quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Prioridade de 2026 deve ser a reforma administrativa

Por O Globo

Dado desinteresse do governo Lula sobre tema, iniciativa cabe ao Congresso. Ele não pode se omitir

É por vezes difícil ao cidadão comum entender as reformas em debate no Congresso. Mas não é o caso da reforma administrativa. Todos os brasileiros convivem diariamente com as deficiências e aberrações nos serviços públicos. Filas, burocracia, decisões equivocadas, obras por fazer e outras dificuldades mil. De um lado, faltam condições mínimas para servidores dispostos a trabalhar. De outro, proliferam funcionários públicos encostados e descompromissados. Para completar, há mordomias e benesses sem fim para a elite do funcionalismo, encastelada no Ministério Público (MP), no Judiciário e nas Forças Armadas. Os problemas são tantos e tão conhecidos que causa espanto a falta de urgência com que a questão é tratada. Por isso o ano de 2026 deveria começar com uma prioridade: a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa, relatada pelo deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ). Ela seria o melhor legado que a atual legislatura poderia deixar às futuras gerações.

Mensagem de final de ano do presidente do Supremo Tribunal Federal*

Ao Poder Judiciário e à sociedade brasileira,

O País tem hoje instituições firmes e sólidas que funcionam dentro do Estado de Direito no canteiro de obras da democracia.

Às vésperas de um novo ciclo, renovamos nosso compromisso constitucional e a gratidão pelo caminho percorrido, conscientes do momento decisivo que atravessam, no mundo de hoje, as instituições democráticas e a própria magistratura. É justamente em contextos de incerteza que se afirmam, com maior vigor, a responsabilidade, o diálogo republicano e a fidelidade à Constituição como fundamentos da vida em comum.

O Supremo Tribunal Federal reafirma, mais uma vez, sua lealdade inafastável com a Constituição da República e com a defesa do Estado de Direito, da democracia e dos direitos humanos e fundamentais. Sem esses pilares, não há liberdade possível, nem justiça duradoura, nem dignidade plenamente assegurada.

Reiteramos, igualmente, a imprescindibilidade da autonomia e da independência da magistratura, com integridade institucional e com a promoção contínua da segurança jurídica, da eficiência e da transparência. A confiança da sociedade é construída, dia após dia, pela coerência das decisões, pela responsabilidade das ações e pela abertura permanente ao aperfeiçoamento.

Que 2026 se inaugure como tempo de esperança renovada, fortalecimento institucional e aprofundamento do compromisso republicano. Que nos acompanhem a serenidade para decidir, a coragem para proteger direitos e a convicção de que a Constituição permanece sendo, ao mesmo tempo, nosso limite e nosso horizonte.

Com votos de um final de ano sereno e de um novo ciclo pleno de paz, saúde e realizações, expressamos nossa confiança no futuro do Brasil e no trabalho conjunto de todas e todos que constroem, diariamente, a Justiça e a democracia.

Sabemos que o País ainda tem graves deveres históricos a cumprir. Em tempos de grandes expectativas e intensas demandas, o Poder Judiciário deve ser referência de firmeza, estabilidade institucional e de serviço à sociedade.

Que 2026 nos encontre unidos na defesa da legalidade constitucional, da dignidade da pessoa humana, da justiça social e de uma sociedade realmente livre, justa e solidária."

Brasília, 31 de dezembro de 2025

*Luiz Edson Fachin. Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça.

O país em transição. Por Merval Pereira

O Globo

Já estivemos recentemente perto da mudança efetiva em vários momentos, mas os retrocessos sempre vêm a favor da manutenção da situação anterior

Entramos em 2026 em plena crise político-institucional que nada indica se resolverá neste ano. Teremos eleições quase gerais dentro de um quadro de polarização a nos tornar reféns de um passado que envelheceu e de um futuro que ainda não se definiu. A famosa frase do filósofo marxista italiano Antonio Gramsci — “O velho mundo está morrendo. O novo demora a nascer. Neste claro-escuro, surgem os monstros” — pode se referir ao mundo trumpista, mas, se pegamos o recorte do Brasil atual, podemos usá-la como referência à situação de incerteza que outra frase famosa, sem autor determinado, descreve, nos colocando no “mundo pós-tudo e ante-nada”.

A economia no ano eleitoral. Por Míriam Leitão

O Globo

Há certezas sobre 2026: um ano com volatilidade, mas bons indicadores na economia e uma safra boa. Uma bolha pode estourar nos EUA

O ano eleitoral de 2026 começa com algumas certezas. A volatilidade de ativos será grande. Juros futuros, Bolsa e dólar vão oscilar ao sabor das notícias, das pesquisas e dos debates. O ano agrícola não será tão bom quanto em 2025, mas não será ruim. Haverá uma queda dos juros, lenta, mas constante. A inflação ficará dentro do intervalo da meta, e o PIB terá crescimento moderado. No exterior a grande incerteza é a bolha que pode estourar na Bolsa americana. Por ser ano eleitoral, haverá mais pressão fiscal e o novo ministro da Fazenda, qualquer que ele seja, não terá nem de longe a força de Fernando Haddad no governo Lula.

Em mensagem de fim de ano, Lula celebra "resultados históricos"

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Com menor taxa de desemprego da história e o maior volume de investimentos estrangeiros desde 2012, presidente celebra indicadores e projeta novos avanços para 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em seu perfil no X (antigo Twitter), nesta quarta-feira (31/12), que o Brasil termina 2025 com resultados históricos, destacando que o país atingiu a menor taxa de desemprego da sua história, fixada em 5,2%. Segundo Lula, o governo federal alcançou marcos inéditos no mercado de trabalho e na atração de capital estrangeiro, projetando a continuidade dessas políticas para 2026.

De acordo com os dados trazidos pelo presidente, o país atingiu o maior número de pessoas ocupadas da história, totalizando 103 milhões de trabalhadores. Deste total, 39,4 milhões possuem carteira assinada, o que também representa um recorde nacional.

2026: travessia para o novo. Por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

O primeiro passo é tratar a coisa pública de modo transparente e amparado na Constituição

Neste 1.° dia do ano, renovam-se as promessas. Mas é tempo, sobretudo, de resgatar as esperanças na construção de uma sociedade mais justa e republicana. Assim, que este ano seja uma verdadeira travessia para o novo.

As instituições democráticas são fundamentais na sustentação do Estado de Direito. O tenebroso caso do Banco Master é uma vergonha para o País. O Banco Central agiu firmemente e precisa ser defendido. Tentativas de reversão do caso só serviriam, possivelmente, para amenizar as penas dos que lesaram o País.

O sistema financeiro nacional foi reestruturado e fortalecido com o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), ainda no governo FHC, sob a liderança do então presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. A regulação e a transparência encontraram lugar. Hoje, não há sistema financeiro mais sólido no mundo do que o brasileiro. Ainda assim, as peripécias, a ousadia e a crença na impunidade estimulam movimentos como o do Master.

O Supremo e o aceitável. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

O principal resultado até aqui da operação montada no STF para tratar do escândalo do Banco Master é acelerar o descrédito da instituição. Um fator que as agências de risco político internacionais já apontam como relevante para a campanha eleitoral do ano que começa.

Nesse acentuado processo de desgaste continua sendo decisiva a “contribuição” de alguns de seus integrantes, pois é a partir da conduta deles que a instituição está sendo vista como um todo. Nesse sentido foi especialmente danoso o noticiário em torno da “acareação” de implicados no escândalo.

Caso Master pauta ano-novo do STF. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Pressão pública deve tornar inevitável aprovação de regras de conduta; Corte será alvo nas eleições

Mais do que chacoalhar o mercado financeiro e a política, a investigação sobre fraudes do Banco Master expôs condutas no mínimo questionáveis de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A suspeita levantada sobre a isenção da Corte para conduzir o caso deve produzir dois resultados em 2026.

O primeiro deles é pavimentar a votação de um código de ética para os ministros. A pressão da opinião pública tornará inevitável a aprovação de parâmetros de comportamento para os integrantes do tribunal. Edson Fachin, defensor da ideia, quer dar maior transparência a uma Corte que não divulga sequer a agenda de compromissos públicos de todos os ministros.

Partidos de centro mais fortes tornariam o Brasil mais governável? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

A ausência de um centro programático não é um acidente do sistema político brasileiro, mas uma consequência de seus incentivos institucionais

Tem se tornado comum atribuir as dificuldades governativas no Brasil à suposta ausência de partidos políticos de centro ideologicamente fortes e programáticos. A conclusão parece intuitiva: faltaria ao sistema político brasileiro um “centro responsável”, capaz de moderar extremos, oferecer previsibilidade e garantir estabilidade.

Mas vale inverter a pergunta: se os partidos de centro fossem de fato ideológicos e programáticos, o governo eleito teria mais ou menos governabilidade?

Nesse sistema, é praticamente inexorável que o partido do presidente não detenha maioria nas duas Casas do Congresso. Governar, portanto, exige a construção de coalizões amplas e heterogêneas. Se os partidos de centro fossem fortemente orientados por programas e ideologias, a dificuldade e o custo de formar e sustentar essas coalizões seriam significativamente maior.

O quieto paradoxo da democracia. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A desconfiança generalizada nas instituições políticas alimenta os populismos de diferentes cores

De fato, existe no Brasil amplo reservatório de eleitores dispostos a acreditar que um líder providencial pode, sozinho, mudar o rumo do país

O último governo eleito antes do golpe militar de 1964 resultou de uma disputa que levou ao Palácio do Planalto um líder populista de direita, Jânio Quadros. O primeiro presidente eleito depois da ditadura foi outro, Fernando Collor. O populismo —especialmente o direitoso— não é incomum na política brasileira, mas algo recorrente. Quem assistir ao ótimo documentário "Caçador de Marajás", de Charly Braun (Globoplay), sobre a ascensão e queda de Collor, não deixará de notar o muito que ele tem em comum —no discurso antissistema e na imagem messiânica do Salvador da Pátria— com personagens tão diferentes quanto Quadros, e, naturalmente, Jair Bolsonaro.

Farol da Integridade Judicial 2026. Por Conrado Hübner Mendes

 Folha de S. Paulo

Magistrado que proferiu sentença do caso Vladimir Herzog ensina o que decência significa

STF poderia contribuir para punir torturadores com entendimento sobre a Lei de Anistia

É urgente apontar a integridade judicial onde ela apareça. A integridade praticada, não recitada. Integridade despretensiosa e anti-heróica que revela compreensão inteligente e sincera do papel do bom juiz no estado democrático de direito.

O aniversário de 50 anos da morte de Vladimir Herzog, em 2025, teve dois momentos marcantes. Primeiro, em culto ecumênico na Catedral da Sé, a ministra presidente do STMMaria Elisabeth Rocha, pediu desculpas por mortes e torturas no regime militar.

As entranhas do Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Segunda denúncia do BC ao MPF mostra que investigações estão só no começo

Master não pode virar um novo caso Americanas, sem punição a todos os envolvidos

segunda denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal com indícios de irregularidades na atuação do banco Master com fundos administrados pela gestora de investimentos Reag é emblemática por apontar que as investigações estão apenas no começo.

Vem muito mais bomba por aí. É isso que deixa Brasília e o mercado financeiro em chamas. O mundo político nem se fala. Não tem lado ideológico.

O volume de R$ 11,5 bilhões envolvido na nova denúncia do BC é escandaloso. Mas é a data da comunicação, relatada em documentação encaminhada ao Tribunal de Contas da União, que chama atenção.

2025 foi o ano do feminicídio em São Paulo. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

De janeiro a novembro houve 233 casos no estado e 61,4 mil agressões a mulheres

Sem um plano efetivo, tendência é de mais mortes de mulheres, jovens e negros em 2026

No estado em que homicídios e latrocínios chegaram à menor marca da série histórica, os feminicídios e a letalidade policial explodiram, deixando claro que para o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a vida de mulheres, jovens e negros importa menos. São Paulo encerra 2025 com o maior número de feminicídios e de agressão a mulheres de que se tem registro, desde 2018, e com o segundo pior índice de mortes pela polícia dos últimos cinco anos.

The Economist diz que Lula não deveria disputar reeleição em 2026

Por Folha de S. Paulo

Revista britânica cita idade do presidente, ausência de sucessor e risco institucional

Texto também critica falta de renovação na direita e candidatura de Flávio Bolsonaro

A revista britânica The Economist publicou um editorial afirmando que o presidente Lula (PT) não deveria concorrer à reeleição em 2026. Segundo a publicação, apesar de o Brasil ter demonstrado em 2025 a resiliência de suas instituições democráticas, o país "merece escolhas melhores" no próximo pleito.

Em agosto, a revista trouxe em sua capa Jair Bolsonaro (PL) e o julgamento que o condenou por liderar uma trama golpista. Em texto opinativo intitulado "Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática", descreveu a condução do processo penal contra o ex-presidente e seus aliados como uma resposta institucional que contrariaria críticas difundidas por setores da direita americana.

No editorial publicado nesta terça-feira (30), a revista argumenta que a principal razão para Lula, 80, abrir mão da disputa é a idade. Segundo o texto, mais quatro anos de mandato seriam um risco no caso de um governante hoje octogenário. A The Economist cita o caso do ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, como exemplo dos custos políticos e institucionais de candidaturas em idade avançada, ainda que reconheça que Lula aparenta estar em melhores condições físicas.

Financial Times cita vitória de Lula nas eleições entre previsões para 2026

Por Lucas Altino / O Globo

Jornal britânico destacou os bons resultados econômicos do governo e os "gols contra" dos bolsonaristas em relação ao tarifaço de Trump

Anualmente, o jornal inglês Financial Times faz, às vésperas do reveillon, 20 previsões do mundo político para o ano seguinte. Nesta quarta (31), a lista publicada traz a vitória de Lula nas eleições de outubro de 2026 como uma das apostas. Segundo a previsão, o atual presidente deve se beneficiar do bom momento econômico do Brasil e dos "gols contra" da direita bolsonarista.