúde no âmbito nacional. Ideias, interesses brutos ou já lapidados e projetos, ainda que imprecisos, estão circulando.

O doutor Queiroga, ex-ministro de Jair Bolsonaro, lançou em fevereiro o Plano Real da Saúde, “reforma” baseada na revisão de valores da tabela SUS e remuneração adequada de profissionais.

O atual repeteco do programa eleitoral do PL em 2022, destituído de qualquer menção ao fato de não ter sido implementado durante o mandato autoritário-negacionista, tem como propósitos imediatos tracionar a candidatura do autor da cópia ao Senado e angariar apoios de parte do empresariado setorial e entidades médicas e enfermagem.

Cultura do Bra$il e a Economia, por Luiz Carlos Prestes Filho

Catetear Notícias

Embora as obras de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e muitos outros, como Margareth Menezes, sejam símbolos da identidade brasileira, os direitos de exploração comercial dessas gravações (os chamados "masters") pertencem, em grande parte, a conglomerados internacionais, como Universal Music Group (França/EUA), Sony Music (Japão/EUA) e Warner Music (EUA).

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão sobre ‘penduricalhos’ ampliou incerteza

Por O Globo

Depois de STF ressuscitar quinquênio para juízes e procuradores, demais servidores também querem a regalia

Era previsível: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tentou disciplinar os supersalários no serviço público surtiria efeito contrário, abrindo caminho para outras categorias reivindicarem as mesmas bondades concedidas ao Judiciário e ao Ministério Público (MP). Pois não deu outra. Levou uma semana para o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate) reivindicar ao Ministério da Gestão e Inovação a retomada da discussão sobre o adicional por tempo de serviço para servidores públicos — a promoção automática conhecida como quinquênio —, com base na decisão que o ressuscitou para juízes e integrantes do MP. O quinquênio havia sido extinto por Emenda Constitucional em 2003.

Enquadrar Fachin é inversão, por Vera Magalhães

O Globo

Aqueles que deveriam ser instados a dar explicações e adotar a transparência sobre suas ações isolam o presidente e tentam evitar medidas mínimas de transparência

O problema da formação de panelas em colegiados com poucos assentos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), é que os alinhamentos produzem distorções que acabam por agravar os vícios e impedir sua correção. Edson Fachin nunca foi integrante dos grupos, mais ou menos fluidos a depender da época e das circunstâncias políticas, que se formam no STF. Tímido, menos empavonado que os colegas e não tão afeito às costuras como muitos de seus pares, tem alternado momentos de adesão e outros de isolamento ao longo dos anos em que está na Corte.

Nas asas de Vorcaro, Por Bernardo Mello Franco

O Globo  

Dois ministros do Supremo viajaram em jatinhos de Daniel Vorcaro. A revelação deveria apressar a Corte a aprovar um código de conduta. Nos últimos dias, ocorreu outra coisa: cresceu a resistência às regras propostas pelo presidente Edson Fachin.

A notícia das caronas aéreas criou novos problemas para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os ministros já estavam ligados ao caso Master por repasses milionários — um via resort, outro pelo escritório de advocacia da família. Agora precisam explicar por que embarcaram em aeronaves do banqueiro preso.

Patriotas de vermelho, azul e branco, por Pablo Ortellado

O Globo

Declarações e atos da família subordinam interesses brasileiros à aliança com os Estados Unidos

Flávio Bolsonaro fez uma palestra na CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos, no último sábado. Como era de esperar, em seu discurso atacou as elites globalistas, o ambientalismo, a agenda woke e o Estado profundo; protestou contra a prisão do pai e acusou o presidente Lula de se alinhar com a China — propondo, em contrapartida, alinhar-se aos Estados Unidos se eleito presidente.

Em busca de narrativa eleitoral, Lula defende Pix sob ataque dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A adoção de um discurso mais combativo indica que o presidente compreendeu a necessidade de recompor sua base eleitoral e melhorar a avaliação do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram nesta quinta-feira a um relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio exterior. A posição da Casa Branca não é nova, mas a divulgação do relatório deu oportunidade para que Lula tente politizar ao máximo a questão e transformar a defesa do Pix numa bandeira eleitoral com popularidade. É a busca de uma narrativa convincente sobre o bom desempenho de seu governo para tentar aumentar sua aprovação.

Lula reage aos EUA: Pix não vai mudar

Por Francisco Artur de Lima / Correio Braziliense

Presidente diz que sistema de pagamento instantâneo é brasileiro e ninguém fará o país modificá-lo. Declaração ocorre após relatório apontar que o mercanismo é uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.

Lula enfatizou que nenhum país nem "ninguém" vai alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país. "Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", enfatizou. "O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país."

STF atua pela liberdade de expressão, diz Fachin

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF rebate relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA que acusa a Corte de censura. Ministro ressalta que o Supremo preza pelos direitos fundamentais, reconhecidos pela Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa das instituições brasileiras após a repercussão de um relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O documento, que aponta supostas violações à liberdade de expressão no Brasil com efeitos extraterritoriais, foi classificado pela Corte como uma peça baseada em "caracterizações distorcidas". Em resposta, o tribunal prepara esclarecimentos diplomáticos para restituir a "leitura objetiva dos fatos" junto ao Congresso americano.

Os CPFs versus o CNPJ do Supremo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O mundo está caindo na cabeça de Moraes, mas ele e o STF fingem que não é com eles

Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo – justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.

Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço direito, o pastor esquisitão e supertatuado Fabiano Zettel.

Suprema blindagem, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o exbanqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.

É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam.

Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro e, agora, as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

Trump afunda em contradições, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O pronunciamento do presidente Donald Trump perante a nação, na quarta-feira, veio carregado de contradições. Foi o primeiro depois do início da guerra, feito por meio de texto previamente preparado, apresentado via teleprompter, e não por tiradas improvisadas em “quebra-queixos” diários aos repórteres reunidos em cada ocasião.

Ele disse que o Irã está militarmente aniquilado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Mas, em seguida, afirmou que a guerra prosseguiria por pelo menos “duas ou três semanas”. Não ficou claro o que seriam essas operações destinadas a “completar o trabalho”. Em outras declarações, Trump já afirmara que a guerra não duraria mais do que duas ou três semanas, prazo que acabaria sucessivamente dilatado.

Apequenando a América, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Políticas de Donald Trump minam os pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Donald Trump procura "tornar a América grande de novo" exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder.

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de "mundo livre". Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas. Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da OMC à ONU.

Do paraíso de Darcy ao inferno de Lula no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A frase do antropólogo sobre o céu dos senadores hoje não reflete o ambiente de hostilidade reinante na Casa

Alcolumbre pressiona, ameaça, mas terá de arcar com o ônus de deixar o STF desfalcado até quando durar a pirraça

Darcy Ribeiro (1922-1997) criou a frase célebre de comparação do Senado ao paraíso, na qual ressaltava a vantagem de se chegar ao Congresso sem o pré-requisito da morte. Celebrava o próprio mandato, conquistado em 1990 pelo Rio de Janeiro.

Luiz Inácio da Silva (PT) pareceu ecoar o conceito ao dizer que os senadores, "com mandato de oito anos", se veem como deuses. Talvez a intenção tenha sido fazer a referência, mas a diferença entre o antropólogo e o presidente vai além das três décadas que separam os respectivos ditos. Há as circunstâncias.

Vorcaro para principiantes, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem é o homem por trás desse currículo de dar inveja aos seus colegas da Faria Lima?

Como foi sua infância? Jogava pelada, matava aula, levava a Playboy para o banheiro?

Daniel Vorcaro é um contêiner de surpresas. Não há dia em que não se abra um arquivo sem encontrar uma façanha de sua lavra. E, como todas, da ordem de milhões, bilhões de reais, capaz de quebrar bancos, envolver figurões da República e atolar os Poderes num lamaçal histórico. É um dos dois ou três nomes mais citados do noticiário, e o espantoso é que, até há pouco, ninguém ouvira falar dele. Mesmo hoje, não sei de ninguém que responda a perguntas simples, tipo: Como Vorcaro juntou tanto dinheiro e tão rápido? De onde tirou o know how? Quais foram seus mestres?

Lula entre a aflição e o tiro no pé, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina

Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.

O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

Dinheiro e religião, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo

A frequência de notícias de pastores e missionários de igrejas evangélicas em casos de anomalias envolvendo formas não convencionais de ganhar dinheiro, apuradas pela polícia e pela Justiça, indica que o problema passou dos limites da “normalidade”. Entre as mais recentes estão casos ligados a algumas igrejas evangélicas neopentecostais.

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo. Em vez de sacrário, um gasofilácio sem fundo. Por que o dinheiro nas mãos dessa gente torna-se isento de suspeita? Supostamente porque esses religiosos falam e agem em nome de Deus. Mas fomentar essa crença transforma esse negócio de falar em nome de Deus em negócio suspeito.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alcolumbre tem de ser ágil ao marcar sabatina de Messias

Por O Globo

Lula enviou enfim ao Senado mensagem indicando chefe da AGU a vaga no Supremo

Depois de mais de quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou enfim ao Senado a mensagem oficializando a escolha do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A escolha de Messias foi publicada em novembro no Diário Oficial. Nunca o chefe do Executivo protelou tanto o envio da mensagem, mera formalidade.

As ideias do novo ministro da Fazenda, por Míriam Leitão

O Globo

À frente da Fazenda, Durigan afirma que cumprirá as regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na eleição

das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.

A República do autoengano, por Malu Gaspar

O Globo

Aquecendo os motores para a campanha pela reeleição, Lula fez uma reunião para se despedir dos ministros que disputarão algum mandato em outubro. Na fala transmitida pelo YouTube, o presidente convocou seu time para “ir pra cima” de Flávio Bolsonaro, mostrando que seu governo fez “infinitamente mais” que o anterior. Rui Costa, da Casa Civil, fez uma apresentação comparando Lula e Jair Bolsonaro, classificando o resultado de “mudança da água para o vinho”. E sugeriu que o colega da Comunicação, Sidônio Palmeira, não estava fazendo seu trabalho direito.

Política no STF, Por Merval Pereira

O Globo

A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Não é porque não tem “notório saber jurídico” que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, não poderia ser indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse requisito há muito não é levado em conta na escolha do candidato, e, na verdade, são poucos os que o têm. O problema é que, mais uma vez, o presidente Lula escolheu um ministro do Supremo por suas qualidades pessoais, não jurídicas. A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Visão do passado arrisca reeleição, por Julia Duailibi

O Globo

As pessoas conhecem os programas do governo e os veem, hoje, não como favor, mas como obrigação

Diagnóstico errado; remédio também errado. Essa máxima serve para a política. O presidente Lula avalia que a baixa aprovação da sua gestão, na reta final do mandato, tem a ver com uma falha na comunicação sobre as entregas do governo. A falta de informação na praça seria a principal explicação para a desaprovação, que atinge mais da metade da população. Lula culpa não só a imprensa, reeditando a visão equivocada de que jornais e TVs deveriam funcionar como linhas auxiliares dos Diários Oficiais, mas também os canais formais da Presidência.