quarta-feira, 20 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão do STF agravou crise dos ‘penduricalhos’

Por O Globo

Categorias aproveitam brechas para criar novas regalias — a última delas é o quinquênio em dose dupla

Têm sido impressionantes as artimanhas usadas na tentativa de driblar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disciplinar o pagamento de verbas que ultrapassam o teto constitucional do serviço público, conhecidas como “penduricalhos”. Depois que o Supremo ressuscitou com sua decisão os aumentos automáticos a cada cinco anos para juízes e procuradores (até o limite de 35% do teto), os profissionais das duas categorias que mantinham direito a outra regalia semelhante extinta há duas décadas — o reajuste automático de 5% a cada cinco anos, conhecido como quinquênio — querem acumular as duas. Isso mesmo: querem dois aumentos automáticos a cada cinco anos, sem nenhuma relação com mérito ou desempenho, apenas por antiguidade.

Sob pressão, Flávio admite visita a Vorcaro após prisão


Por Luísa Marzullo, Letícia Pille e Lauriberto Pompeu / O Globo

Desconfiados das versões apresentadas pelo senador e com medo de novos fatos, ala do partido já defende a busca por opções ao Planalto

Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ontem mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.

Até onde a elite vai com os Bolsonaro? Por Vera Magalhães

O Globo

Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair

A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Daniel Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político.

A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências.

Um Neymar de capa preta, por Bernardo Mello Franco

O Globo

"Nada ficou provado contra mim", diz João Caldas, barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2022; ex-deputado compara novo pré-candidato a Neymar

Morreu por falta de votos a candidatura de Aldo Rebelo ao Planalto. Sem alcançar 1% nas pesquisas, o ex-comunista foi rifado pelo Democracia Cristã. O presidente da sigla, João Caldas, recorre ao futebol para explicar a decisão: “Seu time está perdendo e tem um perna de pau em campo. Você deixa ele lá ou chama o Neymar, que está no banco?”.

O Neymar do DC é Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo. A exemplo do atacante do Santos, seu maior trunfo é o passado. O auge da popularidade foi em 2012, no julgamento do mensalão.

Flávio Bolsonaro não para de mentir, PL finge que acredita e centrão faz cara de paisagem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Direita diz que vai esperar um mês de pesquisas antes de pensar em alianças

Gente do PL diz que candidatura está no lucro, pois cresceu cedo e tem gordura

A candidatura de Flávio Bolsonaro está no "lucro", diz gente do PL, partido do senador fluminense. O que quer dizer? Que o pré-candidato teve um desempenho melhor do que o esperado no início da pré-campanha, que empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas "muito precocemente" e, por isso, "está muito bem-posicionado".

Perdeu sete pontos no cenário em que vai para o segundo turno contra Lula e caiu para segundo lugar, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça, mas isso seria efeito passageiro de "espuma de narrativa" e "volatilidade normal de campanha". Os partidos que seriam aliados de Flávio Bolsonaro compartilham da opinião do PL? "Muita água vai passar por baixo da ponte" diz um chefe do PL.

Insistência de Lula em Messias é ensaio com balão furado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É improvável que senadores aceitassem mudar uma regra para dar vitória ao governo que acabaram de derrotar

O presidente se expõe a um enfrentamento que não tem capital político nem amparo jurídico para bancar

Chama-se balão de ensaio a ideia plantada no noticiário político de que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) cogita reapresentar ao Senado o nome de Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

No caso, um balão com muitos furos. O maior deles esbarra na impossibilidade de os senadores examinarem duas vezes uma indicação na mesma legislatura. Ato normativo da Mesa da Casa, em tese poderia ser revogado mediante negociação entre as presidências da República e do Congresso.

Os salários e a eleição nos EUA, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Os americanos estão irritados com a alta dos preços, e isso afetou a popularidade de Donald Trump

A insatisfação dos americanos com a guerra no Irã e, em particular, com a alta no custo de vida levou a taxa de aprovação do presidente Donald Trump para o menor nível nos seus dois mandatos à frente da Casa Branca, deixando o Partido Republicano em sério risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro. E é muito provável que Trump acabe aprendendo a amarga lição de que, talvez, não tenha mais tempo até o pleito para reverter a perda no poder de compra dos eleitores.

Próteses, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Meu velho professor de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o dr. Roberval Flores, admitiu sua surdez quando, numa aula sobre malandragem e desfaçatez no Brasil, ouviu “titica”, mas a aluna dizia “política”. Depois de um teste no qual os sons se ocultavam para o mestre do oculto, o professor comprou uma caríssima prótese de ouvido. Agora, os sons antes ocultos brotam com a mesma nudez da corrupção sem polarização na elite política nacional.

Antigamente, o roubo era uma prótese de meliantes, devidamente ocultada. Hoje, foi-se o segredo dos conchavos entre compadres (hoje irmãos) seguros de que as dádivas trocadas entre eles jamais seriam gravadas e televisionadas. Hoje, porém, é possível ser generoso misturando a casa com a rua para receber as devoluções implícitas na velha lei da troca, desvendada por Marcel Mauss. Pois a regra do dar, receber e retribuir tem óbvios limites, sem os quais não há igualdade democrática. O problema é a força do favor que anula as exigências de imparcialidade. Aí está o centro da crise.

A origem do dinheiro do Zero Um, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Flávio justifica tudo como um negócio entre particulares, mas ele é senador e o eleitor não é ingênuo

Quando a Lava Jato descobriu um mar de dinheiro irrigando contas de partidos políticos, a saída da maioria dos que foram apanhados nas planilhas das empreiteiras foi dizer que tudo não passava de doações não contabilizadas para suas campanhas, o chamado caixa 2. Muitos assumiam o que pensavam ser um pecado menor, sem se dar conta de que a explicação para os pagamentos ilícitos não respondia à pergunta que qualquer eleitor honesto faria: afinal, qual a origem daquele dinheiro e por que um empresário se disporia a entregar tanto em troca de nada?

Flávio admite que foi à casa de Vorcaro após prisão; pesquisa aponta desgaste

Pedro Augusto Figueiredo, Gabriel de Sousa, Guilherme Caetano e Naomi Matsui / O Estado de S. Paulo

Senador disse que procurou dono do Master para pôr ‘ponto final’ em negociação; segundo a Atlas, intenções de voto caíram

Pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) admitiu ter ido à casa de Daniel Vorcaro no final de 2025, após a primeira prisão do dono do Banco Master. Depois que a informação foi divulgada, Flávio fez pronunciamento à imprensa. Ele alegou que foi à casa do banqueiro, em SP, para “pôr ponto final nessa história”, em referência à negociação para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador não respondeu a perguntas dos jornalistas. As revelações contradizem declarações anteriores de Flávio de que não conhecia e de que sua família não tinha “contato pessoal” com Vorcaro. O novo fato surgiu no dia em que pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que a vinculação do senador com o caso Master após a divulgação de mensagens de texto e áudio com pedido de dinheiro a Vorcaro teve reflexo em suas intenções de voto. Num eventual segundo turno, a perda seria de 6 pontos porcentuais.

Joaquim Barbosa pré-candidato ontem e hoje, por Fernando Exman

Valor Econômico

Dado o histórico, o anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo partido Democracia Cristã demanda cautela. Cautela do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do eleitor e, também, do próprio DC.

Há uma sensação de “déjà vu”. Não é a primeira vez que o nome dele emerge a esta altura de um ano eleitoral. Tampouco é a primeira vez que Aldo Rebelo pode ficar pelo caminho em razão da movimentação política do ex-magistrado. Mais do que isso, pode-se identificar hoje novamente algumas das condições que levaram Barbosa a se aventurar na política, no PSB, em 2018.

Exibição do trailer de 'Dark Horse' mostra bolsonarismo descolado da realidade, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Divulgação de diálogos de Flávio com Vorcaro tem efeito tóxico para pré-campanha e deve afastar partidos do Centrão

A exibição do trailer do filme financiado por Daniel Vorcaro na reunião do PL que discutiu a crise da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) mostrou o descolamento da realidade em que a família do ex-presidente vive. “Dark Horse” hoje é um tema tóxico. Só o bolsonarismo não viu.

A divulgação da AtlasIntel com a boca do jacaré abrindo favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva potencializou o efeito da revelação de um encontro de Flávio com um Vorcaro já portador de uma tornozeleira eletrônica.

Pesquisa quebra favoritismo de Flávio e mostra azarões na corrida presidencial, por César Felício

Valor Econômico

Não é mais certo que em um segundo turno o senador do PL agregue todos os votos do antipetismo

A pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, a primeira a medir o impacto do caso “Dark Horse” na campanha presidencial, mostrou que há um, talvez dois, candidatos a azarões na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na esteira da queda de 5,3 pontos percentuais de intenção de voto de Flávio Bolsonaro (PL), que caiu de 39,7% para 34,3%, cresceram Renan Santos (Missão), de 5,3% para 6,9%; e Romeu Zema (Novo) de 3,1% para 5,2%.

Cuba libre hasta siempre, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

O destino da ilha socialista não pode estar ligado a planos espúrios e gananciosos de um gigante à espreita, faminto para abocanhar tudo o que acha lhe ser de direito.

Mais de 10 milhões de cubanos são castigados todos os dias pela sanha imperialista dos Estados Unidos, pela tentativa de impor o capitalismo e a força bruta(l) do lucro para obter vantagens. É quase uma relação parasitária. Não bastasse o embargo às exportações de Havana e às transações financeiras, iniciado por Washington há 66 anos, agora Cuba amarga um bloqueio energético que mergulha a ilha caribenha nas trevas até 20 horas por dia e ameaça pulverizar a frágil economia.

Desprovido de qualquer senso de humanidade, o presidente Donald Trump parece não se importar em tornar a vida ainda mais penosa para a população cubana. Tudo para forçar um regime. Animado com a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente republicano acredita que possa fazer algo parecido na ilha caribenha.

terça-feira, 19 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Finanças dos Correios têm de ser investigadas

Por O Globo

TCU viu indícios de irregularidade na operação de salvamento da estatal armada pelo governo

Com sucessivos prejuízos que somaram R$ 8,5 bilhões em 2025, os Correios dependiam de um empréstimo para fechar as contas. Mesmo com a garantia do Tesouro Nacional, a primeira tentativa de captação fracassou. Ante os riscos, os juros cobrados pelos bancos eram altos demais. Somente na segunda rodada, já em dezembro, foi fechado empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos. Agora, uma análise da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra indícios fortes de irregularidade. As suspeitas de avaliação incorreta da situação financeira da estatal e de sua capacidade de pagamento devem ser investigadas.

Lula surfa em desgaste de Flávio e pacote de bondades, por Andrea Jubé

Valor Econômico

PT aposta em desgaste de adversário e pacote de bondades para melhorar avaliação

O time da pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o escândalo ligando o pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, contando com o desgaste do principal adversário. Ao mesmo tempo, a equipe lulista também aposta na reação do mandatário nas pesquisas, com um pacote de bondades e entregas em várias áreas do governo, com a intensificação das agendas em São Paulo e no Nordeste.

Flávio procura bancadas e mercado para 'se explicar' e afastar rumores sobre candidatura

Por Joelmir Tavares e Beatriz Roscoe / Valor Econômico

Senador terá reuniões com colegas do PL no Congresso e com setor financeiro em SP para amenizar crise após mensagens com ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Em meio à crise pela revelação de sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro marcou conversas com as bancadas do PL no Congresso Nacional e com representantes do mercado financeiro em São Paulo. Os encontros têm como pano de fundo a tentativa de explicar o elo com o fundador do Banco Master, acalmar aliados e reafirmar a candidatura, afastando os rumores de desistência.

O senador deve se reunir com as bancadas de seu partido na Câmara e no Senado nesta terça-feira (19). O objetivo, segundo fontes do partido, é que o senador “se explique” sobre as ligações com o ex-banqueiro. A reunião também terá como intuito repassar a estratégia de discurso para combater os ataques governistas - que aproveitaram o episódio para amplificar a campanha nas redes sociais com o mote “BolsoMaster”, que busca atrelar o caso à família Bolsonaro.

AltasIntel: Flávio perde pontos e Lula amplia vantagem após diálogos do senador com Vorcaro

Por Lilian Venturini e Cristiane Agostine / Valor Econômico 

Pesquisa é a primeira depois da revelação do áudio em que pré-candidato pede dinheiro a ex-banqueiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-MG) e reassumiu a liderança no segundo turno, de acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19). É o primeiro levantamento realizado após a revelação de diálogos entre o pré-candidato PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Master. A rejeição a Flávio também aumentou.

Na pesquisa de abril, Flávio estava à frente de Lula por 47,8% das intenções de voto ante 47,5%. Agora, o petista aparece com 48,9% contra 41,8% do senador, uma queda de seis pontos percentuais em pouco menos de um mês. Os indecisos e que declaram intenção de anular ou votar em branco aumentaram de 4,7% para 9,3%.

A capa que o eleitor quer colocar em Joaquim, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Pesquisas qualitativas indicam que eleitores querem ver Joaquim Barbosa com a capa de “herói antissistema”

No dia 8 de maio, o publicitário Adriano Gehres e o presidente do Democracia Cristã, o ex-deputado João Caldas (AL), levaram a Joaquim Barbosa o resultado de pesquisas qualitativas feitas em 11 capitais. Apresentados a vídeos com a trajetória do ex-ministro e submetidos a uma saraivada de perguntas, os participantes, egressos das classes C e B e de variados matizes ideológicos, lhe estenderam tapete vermelho. “Ele apareceu como o homem com coragem para enfrentar o sistema”, diz Gehres. Foi nesse momento que ambos ouviram, pela primeira vez, de Joaquim Barbosa, um aceite condicionado a estrutura de campanha.

A eleição de ponta-cabeça, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ‘Dark Horse’ comprova que os Bolsonaro são o maior inimigo da direita nacional

Não se pode nem dar um pulo de duas semanas ali na França, porque a política dá mais uma de suas tantas cambalhotas e o ambiente que se encontra na volta é bastante diferente do que se deixou na ida. Há 15 dias, a candidatura do presidente Lula parecia moribunda, enquanto a de Flávio Bolsonaro estava cheia de energia. Hoje, Lula está muito vivo e ativo nas pautas eleitoreiras, enquanto Flávio se debate em meio à tempestade.

O tal áudio com o “irmão” (ou “mermão”) Daniel Vorcaro já seria uma pancada e tanto nas pretensões e nos índices de Flávio nas futuras pesquisas, mas o pedido de dinheiro ter sido justamente na véspera da prisão do então banqueiro, no valor estratosférico de R$ 134 milhões e com depósitos que chegaram a R$ 61 milhões, é de arrebentar.

Flávio Bolsonaro na rede com Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Se você desconfia do que Daniel Vorcaro contratava ao contratar o escritório de advocacia da mulher de Alexandre de Moraes, desconfiará da intenção do banqueiro ao investir, sob o aval da família Bolsonaro, no filme sobre Jair Bolsonaro. Este é o incômodo que perturba o bolsonarismo: ter caído na rede vorcárica, emaranhado Flávio Bolsonaro na mesma trama de suspeição em que está Xandão.

Uma luz na escuridão moral, por Jorge. J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Enfraquecido eleitoralmente por seus próprios atos, Flávio Bolsonaro torna-se risco menor para a estabilidade institucional

A revelação de que políticos com possibilidade de êxito na disputa dos mais altos postos eletivos da República tiveram ou têm vínculos com gângsteres que atuavam com desenvoltura nos melhores ambientes sociais e econômicos talvez cause a impressão de que, em algum momento, este País perdeu o prumo. A essa sensação de degradação moral podem somar-se outras, como a de que tal perda seja apenas a culminância de um lento, longo, mas inexorável processo de estagnação econômica e social.

Dirigentes políticos eram generosamente financiados pela rede de corrupção que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estendeu sob os olhos temporariamente complacentes do órgão incumbido de regular suas atividades. A decomposição ética de parte do sistema político desvelada pelas investigações da Polícia Federal (PF) a respeito de crimes cometidos pelo Banco Master, de Vorcaro, é mais uma entre muitas informações e situações que preocupam o cidadão já às voltas com as agruras cotidianas.

O caderninho do Daniel, por Tom Farias

Folha de S. Paulo

Por trás da narrativa de um patrocínio meramente comercial, escondem-se laços que podem vir de um passado ainda mais perturbador

Patrimonialismo brasileiro ganha contornos na promiscuidade entre financiamentos heterodoxos e políticos de gabinete

O nome de Daniel Vorcaro virou sinônimo de mesadinha, jatinhos de luxo e, na semana passada, de grande mecenas de filme supostamente superfaturado sobre a jornada heroica de um ex-presidente condenado e inelegível. Em linhas gerais, seria trágico se não fosse cômico.

As revelações das conversas entre o ex-dono do banco Master, preso na Polícia Federal, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pacificam controvérsias. Nas mensagens, eles se tratam de forma amistosa, em uma verdadeira comédia de elogios mútuos, mas que, no fundo, encobre a realidade nua e crua dos fatos.

Farra populista é arma de governantes impopulares, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Uso abusivo da máquina pública é das práticas mais corriqueiras e menos punidas da política brasileira

A culpa não é da reeleição, que quando foi instituída já ia longe a tradição do uso patrimonialista do Estado

A ofensiva populista do governo em prol da campanha do presidente Luiz Inácio da Silva (PT) prova que não se deve subestimar a força do aparelho de Estado. Descortina também o alto grau de preocupação com o risco de Lula não se reeleger.

O governo não se afogou nas águas da recusa de uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com todas as dificuldades, está bem vivo e sem nenhum constrangimento em fazer uso da máquina pública para atender as necessidades eleitorais do chefe.

Facções criminosas se alimentam da politicagem eleitoral, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Elaborada em 2024, PEC da Segurança está travada por Alcolumbre no Senado

Espetáculo das matanças não altera ocupação de territórios no Rio, que só cresce

Ao olhar para ruas e esquinas do bairro onde vivem, 41% dos brasileiros notam a presença de criminosos envolvidos com tráfico ou milícias. No Rio, a exploração de serviços de internet por bandidos alcança 37 municípios. São dados de um cotidiano desesperador. Ninguém pode garantir que, nos próximos levantamentos sobre o avanço das facções no país, haverá diminuição ou controle do perigo que mora ao lado.

Centrão caminha para neutralidade como caminho na eleição após crise na campanha de Flávio Bolsonaro

Por Lauriberto Pompeu e Luísa Marzulho / O Globo

Palanque de vidro

Relação entre Flávio e Vorcaro afeta alianças locais e reforça opção do Centrão de ficar neutro na eleição

Integrantes da cúpula de partidos do Centrão reforçaram a intenção de adotar a neutralidade na corrida presidencial após o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, aparecer em diálogos pedindo dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. União Brasil, PP e Republicanos, cobiçados pela fatia robusta de fundo eleitoral e tempo de televisão, ainda não bateram o martelo sobre a decisão, mas a tendência é liberar os filiados para apoiar o candidato que desejarem. A crise provocada pelas revelações também interrompeu negociações regionais para a formação de palanques nas eleições deste ano e alterou o panorama em alguns estados.

Desde que foi escolhido por Jair Bolsonaro para concorrer ao Palácio do Planalto, Flávio nunca teve o aval das cúpulas dos principais partidos do Centrão. Essas legendas, porém, mantêm pontes com o bolsonarismo e incentivaram uma aproximação.

Disputa inglória, por Merval Pereira

O Globo

Há anos estamos no dilema de escolher o candidato menos ruim, em vez de projetos. Talvez essa luta autofágica permita aos que não estão nela encontrar um caminho alternativo.

O sucesso — no sentido de superação, não de vitória — da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República não depende mais dele, nem mesmo do seu pai, mas dos outros segredos que porventura tenha e que quase certamente surgirão no decorrer das investigações da Polícia Federal (PF) e do que mais terá a contar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em sua delação premiada. Difícil acreditar que nada de novo surja, sobretudo porque Flávio perdeu a credibilidade junto aos seus por ter escondido a relação com Vorcaro. O que mais terá escondido?

A direita e seu longo deserto, por Fernando Gabeira

O Globo

Sempre afirmei que Lula é o favorito. Outro dia, em Nova York, agências dos EUA também afirmaram seu favoritismo

Na semana do inferno astral de Flávio Bolsonaro, com opiniões abundantes no ar, meus pensamentos me levaram ao passado, às primeiras eleições que acompanhei. Lembro-me do Brigadeiro Eduardo Gomes e de como era mencionado: brigadeiro, bonito e solteiro.

Desde que me entendo por gente, a direita sempre perdeu eleições para candidatos populares. Por isso tenho visto tantos golpes, fracassados ou não. A redemocratização trouxe novidades. Collor foi uma delas. Passagem meteórica pelo governo. Bolsonaro, em 2018, foi outra. Passagem quase meteórica, pois não se reelegeu.

Sinais de freio em ano eleitoral, por Míriam Leitão

O Globo

Alta da inflação e desaceleração do PIB complicam cenário eleitoral do atual governo, que deve evitar medidas com efeitos colaterais na economia

O índice de atividade econômica do Banco Central, divulgado ontem, mostrou que em março o país não cresceu. Encolheu, na verdade. Mesmo com a queda de 0,7% da economia em março, o Brasil teria crescido 1,3% no primeiro trimestre por essa medida do BC. O IBGE deve divulgar em duas semanas um resultado mais fraco do que isso. O começo do ano foi puxado pelo agronegócio, que está diante de temores sobre o que será o resto de 2026, em que os custos aumentam e os preços internacionais caem. Na pesquisa Focus de ontem, o mercado elevou a projeção para a Selic no fim do ano.

IA de 2028, por Pedro Doria

O Globo

Há a convicção de que não há mais nada de terrivelmente importante por inventar

A Anthropic publicou em seu site, na última quinta-feira, um ensaio sobre a disputa entre Estados Unidos e China na corrida da inteligência artificial. É, simultaneamente, uma análise da indústria neste momento, uma previsão a respeito do futuro próximo, uma reflexão política — e um aceno, uma bandeira branca, erguida para o governo Donald Trump. No geral, a análise não é surpreendente, apenas repete o que muita gente no Vale do Silício já vem dizendo faz algum tempo. Mas há algo que começa a aparecer de forma consistente: em 2028, chegaremos a um ponto da IA em que ela de alguma forma ultrapassa a capacidade humana. É agora a previsão de Dario Amodei, CEO da Anthropic, mas reafirma o que disse Sam Altman, da OpenAI, e está muito próximo da linha de chegada de Demis Hassabis, o Prêmio Nobel que dirige a IA do Google. (Hassabis, um pouco mais conservador, fala entre 2028 e 2030.)

Flavio Bolsonaro, el desplome de un corrupto, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Daniel Vorcaro se ha transformado en el amigo más tóxico de la clase política y de los jueces brasileños. En efecto, son muchos los personajes de la escena política y judicial que se han beneficiado de su generosidad a cambio de influencia y futuros favores en la línea de crédito del “banquero”, actualmente transformado más bien en el jefe de un enorme esquema destinado a fraudar a usuarios, entes públicos, fondos del seguro social y el Banco de Brasilia, al cual le vendió una extensa y billonaria cartera de cuentas deficitarias.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Delação de Daniel Vorcaro não pode ser seletiva

Por O Globo

Proposta omitiu fatos conhecidos pela polícia. Não faz sentido ele entregar menos do que já se descobriu

É compreensível que a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro venha cercada de expectativas. Afinal, Vorcaro está no centro do escândalo do Banco Master, liquidado no ano passado pelo Banco Central (BC) depois da descoberta de um esquema bilionário de fraudes — e é conhecido pelas relações com altas figuras da República e pelo acesso aos gabinetes do poder em Brasília. Não há dúvida de que sua colaboração com a Justiça pode dar contribuição inestimável às investigações. Mas é fundamental que ele realmente esteja disposto a falar tudo o que sabe e a fornecer provas do que disser.

Crise na pré-campanha de Flávio Bolsonaro dificulta escolha de vice, por Beatriz Roscoe

Valor Econômico

Nomes de Romeu Zema e de Tereza Cristina perdem força para compor chapa depois da operação contra Ciro Nogueira e ligação de presidenciável com Daniel Vorcaro

Se a operação contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) abriu um dilema na campanha ao Palácio do Planalto de Flávio Bolsonaro (PL) há algumas semanas, o vazamento de conversas do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, embaralhou ainda mais o cenário para a definição da vaga de vice. Com os dois episódios, os principais cotados para compor a chapa presidencial - Romeu Zema (Novo) e Tereza Cristina (PP-MS) - mergulharam a articulação da pré-campanha em impasses estratégicos.

Apesar dos imbróglios, interlocutores do pré-candidato do PL afirmam que a definição da vice ainda está longe de acontecer, mas admitem que os últimos episódios devem impactar na configuração da chapa. A orientação agora é tentar dizimar desconfianças em relação ao nome de Flávio para evitar impacto negativo nas pesquisas eleitorais.

Do Mensalão ao Master, corrupção multiplicada, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Lista de pagamentos de Daniel Vorcaro eleva exponencialmente os patamares da corrupção na política brasileira

Em 2003, a esposa do então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, sacou R$ 50 mil na agência do Banco Rural em Brasília. Esse valor teria sido transferido pelo publicitário Marcos Valério, operador de um grande esquema de corrupção batizado dois anos depois por Roberto Jefferson de “Mensalão”.

O nome vinha de uma suposta rotina de pagamentos periódicos para parlamentares e partidos da base aliada no primeiro mandato de Lula para se posicionarem a favor do governo em votações importantes.

De acordo com reportagens da época, o “valerioduto” abastecia os bolsos de políticos no varejo com dezenas ou centenas de milhares de reais. Já os líderes partidários foram destinatários de quantias mais expressivas. Valdemar Costa Neto levou R$ 8,8 milhões para o PL, o falecido José Janene e seus colegas Pedro Henry e Pedro Corrêa teriam movimentado R$ 11 milhões em nome do PP e o próprio Roberto Jefferson conseguiu R$ 4 milhões para o PTB.

Pleno emprego ou subutilização? Por João Saboia

Valor Econômico

Uma análise mais profunda dos dados da Pnad Contínua mostra que alguns problemas antigos permanecem, embora em menor escala

O mercado de trabalho tem apresentados alguns indicadores bastante favoráveis nos últimos meses. Forte capacidade de geração de empregos, desemprego em queda, renda em alta e redução da informalidade são atributos desejáveis em qualquer mercado de trabalho. E isso tem acontecido no Brasil a ponto de até mesmo se ouvirem comentários de que estaríamos em situação de pleno emprego, ou quase lá.

Mas uma leitura mais cuidadosa dos dados da Pnad Contínua do IBGE mostra que nem tudo são flores. Alguns problemas antigos permanecem, embora em menor escala, mas estão aí para serem reconhecidos e enfrentados.

Política ou cancelamento? Por Denis Lerrer Rosenfield*

O Estado de S. Paulo

A política no sentido nobre do termo se define pelo diálogo, pela persuasão, pelo não emprego da coerção e da violência

As universidades, sobretudo as públicas, federais e estaduais, têm sido vítimas da intolerância e do apagamento das diferenças, senão da violência. Perdem elas com isso a sua função primordial de debate de ideias, de respeito à diversidade e de exercício da racionalidade. E foram tomadas por grupelhos, autodenominados políticos, que destroem prédios, proíbem aulas e palestras discordantes de seus pontos de vista partidários e dogmáticos. É o dogma transformado em “verdade”. Há maior perversão acadêmica do que essa?

A frágil virada à direita da América Latina, por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

A onda conservadora que varreu a América Latina nas eleições de 2025 – simbolizada pela derrota da esquerda na Bolívia e pelos triunfos de líderes conservadores no Equador, no Chile, na Argentina e em Honduras – tem sido interpretada, por vários analistas, não como mais um capítulo de um pêndulo político movido por insatisfação econômica e rejeição aos governantes, mas como um reordenamento ideológico mais duradouro. Essa transição seria movida por uma preocupação crescente do eleitorado latino-americano com a segurança pública, o crescimento da população evangélica e a volta de Trump à Casa Branca, entre outros fatores. Vários apostavam, portanto, em uma consolidação da tendência em 2026, nas eleições no Peru, na Colômbia e no Brasil.

Relação de Flávio com Vorcaro afeta palanques de aliados, que tentam evitar contaminação da crise do Master nas campanhas

Por Lauriberto Pompeu e Luísa Marzullo / O Globo

Negociação entre senador e banqueiro já provoca desgastes em Santa Catarina, reforça afastamento em estados do Nordeste e provoca constrangimentos em São Paulo e Minas

BRASÍLIA - A crise provocada pela revelação das negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro interrompeu negociações para a formação de palanques nas eleições deste ano. Enquanto aliados do bolsonarismo tentam conter publicamente os danos do caso envolvendo o Banco Master, outros partidos e líderes estaduais passaram a recalcular o custo eleitoral de atrelar suas campanhas ao projeto presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dirigentes partidários, governadores e parlamentares discutem estratégias para evitar que o desgaste nacional da crise contamine disputas locais consideradas competitivas.

O movimento já produz reflexos em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Ceará e Distrito Federal e acelerou disputas internas dentro do próprio campo bolsonarista.

Quando um ministro caía por US$ 830, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Hoje, quando apanhado, o corrupto se declara vítima. Quando não tem mais jeito de negar, vai para a delação premiada

Estamos em 1993, o presidente da República é Itamar Franco, e seu ministro da Fazenda é Eliseu Resende. Vaza a informação de que Resende recebera vantagens impróprias de uma empreiteira durante viagem a Nova York. Itamar o demite. A empreiteira era a Andrade Gutierrez, que pagara uma conta de hotel de Resende. Valor: US$ 830!

Reparem. O ministro, técnico respeitado, caiu por aceitar uma cortesia de míseros US$ 830. E mais: a viagem havia sido feita antes de Resende assumir o Ministério da Fazenda. Em dinheiro de hoje, esse valor paga uma diária no hotel Península de Londres, onde algumas autoridades se hospedaram por alguns dias, comeram e beberam por conta de Daniel Vorcaro. E acharam tudo muito normal.